07. A mediunidade é um dom ou um castigo?
- 16 de abr. de 2023
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Atualizado: 16 de fev.
A mediunidade é uma faculdade neutra, sendo o seu detentor responsável direto pelo bom ou mau uso que dela venha a fazer. Para muitos, ela pode ser uma bênção, uma ponte que se estende ao seu desenvolvimento moral e intelectual; para outros, essa aptidão é um sofrimento, um martírio. Em ambos os casos, o intercâmbio espiritual é uma ferramenta que auxilia o progresso do seu portador e, consequentemente, da humanidade.

Para Emmanuel¹, mentor espiritual de Chico Xavier, os médiuns, em sua generalidade, não são missionários na acepção comum do termo; são almas que fracassaram desastradamente, que contrariaram, sobremaneira, o curso das leis divinas, e que resgatam, sob o peso de severos compromissos e ilimitadas responsabilidades, o passado obscuro e delituoso.
Dando continuidade ao seu pensamento, esclarece o benfeitor:
O seu pretérito, muitas vezes, se encontra enodoado de graves deslizes e de erros clamorosos. Quase sempre, são Espíritos que tombaram dos cumes sociais, pelos abusos do poder, da autoridade, da fortuna e da inteligência, e que regressam ao orbe terráqueo para se sacrificarem em favor do grande número de almas que desviaram das sendas luminosas da fé, da caridade e da virtude.
Por fim, o autor espiritual afirma que os medianeiros são almas arrependidas que procuram arrebanhar todas as felicidades que perderam, reorganizando, com sacrifícios, tudo quanto esfacelaram nos seus instantes de criminosas arbitrariedades e de condenável insânia.
Portanto, os médiuns, em sua maioria, não são seres aureolados ou altamente evoluídos e distintos, mas almas arrependidas que falharam no passado, agora reencarnadas sob o peso de severos compromissos para resgatar as graves faltas cometidas contra as leis divinas.
MEDIUNATO
Por outro lado, existem médiuns que conquistaram o mandato mediúnico (mediunato) por meio de uma longa trajetória de sacrifício e dedicação ao bem. Trata-se de uma reencarnação planejada, na qual a mediunidade assume o caráter de missão voltada ao auxílio coletivo. Como exemplo dessa tarefa missionária, recordamos as figuras de Francisco Cândido Xavier, Divaldo Franco, Yvonne do Amaral Pereira, Raul Teixeira, João Nunes Maia, entre outros.
Longe dos holofotes, também existem médiuns missionários que trabalham no anonimato. Nesses casos, a responsabilidade é sempre proporcional ao nível de evolução do Espírito. Sendo assim, cada medianeiro possui um compromisso específico, que deve ser desenvolvido independentemente da função ou do local onde a Divindade o posicionou.
Em conformidade com essa visão, o instrutor Miramez, por meio da psicografia de João Nunes Maia na obra Segurança Mediúnica, aponta que o dom mediúnico é um tesouro que não foi achado por acaso nos escaninhos da alma, mas conquistado, passo a passo, nos duros processos da evolução do Espírito, onde as mãos de Deus semearam os princípios vivos do amor.
MEDIUNIDADE NÃO É PRIVILÉGIO
Segundo o autor e pesquisador espírita Hermínio de Miranda, em Diversidade dos Carismas, a mediunidade não é privilégio concedido a alguns e negado a outros para que aqueles possam projetar-se e estes não. As faculdades são distribuídas segundo um programa de ação previamente acertado como instrumento de trabalho para ajudar o processo evolutivo do próprio médium e dos seres aos quais ele estender a mão para socorrer. É, portanto, responsabilidade e não título de nobreza ou destaque social.
Em síntese, os dons mediúnicos podem tornar-se uma bênção na vida de quem já despertou para as realidades do espírito e compreende que a caridade é via essencial para que o homem se liberte de suas inferioridades, tais como o orgulho, o egoísmo, o ódio, a inveja e a cupidez.
Em termos práticos, trata-se de um chamado ao dever abnegado — exercido gratuitamente — e à responsabilidade moral, que se expressa na consciência e se confirma pela prática do bem, por meio da educação de si mesmo. (vide questão 54: Mediunidade Gratuita)
Mesmo quando a mediunidade é provacional, ela pode ser compreendida como oportunidade de reparação e reajuste. Ao vivenciá-la com disciplina e vigilância, o médium reconhece com mais clareza as consequências dos próprios atos e encontra motivos concretos para corrigir-se, superando as más tendências que o vinculam ao sofrimento.
Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima.
Capítulo 2: Mediunidade Sem Medo Pergunta 07: A mediunidade é um dom ou um castigo? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
¹XAVIER, Francisco Cândido (psicografia). Emmanuel. Emmanuel (espírito). FEB Editora, 2010.
MAIA, João Nunes (psicografia). Segurança Mediúnica. Miramez (espírito). Fonte Viva, 2ª edição, março de 2015.
MIRANDA, Hermínio C. Diversidade dos Carismas. LACHATRE, novembro de 2019, 9ª edição.




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