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Mediunidade com Kardec

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  • 17. O desenvolvimento da mediunidade é obrigatório?

    Um dos pontos-base da doutrina espírita é o respeito ao livre arbítrio de cada pessoa. Dizer o que cada um deve ou não fazer seria impor algo; ora, a imposição fere o princípio de liberdade que cada sujeito possui. Deste modo, nos limitamos aqui a esclarecer cada pergunta com base nas luzes da codificação de Allan Kardec, o Evangelho de Jesus Cristo e livros consagrados da literatura espírita, ficando cada indivíduo responsável por suas ações, suas obras, o que faz ou deixa de fazer. O desenvolvimento da mediunidade é obrigatório? A princípio, o que precisamos levar em consideração é se o médium iniciante precisa desenvolver ou apenas educar à sua mediunidade. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo , Kardec diz que a mediunidade é uma coisa sagrada, que deve ser praticada santamente, religiosamente . Assim sendo, desenvolver a mediunidade é entender que ela é uma extensão da misericórdia divina que nos concede uma oportunidade de evoluirmos e melhorarmos moralmente, na medida em que trabalhamos – abnegadamente – em prol dos mais necessitados, sejam eles encarnados ou desencarnados. Portanto, o desenvolvimento da mediunidade deve objetivar o trabalho santificante e gratuito na seara de Jesus. Jamais por motivos de curiosidades, brincadeiras, adivinhações ou mais uma forma de ganhar dinheiro ou obter favores dos Espíritos e/ou encarnados. Além disso, conforme nos esclarece Hermínio C. Miranda, em Diversidade dos Carismas , a mediunidade é instrumento de trabalho, não para uso e gozo pessoal, mas para servir. Se a pessoa não se sente preparada para isso, é melhor cuidar de outra atividade. Não se esqueça, contudo, de que não se pode simplesmente apertar um botão, torcer uma chave ou aplicar uma rolha às faculdades nascentes que estará tudo resolvido. Se são apenas sinais esparsos e ocasionais, como já vimos, tudo bem, não vale a pena nem é recomendável forçar o desenvolvimento de faculdades nas quais a pessoa não está sequer interessada senão para 'brilhar' ou brincar com fatos insólitos. No entanto, como afirma o referido autor, se essas manifestações são claras, persistentes e abundantes, é preciso assumir com determinação as responsabilidades que elas trazem. É necessário entregar-se a algumas renúncias, aceitar certa disciplina mental e de comportamento, e dedicar-se às tarefas que, evidentemente, fazem parte de sua programação espiritual. Complementando o seu ponto de vista, Hermínio C. Miranda reitera que fenômenos mediúnicos esporádicos e isolados, embora indiquem um potencial mediúnico, não necessariamente implicam em um compromisso com a tarefa mediúnica, pois o livre-arbítrio sempre prevalece. Não devemos, por exemplo, levar uma jovem a um centro espírita apenas porque ela viu o espírito de sua avó. Entretanto, se esses fenômenos persistem e se manifestam de formas variadas - como vidência, efeitos físicos, desdobramentos acompanhados de episódios nitidamente mediúnicos - então é o momento de buscar orientação de alguém com conhecimento e experiência no assunto. O QUE ACONTECE PARA UMA PESSOA QUE SE RECUSA A DESENVOLVER SUA MEDIUNIDADE? No livro Plantão de Respostas – Pinga Fogo II , Chico Xavier e Emmanuel clarificam nossa mente em relação ao desenvolvimento da mediunidade, com base na pergunta abaixo: – O que acontece para uma pessoa que se recusa a desenvolver sua mediunidade, já que esta mediunidade pode ajudar muitas pessoas? Haverá algum castigo ou cobrança? Com seu jeito peculiar, Chico Xavier – sob a orientação de Emmanuel, seu guia espiritual – responde: “Energias que não doamos podem ser fatores de desequilíbrio em nossas vidas. Nossa consciência, em geral, nos cobra uma atitude perante as tarefas que nos cabem. Praticando o bem em qualquer parte, estaremos colocando nossa mediunidade a serviço de todos.” Hermínio C. Miranda, em sua obra acima citada, compactuando desse mesmo tipo de pensamento, afirma: Tanto é