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Mediunidade com Kardec

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  • 76. O que é médium esponja e como ele pode se proteger?

    A expressão médium esponja, surgida informalmente no movimento espírita brasileiro, é empregada para designar médiuns que, por sua sensibilidade acentuada, não apenas percebem determinadas impressões, mas as sentem com grande intensidade. O que é médium esponja e como ele pode se proteger? Essas sensações, atribuídas a influências espirituais ou fluídicas, podem ocorrer na presença de certas pessoas ou em determinados ambientes, manifestando-se por abatimento repentino, inquietação, arrepios sem motivo aparente, cansaço ou sensação de peso. Em outras circunstâncias, podem ser agradáveis, despertando tranquilidade e bem-estar. É sobretudo diante dessas experiências desagradáveis que se costuma recorrer à imagem da esponja, como se o médium absorvesse indiscriminadamente (sem filtros) as energias emanadas dos encarnados e desencarnados ou presentes nos ambientes com os quais entra em contato. Isso não significa, no entanto, que todo mal-estar experimentado pelo médium decorra de uma ação espiritual perturbadora, da atmosfera pesada do recinto ou de uma suposta mediunidade forte. Muitas vezes, esses abalos estão relacionados a fatores físicos, sensoriais ou psicológicos do próprio indivíduo, inclusive à maneira como seu sistema nervoso responde aos estímulos do ambiente. Pessoas com maior sensibilidade sensorial, por exemplo, podem experimentar inquietação, fadiga ou irritabilidade em lugares movimentados, devido ao excesso de ruídos, luzes, odores e informações que precisam processar simultaneamente. Em outros casos, a ansiedade, o estresse ou determinadas condições de saúde podem produzir efeitos semelhantes, mesmo sem qualquer estímulo ambiental evidente. Desse modo, a educação mediúnica precisa estar associada ao autoconhecimento e aos cuidados com a saúde física e mental. A fé raciocinada e o senso crítico ajudam o médium a examinar com prudência as sensações que experimenta, sem tirar conclusões irrefletidas ou apressadas sobre sua origem. Por isso, é importante que o médium aprenda a observar as circunstâncias em que essas sensações se manifestam, procurando reconhecer o que pode estar relacionado ao seu próprio estado físico e emocional, às condições do ambiente ou a possíveis influências espirituais. (vide questão 66: Como saber se o que estou sentindo é físico ou espiritual?) Esse discernimento exige cautela, pois a intensidade do mal-estar, por si só, não comprova uma mediunidade abundante, sem controle, muito menos uma faculdade mediúnica excepcional, acima da média. Ainda que o desconforto seja real, atribuí-lo precipitadamente à mediunidade pode alimentar o fanatismo, a supervalorização da própria faculdade e a visão romantizada de que a mediunidade seja sinônimo de sofrimento. MÉDIUM ESPONJA x MÉDIUM SENSITIVO Existem, sem dúvida, médiuns que percebem com maior intensidade a aproximação dos Espíritos e determinadas influências fluídicas de pessoas e ambientes. É para designá-los que se emprega, entre os espíritas brasileiros, a expressão médiuns esponja. A escolha da palavra esponja para caracterizar esses médiuns pode ter sido inspirada na analogia empregada por Allan Kardec no capítulo XIV, item 18, de A Gênese. Nessa passagem, o Codificador explica como o perispírito assimila os fluidos espirituais. Segundo o autor, esse envoltório semimaterial, que liga o Espírito ao corpo físico durante a encarnação, possui natureza semelhante à dos fluidos espirituais, assimilando-os como uma esponja se embebe de um líquido. Esses fluidos, ao atuarem sobre o corpo espiritual, podem repercutir no corpo físico, produzindo efeitos salutares ou penosos, conforme sua natureza. A expressão médium esponja não corresponde a uma categoria mediúnica definida por Kardec em suas obras. Ainda assim, algumas das características atualmente associadas a essa denominação podem ser relacionadas aos fenômenos descritos e analisados pelo Codificador. No item 164 de O Livro dos Médiuns, Allan Kardec descreve os médiuns sensitivos ou impressionáveis como aqueles capazes de perceber a presença dos Espíritos por meio de impressões vagas, por vezes semelhantes a um leve contato, cuja origem inicialmente não conseguem explicar. Kardec acrescenta que, com o hábito, essa percepção pode tornar-se mais apurada, permitindo ao médium reconhecer, pelas sensações que experimenta, a natureza boa ou má do Espírito que se aproxima e, em certos casos, até sua individualidade. Exemplificando essa forma de percepção, o autor espiritual André Luiz, em Nos Domínios da Mediunidade (cap. 26), pela psicografia de Chico Xavier, relata uma experiência ocorrida em um museu, onde uma jovem desencarnada permanecia ligada a um antigo espelho em exposição, por lembranças de sua vida terrena. Ao perceber que uma visitante encarnada admirava o objeto, a jovem desencarnada aproximou-se e tocou-lhe os ombros, provocando-lhe um calafrio. Sem perceber que havia sido tocada por um Espírito, a senhora atribuiu a sensação à atmosfera do museu, que lhe pareceu fúnebre, sugerindo aos acompanhantes, em seguida, que deixassem o local. André Luiz, com base nos esclarecimentos do instrutor Áulus, relata que a visitante possuía acentuada sensibilidade mediúnica, pois reagiu fisicamente ao contato da jovem desencarnada, sem reconhecer que o calafrio havia sido provocado pela aproximação e pelo toque de um Espírito. O médium esponja, por sua vez, é caracterizado pela intensidade das sensações que experimenta, muitas vezes acompanhadas de desconforto ou mal-estar (diferente do médium sensível cuja presença dos Espíritos é percebida através de uma impressão vaga, sem grande afetação), como se absorvesse, sem filtros ou possibilidade de escolha, e até contra a própria vontade, os fluidos provenientes de outras pessoas, dos Espíritos ou do ambiente em que se encontra. É importante destacarmos que a facilidade com que determinados médiuns registram indícios espirituais ou energéticos não significa, necessariamente, que assimilem fluidos em maior quantidade ou intensidade do que outras pessoas. COMO AGIR DIANTE DE SENSAÇÕES DESAGRADÁVEIS Em suas atividades diárias, diante de uma sensação desagradável de origem fluídico-espiritual, o medianeiro pode recorrer, sem alardes, a uma breve prece, elevando o pensamento a Deus e solicitando o amparo dos bons Espíritos, além de buscar manter a serenidade e a firmeza de vontade, sem alimentar pensamentos de medo, irritação ou revolta. Alguns médiuns também costumam imaginar, durante a prece, uma esfera de luz envolvendo o próprio corpo, funcionando como um escudo vibracional. Não se trata, todavia, de um ritual de proteção, mas de criar em sua mente condições necessárias que lhe faculte receber o amparo espiritual. Outro recurso encontrado na literatura espírita é o autopasse, no qual o próprio médium, rogando o auxílio do seu anjo guardião, dispersa os fluídos que julga malsão e repõe, em seguida, os fluidos salutares. Não obstante, esses cuidados não devem se limitar aos momentos de desconforto. Em Segurança Mediúnica, no capítulo O médium e a sintonia, o benfeitor Miramez, pela psicografia de João Nunes Maia, explica a relação entre os pensamentos, as disposições íntimas e as companhias espirituais com as quais estabelecemos afinidade e atraímos ao nosso encontro. (vide questão 62) A vigilância, nesse sentido, consiste em observar e educar os próprios pensamentos, evitando alimentar sentimentos que favoreçam a sintonia com Espíritos inferiores. Isso não significa que um médium equilibrado deixe de experimentar impressões desagradáveis. Mesmo aqueles que procuram manter uma boa sintonia espiritual podem enfrentar situações incômodas e importunas. A diferença está nos recursos que desenvolvem para lidar com essas experiências, sem permitir que o desconforto comprometa continuamente sua tranquilidade ou suas responsabilidades. Ainda que ninguém esteja totalmente imune às interferências espirituais e energéticas prejudiciais, a melhor proteção de que o médium dispõe em seu dia a dia está no esforço constante pela sua reforma íntima, que deve se refletir em uma conduta orientada pelos ensinamentos de Jesus, na observância das leis divinas e, principalmente, no exercício da caridade gratuita e desinteressada. Esse modo de proceder favorece uma consciência tranquila e equilibrada, contribuindo para elevar seu padrão vibratório e fortalecer sua afinidade com os bons Espíritos. A aproximação dos Espíritos superiores, por sua vez, contribui para afastar as influências espirituais perturbadoras, assim como a luz dissipa as trevas. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima. Capítulo 8: Definições e Conceitos Importantes Pergunta 76: O que é médium esponja e como ele pode se proteger? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS KARDEC, Allan. A Gênese. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. FEB Editora, 2013. KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 9ª edição. Editora Boa Nova, 2004. XAVIER, Francisco Cândido (psicografia). Nos Domínios da Mediunidade. André Luiz (espírito). FEB Editora, 2018. MAIA, João Nunes (psicografia). Segurança Mediúnica. Miramez (espírito). Fonte Viva, 2ª edição, março de 2015.

  • 75. O que é médium de apoio e qual sua função em uma reunião mediúnica?

