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69. Qual a relação entre transtornos psicológicos e obsessão espiritual?

  • Foto do escritor: Patrick  Lima
    Patrick Lima
  • 3 de ago. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 4 de ago. de 2025

A ansiedade, a depressão, o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e o narcisismo patológico figuram entre os transtornos psicológicos mais conhecidos. Em muitos casos, essas perturbações psíquicas causam profundo sofrimento e comprometem o dia a dia de quem as enfrenta, afetando a sua forma de pensar, sentir e relacionar-se com o próximo.


Retrato colorido em alta resolução de Allan Kardec, pioneiro do Espiritismo e dos estudos sobre mediunidade, com fundo escuro tipo lousa escolar, destacando seu rosto detalhado e expressão séria.
A fascinação leva o indivíduo a assumir posturas caricatas e comportamentos ridículos.

Do ponto de vista espírita, é justo afirmar que todas as desordens psicológicas, quaisquer que sejam, podem favorecer a implantação de um quadro obsessivo, visto que todo desequilíbrio íntimo é força atrativa para mentes de igual natureza. (vide questão 56)


Por possuírem causas diversas, é difícil descrever — com exatidão — onde termina a ação biológica, psicológica ou social e onde começa a influência espiritual, pois uma pode suceder à outra. Em alguns casos, o transtorno psicológico tem origem orgânica, agravando-se com a aproximação de Espíritos que se alimentam de emoções inferiores, encontrando terreno fértil para suas influências. Em outros, o processo é inverso: a gênese está no fator espiritual, quando um Espírito vingativo, aproximando-se de sua vítima, passa a sugerir-lhe ideias perturbadoras e a enfraquecer-lhe os recursos de defesa, conduzindo-a gradualmente a estados depressivos e obsessivos cada vez mais graves.



A CAUSA É ORGÂNICA OU ESPIRITUAL? De forma mais clara, as desordens de cunho emocional podem ter como ponto de partida dois aspectos fundamentais e complementares: o orgânico e o espiritual.


Grande parte das perturbações psíquicas conhecidas tem origem no aspecto físico — sem participação espiritual direta — podendo decorrer de fatores biológicos (alterações em neurotransmissores), psicológicos (experiências traumáticas, padrões de pensamento disfuncionais, dificuldades emocionais, características de personalidade) ou sociais (violência, exclusão, pressões econômicas, relações familiares conflituosas e ambientes estressantes). Frequentemente, esses fatores se entrelaçam, combinando química cerebral, experiências de vida e condicionamentos psicológicos.


Entretanto, pela lei de afinidade e sintonia, o indivíduo em desalinho íntimo passa a atrair para junto de si Espíritos de baixo grau evolutivo. Estes, por sua vez, alimentam-se do padrão mental que encontram e buscam reforçá-lo, influenciando-o repetidamente para que permaneça no estado que lhes é conveniente, garantindo-lhes os recursos energéticos de que necessitam. Nesse caso, o ponto de partida foi físico, sobre o qual se sobrepôs um agravante espiritual. É importante ressaltar que, nesse modelo, os Espíritos que se aproximam nem sempre possuem vínculo anterior com a vítima; muitas vezes, foram apenas atraídos pela sintonia com o seu padrão mental.


O oposto também ocorre: um indivíduo que se encontra relativamente equilibrado em seus aspectos biológicos, psicológicos e sociais pode tornar-se alvo de um Espírito vingativo, com quem mantém laços pretéritos. Esse obsessor passa, então, a atuar de forma sutil e contínua, impregnando a mente de sua vítima com ideias perturbadoras sempre que encontra brechas para tal. À medida que o encarnado cede a essas sugestões, abre espaço para processos obsessivos mais graves, como a fascinação e a subjugação (vide questão 67). Perceba que, nesse último caso, a origem é espiritual, e os efeitos — psicológicos e até físicos — surgem como consequência da obsessão instalada.


Em suma, os transtornos psicológicos podem ter origem física (orgânica) e serem agravados por influências espirituais (como a aproximação de Espíritos vampirizadores) ou, de maneira inversa, podem ter origem espiritual (obsessão) e, a partir dela, conduzir ao adoecimento psicológico e físico. Em muitos casos, trata-se de uma interação entre esses dois fatores, tornando difícil delimitar onde termina a causa orgânica e começa a influência espiritual, ou vice-versa. NARCISISMO x FASCINAÇÃO Entre os diversos distúrbios psíquicos existentes, o narcisismo é um dos mais perigosos para os médiuns. O médium narcisista geralmente apresenta um padrão de comportamento marcado por autoestima inflada, necessidade constante de admiração e dificuldade em reconhecer falhas. Comumente, o narcisista fascinado adota uma fachada de falsa humildade, ao mesmo tempo em que se julga o mais inteligente, o mais apto e o único detentor da verdade.


Segundo Manoel Philomeno de Miranda, em Mediunidade: Desafios e Bênçãos, pela psicografia de Divaldo Franco, o narcisismo pode estar relacionado a conflitos e frustrações pessoais, induzindo o indivíduo a um estado psicológico semelhante ao da infância, no qual busca fugir da realidade por meio de uma postura de superioridade.


Sob esse engano, o médium passa a acreditar que todas as comunicações que recebe são de Espíritos elevados e que, por sua suposta elevação espiritual, foi escolhido para uma missão única, impossível de ser confiada a qualquer outro.



MÉDIUM NARCISISTA

Esquecendo-se da humildade e dos valiosos ensinamentos de Jesus e de Allan Kardec, o narcisista abre as portas para a fascinação e acaba preso a companhias perturbadoras, das quais dificilmente se libertará sem duras consequências. Como resultado desse conúbio, veremos o médium ser conduzido por seus pseudoguias ao isolamento, à perda da afetividade, à depressão e, por fim, ao suicídio.


A fascinação é muito mais comum do que se imagina, e ninguém pode dizer-se totalmente imune a esse perigo. Por isso, o médium deve manter vigilância constante sobre seus pensamentos e desejos, cultivar a humildade verdadeira, aprofundar-se no estudo da Codificação Espírita e, sempre que necessário, buscar apoio psicológico especializado, preservando assim o equilíbrio e a harmonia de sua vida mental e espiritual.





Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima.

Capítulo 7: Obsessões

Pergunta 69: Qual a relação entre transtornos psicológicos e obsessão espiritual?

Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed.




REFERÊNCIAS

FRANCO, Divaldo Pereira (psicografia). Mediunidade: Desafios e Bênçãos. Manoel Philomeno De Miranda (espírito). Editora LEAL, 2019. AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde – CID-11. 11. ed. Genebra: OMS, 2019.

ENGEL, George L. The clinical application of the biopsychosocial model. American Journal of Psychiatry, v. 137, n. 5, p. 535–544, 1980.

NATIONAL INSTITUTE OF MENTAL HEALTH. Mental Health Information. Bethesda: NIMH, 2023. Disponível em: https://www.nimh.nih.gov.

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Practice Guidelines for the Psychiatric Evaluation of Adults. 3. ed. Washington: APA, 2016.

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