assim que faculdades embotadas, rejeitadas ou ignoradas por médiuns em potencial causam distúrbios às vezes incontornáveis, porque as energias de que os sensitivos dispõem para essa finalidade não estão encontrando seu escoadouro natural no desempenho normal da tarefa. Ainda na referida obra, o autor destaca que são inúmeros e frequentes os casos de médiuns em potencial que, apenas iniciados no exercício controlado de suas faculdades, livram-se, como por encanto, de pressões íntimas, impaciências, irritações e desassossegos indefiníveis, além de assédios indesejáveis de desencarnados que ele não sabe como controlar ou neutralizar. Se, porém, entregar-se desregradamente ao trabalho mediúnico, especialmente na fase inicial de ajustamento de suas faculdades, por certo terá problemas de saúde física e mental, acarretados por excesso no esbanjamento de energias psíquicas. Através destas afirmações, Hermínio, Chico e Emmanuel, nos levam a meditar que, efetivamente, o acúmulo de energias canalizadas através de uma mediunidade não trabalhada pode ser a causa de algumas desarmonias em nossas vidas . Refletindo ainda sobre as assertivas acima, devemos ter em mente que muito mais do que desenvolver a prática mediúnica, devemos antes de tudo, desenvolver em cada um de nós a prática do bem (sendo esta uma das formas mais simples de doarmos essa energia acumulada e não trabalhada). A prática da bondade, independentemente do local em que exercitamos essa ação (seja na rua, na igreja católica ou evangélica, no terreiro de umbanda, templo budista, casa espírita ou outros), já faz de cada um de nós um médium do bem em favor do próximo, e a priori, isso basta. DIANTE DO AFLORAR MEDIÚNICO Diante do aflorar mediúnico (isto é, se o gérmen da mediunidade realmente existe e passa a se repetir de forma explícita), o autor Hermínio C. Miranda – em Diversidade dos Carismas – traz à sua valiosa contribuição, mostrando-nos quatro situações que podem ocorrer na vida medianeiro, sendo elas: 1) ausência de orientação , quando o médium iniciante acha que pode resolver sozinho suas faculdades. O risco é grande de acabar mesmo perturbado ou obsessivo, joguete de espíritos irresponsáveis ou vingativos; 2) orientação inadequada , quando a pessoa chamada a opinar não está suficientemente qualificada, agrava a situação com sugestões e 'palpites' de 'entendido' incompetente, o que acarreta complicações verdadeiramente desastrosas; 3) desorientação , quando o médium iniciante se apavora, entra em pânico e, em vez de procurar examinar serenamente a situação e avaliar tudo com bom senso, atira-se atabalhoadamente a uma atividade febril e desordenada, adotando tudo quanto seja sugestão, comparecendo a qualquer centro que lhe seja indicado, submetendo-se a qualquer treinamento ou ritual que lhe digam necessário para desenvolver suas faculdades. Pode ser até que seja um excelente médium em potencial, mas estará em sérias dificuldades dentro em pouco; 4) orientação correta , neste caso, o médium incipiente teve a sorte (ou o bom senso) de encontrar a pessoa certa que o ajuda a ordenar as coisas, orientando-o a observar os fenômenos com espírito crítico, a estudar os aspectos teóricos da questão em livros confiáveis e, eventualmente, a integrar-se num grupo que lhe proporcione as condições de que necessita para desenvolver a sua tarefa. EDUCANDO A MEDIUNIDADE Caso opte por não desenvolver a mediunidade (para trabalhar nas reuniões mediúnicas), desejo este que deve ser sempre respeitado pela casa que o acolhe , o médium portador de uma faculdade mais ostensiva deve primar, ao menos, por educar sua mediunidade . Conforme nos assegura – em seu livro supramencionado – o pesquisador espírita Hermínio C. Miranda, a “mediunidade é dom inato mas, como qualquer outra faculdade, pode (e precisa) ser desenvolvida e treinada.” A educação mediúnica nos termos aqui referidos compreende o entendimento básico que o médium precisa ter para conviver harmoniosamente com a sua mediunidade , isto é, aprender a distinguir e se proteger das energias nocivas ao seu redor, a ter o maior controle sobre o