    Entre os componentes de uma reunião mediúnica espírita encontram-se o dirigente, o dialogador, os médiuns ostensivos, os médiuns de apoio e os passistas. Cada uma dessas funções possui particularidades próprias, o que requer conhecimentos, disciplina e aptidões compatíveis com o seu exercício. Para atender a esses requisitos, a casa espírita desenvolve um processo de formação que compreende o estudo teórico-prático da mediunidade e a preparação para as diferentes atribuições desse trabalho, especialmente por meio do Grupo de Estudos Mediúnicos (GEM). (vide questão 36) O que é médium de apoio e qual sua função em uma reunião mediúnica? ​Durante esse processo formativo, observam-se as aptidões de cada participante, o que permite definir a função que lhe caberá desempenhar na reunião. Aqueles em quem a faculdade mediúnica se encontra caracterizada atuam como médiuns ostensivos. Os que não a apresentam de forma evidente contribuem na sustentação e no apoio do grupo, enquanto os que demonstram inclinação para o diálogo com os Espíritos atuam como dialogadores. O passe, embora integre as atividades da equipe, não constitui uma tarefa exclusiva, somando-se às atribuições de quem já desempenha outras funções no trabalho mediúnico. De modo semelhante, a tarefa do esclarecedor acumula-se, com frequência, com as atribuições do próprio dirigente da reunião. Essa diversidade de atuações, contudo, não estabelece qualquer diferença de valor entre os trabalhadores, uma vez que a sustentação psíquica, o intercâmbio mediúnico e o diálogo com os Espíritos possuem idêntica importância para o equilíbrio da reunião. Em outras palavras, a atuação do médium de apoio, a do médium ostensivo e do dialogador não guardam qualquer hierarquia de valor entre si. Sendo a faculdade mediúnica uma possibilidade de comunicação com o mundo espiritual e neutra em sua natureza, o seu exercício não constitui, por si só, sinal de superioridade moral ou de elevação espiritual, assim como a sua ausência não representa condição de inferioridade. A distribuição das funções decorre unicamente das aptidões de cada integrante, convergindo todas para a finalidade comum do grupo. O QUE É MÉDIUM DE APOIO E QUAL SUA FUNÇÃO EM UMA REUNIÃO MEDIÚNICA? A reunião mediúnica é um trabalho de ordem coletiva, no qual diferentes integrantes desempenham funções que se complementam. Nem todos participam do intercâmbio espiritual da mesma maneira. Enquanto os médiuns ostensivos atuam diretamente como intermediários dos Espíritos comunicantes, outros trabalhadores contribuem para a sustentação do trabalho, oferecendo as condições necessárias para que o atendimento se desenvolva. É nesse segundo grupo que se situa o médium de apoio, também conhecido como médium de sustentação. O médium ostensivo é o trabalhador que, na reunião mediúnica, atua diretamente como intermediário dos Espíritos comunicantes. Para isso, manifesta uma faculdade mediúnica bem caracterizada, como a vidência, a psicofonia, a audiência ou a psicografia. O médium de apoio, por sua vez, participa ativamente do mesmo trabalho, mas essa atuação não se dá pela intermediação dos Espíritos em atendimento. Sua função é contribuir para que o intercâmbio mediúnico se desenvolva de forma harmoniosa e que o ambiente da reunião se mantenha favorável às atividades em curso. Cabe-lhe, portanto, acompanhar atentamente as manifestações espirituais, mantendo a concentração, a vigilância e a disposição para a prece, além de cultivar uma atitude mental e espiritual voltada à sustentação e ao equilíbrio do grupo. Suely Caldas Schubert oferece elementos fundamentais para compreender essa participação. Em Obsessão/Desobsessão: Profilaxia e Terapêutica Espíritas, ao tratar da contribuição dos encarnados em uma reunião mediúnica, a autora explica que os participantes sustentam a tarefa ao fornecerem os recursos fluídicos que os trabalhadores espirituais manipulam no atendimento aos comunicantes. Schubert destaca, assim, que o trabalho da equipe não se limita aos médiuns ostensivos e ressalta a necessidade de harmonia no grupo, uma vez que a mesma cota de doação é exigida de todos os membros da mesa. É importante destacar que as expressões médium de apoio e médium de sustentação não fazem parte da classificação dos médiuns apresentada por Allan Kardec. Essas denominações foram adotadas posteriormente pelo movimento espírita brasileiro para designar uma função específica dentro da reunião mediúnica. Assim, o emprego do termo médium nessa nomenclatura não significa a existência de uma modalidade própria de mediunidade, denominada mediunidade de apoio ou de sustentação. Trata-se de uma designação funcional atribuída ao trabalhador que exerce essa função na reunião. DIALOGADOR x MÉDIUM DE SUSTENTAÇÃO O papel do médium de apoio não deve se confundir com o do esclarecedor. O dialogador, anteriormente denominado doutrinador, é o trabalhador encarregado de estabelecer o diálogo com o Espírito comunicante, buscando auxiliá-lo por meio da palavra, do esclarecimento e da orientação fraterna. Essa função pode ser exercida pelo próprio dirigente da reunião ou por outro integrante da equipe previamente preparado para essa tarefa. O médium de apoio, por sua vez, não estabelece o diálogo com os Espíritos comunicantes. Sua atuação ocorre no âmbito da sustentação do trabalho e requer o mesmo compromisso com a preparação moral, física e mental exigido dos demais integrantes da equipe. Por isso, sua participação não deve ser entendida como secundária, mas como parte integrante da organização da reunião mediúnica. Durante o atendimento, o médium de sustentação deve acompanhar atentamente o diálogo, mantendo-se vigilante e em sintonia com a condução do trabalho. Essa atenção, entretanto, não deve levá-lo a participar mentalmente da conversa como se também estivesse dialogando com o Espírito comunicante. Em Diálogo com as Sombras, Hermínio C. Miranda adverte justamente para esse risco ao orientar que os participantes não se envolvam mentalmente na conversa a ponto de interferir no diálogo estabelecido entre o doutrinador e o Espírito. Isso não impede que o médium de apoio acompanhe o raciocínio desenvolvido pelo dialogador, concorde interiormente com uma orientação adequada ou mantenha pensamentos de simpatia, fraternidade e auxílio em favor do Espírito atendido. O que se deve evitar é a formação de uma segunda interlocução mental, na qual o médium de sustentação passe a elaborar respostas próprias, corrigir mentalmente o dialogador ou estabelecer, por sua conta, um diálogo paralelo com o comunicante. Ainda que suas intenções sejam boas e que suas ideias coincidam com aquilo que está sendo dito, essa postura pode dispersar sua atenção e interferir na sintonia necessária ao trabalho. Além disso, a interlocução paralela pode ser aproveitada pelo Espírito comunicante para criar uma oposição entre os trabalhadores. Ao perceber a intervenção mental do médium de apoio, poderá usá-la para contestar o dialogador, fazendo parecer que suas próprias palavras não encontram concordância entre os integrantes da equipe. Poderá, então, questionar por que deveria ouvi-lo, declarar que não o reconhece como alguém capaz de atendê-lo e dirigir-se àquele que, mentalmente, interferiu no diálogo. Nessa situação, o Espírito comunicante poderá procurar estimular a vaidade do médium de apoio, valendo-se de elogios e estabelecendo com ele um diálogo mais suave, em contraste com a forma como se relacionava com o dialogador. Se houver alguma animosidade entre o médium de sustentação e o dialogador, encontrará nela outro elemento para alimentar essa divergência. Assim, aquilo que o médium de apoio fez com intenção de auxiliar pode ser aproveitado pelo comunicante para enfraquecer o dialogador e dividir a equipe, comprometendo o equilíbrio e a harmonia da reunião. Essa compreensão permite distinguir a participação mental do médium de apoio de uma intervenção no atendimento. Enquanto o dialogador conduz a conversa e busca o esclarecimento do Espírito por meio da palavra, o médium de sustentação acompanha o atendimento sem assumir a interlocução. Sua contribuição permanece, assim, voltada à sustentação do trabalho, dentro da organização estabelecida pelo dirigente. Para aqueles que desejam conhecer ou aprofundar seus estudos sobre os médiuns de apoio, recomendamos a leitura do capítulo IX, intitulado “Salvo pelo elemento de sustentação”, da obra Bastidores da Mediunidade, psicografada por Emanuel Cristiano, pelo Espírito Nora. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima. Capítulo 8: Definições e Conceitos Importantes Pergunta 75: O que é médium de apoio e qual sua função em uma reunião mediúnica? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS SCHUBERT, Suely Caldas. Obsessão/desobsessão: Profilaxia e Terapêutica Espíritas. 2ª edição. FEB Editora, 2015. MIRANDA, Hermínio C. Diálogo com as Sombras. FEB Editora, 2018.

  • 74. Crianças e recém-nascidos podem ser vítimas de obsessão?

