74. Crianças e recém-nascidos podem ser vítimas de obsessão?
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A depender dos erros passados e dos ajustes a serem compensados na nova existência, a criança pode sofrer a aproximação e o ataque de antigos desafetos desde o berço.

Isso ocorre porque o Espírito traz gravada em seu corpo espiritual toda a carga energética de suas ações pretéritas, sejam elas de cunho superior ou de ordem inferior. Movido por uma consciência culposa em busca de remissão, o reencarnante emite —inconscientemente — frequências específicas que atraem seus adversários de outras vidas. É justamente nesse ponto que atua a lei de sintonia, pois o remorso do devedor e a mágoa do credor vibram na mesma faixa de frequência, criando um vínculo magnético inevitável. (vide questão 56: Sintonia e Afinidade: Como os pensamentos atraem ou repelem certos Espíritos?)
Em virtude desse entrelaçamento psíquico, os cobradores do passado aproximam-se do berço ainda dominados pelo anseio de retaliação e com a firme resolução de afligir o devedor.
Compartilhando dessa linha de pensamento, Manoel Philomeno de Miranda, em Mediunidade: Desafios e Bênçãos, pela psicografia de Divaldo Franco, esclarece que onde se encontra o endividado aí se faz presente o cobrador, porque ninguém pode desconsiderar os estatutos morais que vigem no Universo, sem sofrer-lhes os efeitos, de acordo com o tipo de agressão praticada.
Dessa forma, a consciência culposa é o fator desencadeante que atrai magneticamente os envolvidos na trama reparadora, estabelecendo a sintonia perfeita entre os litigantes, por força da própria necessidade de reparação.
No entanto, a misericórdia divina assegura que nenhum de seus filhos permaneça sem auxílio. A criança, durante os primeiros anos de vida, ainda não possui condições de exercer — por si mesma — a oração e a vigilância sobre as próprias atitudes e pensamentos. Desse modo, os guias e benfeitores espirituais do recém-reencarnante assumem a guarda direta dessa fase inicial e acompanham cada detalhe das provações em curso. Embora realizem intervenções precisas para resguardar a criança, esses amigos invisíveis atuam sempre dentro dos limites estabelecidos pela lei de causa e efeito.
DINÂMICA DA AÇÃO OBSESSIVA
Conforme elucida Manoel Philomeno de Miranda, em sua obra acima citada, a forma de atuação desses obsessores é bastante peculiar. O magnetismo de culpa carregado pelo reencarnante funciona como um atrativo para os seus algozes, o que fatalmente promove o reencontro de ambos.
Embora a reencarnação ofereça ao Espírito um novo corpo e uma identidade sem semelhanças com a anterior, ele ainda é identificado por seus antigos desafetos. Devido à ideação fixa de vingança, o perseguidor é incapaz de notar a transformação biológica da vítima. Para ele, a aparência de criança não existe; ele vê apenas o adversário tal qual o conheceu em outra existência, com a mesma roupagem de outrora, de quando tombaram nas malhas do crime.
Em outras palavras, o obsessor não reconhece ali uma criança porque sua referência de identidade não é o corpo físico, mas o Espírito que o anima. Para o credor, a idade biológica não importa; seu foco está inteiramente no Espírito com quem possui um débito pretérito. Assim, ele vê a infância apenas como uma posição de extrema vulnerabilidade do seu antigo desafeto, valendo-se dessa brecha para agir como verdugo e cobrar as dívidas do passado.
De forma prática, aproveitando essa limitação defensiva, a entidade obsessora utiliza o magnetismo para desprender a criança de seu corpo físico durante o sono. Uma vez fora do corpo, o Espírito do reencarnante é confrontado com as dívidas do passado e, tomado de pavor, busca refugiar-se imediatamente na matéria, voltando de modo abrupto ao seu refúgio carnal. Esse retorno brusco provoca um choque em seu sistema nervoso, fazendo com que a criança desperte sob forte angústia, gritos e tremores.
Embora não recorde os detalhes do encontro, que se repetem noite após noite, ela retém as impressões desse embate em forma de flashes ou pesadelos. Esse ciclo ininterrupto de pavor e perseguição consome, pouco a pouco, as forças físicas e mentais do pequeno ser. Essa fragilidade extrema é o que permite à entidade avançar em sua intenção infeliz, culminando em processos de alucinações, vampirismo e subjugação.
MEDIUNIDADE EM CRIANÇAS | OBSESSÃO INFANTIL
Nesse caso específico, podemos afirmar que a criança traz em si uma mediunidade provacional e perturbadora. Atraindo magneticamente os cobradores de seu passado, ela estabelece íntimo contato com essas entidades maléficas, intercâmbio este que se agrava profundamente durante o sono. Embora a criança não compreenda ou sequer lembre claramente do embate ao acordar, o violento choque emocional atinge seu sistema nervoso, abalando os delicados equipamentos de sua mente. É exatamente o enfraquecimento dessas defesas orgânicas e psíquicas que leva o assédio ao seu clímax.
Como o infante não possui os recursos de autodefesa de um adulto, o obsessor encontra o campo livre para se manifestar através das incorporações (ou subjugação). Essa ação traz inúmeros malefícios à criança, abalando o seu organismo físico e mental, o que faculta o surgimento de doenças físicas e distúrbios psicológicos. (vide questão 73: Obsessão espiritual pode afetar a saúde física?)
O resultado desse processo é um quadro comportamental doentio e incontrolável, onde a criança alterna entre os estados depressivos e de falta de apetite aos de agressividade e violência, mordendo, golpeando, arrebentando tudo e tentando autodestruir-se. Diante desse cenário, a maldade do perseguidor tende a aumentar, pois ele se regozija ao ver sua vítima sob o seu domínio degradante.
CONDUTA DOS PAIS NO PROCESSO OBSESSIVO
Diante desse quadro, cabe aos pais e demais familiares agir com extremo amor e paciência para com todos os envolvidos, incluindo os obsessores. O ambiente doméstico deve ser fortalecido através do Evangelho no Lar, aliado à terapêutica do passe e da água fluidificada, recursos amplamente oferecidos nas casas espíritas.
Além disso, a prece e a vigilância são ferramentas indispensáveis. Orar pela criança a reveste de fluidos elevados, protegendo-a de energias malsãs, enquanto a prece direcionada ao obsessor age como um bálsamo salutar, plantando sementes de luz e compreensão que, no momento oportuno, acabarão por surtir efeito.
Por fim, exige-se dos pais uma vigilância redobrada. Como guardiões da criança, eles invariavelmente se tornam alvo das entidades cobradoras, que tentarão de tudo para irritá-los e desanimá-los, buscando quebrar a defesa do lar.
Vale destacar que, além do papel de cuidado e proteção que naturalmente cabe aos pais, há aqui uma responsabilidade bem maior, pois os tutores podem possuir resgates pendentes tanto com a criança quanto com os seus perseguidores.
Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima.
Capítulo 7: Obsessões
Pergunta 74: Crianças e recém-nascidos podem ser vítimas de obsessão?
Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed.
REFERÊNCIAS
FRANCO, Divaldo Pereira (psicografia). Mediunidade: Desafios e Bênçãos. Manoel Philomeno De Miranda (espírito). Editora LEAL, 2019.






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