seu psiquismo – para não incorporar em locais inapropriados , por exemplo –, saber reconhecer quais são os níveis evolutivos dos Espíritos que se apresentam e dessa maneira, ter uma vida mais equilibrada, sem que para isso ele venha a ser um membro/trabalhador de reuniões mediúnicas. SOU OBRIGADO A DESENVOLVER MINHA MEDIUNIDADE? Se ao chegar a uma casa espírita/espiritualista e lhe disserem que sua mediunidade precisa ser desenvolvida obrigatoriamente , que essa é sua missão de vida , que você precisa trabalhar a todo custo, que a espiritualidade está lhe despertando para esse serviço e do contrário (recusando essa atividade), você poderá sofrer grandes consequências (sejam elas físicas, psicológicas e/ou espirituais), absolutamente, este não é um local que segue verdadeiramente os princípios cristãos do amor, do respeito e da caridade, e consequentemente, não é um âmbito propício ao estudo, aconselhamento, desenvolvimento ou educação mediúnica. Dizemos isso, pois temos visto em várias tendas espiritualistas (e também, infelizmente, em algumas casas espíritas), inúmeros médiuns serem obrigados, intimados ou pressionados ao desenvolvimento mediúnico, sem poderem se ausentar a posteriori dos seus trabalhos medianímicos sob o pretexto de sofrerem graves problemas em suas vidas. A consequência de tudo isso é o medo, o pavor, o pânico e a repulsa por tudo que é associado à espiritualidade, podendo estas pessoas mais tardes, serem vítimas de sérias obsessões (inclusa aqui a auto-obsessão). É importante ressaltar que os Espíritos superiores que nos assistem, sejam eles nosso anjo guardião, mentor, bom gênio ou espírito familiar, jamais nos castigam por algo que fazemos e, principalmente, por nos recusarmos a desenvolver ou trabalhar nossa mediunidade. Mediunidade é amor e o amor jamais deve ser praticado com base no medo, em ameaças, represálias ou perseguições. Como vimos, em muitos casos é o próprio Espírito que vai reencarnar que pede para vir com a mediunidade aflorada, e para melhor desempenho de suas faculdades, inicia seus estudos mediúnicos no mundo espiritual, firmando o compromisso de desenvolver essa atividade ao regressar ao plano físico. Porém, ao retornarem ao corpo carnal, o médium reencarnante sempre tem direito ao seu livre arbítrio, ficando a cargo de sua consciência, o estudo, a educação, o trabalho e o desenvolvimento medianímico. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 2: Mediunidade Sem Medo Pergunta 17: O desenvolvimento da mediunidade é obrigatório? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile. 21ª edição. Editora Boa Nova, 2017. MIRANDA , Hermínio C. Diversidade dos Carismas. LACHATRE, novembro de 2019, 9ª edição. XAVIER , Francisco Cândido. Plantão de Respostas - Pinga Fogo II. Ceu, 2015.

  • 16. É possível impedir ou bloquear o surgimento da mediunidade?

    A mediunidade é uma atividade cuidadosamente programada antes de cada reencarnação. Frequentemente, os próprios reencarnantes têm a oportunidade de participar desse planejamento, expressando o desejo de retornarem com a mediunidade aflorada, bem como, participando da escolha das provas que deverá enfrentar. É possível impedir ou bloquear o surgimento da mediunidade? No entanto, ao retornarem ao berço terrestre em posse de um novo corpo carnal, muitos desses reencarnantes se deparam com suas antigas paixões e acabam sucumbindo aos vícios, prazeres e desejos terrenos. Como resultado, abandonam os acordos estabelecidos no mundo espiritual, incluindo o exercício abnegado da mediunidade. Em contrapartida, muitos são os que aceitam à mediunidade com naturalidade, trazendo na memória espiritual os compromissos assumidos na erraticidade. Os que abraçam a mediunidade sem medo, passam a trabalhar em seu autobenefício, equilibrando a balança de seus débitos pretéritos. MÉDIUNS IMPERFEITOS Trazendo mais uma vez o ensino dos Espíritos – através de Allan Kardec – em O Livro dos Médiuns , temos por parte do codificador as seguintes indagações: – Com que fim a Providência outorgou de maneira especial, a certos indivíduos, o dom da mediunidade? Eis