top of page

73. Obsessão espiritual pode afetar a saúde física? Em casos graves, pode levar ao óbito?

  • Foto do escritor: Patrick  Lima
    Patrick Lima
  • há 2 dias
  • 6 min de leitura

Atualizado: há 11 horas

No capítulo XVIII de Missionários da Luz, André Luiz, pela psicografia de Chico Xavier, acompanha o atendimento de cinco obsidiados em uma reunião mediúnica e descreve as alterações físicas que se evidenciavam em cada caso.


Retrato colorido em alta resolução de Allan Kardec, pioneiro do Espiritismo e dos estudos sobre mediunidade, com fundo escuro tipo lousa escolar, destacando seu rosto detalhado e expressão séria.
Como a obsessão espiritual repercute na saúde do corpo físico?

Em sua observação, o autor menciona inicialmente uma paciente em situação mais grave, com perturbações que iam do cérebro até os nervos lombares e sacros, e ressalta que os efeitos não se restringiam ao sistema nervoso, alcançando também as glândulas e outros órgãos. Nos demais atendidos, observa fenômenos de degradação igualmente relevantes, incluindo intoxicações no fígado e nos rins e um quadro cardiopulmonar que caminhava para insuficiência cardíaca, associado à pré-tuberculose.


Nesse contexto, André Luiz, em diálogo com o instrutor Alexandre, questiona se os obsidiados, à vista dos distúrbios fisiológicos que apresentavam, deveriam ser entendidos também como doentes do corpo.


Alexandre responde de forma categórica e afirmativa, esclarecendo que o desequilíbrio da mente pode determinar a perturbação geral das células orgânicas. É por este motivo que as obsessões, quase sempre, se acompanham de característicos muito dolorosos. As intoxicações da alma determinam as moléstias do corpo.


De acordo com os ensinos do instrutor, os primeiros reflexos do processo obsessivo manifestam-se no campo psíquico do indivíduo, repercutindo posteriormente no organismo físico, em enfermidades de cunho orgânico.


Isso decorre da influência energética que o obsessor, pela ligação estabelecida com o obsidiado, lhe transmite. O obsidiado, pouco a pouco, fica envolto em uma massa energética densa, de cunho negativo, o que altera sua psicosfera mental e orgânica, comprometendo sua saúde e integridade a longo prazo.


Para que possamos compreender melhor, essas moléstias são oriundas de um fluido pernicioso no qual todo obsidiado se encontra envolto e do qual precisa se desvencilhar o quanto antes. Caso contrário, de forma gradativa, esse fluido malsão vai ganhando proporções cada vez maiores, fomentando graves enfermidades físicas e mentais para o obsedado, podendo, até mesmo, levar à morte prematura do seu corpo físico (dependendo da gravidade e simbiose entre o Espírito e o encarnado).


Compartilhando desse mesmo pensamento, o autor Manoel Philomeno de Miranda, em Mediunidade: Desafios e Bênçãos, pela psicografia de Divaldo Franco, adverte que certas influências adoecedoras, quando assimiladas pelo psiquismo, podem repercutir no funcionamento do corpo, afetando seu equilíbrio e fragilizando as defesas orgânicas. Nessa condição, o sujeito pode adoecer de maneira efetiva ou apresentar sintomas físicos perturbadores.



OBSESSÃO DE LONGA DURAÇÃO


Em uma obsessão de longa duração, o obsidiado corre o risco de não recuperar integralmente a sua saúde, caso não busque auxílio em tempo hábil, podendo permanecer com sequelas irreversíveis.


Os danos físicos resultantes da influência obsessiva podem ser proporcionais ao prolongamento dessa comunhão conflituosa, dependendo de cada caso. Ao projetar uma descarga energética negativa sobre a vítima, o Espírito perseguidor fragiliza, paulatinamente, o perispírito do ser encarnado, provocando pequenas fissuras no respectivo corpo espiritual. Esse processo faculta o surgimento de variadas enfermidades e patologias, assim como a propagação de formas-pensamento inferiores.



