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Mediunidade com Kardec

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  • 54. O médium espírita pode cobrar ou obter ganhos financeiros por meio da mediunidade?

    Eternizado pelo apóstolo Mateus, o dai de graça o que de graça recebestes é uma das principais orientações morais descritas no evangelho de Jesus. (Mateus 10:8) Todo aquele que, atentamente, examina a vida e os ensinamentos do Mestre Nazareno encontra uma orientação segura quanto à gratuidade da mediunidade. Afinal, qual era o valor que Jesus cobrava para curar ou ajudar os que lhe procuravam? Como bem sabemos, o Cristo nunca cobrou por seus atendimentos ou jamais esperou receber algo em troca. A mediunidade pode ser considerada uma profissão como qualquer outra? Por conseguinte, Allan Kardec, sob a supervisão dos Espíritos superiores – dentre eles o Espírito da Verdade, Jesus Cristo – , nos elucida sobre a gratuidade da mediunidade em diversos momentos da codificação. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Kardec destaca que os médiuns atuais – pois que também os apóstolos tinham mediunidade – igualmente receberam de Deus um dom gratuito: o de serem intérpretes dos Espíritos, para instrução dos homens, para lhes mostrar o caminho do bem e conduzi-los à fé, não para lhes vender palavras que não lhes pertencem, a eles médiuns, visto que não são fruto de suas concepções, nem de suas pesquisas, nem de seus trabalhos pessoais. Dando continuidade, o codificador ressalta que Deus quer que a luz chegue a todos; não quer que o mais pobre fique dela privado e possa dizer: não tenho fé, porque não a pude pagar; não tive o consolo de receber os encorajamentos e os testemunhos de afeição dos que pranteio, porque sou pobre. Tal a razão por que a mediunidade não constitui privilégio e se encontra por toda parte. Fazê-la paga seria, pois, desviá-la do seu providencial objetivo. A MEDIUNIDADE PODE SER CONSIDERADA UMA PROFISSÃO? Ainda na referida obra, Kardec nos convida a meditar um pouco mais sobre essa temática ao indagar que a mediunidade séria não pode ser e não o será nunca uma profissão , não só porque se desacreditaria moralmente, identificada para logo com a dos ledores da boa sorte, como também porque um obstáculo a isso se opõe. É que se trata de uma faculdade essencialmente móvel, fugidia e mutável, com cuja perenidade, pois, ninguém pode contar. Segundo o codificador, na obra em destaque, a mediunidade representaria para quem a explora uma fonte de renda extremamente instável, que pode desaparecer no momento mais crítico. Em contraste, o talento desenvolvido por meio do estudo e trabalho é uma propriedade real e legítima do indivíduo, que pode usá-lo conforme desejar. A mediunidade, no entanto, não é uma arte nem um talento, e por isso, não pode ser considerada uma ocupação profissional regular. Kardec volta ao falar desse assunto, dessa vez em O que é o Espiritismo, afirmando que seria um erro compararmos a mediunidade a uma propriedade do talento. Para o codificador, o talento adquire-se pelo trabalho, quem o possui é sempre dele senhor; ao passo que o médium nunca o é de sua faculdade, pois que ela depende de vontade estranha. Essa vontade na qual Kardec faz referência tem relação direta com a colaboração dos Espíritos. De acordo com o filho de Lyon, a mediunidade não existe sem o concurso dos Espíritos; faltando estes, já não há mediunidade. Pode subsistir a aptidão, mas o seu exercício se anula. Daí vem não haver no mundo um único médium capaz de garantir a obtenção de qualquer fenômeno espírita em dado instante. Explorar alguém a mediunidade é, conseguintemente, dispor de uma coisa da qual não é realmente dono. Afirmar o contrário é enganar a quem paga. (O Evangelho Segundo o Espiritismo) MEDIUNIDADE GRATUITA Os médiuns verdadeiramente sérios e devotados, de acordo com Kardec, quando não possuem uma existência independente, procuram recursos no trabalho ordinário e não abandonam suas profissões; eles não consagram à mediunidade senão o tempo que lhe podem dar, sem prejuízo de outras ocupações; empregando parte do tempo destinado aos divertimentos e repouso, nesse trabalho mais útil, eles se mostram devotados, tornam-se apreciados e respeitados. (O que é o Espiritismo) Portanto, cabe ao medianeiro buscar seu sustento através dos talentos que dispõe e nunca fazendo da mediunidade o seu ganha-pão diário. Em outros termos, o médium não deve fazer do seu mediunismo uma profissão para obter lucros financeiros ou no intuito de garantir ou esperar quaisquer vantagens (presentes, favores, fama, reconhecimento, gratidão, etc). Por fim, em O Evangelho Segundo o Espiritismo , Kardec conclui o seu raciocínio ao nos advertir: Procure, pois, aquele que carece do que viver, recursos em qualquer parte, menos na mediunidade; não lhe consagre, se assim for preciso, senão o tempo de que materialmente possa dispor. Os Espíritos lhe levarão em conta o devotamento e os sacrifícios, ao passo que se afastam dos que esperam fazer deles uma escada por onde subam. Em suma, a mediunidade não é uma profissão e, dessa forma, por ser algo que não nos pertence de fato, deve ser sempre gratuita e de ordem coletiva. Sendo assim, não existe a profissão médium, e os que exercem essa atividade – abusando e explorando os que lhes procuram – em troca de dinheiro, favores ou reconhecimento, ou são charlatões/enganadores ou não conhecem as leis divinas e o Evangelho de Jesus. PAGUEI POR DETERMINADO "SERVIÇO" MEDIÚNICO Sabemos ainda que os Espíritos superiores naturalmente se afastam dos médiuns que desviam a mediunidade da sua verdadeira finalidade, ficando o medianeiro, muitas vezes, assistido por entidades inferiores, que se comprazem no mal, na ganância, na exploração e na enganação. ( vide questão 18 ) Os médiuns que utilizam os serviços  dessas entidades (popularmente conhecidas no meio espiritualista como kiumbas ) para trabalhos variados, tais como a leitura da sorte, amarrações, adivinhações, aberturas de caminhos e similares, desde a presente encarnação, já sofrem o baque originário da comunhão desditosa com esses Espíritos inferiores, sendo o seu padecimento prolongando e intensificando após o desencarne. Ao desencarnarem, passam a ser perseguidos, escravizados, vampirizados e subjugados por esses mesmos Espíritos que outrora lhes serviam. Aos que procuram por tais assistências: a partir do momento em que alguém busca esse tipo de serviço ou auxílio , um processo obsessivo começa a ser desencadeado paulatinamente. Ao entrar nesses espaços, o cliente – que não mede as consequências para atingir o objetivo proposto – passa a ter como companhias invisíveis, Espíritos da mais baixa estirpe. Estes, por sua vez, o acompanham de retorno à sua casa e passam a lhe sugerir ou intuir os mais diversos tipos de pensamento, causando-lhe inúmeras perturbações e infortúnios. Geralmente, preso a esses tipos de inquietações e pensamentos em desequilíbrio, o sujeito retorna ao local onde o trabalho foi realizado, para uma nova consulta. Quase sempre, o fim desses consulentes é o mesmo dos médiuns que os atenderam, conforme descrevemos acima. Eis o real salário  que essas entidades inferiores cobram para ajudar os medianeiros imprudentes a realizarem suas práticas mediúnicas pautadas na cobiça, ganância, cupidez ou qualquer tipo de maldade, assim como, daqueles que buscam por seus serviços . MERCANTILIZAÇÃO CAMUFLADA O autor espírita Hermínio C. Miranda, em Diversidade dos Carismas , destaca que mil e um artifícios são inventados para justificar a cobrança dos 'serviços' sem que pareça ostensivamente estarem pondo em prática uma 'feira de milagres'. Pode ser sob forma de donativos 'espontâneos' ao grupo, ao médium ou aos dirigentes, ou presentes materiais, testemunhos de reconhecimento, traduzidos em alguma forma concreta, material, e outros artifícios sutis ou mesmo não tão sutis.”   Dando continuidade ao seu pensamento, ainda na referida obra, Hermínio de Miranda conclui que mesmo que o grupo não enverede, porém, pela mercantilização aberta ou camuflada , muitas vezes permite, e até estimula, o endeusamento do médium, que assume a condição de verdadeiro e infalível guru, adota posturas teatrais e começa a vestir-se de maneira diferente, estapafúrdia, ornado de adereços, símbolos secretos e talismãs misteriosos. Isso nada tem a ver com as práticas recomendadas pela doutrina espírita. Trata-se de exercício inadequado da mediunidade.   De forma concisa, a mediunidade não é um obstáculo à vida normal, nem deve ser usada para obter vantagens financeiras ou notoriedade, sob o falso pretexto de compensar o tempo dedicado ao trabalho mediúnico. Texto extraído do livro   Mediunidade com Kardec   de  Patrick Lima . Capítulo 6: Aspectos Morais da Mediunidade Pergunta 54: O médium espírita pode cobrar ou obter ganhos financeiros por meio da mediunidade? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BÍBLIA DE JERUSALÉM . Mateus 10:8. 14ª impressão. Editora PAULUS, 2017. KARDEC , Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile. 21ª edição. Editora Boa Nova, 2017. KARDEC , Allan. O que é o Espiritismo. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. FEB Editora, 2016. MIRANDA , Hermínio C. Diversidade dos Carismas. LACHATRE, novembro de 2019, 9ª edição.

  • 47. Espíritos de outras tradições espiritualistas podem trabalhar em Centros Espíritas?