    A depender dos erros passados e dos ajustes a serem compensados na nova existência, a criança pode sofrer a aproximação e o ataque de antigos desafetos desde o berço. Dentre as aflições espirituais, a obsessão infantil destaca-se como a mais angustiante e dolorosa. Isso ocorre porque o Espírito traz gravada em seu corpo espiritual toda a carga energética de suas ações pretéritas, sejam elas de cunho superior ou de ordem inferior. Movido por uma consciência culposa em busca de remissão, o reencarnante emite —inconscientemente — frequências específicas que atraem seus adversários de outras vidas. É justamente nesse ponto que atua a lei de sintonia, pois o remorso do devedor e a mágoa do credor vibram na mesma faixa de frequência, criando um vínculo magnético inevitável . (vide questão 56: Sintonia e Afinidade: Como os pensamentos atraem ou repelem certos Espíritos? ) Em virtude desse entrelaçamento psíquico, os cobradores do passado aproximam-se do berço ainda dominados pelo anseio de retaliação e com a firme resolução de afligir o devedor. Compartilhando dessa linha de pensamento, Manoel Philomeno de Miranda, em Mediunidade: Desafios e Bênçãos , pela psicografia de Divaldo Franco, esclarece que onde se encontra o endividado aí se faz presente o cobrador, porque ninguém pode desconsiderar os estatutos morais que vigem no Universo, sem sofrer-lhes os efeitos, de acordo com o tipo de agressão praticada. Dessa forma, a consciência culposa é o fator desencadeante que atrai magneticamente os envolvidos na trama reparadora, estabelecendo a sintonia perfeita entre os litigantes, por força da própria necessidade de reparação. No entanto, a misericórdia divina assegura que nenhum de seus filhos permaneça sem auxílio. A criança, durante os primeiros anos de vida, ainda não possui condições de exercer — por si mesma — a oração e a vigilância sobre as próprias atitudes e pensamentos. Desse modo, os guias e benfeitores espirituais do recém-reencarnante assumem a guarda direta dessa fase inicial e acompanham cada detalhe das provações em curso. Embora realizem intervenções precisas para resguardar a criança, esses amigos invisíveis atuam sempre dentro dos limites estabelecidos pela lei de causa e efeito . DINÂMICA DA AÇÃO OBSESSIVA Conforme elucida Manoel Philomeno de Miranda, em sua obra acima citada, a forma de atuação desses obsessores é bastante peculiar. O magnetismo de culpa carregado pelo reencarnante funciona como um atrativo para os seus algozes, o que fatalmente promove o reencontro de ambos. Embora a reencarnação ofereça ao Espírito um novo corpo e uma identidade sem semelhanças com a anterior, ele ainda é identificado por seus antigos desafetos. Devido à ideação fixa de vingança, o perseguidor é incapaz de notar a transformação biológica da vítima. Para ele, a aparência de criança não existe; ele vê apenas o adversário tal qual o conheceu em outra existência, com a mesma roupagem de outrora , de quando tombaram nas malhas do crime. Em outras palavras, o obsessor não reconhece ali uma criança porque sua referência de identidade não é o corpo físico, mas o Espírito que o anima. Para o credor, a idade biológica não importa; seu foco está inteiramente no Espírito com quem possui um débito pretérito. Assim, ele vê a infância apenas como uma posição de extrema vulnerabilidade do seu antigo desafeto, valendo-se dessa brecha para agir como verdugo e cobrar as dívidas do passado. De forma prática, aproveitando essa limitação defensiva, a entidade obsessora utiliza o magnetismo para desprender a criança de seu corpo físico durante o sono. Uma vez fora do corpo, o Espírito do reencarnante é confrontado com as dívidas do passado e, tomado de pavor, busca refugiar-se imediatamente na matéria, voltando de modo abrupto ao seu refúgio carnal. Esse retorno brusco provoca um choque em seu sistema nervoso, fazendo com que a criança desperte sob forte angústia, gritos e tremores. Embora não recorde os detalhes do encontro, que se repetem noite após noite, ela retém as impressões desse embate em forma de flashes ou pesadelos. Esse ciclo ininterrupto de pavor e perseguição consome, pouco a pouco, as forças físicas e mentais do pequeno ser. Essa fragilidade extrema é o que permite à entidade avançar em sua intenção infeliz, culminando em processos de alucinações, vampirismo e subjugação. MEDIUNIDADE EM CRIANÇAS | OBSESSÃO INFANTIL Nesse caso específico, podemos afirmar que a criança traz em si uma mediunidade provacional e perturbadora. Atraindo magneticamente os cobradores de seu passado, ela estabelece íntimo contato com essas entidades maléficas, intercâmbio este que se agrava profundamente durante o sono. Embora a criança não compreenda ou sequer lembre claramente do embate ao acordar, o violento choque emocional atinge seu sistema nervoso, abalando os delicados equipamentos de sua mente. É exatamente o enfraquecimento dessas defesas orgânicas e psíquicas que leva o assédio ao seu clímax. Como o infante não possui os recursos de autodefesa de um adulto, o obsessor encontra o campo livre para se manifestar através das incorporações (ou subjugação). Essa ação traz inúmeros malefícios à criança, abalando o seu organismo físico e mental, o que faculta o surgimento de doenças físicas e distúrbios psicológicos. (vide questão 73: Obsessão espiritual pode afetar a saúde física? ) O resultado desse processo é um quadro comportamental doentio e incontrolável, onde a criança alterna entre os estados depres­sivos e de falta de apetite aos de agressividade e violência, mordendo, golpeando, arrebentando tudo e tentando autodestruir-se . Diante desse cenário, a maldade do perseguidor tende a aumentar, pois ele se regozija ao ver sua vítima sob o seu domínio degradante. CONDUTA DOS PAIS NO PROCESSO OBSESSIVO Diante desse quadro, cabe aos pais e demais familiares agir com extremo amor e paciência para com todos os envolvidos, incluindo os obsessores. O ambiente doméstico deve ser fortalecido através do Evangelho no Lar, aliado à terapêutica do passe e da água fluidificada, recursos amplamente oferecidos nas casas espíritas. Além disso, a prece e a vigilância são ferramentas indispensáveis. Orar pela criança a reveste de fluidos elevados, protegendo-a de energias malsãs, enquanto a prece direcionada ao obsessor age como um bálsamo salutar, plantando sementes de luz e compreensão que, no momento oportuno, acabarão por surtir efeito. Por fim, exige-se dos pais uma vigilância redobrada. Como guardiões da criança, eles invariavelmente se tornam alvo das entidades cobradoras, que tentarão de tudo para irritá-los e desanimá-los, buscando quebrar a defesa do lar. Vale destacar que, além do papel de cuidado e proteção que naturalmente pertence aos pais, há aqui uma responsabilidade bem maior, pois os tutores podem possuir resgates pendentes tanto com a criança quanto com os seus perseguidores. Texto extraído do livro   Mediunidade com Kardec   de  Patrick Lima . Capítulo 7: Obsessões Pergunta 74: Crianças e recém-nascidos podem ser vítimas de obsessão? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS FRANCO , Divaldo Pereira (psicografia). Mediunidade: Desafios e Bênçãos. Manoel Philomeno De Miranda (espírito). Editora LEAL, 2019.

  • 07. A mediunidade é um dom ou um castigo?

    A mediunidade é uma faculdade neutra, sendo o seu detentor responsável direto pelo bom ou mau uso que dela venha a fazer. Para muitos, ela pode ser uma bênção, uma ponte que se estende ao seu desenvolvimento moral e intelectual; para outros, essa aptidão é um sofrimento, um martírio. Em ambos os casos, o intercâmbio espiritual é uma ferramenta que auxilia o progresso do seu portador e, consequentemente, da humanidade. Mediunidade é responsabilidade e não título de nobreza ou destaque social. Para Emmanuel¹, mentor espiritual de Chico Xavier, os médiuns, em sua generalidade, não são missionários na acepção comum do termo; são almas que fracassaram desastradamente , que contrariaram, sobremaneira, o curso das leis divinas, e que resgatam, sob o peso de severos compromissos e ilimitadas responsabilidades, o passado obscuro e delituoso . Dando continuidade ao seu pensamento, esclarece o benfeitor: O seu pretérito, muitas vezes, se encontra enodoado de graves deslizes e de erros clamorosos. Quase sempre, são Espíritos que tombaram dos cumes sociais, pelos abusos do poder, da autoridade, da fortuna e da inteligência, e que regressam ao orbe terráqueo para se sacrificarem em favor do grande número de almas que desviaram das sendas luminosas da fé, da caridade e da virtude . Por fim, o autor espiritual afirma que os medianeiros são almas arrependidas que procuram arrebanhar todas as felicidades que perderam, reorganizando, com sacrifícios, tudo quanto esfacelaram nos seus instantes de criminosas arbitrariedades e de condenável insânia. Portanto, os médiuns, em sua maioria, não são seres aureolados ou altamente evoluídos e distintos, mas almas arrependidas que falharam no passado, agora reencarnadas sob o peso de severos compromissos para resgatar as graves faltas cometidas contra as leis divinas. MEDIUNATO Por outro lado, existem médiuns que conquistaram o mandato mediúnico (mediunato) por meio de uma longa trajetória de sacrifício e dedicação ao bem. Trata-se de uma reencarnação planejada, na qual a mediunidade assume o caráter de missão voltada ao auxílio coletivo. Como exemplo dessa tarefa missionária, recordamos as figuras de Francisco Cândido Xavier, Divaldo Franco, Yvonne do Amaral Pereira, Raul Teixeira, João Nunes Maia, entre outros. Longe dos holofotes, também existem médiuns missionários que trabalham no anonimato. Nesses casos, a responsabilidade é sempre proporcional ao nível de evolução do Espírito. Sendo assim, cada medianeiro possui um compromisso específico, que deve ser desenvolvido independentemente da função ou do local onde a Divindade o posicionou. Em conformidade com essa visão, o instrutor Miramez, por meio da psicografia de João Nunes Maia na obra Segurança Mediúnica , aponta que o dom mediúnico é um tesouro que não foi achado por acaso nos escaninhos da alma, mas conquistado, passo a passo, nos duros processos da evolução do Espírito, onde as mãos de Deus semearam os princípios vivos do amor. MEDIUNIDADE NÃO É PRIVILÉGIO Segundo o autor e pesquisador espírita Hermínio de Miranda, em Diversidade dos Carismas , a mediunidade não é privilégio concedido a alguns e negado a outros para que aqueles possam projetar-se e estes não . As faculdades são distribuídas segundo um programa de ação previamente acertado como instrumento de trabalho para ajudar o processo evolutivo do próprio médium e dos seres aos quais ele estender a mão para socorrer. É, portanto, responsabilidade e não título de nobreza ou destaque social . Em síntese, os dons mediúnicos podem tornar-se uma bênção na vida de quem já despertou para as realidades do espírito e compreende que a caridade é via essencial para que o homem se liberte de suas inferioridades, tais como o orgulho, o egoísmo, o ódio, a inveja e a cupidez. Em termos práticos, trata-se de um chamado ao dever abnegado — exercido gratuitamente — e à responsabilidade moral, que se expressa na consciência e se confirma pela prática do bem, por meio da educação de si mesmo. ( vide questão 54: Mediunidade Gratuita ) Mesmo quando a mediunidade é provacional, ela pode ser compreendida como oportunidade de reparação e reajuste. Ao vivenciá-la com disciplina e vigilância, o médium reconhece com mais clareza as consequências dos próprios atos e encontra motivos concretos para corrigir-se, superando as más tendências que o vinculam ao sofrimento. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 2: Mediunidade Sem Medo Pergunta 07: A mediunidade é um dom ou um castigo? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ¹XAVIER , Francisco Cândido (psicografia). Emmanuel. Emmanuel (espírito). FEB Editora, 2010. MAIA , João Nunes (psicografia). Segurança Mediúnica. Miramez (espírito). Fonte Viva, 2ª edição, março de 2015. MIRANDA , Hermínio C. Diversidade dos Carismas. LACHATRE, novembro de 2019, 9ª edição.

