70. Quais são os 5 tipos de obsessão segundo o Espiritismo?
- Patrick Lima

- 7 de set. de 2025
- 6 min de leitura
Atualizado: 9 de set. de 2025
Conforme estabelece a literatura espírita, os tipos de obsessão são variados, manifestando-se de maneiras diversas:

DE DESENCARNADO PARA ENCARNADO
Entre as modalidades de obsessão, a mais conhecida é aquela em que um Espírito desencarnado, movido pelo desejo de vingança ou pelo simples intento de praticar o mal, influencia e persegue um ser encarnado, buscando impor-lhe a sua vontade.
Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, esclarece que a influência dos Espíritos sobre os homens é constante; porém, em determinadas situações, essa influência adquire caráter de dominação. Os quatro principais graus de obsessão, descritos pelo Codificador e pertencentes à modalidade em análise, são: obsessão simples, fascinação, subjugação e possessão. (vide questão 67)
DE ENCARNADO PARA DESENCARNADO
Nem sempre a obsessão parte do mundo espiritual para o físico. Em muitas ocasiões, é o encarnado quem exerce influência sobre o desencarnado. A respeito dessa modalidade obsessiva, Manoel Philomeno de Miranda, em Mediunidade: Desafios e Bênçãos, esclarece:
"São igualmente numerosos os casos em que as mentes atormentadas da Terra, angustiadas pela saudade ou dominadas por outros sentimentos, fixam-se em alguém desencarnado, iniciando-se um processo de perturbação que o angustia, em face das descargas doentias dos pensamentos que lhe são direcionados pelo deambulante na retaguarda física. Sucede que o sentimento — apaixonado, inamistoso ou revoltado — emite ondas desestruturadoras que atingem aquele a quem são direcionadas, dando lugar a transtorno obsessivo desencadeado pelo ser físico contra o espiritual..."
Em outras palavras, a obsessão ocorre quando o encarnado mantém pensamentos persistentes, impregnados de emoções desequilibradas — como mágoa, ressentimento ou saudade doentia — dirigidos a um Espírito desencarnado. Não se trata de uma lembrança esporádica ou de um pensamento passageiro, mas de uma fixação emocional contínua e inferior.
A repetição e a intensidade desses pensamentos geram uma sintonia específica, estabelecendo vínculos que podem interferir na harmonia, na evolução e no bem-estar do Espírito no plano espiritual. Por sua vez, pensamentos elevados e serenos, nutridos pelo amor e pela compreensão, irradiam vibrações benéficas que amparam e fortalecem o desencarnado, favorecendo-lhe o equilíbrio e o restabelecimento no plano espiritual.
DE DESENCARNADO PARA DESENCARNADO
O autor espiritual André Luiz, pela psicografia de Chico Xavier, foi um dos responsáveis por divulgar essa modalidade de obsessão, exposta na obra Libertação. Quase sempre, ela se manifesta nas regiões espirituais inferiores — chamadas Umbral —, onde Espíritos dominadores escravizam os recém-desencarnados, ou vítimas específicas, submetendo-os à hipnose mental e a regimes de cativeiro espiritual.
Muitos desses subjugados são Espíritos que, ao desencarnar, trouxeram culpas e vícios não superados, sem buscar reparar os males causados a si mesmos e ao próximo durante a vida carnal. Por isso, tornam-se presas fáceis de entidades mais endurecidas. É justamente a consciência culpada que favorece a sintonia com os magnetizadores das trevas.
Os obsessores-chefes — Espíritos especializados na perturbação de outras mentes — utilizam os recém-escravizados como instrumentos para perseguir encarnados, ampliar o sofrimento nas regiões umbralinas ou sustentar feudos de poder.
Nesses casos, a terapêutica indicada requer a intervenção de equipes espirituais superiores, que atuam por meio de reuniões mediúnicas sérias na Terra e de operações socorristas no plano espiritual, a fim de amparar, esclarecer e encaminhar os recém-libertos ao tratamento adequado.
DE ENCARNADO PARA ENCARNADO
A obsessão de encarnado para encarnado caracteriza-se quando duas pessoas, ainda na vida física, estabelecem entre si um vínculo mental nocivo, alimentado por sentimentos como antipatia, rancor, ciúme ou paixões doentias. Nesse tipo de influência, cada uma passa a emitir pensamentos perturbadores contra a outra, numa tentativa, consciente ou não, de dominar-lhe os pensamentos e sentimentos.
Essa influência não se limita ao estado de vigília. Durante o sono, quando ocorre o fenômeno da emancipação da alma — também chamado desdobramento, isto é, o desprendimento parcial do perispírito em relação ao corpo físico —, os desafetos costumam encontrar-se no plano espiritual para dar continuidade às discussões e disputas, ampliando a animosidade entre ambos.
Um caso particular pode ocorrer nas paixões não correspondidas. Em si mesmas, tais situações fazem parte da vida e não representam perigo algum. No entanto, quando o desejo de conquistar alguém ultrapassa o limite natural do afeto e se transforma em uma insistência doentia, a mente da pessoa em questão passa a se fixar nesse objetivo de modo contínuo.
Durante o dia, o indivíduo pode se prender a pensamentos persistentes de desejo e apego por alguém. Ao adormecer, ainda ligado a essas ideias, seu perispírito — em desdobramento — dirige-se ao objeto de suas paixões, buscando influenciá-lo de maneira coercitiva. Trata-se, portanto, de um assédio por vias espirituais.