    Não apenas podem como trabalham com frequência. Espíritos como Pretos-Velhos, Caboclos, Boiadeiros, entre outros, costumam ter suas presenças solicitadas – por uma parcela dos dirigentes espíritas – para colaborarem nas atividades pertinentes às reuniões mediúnicas, auxiliando nos processos de desobsessão, desmanche de trabalhos de magia, etc. Espíritos de outras tradições espiritualistas podem trabalhar em Centros Espíritas? Além disso, como nos foi dado a observar, há uma infinidade de médiuns espíritas que têm como guias espirituais entidades que se apresentam sob variados arquétipos, como Marinheiros, Exus, Pombagiras, Erês, Ciganas... Consequentemente, quando esses medianeiros participam de suas respectivas reuniões nas casas espíritas, seus mentores também estão presentes, buscando auxiliá-los conforme os trabalhos em andamento. Da mesma forma, os Espíritos benfeitores que trabalham nas casas espíritas – como Bezerra de Menezes e outros – também costumam colaborar em variados núcleos espiritualistas ou religiosos, tal qual os templos evangélicos, igrejas católicas, mosteiros, etc. BEZERRA DE MENEZES COMO UM PRETO-VELHO? Pela psicografia de João Nunes Maia, o autor espiritual Lancellin conta-nos uma história onde a equipe espiritual que ele faz parte, sob a supervisão do benfeitor Miramez, colabora em um trabalho espiritual de matriz africana ( Iniciação – Viagem Astral ; cap. Aprimorando ideias). Em seu livro Loucura e Obsessão, Manoel Philomeno de Miranda – por meio da mediunidade de Divaldo Franco – relata um curioso caso em que o médico dos pobres, Dr. Bezerra de Menezes, realiza um atendimento em um templo umbandista sob o arquétipo de um preto-velho. Casos semelhantes aos descritos acima são bastante frequentes na literatura e na prática espírita. Entretanto, devido ao preconceito ainda enraizado em nossa cultura, diversos núcleos, autores e oradores espiritistas, optam por manter-se discretos sobre esses assuntos, evitando comentar a participação ativa dessas entidades nas casas e reuniões propriamente espíritas. Lamentavelmente, o preconceito e a intolerância religiosa ainda prevalecem na maioria das instituições kardecistas (sob o uso do termo kardecista , vide questão 44 ). Como efeito, entidades que não apresentam o perfil do homem branco ou de ancestralidade europeia são discriminadas e rejeitadas ao se manifestarem nas reuniões espiritistas. Apesar disso, esses Espíritos iluminados e compassivos continuam a nos ajudar, adotando aparências que nos tragam a sensação de simpatia e confiança. Acerca do preconceito e da intolerância acima citados, não nos referimos à doutrina espírita em si, mas sim às pessoas que lideram instituições e núcleos espiritistas e que, eventualmente, ainda manifestam atitudes preconceituosas, comportamentos elitistas ou qualquer pensamento contrário aos ensinos do Cristo (que tem como base o amor, a caridade e o respeito para com o próximo). ARQUÉTIPOS Ao usarmos a expressão arquétipo (do grego arkhétypon ; do latim archetypum ) no contexto espiritual, estamos nos referindo a um conceito presente nas religiões de matriz afro-brasileira. Nesses segmentos religiosos, cada entidade se manifesta usando a roupagem fluídica  que melhor expressa a sua linha de trabalho, isto é, que reflita as características pertencentes ao seu estado evolutivo, como a bondade e sapiência, a caridade e o amor, a sabedoria e a humildade... É importante frisar que estas entidades que se apresentam sob a aparência de índios, ex-escravizados e ciganas, por exemplo, não necessariamente foram – em encarnações pretéritas – estas personalidades. Voltando ao exemplo acima, referente ao Dr. Bezerra de Menezes, veremos que o benfeitor espírita aqui mencionado, em sua última encarnação, atuara como médico. Este fato não lhe impediu de colaborar espiritualmente em um terreiro de umbanda sob a roupagem de um Preto-Velho, ou seja, um Espírito de um ex-escravizado que geralmente se apresenta com linguagem simples e sábia, com humildade e paciência, com amor e carinho. Entretanto, não esqueçamos a velha sabedoria popular: as aparências enganam! E como enganam! Kardec, em seus escritos, já nos alertava sobre as artimanhas de Espíritos levianos, inteligentes e astutos, que, estando moralmente atrasados, se disfarçam de figuras ilustres (com nomes veneráveis) e empregam palavras rebuscadas para ludibriar e iludir o agrupamento mediúnico. COMO SABER SE UM ESPÍRITO É DE ORDEM ELEVADA OU INFERIOR? Reconhece-se um espírito por sua linguagem, assim nos orientou Allan Kardec. Segundo o codificador, por meio da obra Resumo da Lei dos Fenômenos Espíritas , os Espíritos de ordem elevada – que são verdadeiramente superiores e bons – apresentam linguagem sempre digna, nobre, lógica e isenta de contradições ou palavras inúteis; suas comunicações refletem sua sabedoria, a benevolência, a modéstia e a mais pura moral. Já os Espíritos menos evoluídos, marcados pela vaidade, orgulho ou pela ignorância, frequentemente compensam a superficialidade de suas ideias com um discurso excessivo e vazio. Pensamentos equivocados, máximas contrárias à moral, conselhos insensatos, expressões grosseiras ou fúteis, enfim, qualquer indício de malevolência, presunção ou arrogância, são sinais inequívocos da inferioridade de um Espírito. Além da linguagem, ideias e conceitos, a impressão física/orgânica que os Espíritos emanam ao se aproximarem dos médiuns — ou de pessoas mais sensíveis — podem revelar o seu grau de desenvolvimento e adiantamento espiritual. A aproximação de um Espírito superior é sempre acompanhada por uma sensação boa e agradável, um sentimento de paz e quietude, alegria e bem-estar, bom ânimo e tranquilidade. Já as entidades menos evoluídas, ao se aproximarem dos médiuns, despertam-lhes um abalo desagradável, incidindo em um mix de desânimo e irritabilidade, bem como, perturbações psíquicas e orgânicas, dentre outras percepções negativas. LINGUAGEM ERUDITA x LINGUAGEM SIMPLES Ao mencionar o termo linguagem , Kardec se referia ao conteúdo moral da mensagem exposta pelo Espírito comunicante, e não a sua forma de falar, isto é, se a mesma é rebuscada, culta, erudita, simples ou regional. Muitos são os que apresentam o pensamento errôneo ao acreditar que uma entidade que se manifesta com um teor acentuado de boa oratória, é por isso mais elevada do que aquelas que se comunicam de maneira mais simples ou fora da norma culta. Frequentemente, esse é o argumento inicial utilizado pelos dirigentes espíritas ao rejeitarem a manifestação de entidades que, segundo as suas observações, não seguem o padrão convencional de linguagem. Para finalizarmos, os Espíritos esclarecidos e elevados, despojados de quaisquer formalismos terrenos, preocupam-se primordialmente com o teor da mensagem que desejam transmitir. Muito mais do que impressionar pelo tipo de linguagem utilizada, estes Espíritos – nobres e superiores – atentam-se ao conteúdo moral da mensagem que visam repassar, tornando-a compreensíveis a todos, independentemente de ser culta, erudita, coloquial, formal, regional, popular, dentre outras. ( Mediunidade: Desafios e Bênçãos  | Manoel Philomeno de Miranda, pela psicografia de Divaldo Franco). EXU NÃO É DIABO Muitas pessoas também acreditam, equivocadamente, que essas entidades representam o mal. Essas crenças fazem parte de um preconceito enraizado em nossa sociedade, que supervaloriza a cultura europeia e do homem branco, enquanto demoniza tudo o que tem origem africana e/ou está ligado ao homem negro e sua ancestralidade. No livro Prazer, Umbanda! , o autor e cientista religioso Bernardo D'Oxóssi destaca que ao contrário do que muitos acham ou falam até hoje, Exu não faz o mal. Na verdade, essa imagem de fazedor do mal se deve a influência Católica na colonização e formação político-social do Brasil, onde Exu foi logo associado ao Diabo e essa ideia foi reforçada através da ligação do arquétipo Exu aos demônios da Goetia europeia nos primórdios da Umbanda e da Kimbanda. De fato, certas vertentes mediúnicas têm como objetivo a prática do mal, como é o caso da Kiumbanda ou Quiumbanda (não confundir com a Kimbanda). A Kiumbanda trabalha espiritualmente com Espíritos conhecidos como Kiumbas. Esses Kiumbas, quando encarnados, já praticavam a maldade e, agora, no plano espiritual, continuam a agir de forma maléfica por livre e espontânea vontade, compreendendo plenamente suas ações. Em resumo, os Kiumbas são Espíritos que sentem prazer em praticar o mal e se deleitam com cada oportunidade de atormentar os encarnados, fazendo isso sem medir esforços. Já a Umbanda possui três conceitos fundamentais que são: Luz, Amor e Caridade. À semelhança do Espiritismo, na Umbanda não há nenhuma prática do mal. Para os Umbandistas, Jesus também é tido como referência central, modelo e guia. Desse modo, a prática da caridade, o amor fraternal e o Evangelho de Jesus são os seus pilares centrais. EMMANUEL COMO SENADOR ROMANO Sabemos ainda que os Espíritos que se apresentam sob as vestes da simplicidade cabocla ou africana, por exemplo, não se apresentam dessa maneira por estarem presas ao seu passado, mas por escolha própria. Da mesma forma, encontraremos o benfeitor Emmanuel – guia espiritual de Chico Xavier – sob a aparência do senador romano Publius Lentulus (uma de suas reencarnações). É sabido que Emmanuel reencarnou outras vezes, seja como padre, bispo, escravizado, educador, dentre outras, mas, que prefere apresentar-se sob a figura da sua encarnação romana, à época de Jesus. O que não significa que ele esteja preso a essa encarnação ou aparência, muito menos seja considerado inferior por isso; é apenas a forma, o molde que ele prefere se apresentar. USO DE CACHIMBOS E VELAS NA CASA ESPÍRITA? Há um argumento recorrente entre os dirigentes espíritas para impedir a manifestação de entidades que, segundo eles, não se alinham ao padrão europeu de civilidade . Para tais dirigentes, esses Espíritos – popularmente associados a outras vertentes mediúnicas, como umbanda e candomblé – são considerados inferiores por utilizarem cachimbos, bebidas, velas, defumadores, etc. Entretanto, o uso desses elementos não denota nenhuma inferioridade. O álcool, por exemplo, utilizado geralmente pelos Exus e Pombagiras, é usado para garantir a integridade energética do médium (e não do Espírito). Já o fumo, comumente associado aos Pretos-Velhos, costuma ser utilizado como meio de descarrego, dispersando as energias malsãs (equivalente ao passe espírita). Desse modo, podemos concluir que essas entidades não bebem ou fumam, elas manipulam com maestria as energias fluídicas desses elementos, usando-as para variados fins. Esses mesmos Espíritos que se utilizam dessas ferramentas em seus atendimentos, quando se apresentam para trabalhar em outros ambientes – como as casas espíritas –, na qual esses hábitos não são aceitos ou não são de costume, realizam seus trabalhos da mesma maneira, sem necessariamente terem estes elementos em mãos, ao seu dispor. É dessa forma que estas linhagens espirituais também trabalham nos centros espíritas, respeitando a cultura e o modo de trabalho de cada lugar. FRANZ MESMER COMO VOVÔ PEDRO Para refletirmos sobre nossos preconceitos, é fundamental lembrar da origem da Pomada Vovô Pedro, que ainda hoje proporciona cura e alívio a diversas enfermidades, incluindo a hanseníase. No início da década de 1970, o médium João Nunes Maia acabara de psicografar a obra Além do Ódio , pelo Espírito Sinhozinho Cardoso. A pedido da espiritualidade, o livro foi lançado na colônia de hansenianos Santa Isabel (Betim/MG), na qual todas as famílias presentes receberam um exemplar da obra gratuitamente. Ao término do evento, um cortejo de Espíritos desencarnados, sob a visão mediúnica de João Nunes Maia, adentrou o salão. Dentre os Espíritos que se mostraram visivelmente como ex-escravizados, um deles ganhou destaque especial. Assinando sob o nome de Vovô Pedro, esse Espírito ditou a receita de uma pomada que, por apenas um preço – Deus lhe pague – se tornaria um símbolo de cura. Anos depois, ao visitar a Biblioteca Municipal de São Paulo, em posse de uma enciclopédia, o médium João Nunes Maia se depara com uma fotografia que lhe chama a atenção, reconhecendo ali, naquela imagem, a figura do Espírito Vovô Pedro. Eis que surge – em Espírito –, o criador da teoria do magnetismo animal (mesmerismo), o médico, teólogo, linguista e filósofo austríaco Franz Mesmer, que diante de João Nunes Maia revela o seu verdadeiro nome (referente à sua última encarnação conhecida). Portanto, o Espírito que outrora apresentou-se com um nome sem elegância , rodeado por ex-escravizados , ditando uma fórmula simples para uma pomada simples (como costumava chamar), era na verdade, um dos personagens mais ilustres da nossa história, um Espírito de escol, responsável por trazer a lume os estudos referentes aos fluidos e a cura pelas mãos; a posteriori, o seu trabalho influenciou diretamente os estudos e pesquisas de Allan Kardec, cujas obras da codificação mencionam diretamente – e por diversas vezes – o magnetismo descrito por Mesmer, além da atribuição de três mensagens mediúnicas escritas/ditadas por Mesmer, publicadas nas edições de janeiro de 1864, outubro de 1864 e maio de 1865 da Revista Espírita. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 4: O Médium e a Casa Espírita Pergunta 47: Espíritos de outras tradições espiritualistas podem trabalhar em Centros Espíritas? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MAIA , João Nunes (psicografia). Iniciação Viagem Astral. Lancelin (espírito). Fonte Viva, 22ª edição, 2017. FRANCO , Divaldo Pereira (psicografia). Loucura e Obsessão. Manoel Philomeno De Miranda (espírito). FEB Editora, 2016. KARDEC , Allan. Resumo da Lei dos Fenômenos Espíritas. Tradução de Salvador Gentile. IDE Editora, 2012. FRANCO , Divaldo Pereira (psicografia). Mediunidade: Desafios e Bênçãos. Manoel Philomeno De Miranda (espírito). Editora LEAL, 2019. D'OXÓSSI , Bernardo. Prazer, Umbanda!: História, Conceitos e Teorias. Reconecte Produções, 2021.

  • 59. Qual o perigo da vaidade na vida do médium?