  • 73. Obsessão espiritual pode afetar a saúde física? Em casos graves, pode levar ao óbito?

    No capítulo XVIII de Missionários da Luz , André Luiz, pela psicografia de Chico Xavier, acompanha o atendimento de cinco obsidiados em uma reunião mediúnica e descreve as alterações físicas que se evidenciavam em cada caso. Como a obsessão espiritual repercute na saúde do corpo físico? Em sua observação, o autor menciona inicialmente uma paciente em situação mais grave, com perturbações que iam do cérebro até os nervos lombares e sacros, e ressalta que os efeitos não se restringiam ao sistema nervoso, alcançando também as glândulas e outros órgãos. Nos demais atendidos, observa fenômenos de degradação igualmente relevantes, incluindo intoxicações no fígado e nos rins e um quadro cardiopulmonar que caminhava para insuficiência cardíaca, associado à pré-tuberculose. Nesse contexto, André Luiz, em diálogo com o instrutor Alexandre, questiona se os obsidiados, à vista dos distúrbios fisiológicos que apresentavam, deveriam ser entendidos também como doentes do corpo. Alexandre responde de forma categórica e afirmativa, esclarecendo que o desequilíbrio da mente pode determinar a perturbação geral das células orgânicas . É por este motivo que as obsessões, quase sempre, se acompanham de característicos muito dolorosos. As intoxicações da alma determinam as moléstias do corpo. De acordo com os ensinos do instrutor, os primeiros reflexos do processo obsessivo manifestam-se no campo psíquico do indivíduo, repercutindo posteriormente no organismo físico, em enfermidades de cunho orgânico. Isso decorre da influência energética que o obsessor, pela ligação estabelecida com o obsidiado, lhe transmite. O obsidiado, pouco a pouco, fica envolto em uma massa energética densa, de cunho negativo, o que altera sua psicosfera mental e orgânica, comprometendo sua saúde e integridade a longo prazo. Para que possamos compreender melhor, essas moléstias são oriundas de um fluido pernicioso no qual todo obsidiado se encontra envolto e do qual precisa se desvencilhar o quanto antes. Caso contrário, de forma gradativa, esse fluido malsão vai ganhando proporções cada vez maiores, fomentando graves enfermidades físicas e mentais para o obsedado, podendo, até mesmo, levar à morte prematura do seu corpo físico (dependendo da gravidade e simbiose entre o Espírito e o encarnado). Compartilhando desse mesmo pensamento, o autor Manoel Philomeno de Miranda, em Mediunidade: Desafios e Bênçãos , pela psicografia de Divaldo Franco, adverte que certas influências adoecedoras, quando assimiladas pelo psiquismo, podem repercutir no funcionamento do corpo, afetando seu equilíbrio e fragilizando as defesas orgânicas. Nessa condição, o sujeito pode adoecer de maneira efetiva ou apresentar sintomas físicos perturbadores. OBSESSÃO DE LONGA DURAÇÃO Em uma obsessão de longa duração, o obsidiado corre o risco de não recuperar integralmente a sua saúde, caso não busque auxílio em tempo hábil, podendo permanecer com sequelas irreversíveis. Os danos físicos resultantes da influência obsessiva podem ser proporcionais ao prolongamento dessa comunhão conflituosa, dependendo de cada caso. Ao projetar uma descarga energética negativa sobre a vítima, o Espírito perseguidor fragiliza, paulatinamente, o perispírito do ser encarnado, provocando pequenas fissuras no respectivo corpo espiritual. Esse processo faculta o surgimento de variadas enfermidades e patologias, assim como a propagação de formas-pensamento inferiores. DISPERSÃO DOS FLUIDOS Uma das formas de dispersar esses fluidos nocivos, evitando seu acúmulo, é por meio do passe, muito comum nas casas espíritas. Ainda assim, o passe deve integrar-se a um cuidado espiritual mais completo, conduzido com orientação e continuidade, conforme a necessidade do assistido. ( O QUE FAZER EM CASOS DE OBSESSÃO?) Posto isto, é necessário que o obsidiado, tão logo perceba a perseguição constante que vem sofrendo, procure um centro espírita, a fim de receber a assistência adequada a sua condição. Nesse caso, recomenda-se que o paciente, além da assistência espiritual, mantenha o acompanhamento médico e realize o tratamento físico necessário, conforme orientação do profissional de saúde. Jamais, em hipótese alguma, é recomendado que o enfermo (obsidiado) abandone o seu tratamento físico, com os médicos encarnados, para seguir exclusivamente o acompanhamento espiritista, com os benfeitores espirituais. SIMBIOSE OBSESSIVA Em Loucura e Obsessão , Manoel Philomeno de Miranda, pela psicografia de Divaldo Franco, relata um diálogo mantido com Bezerra de Menezes no plano espiritual, no qual o médico dos pobres recorda uma experiência profundamente significativa vivida em família durante a sua última encarnação. Um de seus filhos passou a sofrer prolongado processo obsessivo, que gradualmente comprometeu suas forças físicas e mentais. Apesar dos esforços incansáveis empreendidos para libertá-lo da influência espiritual que o constrangia, o quadro revelava-se resistente, evidenciando a intensidade do vínculo estabelecido entre obsessor e obsidiado. Com perseverança e espírito de caridade, Bezerra de Menezes buscou esclarecer o Espírito perseguidor, conduzindo-o repetidas vezes a reuniões dedicadas ao diálogo e à renovação moral. O objetivo era levá-lo à compreensão de que a vingança apenas prolongava o sofrimento de ambos, mantendo-os presos em um ciclo de dor. Em dado momento, sensibilizado pelas lágrimas do pai aflito e pelas orientações recebidas, o perseguidor inclemente anunciou que se afastaria definitivamente. Entretanto, advertiu que esse gesto ocorreria em circunstâncias graves, pois a ligação que os mantinha unidos já havia atingido um grau de dependência profunda, caracterizando um processo de simbiose obsessiva, no qual a vitalidade do encarnado se encontrava extremamente vinculada à presença do seu perseguidor. Horas depois, ao chegar à sua residência, Dr. Bezerra presenciou o desencarne do filho, confirmando a gravidade da simbiose que por tantos anos os mantivera associados.   A simbiose obsessiva, conforme descrita nos capítulos 19 e 20 da obra de Philomeno de Miranda, representa um estágio avançado de interdependência fluídica e psíquica entre o Espírito obsessor (perseguidor) e a pessoa encarnada (hospedeiro). Vejamos, a seguir, como Philomeno de Miranda e Bezerra de Menezes descrevem os mecanismos desse processo. 1. Interpenetração fluídica e fusão psíquica O fenômeno instala-se quando a obsessão se prolonga por longo período, permitindo que o perseguidor enrede seus fluidos nos da vítima de tal modo que as duas individualidades passam a entrelaçar-se e, por vezes, a confundir-se. Nesse estágio, a ingerência do obsessor torna-se tão extensa que ele próprio passa a sofrer a influência das emanações do encarnado, estabelecendo-se uma dependência recíproca. 2. Adaptação biológica e “alimentação” energética No plano orgânico, o corpo físico do hospedeiro sofre progressiva adaptação. A magnetização constante e a carga de fluidos deletérios provenientes do obsessor passam a ser assimiladas pelas células como se constituíssem elemento necessário ao seu funcionamento. O organismo, buscando preservar certo equilíbrio, ajusta-se a essa energia nociva, formando um estado artificial e profundamente doentio. 3. A analogia do parasita A obra compara esse processo a uma planta parasita que aprofunda suas raízes na seiva da árvore hospedeira até que ambas passem a depender uma da outra para subsistir. De modo semelhante, a vitalidade do encarnado torna-se progressivamente vinculada ao teor de energias fornecido pelo Espírito perseguidor. 4. O risco do afastamento abrupto Em razão dessa dependência extrema, a retirada súbita do obsessor pode produzir graves consequências: Abalo vital : cessando o fluxo energético ao qual o corpo se habituou, os centros vitais do perispírito entram em profundo desajuste. Desequilíbrio orgânico : o choque da separação inesperada repercute no sistema nervoso, no plasma sanguíneo e nos gânglios linfáticos, gerando um descontrole que a mente, em perturbação, não consegue reverter. Desencarnação : a interrupção brusca desse concurso energético pode culminar no desencarne antecipado do obsidiado. Em síntese, a simbiose obsessiva caracteriza-se como uma interdependência em que obsessor e obsedado passam a sustentar-se mutuamente por meio de emanações em desequilíbrio. A patologia espiritual converte-se, então, em necessidade orgânica, razão pela qual o processo de desobsessão deve ser conduzido com extrema prudência. AMPARO FAMILIAR Nos casos de natureza obsessiva, não apenas o obsidiado deve buscar o seu reequilíbrio, mas também aqueles ao seu redor. Ajudar e amparar o parente obsedado é um dever de todos, pois, consequentemente, o clã familiar em torno do enfermo também pode ter contas a ajustar (pela lei de causa e efeito e ligações pretéritas), seja com o próprio parente em desajuste, com o Espírito ou com ambos. Modificando o psiquismo doméstico por meio das preces em família, do evangelho no lar, da união entre os familiares e da reforma íntima, obsidiado e obsessor passam a respirar fluidos mais benéficos e, por consequência, tendem a melhorar-se pouco a pouco. Pode ser que, de forma concomitante, ambos, perseguido e perseguidor, passem a se modificar moral e internamente. No caso de apenas o encarnado alcançar a sua melhoria, esforçando-se no que lhe diz respeito e colaborando, assim, para a sua autolibertação, os seus benfeitores espirituais contribuem para a quebra dos grilhões da obsessão, afastando o perseguidor da sua vítima. Para isso é necessário que o obsidiado assuma, com perseverança, a parte que lhe compete na própria recuperação. Isso começa por vigiar os pensamentos e atitudes, esforçando-se por manter uma conduta mais reta e digna. Além disso, convém alimentar a vida interior através da oração e de leituras edificantes (incluso o evangelho no lar). Por fim, a prática constante do bem e da caridade se soma ao amparo recebido na casa espírita, por meio dos passes, do atendimento fraterno, da orientação doutrinária e das reuniões de desobsessão e esclarecimento, integrando a terapêutica espiritual e favorecendo o reequilíbrio de todos os envolvidos. Texto extraído do livro   Mediunidade com Kardec   de  Patrick Lima . Capítulo 7: Obsessões Pergunta 73: Obsessão espiritual pode afetar a saúde física? Em casos graves, pode levar ao óbito? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS XAVIER , Francisco Cândido. Missionários da Luz. André Luiz (espírito). FEB Editora, 2018. FRANCO , Divaldo Pereira (psicografia). Mediunidade: Desafios e Bênçãos. Manoel Philomeno De Miranda (espírito). Editora LEAL, 2019. FRANCO , Divaldo Pereira (psicografia). Loucura e Obsessão. Manoel Philomeno De Miranda (espírito). FEB Editora, 2016.