DISPERSÃO DOS FLUIDOS


Uma das formas de dispersar esses fluidos nocivos, evitando seu acúmulo, é por meio do passe, muito comum nas casas espíritas. Ainda assim, o passe deve integrar-se a um cuidado espiritual mais completo, conduzido com orientação e continuidade, conforme a necessidade do assistido. (O QUE FAZER EM CASOS DE OBSESSÃO?)


Posto isto, é necessário que o obsidiado, tão logo perceba a perseguição constante que vem sofrendo, procure um centro espírita, a fim de receber a assistência adequada a sua condição. Nesse caso, recomenda-se que o paciente, além da assistência espiritual, mantenha o acompanhamento médico e realize o tratamento físico necessário, conforme orientação do profissional de saúde. Jamais, em hipótese alguma, é recomendado que o enfermo (obsidiado) abandone o seu tratamento físico, com os médicos encarnados, para seguir exclusivamente o acompanhamento espiritista, com os benfeitores espirituais.



SIMBIOSE OBSESSIVA


Em Loucura e Obsessão, Manoel Philomeno de Miranda, pela psicografia de Divaldo Franco, relata um diálogo mantido com Bezerra de Menezes no plano espiritual, no qual o médico dos pobres recorda uma experiência profundamente significativa vivida em família durante a sua última encarnação.


Um de seus filhos passou a sofrer prolongado processo obsessivo, que gradualmente comprometeu suas forças físicas e mentais. Apesar dos esforços incansáveis empreendidos para libertá-lo da influência espiritual que o constrangia, o quadro revelava-se resistente, evidenciando a intensidade do vínculo estabelecido entre obsessor e obsidiado.


Com perseverança e espírito de caridade, Bezerra de Menezes buscou esclarecer o Espírito perseguidor, conduzindo-o repetidas vezes a reuniões dedicadas ao diálogo e à renovação moral. O objetivo era levá-lo à compreensão de que a vingança apenas prolongava o sofrimento de ambos, mantendo-os presos em um ciclo de dor.


Em dado momento, sensibilizado pelas lágrimas do pai aflito e pelas orientações recebidas, o perseguidor inclemente anunciou que se afastaria definitivamente. Entretanto, advertiu que esse gesto ocorreria em circunstâncias graves, pois a ligação que os mantinha unidos já havia atingido um grau de dependência profunda, caracterizando um processo de simbiose obsessiva, no qual a vitalidade do encarnado se encontrava extremamente vinculada à presença do seu perseguidor.


Horas depois, ao chegar à sua residência, Dr. Bezerra presenciou o desencarne do filho, confirmando a gravidade da simbiose que por tantos anos os mantivera associados.

 

A simbiose obsessiva, conforme descrita nos capítulos 19 e 20 da obra de Philomeno de Miranda, representa um estágio avançado de interdependência fluídica e psíquica entre o Espírito obsessor (perseguidor) e a pessoa encarnada (hospedeiro).


Vejamos, a seguir, como Philomeno de Miranda e Bezerra de Menezes descrevem os mecanismos desse processo.


1. Interpenetração fluídica e fusão psíquica

O fenômeno instala-se quando a obsessão se prolonga por longo período, permitindo que o perseguidor enrede seus fluidos nos da vítima de tal modo que as duas individualidades passam a entrelaçar-se e, por vezes, a confundir-se. Nesse estágio, a ingerência do obsessor torna-se tão extensa que ele próprio passa a sofrer a influência das emanações do encarnado, estabelecendo-se uma dependência recíproca.


2. Adaptação biológica e “alimentação” energética

No plano orgânico, o corpo físico do hospedeiro sofre progressiva adaptação. A magnetização constante e a carga de fluidos deletérios provenientes do obsessor passam a ser assimiladas pelas células como se constituíssem elemento necessário ao seu funcionamento. O organismo, buscando preservar certo equilíbrio, ajusta-se a essa energia nociva, formando um estado artificial e profundamente doentio.