    Segundo o benfeitor Miramez (livro Médiuns , psicografado por João Nunes Maia), todo homem carrega, naturalmente, o sentimento de ostentação. A ostentação, nesse contexto, é o ato pelo qual o médium busca demonstrar superioridade e se destacar entre os demais, exibindo — com orgulho — seus dons mediúnicos, suas realizações, curas, comunicações recebidas, achando-se porta-voz da verdade absoluta e indiscutível, que sua presença é imprescindível e indispensável, entre outros comportamentos vaidosos ou exibicionistas. Não é a mediunidade que te distingue. É aquilo que fazes dela. (Emmanuel / Chico Xavier) Se o egoísmo, conforme apresentado na codificação, representa uma das grandes chagas da humanidade, a vaidade, para o médium, é o câncer que o corrói e destrói, fanatizando-o e conduzindo-o à ruína. A VAIDADE, SEGUNDO ALLAN KARDEC Em O Evangelho Segundo o Espiritismo , Kardec nos convida a meditar sobre a vaidade e os seus riscos, destacando que o médium que compreende o seu dever, longe de se orgulhar de uma faculdade que não lhe pertence, visto que lhe pode ser retirada, atribui a Deus as boas coisas que obtém. Se as suas comunicações receberem elogios, complementa o codificador, não se envaidecerá com isso, porque as sabe independentes do seu mérito pessoal; agradece a Deus o haver consentido que por seu intermédio bons Espíritos se manifestassem. Se dão lugar à crítica, não se ofende, porque não são obra do seu próprio Espírito. Ao contrário, reconhece no seu íntimo que não foi um instrumento bom e que não dispõe de todas as qualidades necessárias a obstar a imiscuência (impedir a intromissão) dos Espíritos maus. Cuida, então, de adquirir essas qualidades e suplica, por meio da prece, as forças que lhe faltam. FAMA E NOTORIEDADE Para Manoel Philomeno de Miranda, em Mediunidade: Desafios e Bênçãos , pela psicografia de Divaldo Franco, a busca atormentada da notoriedade, da fama, do exibicionismo, constitui terrível chaga moral, que o médium deve cicatrizar mediante a terapia da humildade e do trabalho anônimo. Desse modo, a arrogância, a presunção, a vaidade que exaltam o ego diminuem a qualidade dos ditados mediúnicos de que se faz portador aquele que assim se mantém. Já o benfeitor Miramez, por meio da psicografia de João Nunes Maia, no livro Segurança Mediúnica , nos adverte sobre os perigos e as consequências da vaidade na vida do medianeiro, dos quais destacamos, em síntese: “A vaidade, nos círculos mediúnicos, é fato comum. Os melindres ainda não deixaram de existir entre os companheiros que nos servem de instrumentos. Essas inferioridades são sutis, difíceis de serem registradas por seus possuidores, mas a reforma nunca é impossível, desde que a educação e a disciplina sejam constantes." Em seguida, dando continuidade ao seu pensamento, destaca o autor espiritual: "Deves ter cuidado com a vaidade. Ela é sutil, nos caminhos do iniciado e, muito mais, no iniciando. Mais ainda, ela tem o poder de transformação, para não ser reconhecida como tal. Foge do alarde do que fazes de bom. Não há necessidade de seres reconhecido como bom, como caridoso. A nossa obrigação dispensa toda espécie de vangloria, principalmente a autovalorização. [...] O médium que imagina, visualiza e começa a criar uma autoadmiração, não se lembrou de orar e vigiar. É levado pela falsa superioridade que desemboca na areia movediça.” RECOMENDAÇÕES BÁSICAS Na obra em questão, Miramez finaliza sua exposição oferecendo orientações valiosas sobre como superar a vaidade, o orgulho e outros sentimentos de autoexaltação. A seguir, transcrevemos — em síntese — os tópicos que resumem essas advertências e esclarecimentos. A vaidade orgulhosa faz-nos perder a sensibilidade, como nos desvia a audição e apaga a nossa visão de sorte a não sentirmos, não ouvirmos e não vermos os avisos de vigilância, que vêm de todos os lados. O candidato a médium deve suprimir da sua mente toda ordem de vaidade, todo tipo de impulso que o leva para o orgulho e a prepotência, sempre se esquecendo das ofensas recebidas. Desfaze-te dos pensamentos fixos, principalmente aqueles alimentados pela vaidade e pelo orgulho. Não queiras mostrar que tudo o que fazes é o certo; O homem de conduta reta é sempre abastecido de energias superiores, desde que o orgulho e a vaidade não tomem seu coração. O verdadeiro saber cobre-se com a simplicidade e a discrição. Quase sempre esses médiuns sucumbem, por despertarem em seus sentimentos a vaidade, o orgulho e a autoadmiração. Diante do que foi exposto, podemos concluir que a vaidade constitui uma ameaça significativa à trajetória e à vida do médium. Manifestando-se de forma gradual e silenciosa, esse sentimento/atitude pode levá-lo a um estado de autoengano e autoilusão, abrindo precedentes que culminarão fatalmente em um processo de fascinação e mistificação, tornando-o um joguete dos Espíritos inferiores. MÉDIUNS x ELOGIOS Elogios aparentemente inofensivos, por menores e mais sinceros que possam ser, quase sempre despertam sentimentos de orgulho, vaidade e exaltação em quem os recebe. À vista disso, o médium deve evitar todos os tipos de elogios, bajulações e, principalmente, o endeusamento que frequentemente se apresenta em seu dia a dia. Em única palavra: deves crer que tudo provém de Deus e de seus emissários superiores, sendo ele, o médium, apenas um instrumento a ser manuseado pelas mãos invisíveis da caridade divina, assim como o cirurgião manuseia seu bisturi em prol de ajudar os enfermos. Para ser um bom instrumento, além das diretrizes acima destacadas, o medianeiro deve buscar banir do seu trabalho mediúnico, assim como da sua vida, toda espécie de vaidade e orgulho, abrindo espaço para que a caridade e a humildade se façam cada vez mais presentes no seu íntimo.   IMPORTÂNCIA DA HUMILDADE, POR HERMÍNIO C. MIRANDA O autor espírita Hermínio de Miranda, em Diversidade dos Carismas , destaca que são muitos, ainda, os que julgam que basta sentar-se à mesa mediúnica para começar a produzir fenômenos notáveis, receber espíritos elevados, ter vidências espetaculares ou curar doenças irredutíveis. Nada disso. A primeira atitude a adotar-se, seja ou não este conselho tido como "pregação", é a de humildade. Complementando seu pensamento, adverte-nos o autor: " Não pense que sua mediunidade vai abalar o mundo ou servir de veículo a revelações sensacionais. É mais fácil perder-se uma oportunidade de exercício mediúnico razoável pela vaidade do que por qualquer outro obstáculo; e mais desastroso, porque, em vez de uma contribuição modesta, porém positiva, optamos pelo desacerto."   Ainda na referida obra, Hermínio esclarece que não é nada difícil para um espírito (ou uma equipe deles) promover fenômenos insólitos em grupamentos humanos despreparados, fazer revelações pessoais, prever acontecimentos de pequena monta, que acabam por ocorrer mesmo, e até promover curas. Por meio de tais artifícios acabam por conquistar a confiança ilimitada dos incautos. Daí em diante, será simples continuidade, impingindo tranquilamente instruções, impondo rituais, formulando doutrinas exóticas, criando até uma nova seita.   Por fim, Hermínio C. Miranda conclui o seu raciocínio, afirmando que a habilidade e a malícia de alguns desses espíritos só é superada pela ingenuidade e excesso de confiança dos encarnados que a eles se submetem. Assim sendo, a humildade, a prática constante da caridade e o estudo aprofundado da Doutrina Espírita são as melhores formas que o medianeiro possui de se proteger contra essas influências mistificadoras. A humildade foi uma das virtudes ensinadas e exemplificadas pelo próprio Cristo. Portanto, cabe ao médium compreender que, todo e qualquer indício de vaidade, por menor que seja, é sempre uma porta de entrada para diversos males em sua vida. Logo, o médium que se considera um ser privilegiado, superior aos demais, vaidoso, presunçoso, egoísta e orgulhoso, é, por sua própria natureza, um ser desequilibrado. Essa desarmonia interna o torna suscetível à convivência com entidades mistificadoras, que, em pouco tempo, o levarão ao ridículo, à humilhação, à fascinação e à possessão. Texto extraído do livro   Mediunidade com Kardec   de  Patrick Lima . Capítulo 6: Aspectos Morais da Mediunidade Pergunta 59: Qual o perigo da vaidade na vida do médium? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MAIA , João Nunes (psicografia). Médiuns. Miramez (espírito). Fonte Viva, 19ª edição, 2017. KARDEC , Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile. 21ª edição. Editora Boa Nova, 2017. FRANCO , Divaldo Pereira (psicografia). Mediunidade: Desafios e Bênçãos. Manoel Philomeno De Miranda (espírito). Editora LEAL, 2019. MIRANDA , Hermínio C. Diversidade dos Carismas. LACHATRE, novembro de 2019, 9ª edição.

  • 66. Como saber se o que estou sentindo é físico ou espiritual?