  • 72. Obsessões coletivas: compreensão e orientação espírita.

    Se a obsessão simples é a influência persistente de um Espírito sobre um indivíduo, a obsessão coletiva é a ação contínua e organizada de um grupo de Espíritos, ainda vinculados a sentimentos inferiores, sobre uma coletividade de encarnados. Obsessões coletivas: causas, manifestações e caminhos para superação Em Mediunidade: Desafios e Bênçãos , o autor espiritual Manoel Philomeno de Miranda — pela psicografia de Divaldo Franco — esclarece que a obsessão coletiva pode se manifestar como epidemias psíquicas , nas quais ideias e sentimentos perturbadores se propagam rapidamente entre os indivíduos, ou como a ação de falanges espirituais moralmente desequilibradas que agem de modo invasivo e destrutivo sobre os grupos visados . Esses Espíritos buscam dominar as mentes da coletividade, podendo influenciar desde pequenos núcleos familiares até os destinos de nações inteiras. ORIGEM Segundo Philomeno, em sua obra citada, a causa primária das obsessões coletivas repousa na inferioridade moral do nosso planeta, onde ainda predominam as paixões primárias, como o egoísmo, ciúme, ira, sensualidade descontrolada, medo, entre outras. Os Espíritos, sujeitos à Lei de Afinidade, atraem-se segundo a natureza de seus sentimentos e pensamentos. Assim, aqueles que, em existências passadas, se uniram para cometer atos reprováveis — movidos pelo orgulho, ganância ou vingança — criam entre si laços profundos de débito e cumplicidade. Esses vínculos não se desfazem com a morte do corpo. Persistem além do túmulo e frequentemente conduzem os mesmos Espíritos a experiências reencarnatórias coletivas. A Justiça Divina, de forma amorosa, sábia e pedagógica, permite que esses Espíritos reencarnem juntos, em um mesmo núcleo, seja na mesma família, cidade ou país, com o propósito de reparar as faltas do passado, aprendendo a amar e a perdoar . Nesses reencontros de prova e/ou expiação coletiva, compartilham dificuldades semelhantes e oportunidades de aprendizado que os convidam, pela convivência e pelo esforço conjunto, à prática das virtudes superiores. É nesse cenário de reajuste que, muitas vezes, a obsessão coletiva se manifesta. Aqueles que, no passado, foram cúmplices ou vítimas e permanecem no plano espiritual presos a sentimentos inferiores, como ódio ou rancor, aproveitam-se da fragilidade moral do coletivo encarnado para exercer sua influência, procurando retardar-lhes o avanço espiritual e comprometer o processo de reparação para o qual reencarnaram. ETAPAS DE INSTALAÇÃO Essa influência raramente se apresenta de forma explícita. Em geral, instala-se de modo sutil e progressivo, em etapas bem definidas: INFILTRAÇÃO SUTIL DAS IDEIAS NEGATIVAS Os Espíritos dominadores começam a introduzir ideias e sentimentos negativos no grupo — pessimismo, intolerância ou comportamentos moralmente distorcidos — que, a princípio, parecem inofensivos. ADESÃO PELA SINTONIA MENTAL É da lei que atraímos os Espíritos que se afinam conosco, tanto quanto somos por eles atraídos. Assim, os Espíritos que pretendem instaurar a obsessão coletiva se fortalecem ao encontrar reciprocidade para suas ideias inferiores nas mentes de suas vítimas, que lhes são moralmente afins. NORMALIZAÇÃO DO DESEQUILÍBRIO MORAL Com o tempo e a aceitação contínua dessas ideias, o que antes era estranho ou errado torna-se habitual, normal. O grupo passa a ser dirigido pelos próprios algozes desencarnados, que ditam as normas e o comportamento coletivo. CONSEQUÊNCIAS VISÍVEIS DA OBSESSÃO COLETIVA O resultado desse processo é um grupo submetido à influência das correntes inferiores, cuja convivência passa a ser marcada por egoísmo, intolerância, prepotência e desarmonia moral. Esse desequilíbrio coletivo prejudica a prática das virtudes e dificulta ou impede o cumprimento da missão reencarnatória para a qual o grupo se reuniu, atrasando seu progresso espiritual. AS MANIFESTAÇÕES MODERNAS DA OBSESSÃO COLETIVA Segundo Philomeno de Miranda, na obra em destaque, as obsessões coletivas na atualidade assumem formas mais sutis e abrangentes. Já não se limitam a surtos localizados (como os Possessos de Morzine , descritos por Kardec na Revista Espírita de 1862 e 1863), mas podem manifestar-se em crises sociais, movimentos ideológicos, guerras, vícios e desajustes morais que afetam grandes contingentes humanos . Nessas circunstâncias, falanges de Espíritos em sofrimento associam-se a grupos terrenos igualmente desequilibrados, reforçando ondas de intolerância, violência, desespero e materialismo. Esses fenômenos, explica o autor espiritual, não têm caráter punitivo, mas educativo, representando experiências de aprendizado e purificação coletiva, nas quais o sofrimento e o conflito funcionam como instrumentos de despertamento da consciência. ROMPENDO A SINTONIA As obsessões coletivas se estabelecem pela afinidade com pensamentos e sentimentos inferiores. A libertação, portanto, depende da quebra dessa sintonia, que deve começar no próprio indivíduo, mesmo que o problema seja de ordem coletiva. O ponto de partida deve ser a compreensão do fenômeno. O Espiritismo esclarece que essas ocorrências não são castigos divinos, mas consequências da lei de causa e efeito, que convidam à reparação e ao aprendizado moral. Encontraremos na reforma íntima a condição essencial para neutralizar a influência dos Espíritos em desequilíbrio . Essa renovação mental e comportamental deve fundamentar-se no amor e no respeito a Deus, ao próximo e a si mesmo, traduzindo-se em conduta digna e reta. Na prática, cabe a cada indivíduo substituir o orgulho pela humildade, o egoísmo pela caridade e a vingança pelo perdão, rompendo a sintonia que sustenta a influência negativa. O aperfeiçoamento individual conduz, naturalmente, ao progresso moral coletivo. Quando cada membro de um grupo se transforma interiormente, por meio do cultivo do amor, da fé raciocinada, da prece e da caridade, as correntes mentais inferiores que mantêm a obsessão coletiva ativa se enfraquecem. Assim, o ambiente se eleva gradualmente, refletindo as novas vibrações mentais, mais equilibradas e harmônicas. Texto extraído do livro   Mediunidade com Kardec   de  Patrick Lima . Capítulo 7: Obsessões Pergunta 72: Obsessões coletivas: compreensão e orientação espírita. Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS FRANCO , Divaldo Pereira (psicografia). Mediunidade: Desafios e Bênçãos. Manoel Philomeno De Miranda (espírito). Editora LEAL, 2019. KARDEC , Allan. Revista Espírita – Jornal de estudos psicológicos – 1862. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. FEB Editora, 4ª edição, julho de 2019. KARDEC , Allan. Revista Espírita – Jornal de estudos psicológicos – 1863. Tradução de Julio Abreu Filho. Edicel, 1ª edição, julho de 2002.