a resposta dos Espíritos superiores: "É uma missão de que se incumbiram e cujo desempenho os faz ditosos. São os intérpretes dos Espíritos com os homens." Dando continuidade, questiona o exímio codificador: – Entretanto, médiuns há que manifestam repugnância ao uso de suas faculdades. E sabiamente a espiritualidade amiga arremata: "São médiuns imperfeitos; desconhecem o valor da graça que lhes é concedida." É certo que muitas pessoas apresentam medo ou receio da mediunidade na qual são portadoras, e como já dissemos neste livro, ninguém é obrigado a desenvolver ou exercer à sua mediunidade. Sabemos também que nem todos que apresentam uma mediunidade em eclosão podem ou devem desenvolver essa atividade. BLOQUEANDO O DESENVOLVIMENTO DA MEDIUNIDADE Em certos casos, quando a mediunidade eclode em uma criança pequena – por exemplo – e isso lhe causa algum transtorno, temos visto o auxílio da espiritualidade que, em situações específicas, por meio de uma reunião mediúnica, bloqueia o mediunismo dessa criança a fim de cessar o desequilíbrio que ela esteja apresentando; porém, esse bloqueio é temporário, voltando a mediunidade a se manifestar em um momento posterior. Já em adultos, esse processo não é tão comum de ocorrer. Por mais que o sujeito não aceite ou não acredite, a mediunidade é parte da sua vida e lhe acompanhará por toda a existência. Obedecendo à lei do progresso na qual todos nós estamos imantados, a mediunidade submete-se a um ciclo natural, e por mais que possamos recusá-la, chegará o momento em que deveremos acompanhar a evolução à nossa volta, seja de um modo natural ou através do fluxo do progresso (arrastando aqueles que ficam estagnados). Desse modo, não existindo receita eficaz para bloquear o desenvolvimento ostensivo da mediunidade, é sempre interessante que o médium em afloramento opte, ao menos, por sua educação mediúnica. O estudo da mediunidade não faculta o seu desenvolvimento, muito menos retarda semelhante processo, porém, permite que o médium munido de conhecimento a respeito dos fenômenos medianímicos viva de forma mais equilibrada e saudável. (ver questões nº 10 e n° 17 ). Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 2: Mediunidade Sem Medo Pergunta 16: É possível impedir ou bloquear o surgimento da mediunidade? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 9ª edição. Editora Boa Nova, 2004.

  • 15. Há exercícios ou técnicas que possam acelerar o desenvolvimento da mediunidade?

    Todo médium é um ser que, previamente, traz consigo o gérmen das medianimidades que irá desenvolver no decorrer da sua caminhada. Dessa forma, não existindo este princípio latente, de nada adianta tentar desenvolver – a qualquer custo – a psicografia, psicofonia e quaisquer outras medianimidades. Há exercícios ou técnicas que possam acelerar o desenvolvimento da mediunidade? Frequentemente repetimos por aqui, assim como encontramos essa mesma informação sendo ventilada por diversos autores espirituais, que a mediunidade é uma faculdade natural, e sendo natural, o aflorar mediúnico deve obedecer ao seu próprio ritmo. Porém, muitos companheiros se perdem em sua jornada espiritualista, impondo a si mesmo, seja por curiosidade ou vaidade, fanatismo ou fascinação, ritualísticas para o aceleramento do aflorar mediúnico. Não é raro encontrarmos na internet, em uma simples pesquisa de como desenvolver a mediunidade, técnicas infalíveis para a abertura do terceiro olho , bem como a indicação de frequências sonoras que proporcionam o desdobramento consciente do perispírito e outras práticas e sugestões enfadonhas, que além de bizarras e pueris, também são perigosas. Há quem defenda e até mesmo incentive práticas para o aceleramento da ostensividade mediúnica baseadas no consumo ou proibição de certos alimentos e temperos, onde uns facilitariam o desenvolvimento da mediunidade, enquanto outros retardariam esse processo. Nessa mesma linha encontraremos um número variado de cursos e workshops – em múltiplas modalidades – voltados para esse mesmo fim, tendo como princípio a repetição de mantras e músicas em 432 Hz, o uso de