    A nuvem de testemunhas descrita pelo apóstolo Paulo em Hebreus 12:1 faz referência, segundo a literatura espírita, aos Espíritos que nos observam constantemente, independentemente de onde estivermos. Isto é, homens e Espíritos transitam acotovelando-se sem cessar ( O que é o Espiritismo? ) ; ou de forma mais clara: há Espíritos em todos os lugares, visto que a matéria não lhes oferece barreiras ( O Livro dos Espíritos , questão 91) Como identificar se a origem do que sinto é física ou espiritual? Também podemos afirmar que cada ambiente se encontra impregnado por fluidos que podem ser salutares ou perniciosos, conforme o padrão de pensamento emitido por seus frequentadores ou moradores¹. Os encarnados, por sua vez, apresentam suas mazelas físicas e mentais, que se manifestam na forma de energias (revelando o seu estado íntimo), influenciando o ambiente e as pessoas ao seu redor. Já os Espíritos, quando se aproximam dos encarnados, transmitem impressões condizentes com o seu estado evolutivo. Os bons apresentam sempre uma sensação agradável, enquanto que os menos elevados são percebidos pelo desconforto (mal-estar) que costumam irradiar. Contudo, a maneira como essas energias são percebidas varia de pessoa para pessoa, sendo que algumas — como os médiuns ostensivos — possuem uma sensibilidade maior para captar e interpretar essas impressões. Segundo Hermínio Corrêa de Miranda, em Diversidade dos Carismas , os médiuns são sensíveis não apenas aos seres desencarnados, mas também às pressões e sentimentos, mesmo não expressos, das pessoas encarnadas que os cercam durante o trabalho. Ao médium recai a responsabilidade de discernir quanto a origem das sensações que registra. MEDIUNIDADE OU DOENÇA FÍSICA? No livro Plantão de Respostas — Pinga Fogo II , Chico Xavier e Emmanuel, seu mentor espiritual, abordam a importância da educação mediúnica como um caminho para distinguir as percepções espirituais dos sintomas relacionados a doenças físicas: A segurança em distinguir os efeitos da mediunidade dos sintomas de doenças físicas, só pode ser alcançada com a educação da própria mediunidade. O ideal é que inicialmente se procure um médico para certificar-se que o mal não é físico e, uma vez confirmada a inexistência de doença, deve-se procurar a orientação espiritual. A experiência tem demonstrado diversas situações em que a medicina convencional não conseguiu diagnosticar com precisão certos problemas de saúde, mesmo após o uso dos mais sofisticados exames e protocolos disponíveis. Sem alternativas viáveis dentro das ciências médicas, muitos pacientes encontraram, por meio da orientação espiritual — nas casas espíritas — o diagnóstico real dos males que os afligiam. É prudente alertar que o enfermo não deve, sob nenhuma circunstância, interromper seu tratamento médico convencional para se limitar exclusivamente ao tratamento espiritual ou a qualquer outra abordagem terapêutica, integrativa ou holística. O mais adequado, nesses casos, é que o acompanhamento dos médicos terrestres seja mantido ao longo de todo o tratamento espiritual. COMO DISTINGUIR CADA SENSAÇÃO? A célebre frase "conhece-te a ti mesmo" possui grande relevância para aqueles que buscam iniciar a sua reforma íntima. Quanto mais uma pessoa se conhece, mais facilmente ela percebe as próprias imperfeições, o que a leva a corrigir os seus defeitos — quando disposta a se melhorar — e a domar as suas más inclinações. Em vista disso, um médium experiente, que já conhece a sua forma de pensar e agir, ao se deparar com ideias que não condizem com seu padrão habitual, costuma se questionar: O que estou sentindo tem uma causa física, orgânica? Trata-se de uma influência espiritual? Será o reflexo da egrégora do ambiente ou algo anímico (uma criação da minha própria mente)? O autoconhecimento, aliado à educação mediúnica, constitui a chave essencial para que o médium identifique as diversas influências que atuam sobre ele. À medida que se aprofunda nos estudos espíritas e exerce corretamente sua mediunidade, o medianeiro desenvolve a habilidade de perceber e lidar com diferentes tipos de fluídos. Com isso, adquire uma sensibilidade mais apurada, que lhe permite reconhecer com maior clareza as energias e as entidades com as quais entra em contato. Clarificando nossa linha de raciocínio, Kardec, em um diálogo com o Espírito de Santo Agostinho, registrado nas questões 919 e 919-a de O Livro dos Espíritos , faz as seguintes indagações: — Qual é o meio prático mais eficaz para se melhorar nesta vida e resistir ao arrastamento do mal? Um sábio da Antiguidade vos disse: Conhece-te a ti mesmo. — Compreendemos toda a sabedoria dessa máxima, mas a dificuldade está precisamente em se conhecer a si próprio. Qual o meio de chegar a isso? Fazei o que eu fazia quando vivi na Terra: no fim de cada dia, interrogava a minha consciência, passava em revista o que havia feito e me perguntava a mim mesmo se não tinha faltado ao cumprimento de algum dever, se ninguém teria tido motivo para se queixar de mim. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim necessitava de reforma. Aquele que todas as noites lembrasse todas as suas ações do dia e se perguntasse o que fez de bem e de mal, pedindo a Deus e ao seu anjo guardião que o esclarecessem, adquiriria uma grande força para se aperfeiçoar, porque, acreditai-me, Deus o assistirá. É importante destacar que não existe uma fórmula única e infalível para distinguir com precisão as sensações registradas pelos médiuns. No entanto, como mencionamos anteriormente, é por meio do autoconhecimento e do estudo da própria mediunidade que o médium adquirirá a confiança necessária para alcançar o propósito exposto. ¹Esse fenômeno, popularmente conhecido como egrégora , será abordado em maior profundidade na questão 96. Texto extraído do livro   Mediunidade com Kardec   de  Patrick Lima . Capítulo 7: Obsessões Pergunta 66: Como saber se o que estou sentindo é físico ou espiritual? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BÍBLIA DE JERUSALÉM . Hebreus 12:1. 14ª impressão. Editora PAULUS, 2017. KARDEC , Allan. O que é o Espiritismo. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. FEB Editora, 2016. KARDEC , Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB; 93ª edição. Rio de Janeiro, 2014. MIRANDA , Hermínio C. Diversidade dos Carismas. LACHATRE, novembro de 2019, 9ª edição. XAVIER , Francisco Cândido. Plantão de Respostas - Pinga Fogo II. Ceu, 2015.

  • 44. "Kardecista" é um termo redundante?