  • 06. Todos os espíritas são médiuns? Todo médium é espírita?

    Muitas pessoas, ao ouvirem a palavra mediunidade , tendem a associá-la quase imediatamente à Doutrina Espírita. Essa associação, embora natural, pode levar ao equívoco de se imaginar que a faculdade mediúnica tenha tido origem apenas com Allan Kardec ou que seja exclusiva dos adeptos do Espiritismo. Todos os espíritas são médiuns? Todo médium é espírita? Na realidade, a mediunidade é tão antiga quanto a própria humanidade . Desde os primórdios, manifesta-se em todos os povos e tradições, sem distinção de etnia, cultura, posição social ou condição moral. O que o Espiritismo fez, sob a orientação dos Espíritos superiores e o método criterioso de Kardec, foi estudar, esclarecer e oferecer bases seguras para sua compreensão e prática responsável. Assim, embora frequentemente associada ao Espiritismo, a faculdade mediúnica não se restringe aos seus círculos. Há médiuns em todas as tradições doutrinárias e religiosas — como a Umbanda, o Candomblé, o Santo Daime, o Catolicismo, o Protestantismo, o Budismo, entre outros — e também entre aqueles que não professam fé alguma. Não se deve concluir, por isso, que todos os adeptos dessas tradições sejam médiuns. Entretanto, em cada uma dessas vertentes, encontraremos indivíduos dotados da mediunidade em sua verdadeira acepção. ( vide questão 03: O que é médium? Todos somos médiuns ? ) Por fim, é essencial compreender que nem todo médium é espírita, assim como nem todo espírita é médium . Ser médium não depende de filiação doutrinária, assim como ninguém se torna padre ou ministro da eucaristia apenas por frequentar a missa ou rezar o terço. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 2: Mediunidade Sem Medo Pergunta 06: Todos os espíritas são médiuns? Todo médium é espírita? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed.

  • 40. Quais são as características de um bom dialogador?

    Doutrinador, dialogador, orientador ou médium esclarecedor, são alguns dos termos comumente utilizados para descrever o trabalhador espírita responsável pelo diálogo, orientação, educação e esclarecimento acerca dos princípios e ensinamentos da doutrina espírita, tanto para os Espíritos desencarnados, como os encarnados, em uma reunião mediúnica. Quais são as características de um bom dialogador? Em O Livro dos Médiuns , Kardec nos oferece valiosas diretrizes para a execução de uma reunião mediúnica com propósito sério e elevado – evitando a frivolidade e o uso da mediunidade para fins egoístas ou triviais –, bem como, da importância de instruir e orientar os Espíritos que estejam necessitados de esclarecimentos, etc. Porém, no decorrer da codificação espírita não iremos encontrar, em nenhuma das 23 obras assinadas por Kardec, qualquer menção direta ao termo doutrinador ou quaisquer outras variáveis desse vocábulo. Desse modo, é bem provável que, à medida que a doutrina dos espíritos tenha se expandido, principalmente em solo brasileiro, as atividades ocorridas nos centros espíritas, dentre elas as reuniões mediúnicas, tenham sofrido algumas reformulações, sendo melhores estruturadas e organizadas. Essa sistematização foi a responsável por definir e distribuir os trabalhadores espíritas em suas respectivas funções, dentre eles: os médiuns ostensivos, dialogadores, dirigentes, passistas, oradores, etc. Foi de forma natural e gradativa que, muito provavelmente, o termo doutrinador tenha se tornado popular dentro do movimento espírita brasileiro, sendo usado de modo informal para designar o responsável por dialogar e esclarecer os Espíritos em atendimento. Embora não exista um registro específico – até o presente – de quando e onde essa expressão tenha sido usada pela primeira vez, sua origem e utilização estão intimamente ligadas ao desenvolvimento e à prática da mediunidade nos centros espíritas, bem como da organização e sistematização adotada pelo movimento espírita em expansão. Já no Brasil, autores e oradores espiritistas como Chico Xavier e Divaldo Franco, por exemplo, sempre destacaram – em seus livros e/ou palestras – a importância de um orientador experiente frente as sessões mediúnicas, o que contribuiu para a popularização e a formalização do papel do dialogador em uma reunião espírita. Estando a par desses informes históricos, passemos as principais características que um dialogador precisa possuir – ou ao menos se esforçar para possuir – perante as responsabilidades assumidas diante do grupo mediúnico e da causa espírita. CARACTERÍSTICAS DE UM BOM DIALOGADOR Conhecimento acerca do Espiritismo e das obras de Allan Kardec; Conhecimento e Prática da Mediunidade: Um bom dialogador deve possuir conhecimento no que diz respeito a mediunidade e seus diversos tipos e especificações, além dos processos medianímicos; O bom dialogador deve possuir equilíbrio emocional, mantendo a calma e a serenidade, mesmo em situações de tensão ou conflito durante as sessões mediúnicas; Sabe ouvir atentamente o que lhe é dito, respondendo de maneira adequada por meio de um diálogo construtivo e respeitoso. Vive e pratica o que diz: um bom doutrinador deve exemplificar os princípios espíritas em sua própria vida, demonstrando moralidade, ética e integridade. Ao conversar, faz isso de modo coloquial (informal), comunicando-se de forma clara, objetiva e acessível, evitando jargões e termos complicados que possam confundir os participantes ou os Espíritos. Não usa tom salvacionista ou catequizador; Fica atento a humildade, para não se deixar levar pelo ego, querendo se mostrar como superior; sabe reconhecer seus próprios limites, além de estar sempre disposto a aprender e melhorar; Evita diálogos longos, debates intelectuais e discussões inconsequentes; Seu diálogo é voltado para o socorro, despertando o Espírito em atendimento para o momento em que se encontra. Desinteresse Material: O doutrinador deve realizar seu trabalho de forma voluntária, sem buscar ganhos financeiros ou quaisquer tipos de vantagens pessoais, seja através da própria espiritualidade (favores ou méritos que possa pensar em obter), como também do meio social em que está inserido; Trabalho em Equipe: Deve saber trabalhar em harmonia com os demais membros da equipe mediúnica, respeitando e valorizando as contribuições de cada um; Paciência e persistência: Paciência para lidar com Espíritos de diversas estirpes e para esclarecer dúvidas recorrentes dos participantes; persistência para continuar firme no seu papel, mesmo diante de desafios ou dificuldades. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 4: O Médium e a Casa Espírita Pergunta 40: Quais são as características de um bom dialogador? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 9ª edição. Editora Boa Nova, 2004.

  • 39. Pode o médium assumir a função de doutrinador em uma reunião mediúnica?