determinados adereços na testa (cristais e similares), além da prática de uma meditação específica realizada diariamente por 90 minutos (seguindo essa receita à risca, segundo esses mesmos instrutores , após 18 meses os resultados começam sutilmente a serem percebidos). Conforme a explicação (sem embasamento científico) desses coaches espirituais , essas técnicas fazem reverberar o líquido presente em torno da glândula pineal ( antena espiritual responsável pela mediação entre os dois planos), alterando seu metabolismo, facultando assim, a criação de cristais de apatita e consequentemente, aflorando a mediunidade. Atualmente há estudos sérios sendo realizados a este respeito, mas que até o momento nada comprovam sobre a eficácia destas técnicas, músicas, alimentos ou quaisquer outros recursos que não sejam o da própria naturalidade . RECEITA UNIVERSAL E INFALÍVEL PARA FORMAR MÉDIUNS Em O Livro dos Médiuns , Kardec já nos advertia a esse respeito: “Em princípio, é preciso ficar contente com aquilo que Deus nos deu, sem procurar o impossível. Querendo ter demais, arrisca-se a tudo perder.” Ainda na referida obra, Kardec complementa: “Igualmente se enganaria aquele que acreditasse achar nesta obra uma receita universal e infalível para formar médiuns . Ainda que cada um encontre em si o germe das qualidades necessárias para tornar-se um deles, essas qualidades existem em graus muito diferentes e seu desenvolvimento tem causas que não dependem de ninguém fazer nascer à sua vontade. ” Com base nos princípios formulados por Allan Kardec, de nada adianta o homem tentar estimular e desenvolver algo que, primeiro, pode não existir, segundo, se existindo, qual seria o propósito de tentar burlar as leis da natureza para fazer aflorar algo que deve seguir o seu curso natural? Como bem disse o insigne mestre Lionês, o despertar da mediunidade é algo que está para além das nossas interferências . Portanto, tendo Kardec como prisma, é prudente deixar as faculdades medianímicas aflorarem naturalmente, em seu tempo certo, sem tentar impedi-las ou apressá-las, confiando que o Criador – a quem tudo prevê e provê – sabe o momento certo que este aflorar mediúnico deve ocorrer. QUAL ERA A MEDIUNIDADE DE KARDEC? Em verdade, conforme destaca Hermínio C. Miranda na obra Diversidade dos Carisma s, “ se a faculdade não está programada para você, não adianta forçá-la. Busque outra tarefa na qual você poderá sair-se até muito bem, como por exemplo a do passe magnético ou a do trabalho social. [...] Afinal de contas, a mediunidade é apenas um dos muitos caminhos para a evolução.” Em vista dos fatos mencionados, os indivíduos que desejam desenvolver a mediunidade, mas que não possuem o gérmen do mediunismo ou apresentam apenas manifestações fragmentárias, não devem esmorecer, ficando cabisbaixas, pois, o campo de trabalho na seara de Jesus é bastante vasto, sendo cada pessoa peça de elevado valor diante desse labor divino. Vale destacar que os médiuns de apoio, os passistas e os dialogadores exercem atividades – na presente encarnação – que colaboram no desenvolvimento e no desabrochar de faculdades adormecidas, permitindo ao sujeito, em uma vida futura, ser usufrutuário de uma mediunidade ostensiva. Como reflexão a respeito deste tópico, lembremo-nos da figura de Allan Kardec , homem e Espírito nobre, que viveu sem manifestar nenhuma faculdade mediúnica de forma ostensiva , mas que nos deixou um legado de luz e esperança. Em contraponto, vários de seus contemporâneos apresentavam grandes capacidades medianímicas, porém, usando-as indiscriminadamente para o mal, vendendo seus serviços (comércio da fé), além de apresentarem uma moralidade duvidosa e infeliz. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 2: Mediunidade Sem Medo Pergunta 15: Há exercícios ou técnicas que possam acelerar o desenvolvimento da mediunidade? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 9ª edição. Editora Boa Nova, 2004. MIRANDA , Hermínio C. Diversidade dos Carismas. LACHATRE, novembro de 2019, 9ª edição.

  • 14. Como identificar com precisão o meu tipo de mediunidade?