    Allan Kardec, ao ser confrontado por um visitante que o referenciava como o criador de um sistema filosófico – conforme relatado na obra O que é o Espiritismo – enfatizou que o Espiritismo tem auxiliares de maior preponderância , e que ele, se comparado a esses auxiliares, seria apenas um átomo . Dessa forma, Kardec reafirma que o espiritismo é uma doutrina originária dos Espíritos e não de um homem (referindo-se a si próprio), e adverte que, nesse caso, jamais se poderia dizer: a doutrina de Allan Kardec . "Kardecista" é um termo redundante? Afinal, por que os termos kardecista  e espiritismo de mesa branca  são usados atualmente? Existe um kardecismo  ou diferentes tipos de espiritismo? NEOLOGISMOS CRIADOS POR KARDEC O patriarca do espiritismo criou uma série de neologismos – tais como espiritismo, espíritas, espiritistas, perispírito , dentre outros – para que estes termos pudessem expressar uma ideia nova e assim, não serem confundidos com as ideologias em voga, a exemplo do espiritualismo moderno. Esses vocábulos podem ser mais facilmente encontrados a partir de 18 de abril de 1857, data de lançamento de O Livro dos Espíritos , momento este que marca o nascimento do espiritismo na França. Porém, aqui chamamos a atenção para o ano de 1854, em especial para o livro The Spirit-Rapper,  do americano Orestes Augustus Brownson, que anterior ao lançamento da obra primeira de Allan Kardec (1857), já trazia termos semelhantes ao adotado pelo codificador francês. Ao total são 9 menções ao termo spiritists e 15 para spiritualists . Para aprofundarmos nossa compreensão, analisemos o trecho a seguir (p. 311) da obra supracitada de Orestes Augustus Brownson, com destaque para os termos em negrito. The Spiritualists or Spiritists do not deny they assert that the manifestations they witness are strictly anal ogous to the class of facts which have been always re garded as Satanic At first the spirits communicated by rapping and moving furniture But now besides rapping mediums there are writing mediums seeing mediums and speaking mediums . Os espiritualistas ou espíritas não negam, eles afirmam que as manifestações que testemunham são estritamente análogas à classe de fatos que sempre foram considerados satânicos. No início, os espíritos se comunicavam batendo e movendo móveis. Mas agora, além de médiuns que batem, há médiuns escreventes, médiuns videntes e médiuns falantes. Em 1854, havia nos Estados Unidos uma onda espiritualista em ascensão, devido aos últimos acontecimentos de Hydesville (iniciados em 1844, ganhando maior amplitude em 1847 com a chegada da família Fox). Observando o texto acima ( The Spirit-Rapper ) iremos constatar que os vocábulos spiritualists or spiritists (espiritualistas ou espíritas) eram equivalentes em seu significado, tidos na época como sinônimos. Ou seja, na língua inglesa, em meados de 1854, as palavras espiritualistas e espíritas possuíam o mesmo significado, conceito ou definição. Essa onda espiritualista passou da América do Norte para a Europa, fase esta em que surgiram as primeiras notícias sobre as mesas-girantes nas terras do velho mundo. Através das mesas-girantes, como bem sabemos , surgiu o Espiritismo ( vide questão 01 ). Ao leitor atento, será possível perceber que as ideias de comunicação entre os dois planos já eram anteriores a Kardec, sendo estudadas e observadas por diversos outros autores e pesquisadores ao longo dos milênios. Com isso, ao começar seus estudos sobre os fenômenos em questão, Allan Kardec (que era fluente em diversos idiomas, inclusive o inglês) teve a oportunidade, acreditamos nós, de perceber a similaridade dessas palavras e, sabiamente, ao escrever em sua língua nativa, criou neologismos – adaptando-os para o francês –, dando-lhes um significado mais específico, justamente para que não houvessem erros de interpretação quanto aos conceitos apresentados ao longo de suas obras. Sim! Kardec criou termos novos – em francês – para especificar conceitos próprios. Mas qual a origem etimológica desses vocábulos em análise? Atentando ao radical – em negrito – dos termos inicialmente em inglês, poderemos verificar de onde, provavelmente, cada palavra foi originária. Exemplos: Spirit ist (inglês) e Spirit es (francês) Spiritualist s (inglês) e Spiritualist es (francês) Não é de se admirar que o filho de Lyon, ao perceber a imprecisão na qual os termos originários eram empregados em solo americano, passou a dar-lhes um significado mais claro e definido, diferenciando os termos já existentes na língua inglesa dos seus neologismos adaptados para o francês. Desse modo, asseverou sabiamente que todo espírita era espiritualista, mas nem todo espiritualista era espírita. Aos espíritas mais ortodoxos, essas informações podem não ser muito bem-vindas. Mas calma, isso não tira nenhum mérito do exímio codificador. A língua está em constante transformação e é natural que ela se modifique e vá ganhando novas grafias e significados. Salvo raríssimas exceções, todas as palavras que conhecemos hoje tem sua raiz etimológica em alguma outra, a exemplo do vocábulo perispírito que é formada pela junção dos elementos peri (prefixo grego que significa em torno de ou ao redor de ) e spiritus (palavra latina que significa espírito, sopro , alma ) – resultando em um termo que significa, literalmente,  em torno do espírito ou envoltório do espírito . ESPÍRITAS KARDECISTAS Ao longo de toda codificação, encontraremos uma única menção – Revista espírita de 1865 – ao termo kardecista. No artigo intitulado Partida de um adversário do Espiritismo para o mundo dos Espíritos, o então padre (o adversário) recém-desencarnado ao ser evocado por Allan Kardec, ressalta: '" Já se operaram divisões entre vós. Existem duas grandes seitas entre os espíritas: os espiritualistas da escola americana e os espíritas da escola francesa. Mas consideremos apenas esta última. Ela é una? Não. Eis, de um lado, os puristas ou kardecistas , que só admitem uma verdade depois de um exame atento e da concordância com todos os dados;" Após a comunicação do padre, Kardec disserta sob as diversas objeções destacadas pelo recém-desencarnado, clarificando ponto a ponto as questões levantadas. Contudo, há uma delas que o codificador não chegou a refutar, nesse caso, nos referimos aos termos puristas ou kardecistas manifestado pelo pároco. Sabemos bem que Kardec priorizava o uso correto das palavras (para evitar dúvidas ou ambiguidade), e nesse caso, não havendo contestação direta por parte do autor, compreendemos que o codificador da doutrina aceitou a definição do termo kardecista ou purista para representar os espíritas que só admitem uma verdade depois de um exame atento e da concordância com todos os dados. O vocábulo kardecista, desse modo, não entra em contradição com a fala anterior de Kardec – encontrada em O que é o Espiritismo –, ao advertir que jamais poderíamos nos referir ao espiritismo como a doutrina de Allan Kardec. De fato, a doutrina tem como origem os ensinos dos Espíritos, sendo Kardec o seu fiel codificador, o bom-senso encarnado, segundo os dizeres do astrônomo francês e autor espírita, Camille Flammarion. Não se contradiz, pois o termo kardecista aqui exposto não infere que a doutrina seja de Allan Kardec, criada por ele, sendo obra de um homem encarnado, mas sim, como uma definição mais específica dentre os diversos tipos, graus ou variações de adeptos do Espiritismo. O kardecista é, portanto – seja na época de Kardec, como na atualidade –, aquele que segue o modus operandi ensinado pelo codificador, isto é, aquele que adota uma postura cautelosa em relação à aceitação das variadas informações fornecidas pelos Espíritos e os demais autores/pesquisadores (encarnados e desencarnados). O modus operandi usado por Kardec, ou melhor, o seu método científico, popularmente conhecido como Controle Universal do Ensino dos Espíritos, se baseia na universalidade das informações. DIFERENÇAS ENTRE CADA TERMO Vale recordar que até recentemente os censos demográficos realizados pelo IBGE – e algumas outras pesquisas – compreendiam as religiões e doutrinas de cunho espiritualistas (ou mediúnicas) como partes de um todo. Ao se declarar espírita , o indivíduo tinha de descrever – em seguida – a qual categoria pertencia, se era espírita kardecista ou  de mesa branca, umbandista, candomblecista, etc. Nós dias atuais ainda há quem confunda, por falta de conhecimento ou má vontade, as religiões e doutrinas mediúnicas. Para estes o espiritismo e os demais segmentos espiritualistas formam – ou são – uma única vertente. Ilustrando esta explanação, podemos citar as livrarias ou sites de livros que, ainda na atualidade, vendem sob o letreiro obras espíritas uma infinidade de títulos pertencentes a outras denominações mediúnicas, incluindo temas como magia, bruxaria, simpatias, esoterismo, teosofia, etc. Tais representantes comerciais, assim como a grande parcela da população, enxergam o espiritismo e as demais religiões mediúnicas como partes de um mesmo pacote, sendo a nomenclatura espírita escolhida para representar todos esses segmentos. Desse modo, tudo indica que, pela herança cultural, os termos kardecistas e espiritismo de mesa branca passaram a ser utilizados – com mais frequência no Brasil, perdurando até os dias atuais – para distinguir o espiritista (adepto do espiritismo) dos demais seguidores de outros segmentos, como o próprio espiritualismo, a umbanda, candomblé, etc. Nesse contexto, a expressão kardecista ganha sentido diverso – e mais abrangente – do significado original. De modo sucinto, o espiritismo puro não tem nenhuma ligação com cartas de tarô, búzios, trabalhos de amarração amorosa, de feitiçaria, simpatias, adivinhações, aberturas de caminho, imolação de animais ou cobranças de qualquer espécie. Todas essas práticas não são condizentes com a doutrina espírita, bem como as diretrizes deixadas por Kardec ao longo das suas obras. QUEM É QUEM? Espírita ou espiritista é todo aquele que concorda ou simpatize com, pelo menos, uma parte dos princípios fundamentais do espiritismo, tais como: existência de Deus; imortalidade da alma; reencarnação; pluralidade dos mundos habitados; comunicação com os Espíritos; lei de causa e efeito; etc. No último capítulo (Conclusão) de O Livro dos Espíritos , Kardec classifica os espíritas, dividindo-os em três classes ou graus, sendo: ESPÍRITAS EXPERIMENTADORES - PRIMEIRA CLASSE São aqueles que acreditam nas manifestações dos espíritos e se limitam a comprová-las. Para esses, o Espiritismo é essencialmente uma ciência experimental. Estão interessados nos fenômenos mediúnicos e buscam evidências concretas da existência e comunicação dos espíritos. ESPÍRITAS IMPERFEITOS - SEGUNDA CLASSE São os que percebem as consequências morais do Espiritismo e entendem que os ensinamentos dos espíritos têm implicações éticas e comportamentais. Em outras palavras, são os simpatizantes da filosofia espírita. No entanto, embora reconheçam a importância da moral espírita, ainda não a praticam de forma completa ou constante. ESPÍRITAS VERDADEIROS OU CRISTÃOS - TERCEIRA CLASSE São aqueles que não apenas compreendem e aceitam as consequências morais do Espiritismo, mas também se esforçam por praticar essa moral em suas vidas (transformação moral). Esses espíritas aplicam os ensinamentos de caridade, amor ao próximo, humildade e reforma íntima em sua conduta diária. O Kardecista ou purista , isto é, aquele que só admite uma verdade depois de um exame atento e da concordância com todos os dados, tendo como modus operandi o método científico ensinado por Kardec (Controle Universal do Ensino dos Espíritos), pode estar associado a qualquer uma das classes ou graus acima. Em suma, espírita ou kardecista é o adepto do espiritismo, doutrina codificada por Allan Kardec; assim como, os umbandistas  são os que seguem a umbanda; candomblecistas  os que são partidários do candomblé; quimbandeiros os adeptos da quimbanda; daimistas os que seguem o santo daime; catimbozeiros os sectários do catimbó; etc. Todos esses segmentos possuem a mediunidade como ponto em comum, mas apesar de qualquer similaridade que eventualmente possa existir, cada religião ou doutrina acima descrita é única no seu modo de proceder ou, ainda mais claro, são diferentes entre si. TERMO REDUNDANTE? Com o advento do Espiritismo no Brasil, ainda em meados do século XIX, diversos grupos espíritas surgiram, impulsionados pelas notícias e relatos das mesas-girantes na Europa e pela difusão das ideias espíritas nos jornais da época. Estudos históricos sobre os grupos espíritas recém-formados revelam uma diversidade de pensamentos e práticas peculiares a cada um deles. Havia grupos que se interessavam apenas pela parte experimental do espiritismo; outros se dedicavam exclusivamente à prática da caridade; alguns não viam necessidade no uso da prece; enquanto outra parcela considerava que a comunicação com os Espíritos não era mais necessária... Tais divergências de interpretações ainda perduram na atualidade, o que fez com que a parcela dos espíritas que zelam pela pureza doutrinária das obras e ensinos de Kardec, isto é, aqueles que seguem o método científico proposto pelo codificador , só admitindo uma verdade depois de um exame atento e da concordância com todos os dados, passasse a usar o termo kardecista de forma explícita e proposital, a fim de se distinguirem dos adeptos do espiritismo à brasileira (os espíritas que não seguem o controle das informações ensinado e adotado por Kardec). Além disso, devido a inúmeros fatores como o sincretismo religioso e os preconceitos enraizados em nossa cultura, a doutrina dos espíritos – codificada por Allan Kardec – é sempre vista de forma generalizada, como se abrangesse uma gama de outras doutrinas e religiões mediúnicas, mesmo não tendo nenhuma similaridade em seu modo de atuação com essas demais vertentes. Desse modo, a expressão kardecista também é usada – no Brasil – para representar o adepto do espiritismo (seja ele pertencente a quaisquer uma das classes ou graus expostos pelo codificador), distinguindo-o dos demais partidários de outros segmentos, como umbanda, candomblé, etc. Sendo assim, não há nenhuma redundância ao usar o termo kardecista  para se referir a alguém que é adepto do espiritismo dentro desses contextos apresentados. Ainda hoje esse tema gera bastante efervescência entre os espíritas de diversos graus, porém, desde que pautados no respeito e no amor, todos os estudos acerca desse tópico são válidos. COMPARAÇÃO ENTRE OS TERMOS | EN - FR - PT Vejamos a comparação entre as duas línguas – inglês e francês – usadas pelos autores acima descritos, além de sua tradução para o português: INGLÊS FRANCÊS PORTUGUÊS  Spiritists Spirites Espíritas Spiritualists Spiritualistes Espiritualistas KARDEC CRIOU O TERMO MÉDIUM ? Embora Kardec nunca tenha reivindicado a autoria do termo médium , muitos são os estudantes espíritas que acreditam ser esse mais um dos neologismos criados pelo codificador. Vale destacar que o vocábulo médium  já era empregado por diversos autores antes mesmo do surgimento do espiritismo em 1857. Na obra supracitada de Orestes Augustus Brownson (1854), os termos médium  e médiums aparecem 23 vezes; em 1853, o químico e físico americano Robert Hare publicou a obra Experimental Investigation of the Spirit Manifestations , na qual a palavra médium  é usada para descrever aqueles que se comunicam com os espíritos. Nesse mesmo sentido – em eras recuadas, anteriores a Kardec –, também encontraremos o termo apresentado sendo referenciado em obras ocultistas e místicas, assim como, textos que tratam de magia, teosofia e outras práticas esotéricas. CONTROLE UNIVERSAL DO ENSINO DOS ESPÍRITOS Em um breve resumo (sem esgotarmos o tema), podemos dissertar que o controle universal proposto por Kardec, no qual as suas obras se baseiam, tem como norte: a análise crítica e minuciosa das mensagens transmitidas pelos Espíritos, buscando assim, evitar possíveis contradições e deturpações. a comparação das mensagens recebidas por diversos médiuns (de diferentes localidades), acerca dos mesmos temas; a similaridade entre as mensagens (quando provenientes de fontes confiáveis, devem apresentar concordância entre si, não havendo espaço para contradições); o discernimento perante a qualidade das comunicações (se são mensagens confiáveis, anímicas ou mistificadoras); o uso da razão, bom senso e coerência; conformidade com as leis universais (as mensagens eram avaliadas em sua consonância com as leis naturais e morais). De modo prático, o codificador comparava as mensagens de diferentes médiuns e Espíritos, buscando por concordância em suas ideias e princípios; submetia as mensagens à análise racional, descartando aquelas que contrariassem o bom senso, a lógica e os conhecimentos científicos da época. Somente após um controle rigoroso e sistemático é que Kardec acrescentava tais mensagens/ensinos em suas obras.   As ideias presentes nas obras da codificação eram frequentemente confrontadas com novas mensagens mediúnicas, buscando confirmação ou refutação. Um dos exemplos mais notáveis da aplicação do Controle Universal do Ensino dos Espíritos por Kardec se encontra em O Livro dos Espíritos, ou melhor, nos bastidores de como essa obra foi criada. Ao reunir as respostas dos Espíritos sobre variados temas, o autor identificou algumas contradições e inconsistências. Através de um processo minucioso de análise e confronto, Kardec refez diversas perguntas aos Espíritos, buscando elucidar as dúvidas e aprimorar a clareza das informações. Essa postura crítica e metódica foi essencial para a construção de uma obra sólida e confiável, que se tornou um dos pilares da doutrina espírita. O mestre de Lyon, por meio de sua aplicação exemplar do Controle Universal do Ensino dos Espíritos, legou um modelo de análise crítica fundamental para o estudo e a prática da doutrina espírita. Todavia, será que ainda podemos afirmar que esse controle proposto, usado e ensinado por Kardec, ainda está em voga no seio do Espiritismo brasileiro, ou de forma específica, se algum dia esse modelo foi utilizado pelos espíritas brasileiros? ATUALIZAÇÃO DAS OBRAS DE KARDEC? Aqui não estamos propondo nenhuma modificação em relação a nomenclatura ou quaisquer alterações ou atualizações nas obras deixadas por Kardec, seus ensinos ou outras diretrizes kardequianas. Ao trazermos essa reflexão, objetivamos apenas entender, se assim tivermos condições, uma fresta do pensamento proposto pelo codificador, assim como, compreender o processo historiográfico do espiritismo no Brasil, além de buscar diferenciar as instituições que seguem o modelo proposto por Kardec (do controle universal das informações) das demais vertentes ou ramificações (mesmo que temporárias) que também atendem pela bandeira ou ideal espírita. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 4: O Médium e a Casa Espírita Pergunta 44: "Kardecista" é um termo redundante? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. O que é o Espiritismo. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. FEB Editora, 2016. BROWNSON , Orestes Augustus. The Spirit-Rapper. Hardpress Publishing, 2020. KARDEC , Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB; 93ª edição. Rio de Janeiro, 2014. KARDEC , Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile. 21ª edição. Editora Boa Nova, 2017. KARDEC , Allan. Revista Espírita – Jornal de estudos psicológicos – outubro de 1865. Tradução de Julio Abreu Filho. Edicel, 1ª edição, julho de 2002.

  • 65. Os Espíritos podem influenciar nossos atos e pensamentos?