    É muito comum ouvirmos relatos, em diversas obras espíritas, sobre o famigerado planejamento reencarnatório , no qual o indivíduo, dependendo do seu estado evolutivo, participa e opina sobre a sua nova existência, em especial as provas que irá enfrentar, as expiações, os conflitos, a função que irá desempenhar no plano físico, dentre outros. Por que o médium deve evitar atuar como dialogador nas reuniões mediúnicas? Compreendemos ainda que cada médium antes de vir ao campo carnal, dedicou parte do seu tempo aos estudos espirituais, preparando-se – ainda no mundo dos Espíritos – para as funções que aqui irá desenvolver mediunicamente (uma espécie de especialidade mediúnica, seu carro-chefe medianímico). Sabendo que a casa espírita possui inúmeras funções de trabalho – seja como médium, dialogador, passista, instrutor do curso de educação mediúnica, palestrante, trabalhos sociais, etc. – é comum encontrarmos médiuns — vide questão 03 — atuando em mais de uma linha de frente, sem nenhum problema. Em relação a essa temática, aqui atentamos apenas para duas observações: A mediunidade exige esforço de mudança no tocante a reforma íntima, sacrifícios, estudos e bastante disciplina; deparando-se com os primeiros percalços do caminho, muitos médiuns tendem a recuar e ausentar-se das suas atividades mediúnicas, dando preferência a exercer exclusivamente outras atividades consideradas por eles menos rígidas, pesadas ou sofridas. Isto é, não querem mais atuar como médiuns — na acepção kardequiana do termo —, optando por outros cargos na casa espírita, desde que não lhe exijam esforço em se melhorar ou o contato com Espíritos sofredores. Nesse caso, o ideal é que o medianeiro – seja de psicofonia, psicografia, dentre outros – repense o seu papel e se mantenha no posto onde Deus lhe achou conveniente trabalhar e se desenvolver. Sobrando-lhe tempo e disposição, nada o impede de, além do trabalho mediúnico, exercer outras funções, como passista, palestrante/orador ou recepcionista do centro, por exemplo. O dialogador em uma reunião mediúnica é o trabalhador responsável por buscar esclarecer a entidade em atendimento, apresentando-lhe novas perspectivas de vida, outros pontos de vista, bases morais e evangélicas, sempre com muito amor, paciência, acolhimento e postura paterna. Já o médium é o trabalhador responsável por transmitir a comunicação entre os dois planos, e por ser sensível as energias do ambiente, não é aconselhável que, dentre as funções extras que o medianeiro queira exercitar, esteja entre elas o papel de dialogador. ESTADO DE INCONSCIÊNCIA Imaginemos, por um instante, que o dialogador precise faltar à reunião mediúnica e um médium ali presente assuma temporariamente o seu papel. Por ser suscetível a sentir e registrar as energias do ambiente, podendo ainda – a depender do seu tipo de mediunidade – ver, ouvir e sintonizar com a entidade que ali esteja em comunicação, o médium que está na função temporária de dialogador pode não conseguir realizar fielmente o diálogo, cedendo a psicofonia ou vindo a sofrer o baque energético da entidade sofredora em atendimento.  Como analogia, complementando a nossa linha de raciocínio, trazemos a mente a imagem de um motorista de transporte público conduzindo um veículo com dezenas de pessoas em seu interior – sob a sua responsabilidade –, mas que em um determinado momento, passa a ter os seus sentidos turvados, não conseguindo mais conduzir ou comandar o veículo que se encontra em pleno curso. A consequência desse ato é, sem dúvidas, um desastre iminente! O mesmo pode ocorrer com o médium que, ao dirigir uma reunião mediúnica ou o diálogo fraternal, corre o risco de entrar em sintonia direta (transe, psicofonia) com a entidade comunicante, onde deixa de exercer o papel de dialogador, função esta que assumiu temporariamente, e volta à função inicial de medianeiro, deixando o controle consciente da reunião. Sobre este ponto, o autor Hermínio de Miranda, em Diversidade dos Carismas , afirma que o primeiro aspecto a observar é o de que o dirigente das tarefas mediúnicas oferece melhores condições de êxito no desempenho da parte que lhe toca, se suas próprias faculdades - se as tiver - não o levarem a um estado de inconsciência. Ou seja, não é prudente confiar a direção dos trabalhos mediúnicos a pessoas que são propícias a entrarem em estado de passividade ou inconsciência . De fato, o médium — conforme a definição estabelecida por Kardec — deve evitar exercer as funções ativas de dialogador em uma reunião mediúnica devido a sua facilidade de entrar em sintonia com as energias e Espíritos em atendimento. Como todos possuem uma sensibilidade mediúnica mais ou menos desenvolvida, como afirma Kardec no decorrer das obras da codificação, pode ser que o dialogador (que em muitos casos também é o dirigente responsável pela reunião) tenha essa sensibilidade dilatada, mas que não se categoriza como mediunidade ostensiva, sendo muitas vezes uma leve intuição.   INTUIÇÃO A intuição é a faculdade que mais se manifesta dentre os dialogadores, sendo este o meio pelo qual os instrutores do mundo espiritual comandam e direcionam os trabalhos realizados no plano físico. Já os médiuns propriamente ditos, para além da intuição, podem também manifestar a vidência, audiência, psicofonia, o que frequentemente faz com que sintam e experimentem aquilo que a entidade em atendimento está sentindo, pensando ou escondendo. O dialogador, assim como o médium de apoio, por não possuírem mediunidade ostensiva, não sentem categoricamente a presença da entidade comunicante nem as suas emanações em desequilíbrio, muito menos a veem ou lhe escutam por vias mediúnicas, e consequentemente, não entram em sintonia direta com ela. Dessa maneira, conseguem permanecer em equilíbrio, sustentando a reunião através da prece, dos bons pensamentos e no caso do dialogador, do esclarecimento paternal. Sabemos que cada regra tem sua exceção e que o aconselhamento neste caso envolve a prudência e o bom-senso, não permitindo que a dialogação e a direção dos trabalhos mediúnicos estejam confiadas a alguém que possa entrar em um estado de inconsciência, neste caso, um médium de psicofonia ou psicografia. O sensitivo ( vide questão 03 ) , isto é, aquele que ainda não tem desenvolvida as suas faculdades mediúnicas de modo acentuado, mas que apenas apresenta de forma parcial – leve ou rarefeita – algumas sensações extracorpóreas, a depender dos casos , pode assumir as funções acima mencionadas (dialogador e direção da reunião).   O MÉDIUM COMO PRIMEIRO DIALOGADOR O médium é conhecido como o primeiro dialogador em uma reunião mediúnica, pois ao dar passividade a uma entidade, antes mesmo do dialogador ir ao seu encontro, é o próprio medianeiro que, através do pensamento , já está em diálogo com a entidade, acalmando-a, emanando fluidos renovadores, advertindo-a sobre o modo de agir, etc. Comparamos esse momento aos primeiros socorros de uma emergência hospitalar, na qual o médium prepara a entidade para o diálogo que está porvir. Importante destacar que esse papel de primeiro dialogador exercido pelo médium não é, de fato, o de dialogador em si, tendo em vista que médium e dialogador – durante a reunião mediúnica – apresentam ondas mentais diversas (ativas e passivas), não sendo possível alterná-las ao bel prazer. Em outros termos, é bastante improvável que o médium tenha condições psíquicas de conseguir exercer simultaneamente (e de modo equilibrado) o papel de medianeiro e dialogador, pois cada uma dessas atividades exige posturas mentais diferentes, sendo o médium agente passivo na comunicação e o dialogador agente ativo (no qual observa atentamente e, de modo lúcido, interage com a entidade desencarnada por meio do médium). UM CASO À PARTE Vimos até então uma situação em que, na ausência do dialogador responsável pelo esclarecimento das entidades em atendimento, um médium presente assume temporariamente o seu lugar. Quase sempre essa ação pode ser nociva ao agrupamento de trabalho devido a probabilidade do médium – que provisoriamente está como dialogador – entrar em sintonia com o Espírito em acolhimento, o que lhe impossibilita de cumprir fidedignamente, por mais bem intencionado que esteja, a função proposta. À exceção a esse caso é relacionada ao sensitivo , pessoa cuja sensibilidade está em desenvolvimento, mas que não é médium propriamente dito, nem possuí facilidade em entrar em conversação psicofônica com os Espíritos ou outras manifestações mediúnicas. Tratamos também do médium como primeiro dialogador , no qual, mentalmente, através do pensamento, acalma e prepara o Espírito para a conversação a seguir com o dialogador, ficando cada trabalhador (médium e dialogador) na sua devida função. Existem, porém, mais duas situações em que o médium se coloca como dialogador, muitas vezes sem nem se atentar ao seu modo de agir. Há reuniões mediúnicas cujo trabalhadores (médiuns, médiuns de apoio, passistas...), cada um no seu cargo de atuação, passam a opinar de forma concomitante com o dialogador. De modo claro, o dialogador encontra-se em conversação com o espírito (que se manifesta através de um médium), e os demais presentes passam a interferir no diálogo, seja através de palavras articuladas ou, até mesmo, via pensamento. Tudo isso afeta, mesmo munidos das melhores intenções, na harmonia do atendimento e na reunião em curso. Há Espíritos que se aproveitam da intromissão dos demais membros para descredibilizar a atuação do dialogador e buscam atrapalhar o andamento da reunião, informando que não querem mais conversar com o dialogador, que daquele momento em diante falarão apenas com outro membro... E assim vão ganhando tempo, enganando, mistificando, encaminhando o foco do atendimento para outra direção, etc. É como em uma conversação ordinária: se tivermos duas ou mais pessoas falando ao mesmo tempo (via pensamento ou palavras articuladas) com o mesmo indivíduo, dificilmente iremos ter um entendimento agradável ou harmonioso. Uma coisa é estar em prece, emanando bons fluidos e bons sentimentos pra entidade ali presente, enquanto o dialogador se encontra em conversação; outra coisa é dialogar simultaneamente com o doutrinador, buscando auxiliar o Espírito em questão, reforçando o que está sendo exposto, usando seus próprios pensamentos/palavras em uma dialogação paralela ou, muitas vezes, discordando do diálogo em andamento, trazendo, mesmo que inconsciente, a superioridade de que faria melhor (o que energeticamente é prejudicial ao trabalho, visto que os fluidos emanados são de prepotência, de arrogância, que seu modo de pensar é melhor que o do colega, dentre outros). O ideal é que todos os componentes da equipe mediúnica permitam que o dialogador realize o seu trabalho sem maiores intromissões, interferindo o menos possível na conversação, trazendo alguma informação adicional somente quando indispensável.  Na presença de mais de um dialogador em sala, usando de bom senso e etiqueta na relação com o trabalho em andamento, é de bom tom que sigam as instruções do dirigente da sala que poderá indicar qual dialogador irá travar a conversação com o Espírito que venha a se manifestar. E, por fim, temos um caso à parte. Muito raramente, dependendo do Espírito que esteja sendo atendido e do gravame da situação, a coordenação espiritual permite que um Espírito benfeitor se manifeste por meio de um médium encarnado presente na reunião, e através dele um diálogo seja travado com o Espírito que está se manifestando por outro médium. São agora dois médiuns, cada um servindo de veículo para um Espírito em específico, travando um diálogo. De um lado encontra-se um Espírito em atendimento dando uma comunicação psicofônica; do outro temos um Espírito benfeitor se manifestando por meio de outro aparelho mediúnico, visando colaborar com a doutrinação. Em casos como esse, o dialogador encarnado passa a silenciar, permitindo a conversação entre ambos os Espíritos (que se manifestam por meio de dois médiuns distintos), intervindo apenas quando necessário. Mesmo com a manifestação de um Espírito benfeitor, o dialogador (que em muitos casos também é o dirigente da reunião) continua sendo o responsável pelos trabalhos em curso, devendo permanecer atento, acompanhando o diálogo em questão e buscando perceber as nuances desse tipo de atendimento. Esse é, com efeito, um caso à parte, sendo raro nas reuniões mediúnicas a ocorrência dessas situações. Até porque, em atendimentos dessa natureza, principalmente a longo prazo, há sempre um desperdício de energia, seja do próprio médium encarnado como do Espírito benfeitor. Caso análogo ocorre com os médiuns que incorporam durante o passe espiritual, sendo esta uma situação em específico na qual trataremos mais adiante. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 4: O Médium e a Casa Espírita Pergunta 39: Pode o médium assumir a função de doutrinador em uma reunião mediúnica? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MIRANDA , Hermínio C. Diversidade dos Carismas. LACHATRE, novembro de 2019, 9ª edição.