    Na segunda parte de O Livro dos Médiuns (capítulo XVI), Kardec nos assegura que um médium pode, sem dúvida, ter muitas aptidões, havendo, porém, sempre uma dominante. Ao cultivo dessa é que, se for útil, deve ele aplicar-se. Em erro grave incorre quem queira forçar de todo modo o desenvolvimento de uma faculdade que não possua. Deve a pessoa cultivar todas aquelas de que reconheça possuir os germens. Procurar ter as outras é, acima de tudo, perder tempo e, em segundo lugar, perder talvez, enfraquecer com certeza, as de que seja dotado. Como identificar com precisão o meu tipo de mediunidade? ESPECIALIDADE MEDIÚNICA Em virtude dos fatos mencionados podemos inferir que a mediunidade se manifesta de variadas maneiras, de acordo com cada médium, sendo o seu detentor, muitas vezes, usufrutuário de mais de um tipo de medianimidade ao longo da sua vida. Porém, existe sempre uma especificidade medianímica na qual o médium mais irá desenvolvê-la ou que mais se mostrará explícita em sua trajetória. Temos como exemplo Chico Xavier, que fora possuidor de inúmeros – para não dizer todos – tipos e especificidades de mediunidade, mas que teve como carro-chefe a mediunidade missionária da psicografia, na qual escreveu e publicou 412 obras (catalogadas oficialmente até o seu desencarne em 2002). VAIDADE E AMBIÇÃO Como visto o médium pode até possuir mais de um tipo específico de medianimidade, porém, existe a especialidade mediúnica da qual ele mais terá proveito ao desenvolvê-la. Entretanto, existem médiuns que, em nome da vaidade e ambição, mostram-se insatisfeitos com os dons que possuem e passam a almejar diversas outras faculdades (se possuem a inspiração querem a vidência; se tem vidência querem a audiência; se possuem a audiência querem a materialização, etc). Como precaução e advertência aos médiuns, o benfeitor Miramez através do livro Segurança Mediúnica, pela psicografia de João Nunes Maia, nos diz: “Se a mediunidade é fato natural no ser humano, a razão adverte-nos de que o seu desenvolvimento não pode desobedecer à sequência da naturalidade. Toda violência, nesse campo, tem como resposta o desastre e o desequilíbrio psicossomático. [...] Tu que estás lendo, escolhe o dom que deves desenvolver, mas escolhe com critério, e não queiras servir de instrumento de todos eles de uma só vez, porque a divisão das forças enfraquece os teus dons e não aprimora a faculdade que deveria ficar em evidência, ajudando com toda a segurança espiritual." Em continuação ao seu pensamento, arremata o autor espiritual: "Não deves copiar os outros, pelo que os outros estão fazendo da vida, principalmente da vida mediúnica. Cada um tem missão diferente, que nos é revelada pela intuição, mas essa intuição não funciona no ambiente da ambição. Ela vem da entrega, da entrega do ser, das coisas divinas sem interesses mesquinhos e passageiros. [...] Se não sabes e queres descobrir qual o teu dom aflorado, começa aprimorando-te intimamente, trabalha na caridade e procura amar do modo que ensinou Jesus, que tal dom irá crescendo e crescendo. ” FENÔMENOS DE VARIADA NATUREZA Em Diversidade dos Carismas , Hermínio C. Miranda destaca: “Por outro lado, raramente a mediunidade se define com nitidez, logo de início, por esta ou aquela faculdade e raríssimas vezes ocorre tranquilamente, sem inquietações e perplexidades, às quais o médium, ainda despreparado, não sabe como esquivar-se ou controlar. Quase sempre, nessa fase inicial, os fenômenos são de variada natureza, como se houvesse um propósito deliberado em testar várias faculdades a fim de decidir qual delas é a melhor para aquele trabalhador específico.” O autor Hermínio de Miranda, na supracitada obra, nos ensina que são os próprios Espíritos benfeitores que observam e decidem (após algumas experimentações) quais as medianimidades que cada um irá exercer. Retrata ainda que é preferível o desenvolvimento de uma única faculdade (bem desenvolvida e equilibrada) ao invés de forçar a expansão de outras (fragmentárias e sem expressão). Dando continuidade ao seu pensamento, Hermínio C. Miranda – na supramencionada obra – nos informa que “ o exercício simultâneo de inúmeras faculdades é uma desvantagem