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76. O que é médium esponja e como ele pode se proteger?

há 11 horas
6 min de leitura

A expressão médium esponja, surgida informalmente no movimento espírita brasileiro, é empregada para designar médiuns que, por sua sensibilidade acentuada, não apenas percebem determinadas impressões, mas as sentem com grande intensidade.


Essas sensações, atribuídas a influências espirituais ou fluídicas, podem ocorrer na presença de certas pessoas ou em determinados ambientes, manifestando-se por abatimento repentino, inquietação, arrepios sem motivo aparente, cansaço ou sensação de peso. Em outras circunstâncias, podem ser agradáveis, despertando tranquilidade e bem-estar.


Retrato colorido em alta resolução de Allan Kardec, pioneiro do Espiritismo e dos estudos sobre mediunidade, com fundo escuro tipo lousa escolar, destacando seu rosto detalhado e expressão séria.
O que é médium esponja e como ele pode se proteger?

É sobretudo diante dessas experiências desagradáveis que se costuma recorrer à analogia da esponja, como se o médium absorvesse indiscriminadamente (sem filtros) as energias emanadas dos encarnados e desencarnados ou presentes nos ambientes com os quais entra em contato. Entretanto, nem todo mal-estar dessa natureza tem, necessariamente, origem espiritual. Algumas dessas reações podem estar relacionadas às condições orgânicas e emocionais do próprio indivíduo, inclusive à maneira como seu sistema nervoso responde aos estímulos do ambiente.


Pessoas com maior sensibilidade sensorial, por exemplo, podem experimentar inquietação, fadiga ou irritabilidade em lugares movimentados, devido ao excesso de ruídos, luzes, odores e informações que precisam processar simultaneamente. Em outros casos, a ansiedade, o estresse ou determinadas condições de saúde podem produzir efeitos semelhantes, mesmo sem qualquer estímulo ambiental evidente.


Portanto, nem todo mal-estar experimentado pelo médium decorre, unicamente, de uma ação espiritual perturbadora, da atmosfera pesada do ambiente ou de uma suposta mediunidade forte. Quase sempre, esses abalos decorrem de suas próprias condições físicas ou emocionais.


Desse modo, a educação mediúnica precisa estar associada ao autoconhecimento e aos cuidados com a saúde física e mental. A fé raciocinada e o senso crítico ajudam o médium a observar com cautela os abalos que experimenta e suas próprias reações diante deles. Ao avaliar esses sintomas, ele deve considerar tanto seu estado pessoal quanto a possível influência dos Espíritos ou das condições energéticas do ambiente.


Por isso, é importante distinguir aqueles que apresentam maior sensibilidade à aproximação dos Espíritos ou às condições energéticas dos ambientes daqueles que, por falta de conhecimento e discernimento mediúnico, interpretam qualquer sensação de mal-estar como consequência de uma pretensa mediunidade abundante, sem controle. Ainda que o desconforto possa ser real, isso não significa que tenha necessariamente origem espiritual, muito menos que seja sinal de uma faculdade mediúnica excepcional, acima da média. Essa interpretação, quando aceita sem o devido senso crítico, pode alimentar o fanatismo, a supervalorização da própria mediunidade e a visão romantizada de que a faculdade mediúnica seja sinônimo de sofrimento.

MÉDIUM ESPONJA x MÉDIUM SENSITIVO OU IMPRESSIONÁVEL


A escolha da palavra esponja, entre os espíritas brasileiros, para caracterizar esses médiuns pode ter sido inspirada na analogia empregada por Allan Kardec no capítulo XIV, item 18, de A Gênese. Nessa passagem, o Codificador explica como o perispírito assimila os fluidos espirituais. Segundo o autor, esse envoltório semimaterial, que liga o Espírito ao corpo físico durante a encarnação, possui natureza semelhante à dos fluidos espirituais, assimilando-os como uma esponja se embebe de um líquido. Esses fluidos, ao atuarem sobre o corpo espiritual, podem repercutir no corpo físico, produzindo efeitos salutares ou penosos, conforme sua natureza.


A expressão médium esponja não corresponde a uma categoria mediúnica definida por Kardec em suas obras. Ainda assim, algumas das características atualmente associadas a essa denominação podem ser relacionadas aos fenômenos descritos e analisados pelo Codificador.


No item 164 de O Livro dos Médiuns, Allan Kardec descreve os médiuns sensitivos ou impressionáveis como aqueles capazes de perceber a presença dos Espíritos por meio de impressões vagas, por vezes semelhantes a um leve contato, cuja origem inicialmente não conseguem explicar. Kardec acrescenta que, com o hábito, essa percepção pode tornar-se mais apurada, permitindo ao médium reconhecer, pelas sensações que experimenta, a natureza boa ou má do Espírito que se aproxima e, em certos casos, até sua individualidade.