Caso venha a desencarnar sem ter superado esses sentimentos em desalinho, o sujeito desperta no mundo espiritual ainda fixado na mesma ideia, utilizando-se agora de outros recursos para perseguir aquele que não lhe acedeu aos caprichos tormentosos.
Situações como essas exigem cautela, porque tais paixões e ódios atraem Espíritos desencarnados da mesma natureza moral, que passam a inspirar vinganças, estimular crimes e incitar represálias cruéis, como ocorre frequentemente na sociedade terrestre.
Ao analisarmos as obras de Yvonne do Amaral Pereira e de André Luiz — especialmente Libertação — encontramos esclarecimentos profundos sobre a hipnose que se manifesta durante o desdobramento. Ao dormir, o indivíduo encarnado desprende-se do corpo físico e adentra as regiões umbralinas, onde está sujeito a sugestões hipnóticas de natureza inferior. Ao despertar, carrega consigo essas impressões nocivas que, com o tempo e na ausência de discernimento, podem levá-lo à prática de crimes hediondos e outros atos de igual gravidade, à medida que cede às sugestões recebidas durante o sono.
AUTO-OBSESSÃO
A auto-obsessão é um fenômeno em que o próprio indivíduo se torna algoz de si mesmo. Diferentemente de outras formas de obsessão, na qual ocorre a participação de uma terceira pessoa influenciando negativamente outra, na auto-obsessão não existe um agente externo: é a própria consciência que, envolvida em sentimentos de culpa, remorso ou ideias fixas, gera os tormentos que a fazem sofrer.
Movido por sentimentos de culpa, remorso ou ideias fixas, o ser passa a gerar internamente os pensamentos e imagens que o afligem. Sem conseguir ressignificar os erros do passado ou transformá-los em aprendizado, permanece preso a lembranças dolorosas, que se repetem continuamente. Esse padrão mental cria um circuito de autopenalização, enfraquecendo gradualmente suas energias e afetando tanto o equilíbrio espiritual quanto a saúde do corpo físico.
Em virtude do seu desajuste íntimo, o auto-obsedado pode atrair para junto de si a presença de Espíritos de igual natureza, ampliando a sua enfermidade psíquica e, por assim dizer, da alma. Apesar da presença desses companheiros afins, o núcleo do problema continua sendo o próprio indivíduo e o sentimento de culpa que o acompanha.
O reequilíbrio, segundo a visão espírita, tem na reforma íntima seu ponto de partida. A renovação dos pensamentos, a prática do bem e da caridade, a fé raciocinada e o autoperdão são considerados recursos fundamentais nesse esforço contínuo de aprimoramento moral.
No entanto, é preciso reconhecer que, dependendo da gravidade e das particularidades de cada caso, a reforma íntima por si só pode não ser suficiente para atender às necessidades do assistido. Nesses contextos, o acompanhamento psicológico — e, quando indicado, psiquiátrico — deve ser compreendido como parte fundamental do processo de equilíbrio e soerguimento.
O suporte espiritual não substitui o cuidado clínico. Ambos podem atuar de forma complementar, conforme a necessidade apresentada. Que fique claro: o tratamento com profissionais da saúde não deve, em hipótese alguma, ser interrompido ou negligenciado em favor exclusivo de práticas espirituais.
SIMBIOSE ESPIRITUAL Quando dois Espíritos, encarnados ou desencarnados, se afinizam pelos mesmos prazeres e tendências inferiores, acabam por entrelaçar-se gradualmente. A sintonia mental e emocional que se estabelece entre eles funciona como um encaixe perfeito — semelhante a um plugue ligado a uma tomada — formando uma simbiose em que, com o tempo, já não se distingue quem influencia ou é influenciado. Ambos alimentam e sustentam a perturbação mútua.
Nos casos em que são inimigos declarados, e o perdão não se manifesta de parte alguma, o vínculo torna-se ainda mais destrutivo. Cada um passa a nutrir-se do conflito, fixando-se na ideia de prejudicar ou mesmo aniquilar o outro, retroalimentando continuamente a obsessão que os une.
Sobre esse fenômeno, o autor Manoel Philomeno de Miranda, no já citado trabalho, observa que, uma vez instalada a parasitose espiritual, o invasor passa a nutrir-se das energias daquele em quem fincou suas raízes mentais, exaurindo-o, a pouco a pouco, culminando, quando o processo se prolonga, numa simbiose em que passa a depender das forças vitais que usurpa.
Nesse estágio, com a simbiose já estabelecida, o afastamento entre os envolvidos ocorre de forma lenta e difícil, pois a dependência energética que os une pode, em certos casos, ser vital para ambos. Quando essa separação acontece de maneira abrupta e forçada, o encarnado pode não suportar o impacto inesperado, podendo vir a desencarnar em seguida.
Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima.
Capítulo 7: Obsessões
Pergunta 70: Quais são os 5 tipos de obsessão segundo o Espiritismo?
Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed.
REFERÊNCIAS
KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 9ª edição. Editora Boa Nova, 2004.
FRANCO, Divaldo Pereira (psicografia). Mediunidade: Desafios e Bênçãos. Manoel Philomeno De Miranda (espírito). Editora LEAL, 2019.
XAVIER, Francisco Cândido. Libertação. André Luiz (espírito). FEB Editora, 2019.






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