  • 38. O médium pode trabalhar, simultaneamente, em mais de um centro espírita?

    Na questão anterior ( vide questão 37 ) – cuja leitura recomendamos para um melhor entendimento em relação ao tema aqui explanado – pincelamos de modo resumido alguns episódios de médiuns espíritas que, por uma série de fatores, passam a trabalhar simultaneamente em diversas casas espíritas e/ou espiritualistas. Dando continuidade à nossa linha de raciocínio, destacamos abaixo alguns pontos relevantes sobre o conteúdo proposto. O médium pode trabalhar, simultaneamente, em mais de um centro espírita? Em O Livro dos Médiuns  (cap. XX, questão 228), Allan Kardec já apontava que, muitas vezes, o orgulho é despertado no médium pelos que o cercam. Se ele tem faculdades um pouco transcendentes, é procurado e gabado e entra a julgar-se indispensável. Logo toma ares de importância e desdém, quando presta a alguém o seu concurso. Antes de mais nada, seria oportuno ao médium e aos demais trabalhadores espíritas que se encontrem nessa situação, ou que estejam pensando em trabalhar, de modo concomitante, em mais de um centro espírita e/ou espiritualista, se perguntarem: Quais motivos estão por trás dessa necessidade de querer trabalhar em diversas frentes espirituais? Será que essa vontade é estimulada por um orgulho oculto, no qual me sinto indispensável nas tarefas que pretendo participar? Existe alguma restrição quanto ao trabalho mediúnico em diferentes centros espíritas/espiritualistas? Eu sou capaz de conciliar, com a mesma qualidade, o trabalho em diversos centros? Os dirigentes das casas que frequento sabem que eu trabalho em outros locais de forma simultânea? Recebi da parte deles alguma instrução/orientação quanto a essa circunstância? Há alguma questão ética, moral ou psicológica que eu não esteja levando em consideração? Existe algum benefício real em trabalhar em diversas linhas espirituais ao mesmo tempo? Com base nas respostas acima, o médium são e consciente já é capaz de começar a discernir sobre a sua conduta. Porém, já podemos adiantar que o medianeiro espírita tem seu trabalho realizado com maior qualidade e excelência quando vinculado a uma única casa. Isso não o impede, quando além de médium também seja orador ou palestrante, de colaborar na programação de outras instituições ou, até mesmo, em trabalhos sociais distintos. AFINIDADE E SINTONIA Na vida e em qualquer lugar do universo, tudo é questão de sintonia. Sendo assim, é aconselhável ao medianeiro que busque a casa espírita – ou qualquer outro local – que ele mais sinta afinidade e identificação. No caso da equipe mediúnica, todos os membros devem manter entre si o sentimento de fraternidade, respeito, estima e união; não ocorrendo este preceito, estando um membro deslocado quanto à vigilância, já é o bastante para que o agrupamento esteja em desalinho e comprometido em sua estrutura. A este respeito, em Diversidade dos Carismas , o autor Hermínio C. Miranda destaca que “o trabalho mediúnico sério exige, de fato, ambientes reservados, severos padrões de disciplina, afinidades entre seus diversos membros , assiduidade e inúmeros outros componentes...” Na obra acima citada, Hermínio complementa ao dizer que a mediunidade não deve ser exercida senão com a sustentação de um grupo amigo e afim, harmonioso e equilibrado. Em todos os casos, é de suma importância que o médium encontre a casa e o grupo de trabalho que ele tenha apreço e afinidade (e que esses sentimentos sejam recíprocos), sendo este o melhor local para o desenvolvimento do seu trabalho espiritual. Se, por vezes, essa afinidade e harmonia diante da equipe mediúnica é difícil de se estabelecer quando o médium trabalha em apenas um grupo, imagina quando este participa de diversos grupos simultaneamente? Desse modo, como advertência, não recomendamos ao medianeiro a pretensão de querer compor vários agrupamentos mediúnicos ao mesmo tempo, principalmente em locais distintos, isto é, em diferentes casas espíritas e/ou espiritualistas. QUEM MUITO ABARCA, POUCO APERTA Embora Kardec não tenha abordado diretamente essa questão, trazemos a colaboração do livro espírita, em especial a obra Diretrizes de Segurança - Mediunidade , cuja colaboração do médium e orador espírita Divaldo Pereira Franco nos é de grande valia acerca do assunto ventilado. Questão 117 . O que podemos pensar da atitude de muitos que, à guisa de cooperarem com vários Centros Espíritas, na segunda-feira, frequentam um trabalho num determinado Centro; na terça estão num trabalho mediúnico, noutro Centro; na quarta-feira num terceiro, e assim sucessivamente? RESPOSTA DE DIVALDO FRANCO: "Há um ditado que diz: 'quem muito abarca, pouco aperta'. Quem pretende fazer tudo, faz sempre mal todas as coisas. Por que essa pretensão de ajudar a todos? Se cada um cumprir com seu dever, com dedicação, no local em que o Senhor o colocou, estará realizando um trabalho nobilitante. A presunção de atender a todos é, de certo modo, uma forma de autossuficiência, pois quem assim age acredita que, não estando em algum lugar, as coisas ali não irão bem. E quando desencarnar? Então é melhor vincular-se a um grupo de pessoas que lhe sejam simpáticas, para que as reuniões sérias, de que trata O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, possam produzir os frutos necessários e desejados." Podemos concluir, através da coerência de pensamento acima apresentada, que o médium (ou qualquer outro trabalhador espírita) deve: Ter foco e dedicação no trabalho que pretende realizar: Trabalhando em um único local, o sujeito é capaz de dedicar mais tempo, energia e esmero ao ofício proposto. Isso faz com que as tarefas realizadas por seu intermédio tenham mais qualidade. Modéstia e humildade: Por que essa pretensão de ajudar a todos? Reconheça que nem todos os problemas podem ser solucionados por você. Procure auxiliar quando possível, mas não se sobrecarregue com responsabilidades que não lhe cabe, isto é, não tenha a pretensão ou a ilusão de que, sem a sua participação, as coisas não podem correr bem. E quando desencarnar? Afinidade: Busque estar vinculado a um grupo de pessoas com interesses e valores semelhantes, que lhe sejam simpáticas e cuja estima lhe seja recíproca. CASAS ESPÍRITAS x TEMPLOS ESPIRITUALISTAS Como já abordamos anteriormente, a mediunidade não foi criada pelo espiritismo, muito menos, é restrita as casas e centros espiritistas. Desse modo, teremos diversas outras religiões e doutrinas cujo intercâmbio com o mundo espiritual é parte dos seus ritos de trabalho e, em muitos casos, veremos médiuns espíritas atuando em distintas frentes espirituais. Em uma palavra: além da casa espírita, o médium também trabalha, por exemplo, em centros umbandistas ou de candomblé simultaneamente... Desde já, não queremos dizer que uma vertente seja melhor do que a outra, pois entendemos que todos os caminhos levam a Deus, assim como todos devem estimar-se como verdadeiros irmãos, filhos de um mesmo Pai e membros de uma grande família. A única ressalva, além das acima apresentadas, é no tocante a afinidade. Se a afinidade é um dos pilares para que uma reunião mediúnica ocorra de forma séria e elevada, além das advertências tão bem explanadas por Kardec, como poderia o mesmo médium manifestar singular harmonia nos diversos ambientes em que trabalha, se essas variadas frentes em que ele atua apresentam diretrizes e filosofias diferentes e, por vezes, contrárias entre si? Por um lado, o espiritismo prega – a título de exemplo – a gratuidade em seus atendimentos, sendo que essa mesma diretriz não é seguida por outras linhas que se utilizam da mediunidade para suas ações de trabalho. Aqui não levanto o mérito de certo ou errado, apenas abordo as diferenças filosóficas entre o que nos deixou Allan Kardec – por meio da codificação –, e a maneira de agir apresentada por outras doutrinas/religiões mediúnicas. Como conciliar moral, ética e energeticamente essas diferenças de atuação? Em vista disso, é fundamental que o médium tenha o discernimento para escolher a casa e o local de trabalho espiritual que ele mais tenha simpatia e afeição, isto é, que ele mais goste, que mais se sinta à vontade e bem acolhido. Escolhendo à sua casa de coração, independentemente de qual religião ou doutrina ela venha a pertencer, o medianeiro pode entregar-se com mais desvelo, amor, carinho e comprometimento. Logo, médium amigo, se ainda não sabes onde queres fortalecer as tuas raízes, roga a Deus a sabedoria e busca sentir no teu coração os impulsos divinos, que, sem dúvidas, encontrarás o teu posto de serviço. No fim das contas, a lei de sintonia e afinidade nunca falha e, com isso, ingressamos de forma amiúde sempre onde encontramos os nossos pares energéticos, ou seja, sempre estaremos cercados por aqueles que estejam em nossa mesma vibração (encarnados e desencarnados), com os mesmos propósitos, sempre de acordo com o nosso momento evolutivo, seja ele espiritual, intelectual ou moral.  Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 4: O Médium e a Casa Espírita Pergunta 38: O médium pode trabalhar, simultaneamente, em mais de um centro espírita? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 9ª edição. Editora Boa Nova, 2004. MIRANDA , Hermínio C. Diversidade dos Carismas. LACHATRE, novembro de 2019, 9ª edição. FRANCO , Divaldo Pereira; TEIXEIRA, Raul. Diretrizes de Segurança - Mediunidade. InterVidas, 2012.

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