    De início, pode parecer preocupante a ideia de que estamos sendo guiados ou manipulados por Espíritos. A palavra influenciação também pode nos causar certo estranhamento, especialmente quando lembramos que influenciar , de acordo com alguns dicionários, é uma ação psicológica em que uma pessoa é induzida a realizar algo, adotar uma conduta ou formar uma opinião específica. Sobre este tema, na questão 459 de O Livro dos Espíritos , Kardec pergunta se os Espíritos influenciam nossos pensamentos e ações. Mais do que imaginais, respondem os benfeitores, pois com bastante frequência são eles que vos dirigem. No capítulo II da obra O que é o Espiritismo? , o codificador destaca que os Espíritos estão em toda parte, ao nosso lado, acotovelando-nos e observando-nos sem cessar. Essa é, sem dúvidas, aquela nuvem de testemunhas mencionadas por Paulo em Hebreus 12:1. É justamente essa nuvem de testemunhas — presente em nosso dia a dia — que pode nos influenciar, atraída por nossos pensamentos, gostos e ações. Tal influência pode ser positiva ou negativa, a depender da categoria dos Espíritos com os quais estamos em sintonia ( vide questão 56 ). INSPIRAÇÃO, SEGUNDO KARDEC Em O Livro dos Médiuns , item 183, Kardec pergunta: — Qual é a causa primeira da inspiração? Espírito que se comunica pelo pensamento. — A inspiração tem por objeto apenas a revelação de grandes coisas? Não. Ela tem, muitas vezes, relação com as circunstâncias mais comuns da vida. Por exemplo, você quer ir a alguma parte: uma voz secreta diz para não ir, porque há perigo, ou então, essa voz diz para fazer uma coisa na qual você nem pensava; é a inspiração. Há bem poucas pessoas que não tenham sido mais ou menos inspiradas em certos momentos. Os termos inspiração e influênciação podem ser considerados sinônimos no contexto espírita, sobretudo ao nos referirmos ao modo pelo qual os Espíritos atuam em nosso cotidiano, conduzindo-nos tanto para o bem quanto para o mal. Sob essa ótica, conclui-se que todos os indivíduos, em algum momento, já foram influenciados — positiva ou negativamente — pelos Espíritos. Contudo, é essencial reconhecer que, apesar dessas influências, somos os principais responsáveis por nossas escolhas. TUDO É CULPA DOS ESPÍRITOS? É comum observar indivíduos que, negligenciando a autorresponsabilidade, atribuem seus erros exclusivamente à influenciação espiritual, justificando — de forma simplista — que determinadas situações ocorreram devido a um processo obsessivo. A verdade é que, mesmo que a influência exista, a decisão de ceder a ela é sempre nossa. A obsessão não é unilateral e só se consolida quando há afinidade entre obsessor e obsidiado, ambos compartilhando os mesmos gostos, prazeres e inclinações. Nessa dinâmica, a influenciação torna-se recíproca (simbiose), não sendo mais possível determinar quem influencia quem. OBSESSÃO ENTRE ENCARNADOS É justo mencionarmos que essa influência também ocorre entre encarnados. Dependendo da intensidade e da persistência dessa atuação, esse comportamento pode ser classificado como um processo obsessivo na categoria encarnado para encarnado . Conforme a médium e escritora espírita Suely Caldas Schubert menciona em sua obra Obsessão/Desobsessão: Profilaxia e Terapêutica Espíritas , a obsessão entre encarnados é um fenômeno frequente. A autora descreve que tal obsessão se caracteriza pelo controle mental que uma pessoa exerce sobre a outra, frequentemente mascarado como afeto ou proteção. Contudo, essa forma de amor apresenta-se como possessiva e sufocante, resultando na restrição da liberdade do indivíduo alvo dessa influência. Sentimentos como ciúmes, ódio, inveja, paixão, orgulho ou desejo de poder estão intimamente relacionados a essa modalidade obsessiva. A pessoa sob controle, frequentemente, não reconhece que está sendo manipulada, acreditando que tais ações decorrem de um excesso de afeto. Nesse ponto, o controle e a perseguição continuam no mundo espiritual, quando ambos estão dormindo, parcialmente desprendidos do corpo físico. Em outras ocasiões, são rivais que, em estado de vigília (acordados), frequentemente emitem fluidos perniciosos uns contra os outros, e, durante o sono, no processo de desdobramento, buscam-se mutuamente para dar continuidade às suas desavenças. Além disso, existem pessoas que entendem como os processos de influência funcionam e, aproveitando seu poder magnético e hipnótico, usam isso de forma consciente para obter vantagens. Essas pessoas, dotadas de um vasto conhecimento em magia e manipulação energética, ao desencarnarem, são conhecidas como magos e feiticeiros. No plano espiritual, continuam a influenciar negativamente suas vítimas, agora com maior liberdade ( vide questão 62 ). Falaremos mais sobre este tópico na questão 71, ao tratarmos das diferentes modalidades de obsessão. RECONHECENDO NOSSOS PENSAMENTOS A respeito dessa temática, o autor Hermínio C. Miranda, em Diversidade dos Carismas , afirma: “Quando a emissão de pensamentos alheios nos alcança, eles se misturam sutilmente aos nossos a ponto de nem sempre conseguirmos distinguir uns dos outros . Sabendo disso é que os espíritos conseguem nos influenciar, seja com pensamentos positivos e construtivos, seja com ideias negativas. Só com alguma experiência e acurado senso analítico podemos identificar ideias alheias na correnteza normal dos nossos pensamentos...” Não há um critério evidente para identificar, de forma imediata, o que vem da nossa mente e o que é influência espiritual. Apenas o autoconhecimento permitirá essa distinção. Portanto, cabe a cada pessoa, por meio de suas experiências, observar a qualidade de seus pensamentos, seus padrões mentais e comportamentais, bem como a reação a cada impulso que recebe, independentemente de sua origem. Alguns médiuns relatam que, em determinadas circunstâncias, os pensamentos sugeridos pelos Espíritos inferiores podem parecer pesados e grosseiros, como se a ideia ou imagem em questão tivesse invadido sua mente de forma abrupta (violenta). Já os pensamentos dos Espíritos superiores tendem a ser mais suaves e delicados. Como a sensibilidade varia de pessoa para pessoa, cada indivíduo perceberá essas influências de maneira única, com base em suas próprias experiências (sensações) e no autoconhecimento. Texto extraído do livro   Mediunidade com Kardec   de  Patrick Lima . Capítulo 7: Obsessões Pergunta 65: Os Espíritos podem influenciar nossos atos e pensamentos? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB; 93ª edição. Rio de Janeiro, 2014. KARDEC , Allan. O que é o Espiritismo. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. FEB Editora, 2016. BÍBLIA DE JERUSALÉM . Hebreus 12:1. 14ª impressão. Editora PAULUS, 2017. KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 9ª edição. Editora Boa Nova, 2004. SCHUBERT , Suely Caldas. Obsessão/desobsessão: Profilaxia e Terapêutica Espíritas. 2ª edição. FEB Editora, 2015. MIRANDA , Hermínio C. Diversidade dos Carismas. LACHATRE, novembro de 2019, 9ª edição.

  • 64. Jesus Cristo era médium? Existe médium perfeito?

    Muitos podem se perguntar: Jesus, o Espírito mais puro e elevado que já passou pela Terra, poderia ser considerado um médium? Em caso afirmativo, devido à sua perfeição moral, seria ele, então, um médium perfeito? A resposta para essa questão pode ser encontrada no capítulo XV de A Gênese , onde Kardec esclarece, de forma categórica, que Jesus não se qualificaria como médium, pois o médium é um intermediário, um instrumento dos Espíritos desencarnados. O Cristo, por sua vez, não necessitava de assistência, pois era Ele quem assistia aos outros. Concluindo seu pensamento, o mestre lionês questiona: qual Espírito teria a audácia de insuflar seus próprios pensamentos na mente do Cristo, incumbindo-o de os transmitir? Se Jesus recebia algum influxo estranho, esse só poderia vir de Deus. De acordo com a definição de um Espírito, Ele, o Cristo, era médium de Deus. EXISTE MÉDIUM PERFEITO? Os Espíritos superiores afirmaram a Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns , capítulo XX, que a perfeição não existe na Terra e, por conseguinte, também não há médium perfeito. Eles explicaram que, em vez de perfeito , é mais adequado utilizar o termo bom médium , o que já é algo notável, dado que são poucos os que atingem essa qualidade. O médium perfeito seria alguém contra quem os maus Espíritos jamais ousariam agir ou enganar. MÉDIUNS FAMOSOS, MAS NÃO INFALÍVEIS Entretanto, no meio espírita, é comum ouvir de alguns adeptos, especialmente entre os menos experientes ou aqueles que permanecem empolgados com os fenômenos mediúnicos, afirmações como: Tal pessoa é um grande médium, pois recebe comunicações de várias entidades e percebe a presença dos Espíritos onde quer que esteja. Mediunidade é grandeza? Existem grandes médiuns? Há quem acredite que o médium X ou Y seja infalível e perfeito. Essa percepção — equivocada — geralmente se apoia em fatores como sua fama, a vasta produção psicográfica, as obras assistenciais realizadas, a quantidade de palestras proferidas, as homenagens e títulos recebidos, entre outros destaques midiáticos. Tal crença é ainda reforçada pelo nome do guia espiritual que os acompanha, sobretudo se este for reconhecido como uma personalidade de destaque no movimento espírita. Por mais adiantado e moralmente evoluído que o médium seja, bem como pela qualidade e envergadura de seus guias e protetores espirituais, há diversos fatores que contribuem para erros e equívocos no processo mediúnico. Dentre eles, podemos destacar: O personalismo, levando à inserção de ideias pessoais nas mensagens mediúnicas; O animismo, inerente a toda comunicação mediúnica; A mistificação, que se distingue do animismo; As influências energéticas do ambiente; As interferências provenientes de encarnados e desencarnados; Os impactos causados por abalos emocionais e psíquicos; etc. O MÉDIUM NÃO É UM SEMIDEUS Sobre este assunto, a médium e escritora espírita Yvonne do Amaral Pereira, em À Luz do Consolador , afirma que o médium não é criatura infalível, semideus que pudesse vencer todas as dificuldades para estar ininterruptamente harmonizado com as forças superiores. Às vezes, até será bom que certas dificuldades e decepções o surpreendam, a fim de que não advenham a presunção e a vanglória e ele se esforce sempre por melhorar os próprios atributos e obter possibilidades de intercâmbio mais ou menos permanentes com as esferas iluminadas. Dando continuidade, Yvonne reitera que o médium, em vez de ser uma personagem infalível, é um ente humano como outro qualquer. [...] Por isso mesmo não será motivo para escândalo ou desilusão se um ou outro médium deixar de apresentar testemunhos intercambiais verdadeiramente perfeitos com o Além, se nos lembrarmos de que até o local, o ambiente onde se exerça o mistério augusto, muitas vezes poderá influir nas comunicações recebidas. Ainda na referida obra, a autora reforça que o médium é apenas um aparelho receptor de pensamentos e forças psíquicas alheios. Estas, porém, tanto poderão provir de Espíritos esclarecidos como de ignorantes, sendo que até mesmo infiltrações mentais humanas poderão perturbá-lo no momento do fenômeno de transmissão, além da sua própria mente, que poderá, desagradavelmente, intervir se as condições vibratórias em geral não se encontrarem assaz dominadas e controladas pela entidade comunicante. Complementando a sua observação, Yvonne destaca que o médium nem sempre estará em condições mentais e físicas para exercer o mandato com brilhantismo. Um choque emocional, preocupações dominantes poderão alterar a boa sintonização com o agente exterior, redundando o pormenor em alteração da comunicação que se processa. O QUE DIZ KARDEC? Consultemos O Livro dos Médiuns (cap. XX) para ver o que Kardec e os Espíritos superiores dizem sobre esse tópico: Visto que as qualidades morais do médium afastam os Espíritos imperfeitos, como é que um médium dotado de boas qualidades transmite respostas falsas, ou grosseiras? — Conheces, porventura, todos os escaninhos da alma humana? Demais, pode a criatura ser leviana e frívola, sem que seja viciosa. Também isso se dá, porque, às vezes, ele necessita de uma lição, a fim de manter-se em guarda. Se ele só com os bons Espíritos simpatiza, como permitem estes que seja enganado? — Os bons Espíritos permitem, às vezes, que isso aconteça com os melhores médiuns, para lhes exercitar a ponderação e para lhes ensinar a discernir o verdadeiro do falso. Depois, por muito bom que seja, um médium jamais é tão perfeito, que não possa ser atacado por algum lado fraco. Isto lhe deve servir de lição. As falsas comunicações, que de tempos a tempos ele recebe, são avisos para que não se considere infalível e não se assoberbe. Porque, o médium que receba as coisas mais notáveis não tem que se gloriar disso, como não o tem o tocador de realejo que obtém belas árias movendo a manivela do seu instrumento. Isso significa que, muitas vezes, não conseguimos nem mesmo entender completamente o que se passa dentro de nós mesmos, quanto mais o que ocorre nas profundezas da mente e da alma de outra pessoa. Mesmo os médiuns famosos, que se destacam por seu trabalho social, pela produção mediúnica e por um progresso moral visível, ainda não alcançaram a perfeição. Eles continuam em evolução e sujeitos a falhas e enganos durante esse processo. Por essa razão, os guias e protetores espirituais permitem que tais indivíduos enfrentem circunstâncias desafiadoras, com o objetivo de avaliar e consolidar seu progresso, incentivando a vigilância, a humildade e a submissão aos preceitos do Cristo. Como não existe médium perfeito, também não há médium infalível. Nesse sentido, é fundamental lembrar que as bases doutrinárias do Espiritismo foram consolidadas por Allan Kardec ao longo de seus livros e periódicos. Dessa forma, ao nos depararmos com a vasta produção mediúnica disponível atualmente, é essencial realizar uma análise crítica de cada obra, priorizando o conteúdo em si, independentemente da identidade do autor, do médium, do Espírito comunicante ou da editora responsável pela publicação. RAZÃO, LÓGICA E BOM SENSO Para concluirmos, trazemos — em síntese — as palavras do Espírito Erasto, discípulo de São Paulo, extraídas da obra acima mencionada: Onde, porém, a influência moral do médium se faz realmente sentir, é quando ele substitui, pelas que lhe são pessoais, as ideias que os Espíritos se esforçam por lhe sugerir e também quando tira da sua imaginação teorias fantásticas que, de boa-fé, julga resultarem de uma comunicação intuitiva. [...] Contra este escolho terrível vêm igualmente chocar-se as personalidades ambiciosas que, em falta das comunicações que os bons Espíritos lhes recusam, apresentam suas próprias obras como sendo desses Espíritos. [...] Na dúvida, abstém-te, diz um dos vossos velhos provérbios. Não admitais, portanto, senão o que seja, aos vossos olhos, de manifesta evidência. Desde que uma opinião nova venha a ser expedida, por pouco que vos pareça duvidosa, fazei-a passar pelo crisol da razão e da lógica e rejeitai destrambelhadamente o que a razão e o bom senso reprovarem. Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea. Texto extraído do livro   Mediunidade com Kardec   de  Patrick Lima . Capítulo 6: Aspectos Morais da Mediunidade Pergunta 64: Jesus Cristo era médium? Existe médium perfeito? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. A Gênese. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. FEB Editora, 2013. KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 9ª edição. Editora Boa Nova, 2004. PEREIRA , Yvonne do Amaral. À luz do Consolador. FEB Editora, 2014.