Exemplificando essa forma de percepção, o autor espiritual André Luiz, em Nos Domínios da Mediunidade (cap. 26), pela psicografia de Chico Xavier, relata uma experiência ocorrida em um museu, onde uma jovem desencarnada permanecia ligada a um antigo espelho em exposição, por lembranças de sua vida terrena. Ao perceber que uma visitante encarnada admirava o objeto, a jovem desencarnada aproximou-se e tocou-lhe os ombros, provocando-lhe um calafrio. Sem perceber que havia sido tocada por um Espírito, a senhora atribuiu a sensação à atmosfera do museu, que lhe pareceu fúnebre, sugerindo aos acompanhantes, em seguida, que deixassem o local. André Luiz, com base nos esclarecimentos do instrutor Áulus, relata que a visitante possuía acentuada sensibilidade mediúnica, pois reagiu fisicamente ao contato da jovem desencarnada, sem reconhecer que o calafrio havia sido provocado pela aproximação e pelo toque de um Espírito.


O médium esponja, por sua vez, é caracterizado pela intensidade das sensações que experimenta, muitas vezes acompanhadas de desconforto ou mal-estar (diferente do médium sensível cuja presença dos Espíritos é percebida através de uma impressão vaga, sem grande afetação), como se absorvesse, sem filtros ou possibilidade de escolha, e até contra a própria vontade, os fluidos provenientes de outras pessoas, dos Espíritos ou do ambiente em que se encontra.


É importante destacarmos que a facilidade com que determinados médiuns registram indícios espirituais ou energéticos não significa, necessariamente, que assimilem fluidos em maior quantidade ou intensidade do que outras pessoas.


Para o médium que experimenta desconfortos intensos na presença de certos Espíritos, pessoas ou ambientes, uma vez descartadas possíveis causas físicas e emocionais, o estudo da Doutrina Espírita, a observação das próprias experiências e o autoconhecimento podem ajudá-lo a compreender melhor sua sensibilidade e as circunstâncias em que esses sinais se manifestam. Embora nem sempre possa evitar tais percepções, ele pode, por meio da vigilância e da disciplina mental, aprender a reconhecer o que sente, conservar a serenidade e conduzir conscientemente suas reações, sem permitir que o desconforto governe seus pensamentos e atitudes. É nesse aprendizado que a educação mediúnica encontra uma de suas aplicações mais importantes na vida cotidiana do médium.



COMO AGIR DIANTE DE SENSAÇÕES DESAGRADÁVEIS


Em suas atividades diárias, diante de uma sensação desagradável de origem fluídico-espiritual, o medianeiro pode recorrer, sem alardes, a uma breve prece, elevando o pensamento a Deus e solicitando o amparo dos bons Espíritos, além de buscar manter a serenidade e a firmeza de vontade, sem alimentar pensamentos de medo, irritação ou revolta.


Alguns médiuns também costumam imaginar, durante a prece, uma esfera de luz envolvendo o próprio corpo, funcionando como um escudo vibracional. Não se trata, todavia, de um ritual de proteção, mas de criar em sua própria mente condições necessárias que lhe faculte receber o amparo espiritual.


Outro recurso encontrado na literatura espírita é o autopasse, no qual o próprio médium, rogando o auxílio do seu anjo guardião, dispersa os fluídos que julga malsão e repõe, em seguida, os fluidos salutares.


Não obstante, esses cuidados não devem se limitar aos momentos de desconforto. Em Segurança Mediúnica, no capítulo O médium e a sintonia, o benfeitor Miramez, pela psicografia de João Nunes Maia, explica a relação entre os pensamentos, as disposições íntimas e as companhias espirituais com as quais estabelecemos afinidade e atraímos ao nosso encontro. (vide questão 62) A vigilância, nesse sentido, consiste em observar e educar os próprios pensamentos, evitando alimentar sentimentos que favoreçam a sintonia com Espíritos inferiores.


Isso não significa que um médium equilibrado deixe de experimentar impressões desagradáveis. Mesmo aqueles que procuram manter uma boa sintonia espiritual podem enfrentar situações incômodas e importunas. A diferença está nos recursos que desenvolvem para lidar com essas experiências, sem permitir que o desconforto comprometa continuamente sua tranquilidade ou suas responsabilidades.


Ainda que ninguém esteja totalmente imune às interferências espirituais e energéticas prejudiciais, a melhor proteção de que o médium dispõe em seu dia a dia está no esforço constante pela sua reforma íntima, que deve se refletir em uma conduta orientada pelos ensinamentos de Jesus, na observância das leis divinas e, principalmente, no exercício da caridade gratuita e desinteressada. Esse modo de proceder favorece uma consciência tranquila e equilibrada, contribuindo para elevar seu padrão vibratório e fortalecer sua afinidade com os bons Espíritos. A aproximação dos Espíritos superiores, por sua vez, contribui para afastar as influências espirituais perturbadoras, assim como a luz dissipa as trevas.




Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima.

Capítulo 8: Definições e Conceitos Importantes

Pergunta 76: O que é médium esponja e como ele pode se proteger?

Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed.



REFERÊNCIAS


KARDEC, Allan. A Gênese. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. FEB Editora, 2013.

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 9ª edição. Editora Boa Nova, 2004.

XAVIER, Francisco Cândido (psicografia). Nos Domínios da Mediunidade. André Luiz (espírito). FEB Editora, 2018.

MAIA, João Nunes(psicografia). Segurança Mediúnica. Miramez (espírito). Fonte Viva, 2ª edição, março de 2015.


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