3. A analogia do parasita A obra compara esse processo a uma planta parasita que aprofunda suas raízes na seiva da árvore hospedeira até que ambas passem a depender uma da outra para subsistir. De modo semelhante, a vitalidade do encarnado torna-se progressivamente vinculada ao teor de energias fornecido pelo Espírito perseguidor.


4. O risco do afastamento abrupto

Em razão dessa dependência extrema, a retirada súbita do obsessor pode produzir graves consequências:


  • Abalo vital: cessando o fluxo energético ao qual o corpo se habituou, os centros vitais do perispírito entram em profundo desajuste.

  • Desequilíbrio orgânico: o choque da separação inesperada repercute no sistema nervoso, no plasma sanguíneo e nos gânglios linfáticos, gerando um descontrole que a mente, em perturbação, não consegue reverter.

  • Desencarnação: a interrupção brusca desse concurso energético pode culminar no desencarne antecipado do obsidiado.


Em síntese, a simbiose obsessiva caracteriza-se como uma interdependência em que obsessor e obsedado passam a sustentar-se mutuamente por meio de emanações em desequilíbrio. A patologia espiritual converte-se, então, em necessidade orgânica, razão pela qual o processo de desobsessão deve ser conduzido com extrema prudência.



AMPARO FAMILIAR


Nos casos de natureza obsessiva, não apenas o obsidiado deve buscar o seu reequilíbrio, mas também aqueles ao seu redor. Ajudar e amparar o parente obsedado é um dever de todos, pois, consequentemente, o clã familiar em torno do enfermo também pode ter contas a ajustar (pela lei de causa e efeito e ligações pretéritas), seja com o próprio parente em desajuste, com o Espírito ou com ambos.


Modificando o psiquismo doméstico por meio das preces em família, do evangelho no lar, da união entre os familiares e da reforma íntima, obsidiado e obsessor passam a respirar fluidos mais benéficos e, por consequência, tendem a melhorar-se pouco a pouco. Pode ser que, de forma concomitante, ambos, perseguido e perseguidor, passem a se modificar moral e internamente. No caso de apenas o encarnado alcançar a sua melhoria, esforçando-se no que lhe diz respeito e colaborando, assim, para a sua autolibertação, os seus benfeitores espirituais contribuem para a quebra dos grilhões da obsessão, afastando o perseguidor da sua vítima.


Para isso é necessário que o obsidiado assuma, com perseverança, a parte que lhe compete na própria recuperação. Isso começa por vigiar os pensamentos e atitudes, esforçando-se por manter uma conduta mais reta e digna. Além disso, convém alimentar a vida interior através da oração e de leituras edificantes (incluso o evangelho no lar). Por fim, a prática constante do bem e da caridade se soma ao amparo recebido na casa espírita, por meio dos passes, do atendimento fraterno, da orientação doutrinária e das reuniões de desobsessão e esclarecimento, integrando a terapêutica espiritual e favorecendo o reequilíbrio de todos os envolvidos.





Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima.

Capítulo 7: Obsessões

Pergunta 73: Obsessão espiritual pode afetar a saúde física? Em casos graves, pode levar ao óbito?

Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed.





REFERÊNCIAS

XAVIER, Francisco Cândido. Missionários da Luz. André Luiz (espírito). FEB Editora, 2018.

FRANCO, Divaldo Pereira (psicografia). Mediunidade: Desafios e Bênçãos. Manoel Philomeno De Miranda (espírito). Editora LEAL, 2019. FRANCO, Divaldo Pereira (psicografia). Loucura e Obsessão. Manoel Philomeno De Miranda (espírito). FEB Editora, 2016.

Comentários


© 2023 Mediunidade com Kardec. Todos os direitos reservados.
mediunidadecomkardec@gmail.com
Voltar ao topo
bottom of page