  • 63. Quais são os principais tipos de Espíritos que costumam ser atendidos em uma reunião mediúnica?

    E Jesus, tendo ouvido isto, disse-lhes: Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento. (Marcos 2:17) Quais são os principais tipos de Espíritos que costumam ser atendidos em uma reunião mediúnica? No contexto espírita, as reuniões mediúnicas são organizadas para promover um intercâmbio seguro entre o plano físico e o espiritual. Esses encontros, realizados nos centros espíritas, reúnem médiuns, dialogadores e passistas que, sob a orientação dos Espíritos superiores, trabalham de forma gratuita para auxiliar as entidades em sofrimento, oferecendo amparo e esclarecimento espiritual. Além disso, esse intercâmbio também visa os processos de desobsessão, cura, entre outros. CATEGORIA DOS ESPÍRITOS MANIFESTANTES No livro Diálogo com as Sombras , o autor e pesquisador espírita Hermínio C. Miranda destaca que os Espíritos assistidos — ou que se manifestam de forma espontânea —durante as reuniões mediúnicas pertencem, geralmente, às seguintes categorias: Mentores ou Guias Espirituais (Anjos da Guarda) São Espíritos elevados e benevolentes que organizam, supervisionam e auxiliam os trabalhos que serão realizados nas reuniões mediúnicas (desobsessão, esclarecimento, curas, etc). Em algumas ocasiões, podem trazer uma saudação breve ou compartilhar orientações rápidas na abertura dos trabalhos. No entanto, é importante lembrar que essas comunicações são espontâneas e não acontecem — de forma fixa ou obrigatória — em todas as casas ou grupos mediúnicos. Espíritos Sofredores São Espíritos que se encontram em estado de sofrimento, causado por desequilíbrios emocionais e morais. Cientes de que a casa espírita funciona como um verdadeiro hospital de almas, geralmente apresentam-se de forma espontânea — ou são conduzidos pelos Espíritos benfeitores — em busca de ajuda e alívio para suas angústias. Pertencente a essa categoria, também destacamos a manifestação de Espíritos suicidas, dementados, recém-desencarnados... Espíritos Mutilados São aqueles que apresentam mutilações ou deformidades, simbolizando as consequências de seus atos, traumas ou ideias fixas. Suas aparências frequentemente refletem, de forma simbólica, as dores morais ou existenciais que carregam. Espíritos Desorientados São aqueles que não reconhecem sua condição de desencarnados, acreditando ainda pertencer ao plano físico. Como resultado, tendem a permanecer ligados ao plano material, aos familiares, ao trabalho ou à antiga residência. Fanáticos Religiosos (Inimigos do Espiritismo) São Espíritos presos a crenças dogmáticas ou fanáticas. Eles mantêm erros e ilusões baseados em conceitos religiosos antigos ou mal interpretados. Acreditando serem os donos da verdade , consideram as outras crenças como equivocadas e lutam contra elas de todas as formas. Espíritos Intelectuais São aqueles que valorizam excessivamente o intelecto, utilizando-o de maneira arrogante ou manipuladora. Eles tendem a desconsiderar valores éticos e morais superiores. Espíritos Obsessores ou Vingativos São Espíritos impiedosos que perseguem os encarnados em razão de ressentimentos do passado. Eles demonstram rancor, desejo de vingança e têm dificuldade em transmutar suas emoções negativas. Geralmente, são persistentes em seu desejo de retaliação e resistem ao diálogo fraterno e esclarecedor. Em síntese, os obsessores são incansáveis, encontram satisfação no mal e sentem enorme prazer ao perturbar as suas vítimas. Alguns são revoltados por estarem sem o corpo físico; outros, invejosos e ignorantes. Dirigentes das Trevas São líderes de organizações espirituais inferiores que coordenam ações obsessivas por meio de estratégias complexas. Essas organizações possuem, quase sempre, estruturas hierárquicas bem definidas e com diferentes níveis de comando. Os Planejadores Subordinados aos Dirigentes das Trevas, os Planejadores são Espíritos especializados na elaboração de obsessões e perseguições, atuando de maneira precisa e meticulosa. Eles aplicam seus amplos conhecimentos para manipular tanto os encarnados como os desencarnados. Entre os Planejadores, destacam-se os Juristas, Espíritos que, devido ao seu domínio das leis espirituais e humanas, recorrem a argumentos de justiça como justificativa para suas perseguições e punições cármicas. Os Executores São agentes diretos das ações obsessivas, geralmente subordinados aos Dirigentes e Planejadores. Sua principal função é implementar vinganças e tormentos, seguindo as ordens de suas hierarquias espirituais. Magnetizadores e Hipnotizadores (Magos e Feiticeiros) São Espíritos que dominam a manipulação energética (magnetismo) e hipnótica, usando essas habilidades para exercer influência negativa sobre suas vítimas. Pelo seu conhecimento em magia, são vulgarmente chamados de magos e feiticeiros. COMUNICAÇÃO DE ENCARNADOS Vale a pena esclarecer ao leitor que, em certas ocasiões, Espíritos de pessoas encarnadas também podem se manifestar em reuniões mediúnicas. A condição de estar encarnado não impede a alma de se comunicar. Afinal, a alma encarnada não deixa de ser um Espírito e, mesmo estando revestida por um corpo físico, isso não a impossibilita de se comunicar mediunicamente. Allan Kardec, inclusive, chegou a suspeitar que algumas das mensagens recebidas durante as reuniões que frequentava fossem de Espíritos encarnados. Essa hipótese foi confirmada mais tarde pelos Espíritos que o guiavam em sua missão. Mais à frente, em um capítulo subsequente, realizaremos uma análise mais aprofundada sobre essas comunicações. Por ora, vamos voltar ao tema central deste estudo. QUALIDADES ESSÊNCIAIS Nas reuniões mediúnicas, encontramos uma grande diversidade de Espíritos, com características e estados de consciência variados. Cada um é assistido de acordo com suas necessidades e sua condição espiritual. Entretanto, uma regra se mantém inalterada: todos, sem exceção, devem ser tratados com paciência, respeito, compreensão e amor fraternal. Essas qualidades são essenciais para que o trabalho mediúnico seja realizado de forma eficiente e compassiva. Embora o amor, a caridade e a benevolência sejam pilares dos verdadeiros espíritas e cristãos, essas virtudes não impedem que, em determinadas circunstâncias, os trabalhadores espíritas, encarnados ou desencarnados, adotem atitudes firmes e enérgicas. Isso porque o amor, a justiça e a disciplina caminham juntos, como elementos indispensáveis ao nosso crescimento espiritual e educativo. Por fim, como nos relembra o Evangelho de Marcos na abertura deste texto, Jesus chama para si aqueles que precisam de cuidado e acolhimento, pois os que estão saudáveis não carecem de médicos. Essa premissa também fundamenta as reuniões mediúnicas, onde são acolhidos Espíritos em diversas condições de necessidade, que requerem socorro, amparo, esclarecimento ou orientação para prosseguirem em sua marcha evolutiva. Texto extraído do livro   Mediunidade com Kardec   de  Patrick Lima . Capítulo 6: Aspectos Morais da Mediunidade Pergunta 63: Quais são os principais tipos de Espíritos que costumam ser atendidos em uma reunião mediúnica? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BÍBLIA DE JERUSALÉM . Marcos 2:17. 14ª impressão. Editora PAULUS, 2017. MIRANDA , Hermínio C. Diálogo com as Sombras. FEB Editora, 2018.

  • 62. O que os meus pensamentos revelam sobre as minhas companhias espirituais?

    Na questão 56 ( vide aqui ), abordamos os temas referentes à sintonia e afinidade. Contudo, diante da necessidade de nos aprofundarmos um pouco mais sobre o assunto em questão, ou na tentativa de explicá-lo de forma mais clara, apresentamos o texto a seguir. Na mediunidade, assim como tudo na vida, encontraremos o pensamento como grande gerador de energia e atração. Isto é, a qualidade dos nossos pensamentos determina quem são as nossas companhias espirituais. Sempre que substituímos um pensamento negativo por um positivo e praticamos o amor e a caridade em nossas ações cotidianas, entramos em sintonia e comunhão com os bons Espíritos. Por outro lado, a persistência em pensamentos e comportamentos inferiores, assim como toda atitude contrária aos ensinamentos de Jesus, resulta na conexão com Espíritos de menor grau evolutivo. SINTONIA, SEGUNDO ANDRÉ LUIZ Em Nos Domínios da Mediunidade , o autor espiritual André Luiz (psicografado por Chico Xavier) afirma que, em mediunidade, não podemos esquecer o problema da sintonia, visto que atraímos os Espíritos que se afinam conosco, tanto quanto somos por eles atraídos. Complementando o seu raciocínio, dessa vez em Mecanismos da Mediunidade , André Luiz (via Chico Xavier) nos ensina que o cérebro humano funciona como uma antena , tanto emitindo quanto recebendo variadas energias de acordo com o tipo de pensamento ou emoção vivenciada. Ao manifestarmos um simples pensamento, seja como encarnados ou desencarnados, nossa mente emite uma frequência que se exterioriza e se propaga pelo espaço, buscando outras mentes. Ao encontrar as mentes que estejam em sua mesma faixa vibracional, o pensamento inicial recolhe nas mentes em sintonia outros elementos similares ao seu, retornando ao cérebro emissor, trazendo um material fluídico mais robusto (é como se emitíssemos uma fagulha e recolhêssemos uma fogueira). Desse momento em diante, cada sujeito passa a influenciar os que estiverem na sua mesma faixa de frequência, na mesma medida que por eles também são influenciados (processo de simbiose coletiva). Isso é válido para os diversos matizes de pensamentos e emoções, no qual cada um recebe de acordo com o que transmite. As consequências da frequente comunhão — e sintonia — com Espíritos desequilibrados e de baixa envergadura moral é a manifestação de diversas doenças físicas e psíquicas (quase sempre sem diagnóstico ou tratamento eficaz na medicina terrestre), assim como os casos recorrentes de obsessão e possessão. Cada pessoa está imersa, portanto, no campo das suas próprias exteriorizações mentais e morais, sendo sua responsabilidade evitar, na medida do possível, sentimentos e pensamentos de natureza inferior. MEDIUNIDADE x RESPONSABILIDADE Em Diversidade dos Carismas , Hermínio C. Miranda traz a sua contribuição a respeito da sintonia ao asseverar que o médium é um ser que franqueou o acesso da sua intimidade aos seres invisíveis desencarnados (e até encarnados, sob condições especiais). Se ele adota atitudes de descaso, indiferença e preguiça, estará chamando para sua convivência espíritos semelhantes . É como um aparelho receptor de rádio ou televisão: captam a estação na qual se acham sintonizados e não, as outras. Em seguida, Miranda esclarece que, diante do aflorar mediúnico, aquele que deseja praticar a mediunidade de maneira adequada deve se dedicar a ela com seriedade (seriedade é diferente de fanatismo). Por outro lado, se a pessoa busca apenas uma forma de se entreter ou de chamar a atenção, é mais prudente que se envolva em outra atividade, pois assim evitará complicações futuras e responsabilidades menos graves. O QUE DIZ KARDEC? Em O Evangelho Segundo o Espiritismo , Kardec ressalta que o médium que queira gozar sempre da assistência dos bons Espíritos tem de trabalhar por melhorar-se. O que deseja que a sua faculdade se desenvolva e engrandeça tem de se engrandecer moralmente e de se abster de tudo o que possa concorrer para desviá-la do seu fim providencial. A reforma íntima, quando fundamentada nos ensinamentos do Cristo, atua como uma blindagem — em favor do médium — contra as influências negativas. Ao irradiar uma psicosfera equilibrada e saudável, o medianeiro se torna mais resistente às forças do mal, repelindo, assim, os Espíritos inferiores que tentam se aproximar com o intuito de prejudicá-lo. Sem dúvida, cada indivíduo é responsável pelas entidades espirituais que atrai para o seu cotidiano. Independentemente da sua natureza, sejam elas inferiores ou elevadas, as consciências com as quais nos conectamos refletem uma afinidade vibratória com nossos sentimentos, pensamentos, desejos e intenções mais profundas. Nada, em absoluto, passa despercebido à percepção aguçada da espiritualidade. Em suma, aquele que deseja descobrir quem são as suas companhias espirituais deve, primeiramente, observar seus próprios pensamentos e atitudes. Assim, com base na qualidade do seu modo de pensar e agir, não será difícil deduzir quem são os Espíritos com os quais está sintonizado. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima. Capítulo 6 : Aspectos Morais da Mediunidade Pergunta 62: O que os meus pensamentos revelam sobre as minhas companhias espirituais? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS XAVIER , Francisco Cândido. Nos Domínios da Mediunidade. André Luiz (espírito). FEB Editora, 2018. XAVIER , Francisco Cândido; VIEIRA , Waldo (psicografia). Mecanismos da Mediunidade. André Luiz (espírito). FEB Editora, 2013. MIRANDA , Hermínio C. Diversidade dos Carismas. LACHATRE, novembro de 2019, 9ª edição. KARDEC , Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile. 21ª edição. Editora Boa Nova, 2017.

  • 61. Identidade dos Espíritos: Quais critérios usados por Kardec para identificar a elevação de um Espírito?

    Em Mediunidade: Desafios e Bênçãos , o autor Manoel Philomeno de Miranda — pela psicografia de Divaldo Franco — reitera que a morte é apenas uma mudança de roupagem, uma transferência de posição vibratória, sem que ocorram fenômenos miraculosos que envolvam e transformem os mortos. Em outras palavras, ninguém se torna anjo ou santo , gênio ou sábio , simplesmente por ter desencarnado. Com a morte do corpo físico, o homem leva consigo, ao além-túmulo, todas as virtudes e vícios que cultivava enquanto encarnado. Se, porventura, sentia prazer em ações de má índole durante sua existência carnal, continuará praticando e buscando, após o desenlace do corpo físico, os mesmos comportamentos e transgressões. Isso significa que, tanto na Terra quanto no mundo espiritual, há pessoas — os vivos deste e do outro mundo — de diversos matizes evolutivos, compondo incalculáveis temperamentos, gostos, desejos, moralidades e inclinações. Dessa forma, é recomendado a todos que desejam estabelecer um intercâmbio com o plano espiritual que desenvolvam a capacidade de identificar, perceber e distinguir o grau evolutivo do Espírito comunicante, para não se tornar alvo de entidades manipuladoras e malévolas. COMO SABER SE UM ESPÍRITO É DE ORDEM ELEVADA OU INFERIOR? Em O Livro dos Médiuns e Resumo da Lei dos Fenômenos Espíritas , Kardec destaca pelo menos duas formas eficazes de reconhecer a natureza moral de um Espírito, sendo elas: a linguagem (teor da mensagem) e a sensação física (se assim podemos nos referir). É fundamental esclarecer, logo de início, que as sensações provocadas pela presença dos Espíritos não devem ser confundidas com a impressionabilidade puramente física ou nervosa (nem sempre aquele arrepio que você sente é de origem espiritual). LINGUAGEM E IMPRESSÃO TRANSMITIDA PELOS BONS ESPÍRITOS A aproximação de um Espírito superior é sempre acompanhada por uma sensação boa, suave e agradável, além de um sentimento de paz e quietude, alegria e tranquilidade. Os Espíritos de ordem elevada, aqueles que são verdadeiramente superiores e bons, apresentam uma linguagem sempre digna, nobre, lógica e isenta de contradições. Sua fala reflete a sabedoria, a benevolência, a modéstia e a mais pura moral, sendo concisa e sem palavras desnecessárias. LINGUAGEM E IMPRESSÃO TRANSMITIDA PELOS ESPÍRITOS MALÉFICOS As entidades menos evoluídas despertam nos médiuns, ao se aproximarem, sensações penosas, angustiantes e desagradáveis ¹. Essa interação pode provocar um misto de desânimo, irritação e perturbações de ordem psíquica e física, além de outras percepções negativas. Quanto à linguagem, os Espíritos inferiores, marcados pelo orgulho ou pela ignorância, tendem a compensar o vazio de suas ideias com uma prolixidade excessiva. Pensamentos evidentemente falsos, máximas contrárias à sã moral, conselhos ridículos, expressões grosseiras, triviais ou fúteis, e, enfim, qualquer traço de malevolência, presunção ou arrogância são sinais inquestionáveis de inferioridade em um Espírito. SENSIBILIDADE MEDIÚNICA Kardec trata desse tópico — referente a sensibilidade mediúnica — em O Livro dos Médiuns  (Cap. XIV). De acordo com o codificador, os médiuns sensitivos ou impressionáveis são aqueles suscetíveis de sentir a presença dos Espíritos por uma impressão vaga , por uma espécie de leve roçadura sobre todos os seus membros, sensação que eles não podem explicar. Dando continuidade ao seu raciocínio, Kardec afirma que esta faculdade se desenvolve pelo hábito e pode adquirir tal sutileza, que aquele que a possui reconhece, pela impressão que experimenta, não só a natureza, boa ou má, do Espírito que lhe está ao lado, mas até a sua individualidade, como o cego reconhece, por um certo não sei quê, a aproximação de tal ou tal pessoa. Torna-se, com relação aos Espíritos, verdadeiro sensitivo. Em complemento, o autor destaca que os médiuns delicados e muito sensitivos devem abster-se das comunicações com os Espíritos violentos, ou cuja impressão é penosa, por causa da fadiga que daí resulta. CONTEÚDO DA MENSAGEM + SENSIBILIDADE MEDIÚNICA Os médiuns ostensivos, de modo geral, podem identificar a verdadeira natureza do Espírito comunicante ao observar, com prudência, bom senso e racionalidade, tanto as sensações físicas (quando estes se aproximam) quanto o conteúdo da mensagem apresentada. Entretanto, há pessoas cuja sensibilidade não é suficientemente desenvolvida, o que as impede de perceber, de imediato, a impressão física que o Espírito transmite ao se aproximar. Nesse caso, o conteúdo das mensagens ditadas pelos Espíritos deve ser analisado com seriedade e atenção redobrada. Isso porque há Espíritos mistificadores capazes de reproduzir conteúdos aparentemente nobres e edificantes, com astúcia suficiente para enganar até os mais experientes estudantes do espiritismo. Quando questionados, os Espíritos pseudossábios e embusteiros facilmente perdem a compostura, expondo a sua verdadeira essência. Uma simples objeção sobre suas afirmações pode fazer com que se mostrem irritados, atacando aqueles que, de maneira sábia, refutaram suas propostas, muitas vezes contrárias ao bom senso e à moral. Em contraste, os bons Espíritos constantemente orientam seus interlocutores a analisarem criticamente todas as informações provenientes da comunicação com o plano espiritual, inclusive as suas próprias instruções, promovendo assim a fé raciocinada e o fortalecimento do senso crítico. LINGUAGEM SIMPLES x ERUDITA Reconhece-se a natureza evolutiva de um Espírito por meio da sua linguagem, assim nos disse Allan Kardec. É importante deixar claro que, ao mencionar o termo linguagem , Kardec se referia ao conteúdo moral da mensagem que estava sendo apresentada, independentemente de possuir linguagem culta, erudita, simples ou informal. Há quem acredite, de forma equivocada, que uma entidade que se manifesta com uma oratória mais refinada, seja através da psicografia ou psicofonia, é automaticamente mais elevada do que aquelas que se comunicam de maneira mais simples e distante da norma culta. Algumas instituições espíritas adotam esse argumento para barrar a manifestação de Espíritos que não se enquadram no padrão de linguagem que, segundo elas, seria o correto. (recomendamos a leitura das obras do linguista brasileiro Marcos Bagno sobre preconceito linguístico). Dessa forma, entidades como caboclos, pretos-velhos, boiadeiros, entre outras, são frequentemente tachadas de primitivas — por parte do movimento espírita brasileiro — devido à linguagem que utilizam. ( vide questão 47 ) Aqui, não nos referimos propriamente à doutrina Espírita, o consolador prometido que tem como base o amor e a caridade para com todos. Falamos das pessoas que ocupam papéis de liderança nos centros espiritistas, mas que, em diversas situações, ainda demonstram pensamentos discriminatórios e atitudes excludentes (acrescentando seu personalismo e suas próprias ideias aos conceitos kardequianos). Para concluir a nossa explanação, trazemos o pensamento de Manoel Philomeno de Miranda, contido em sua supracitada obra. O benfeitor destaca que os Espíritos mais evoluídos, despidos de formalismos terrenos, não se preocupam excessivamente com o estilo da linguagem empregada. Sua prioridade é assegurar que o conteúdo da mensagem seja compreensível para todos, buscando que os encarnados despertem — e se preparem — para a vida que os aguarda após o fenômeno da morte. Basta recordar que o próprio Cristo ajustava o conteúdo de suas parábolas conforme o público que o ouvia, utilizando elementos extraídos do cotidiano de cada grupo. Em algumas ocasiões, numa única parábola, empregava mais de uma analogia, com o objetivo de alcançar todos os presentes, dos mais simples aos mais instruídos. Portanto, a verdadeira elevação de um Espírito não está na sofisticação da linguagem que ele utiliza, mas na profundidade de suas ideias, na moralidade de seus ensinamentos e na bondade que transmite. ¹ Há Espíritos mistificadores e de intenções maléficas cuja vibração pode ser igual ou superior a do médium (a vibração do médium, em alguns casos, é inferior à do Espírito). Nessas circunstâncias, um médium descuidado, ao entrar em sintonia com tais Espíritos, acredita estar em conexão com entidades elevadas, tornando-se vítima de sua própria desarmonia. ( sair ) Texto extraído do livro   Mediunidade com Kardec   de  Patrick Lima . Capítulo 6: Aspectos Morais da Mediunidade Pergunta 61: Identidade dos Espíritos: Quais critérios usados por Kardec para identificar a elevação de um Espírito? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FRANCO , Divaldo Pereira (psicografia). Mediunidade: Desafios e Bênçãos. Manoel Philomeno De Miranda (espírito). Editora LEAL, 2019. KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 9ª edição. Editora Boa Nova, 2004. KARDEC , Allan. Resumo da Lei dos Fenômenos Espíritas. Tradução de Salvador Gentile. IDE Editora, 2012.

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