para o médium, não um traço a ser estimulado. É melhor que ele se aplique a uma ou duas das diversas modalidades, que tentar ser eclético. Dedicando-se a uma ou duas, ele poderá alcançar um desempenho adequado, seguro, competente das faculdades que melhor se apresentam nele, ao passo que, tentando apoderar-se de todas, criará problemas complexos para si mesmo, para os espíritos e para os companheiros encarnados. Dificilmente ele poderá ser tão eficiente em todas as faculdades que experimentar quanto em apenas uma ou duas.” APTIDÃO MEDIÚNICA ESPONTÂNEA A este respeito, por meio da obra acima exposta, o autor Hermínio de Miranda nos assegura que “ o médium iniciante deve ser aconselhado a desenvolver ou praticar a forma de mediunidade que espontaneamente venha se definindo nele . Se nos lembramos da observação dos espíritos de que eles se utilizam das faculdades em que o médium é mais flexível, estará indicado o caminho a seguir. Ou seja: os próprios espíritos definirão, pelo exercício, as faculdades mais apropriadas.” Como nos orientou Allan Kardec, experimentar é sempre o melhor caminho. Durante seus estudos e trabalhos mediúnicos, o médium deve identificar as mediunidades que se manifestam através de si e qual delas é a mais ostensiva em sua vida. De modo seguro e taxativo, Hermínio C. Miranda, em Diversidade dos Carismas , nos oferece um norte ao afirmar: “Se, ao cabo de algum tempo, verificar-se que as faculdades embrionárias que traz no seu psiquismo não se desenvolvem, nesta ou naquela direção deve ser redirecionado para outro setor de trabalho ou desestimulado a prosseguir forçando a eclosão de faculdades para o exercício das quais não está programado.” Dando seguimento à sua reflexão, na obra indicada, destaca o autor: “Sabemos de casos em que, só porque a pessoa, às vezes, ouve vozes ou traça alguns rabiscos no papel, fica presa à mesa mediúnica anos à fio, segurando um lápis diante de uma folha de papel ou esperando que espíritos se manifestem por 'incorporação'. Pura perda de tempo. Poderia estar dando passes, talvez, ou visitando doentes em hospitais, arrecadando víveres para distribuir aos necessitados, ou ainda, empenhado em alguma tarefa manual no centro que frequenta. Se é verdade que todos temos algum conteúdo mediúnico em potencial, não é menos verdadeiro que nem todos estamos destinados a ser médiuns dessa ou daquela modalidade. ” QUANDO O SERVIDOR ESTÁ PRONTO... Por meio da obra acima exposta ( Diversidade dos Carismas) , o autor Hermínio de Miranda nos adverte que “o médium não deve exaurir-se no desenvolvimento das faculdades que possa ter em potencial, pois acabará não exercendo bem nenhuma delas; o ideal seria trabalhar com poucas faculdades, porém com eficácia e devotamento .” Sendo assim, rogamos aos médiuns que tenham sempre paciência e menos ansiedade para descobrirem quais tipos de mediunidades irão desenvolver, pois cada semente só floresce no seu devido tempo e querer forçar o seu desabrochar, é correr o risco de perder, enfraquecer ou retardar o seu florescimento. Para muitos, não possuir determinados tipos de mediunidade – tais como a vidência e a audiência – é uma benção, pois ainda não estão preparados para esse exercício. Portanto, deixe o rio seguir seu ritmo e fluxo natural e lembre-se da célebre frase contida no livro Nosso Lar , de André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier: quando o servidor está pronto o serviço aparece. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 2: Mediunidade Sem Medo Pergunta 14: Como identificar com precisão o meu tipo de mediunidade? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 9ª edição. Editora Boa Nova, 2004. MAIA , João Nunes (psicografia). Segurança Mediúnica. Miramez (espírito). Fonte Viva, 2ª edição, março de 2015. MIRANDA , Hermínio C. Diversidade dos Carismas. LACHATRE, novembro de 2019, 9ª edição. XAVIER , Francisco Cândido (psicografia). Nosso Lar. André Luiz (espírito). FEB Editora, 2019.

  • 13. Como saber se sou médium?

    Como vimos, a sede da mediunidade está localizada no perispírito. Até o presente momento, não conhecemos – ou ainda não existe – quaisquer aparelhos no plano terrestre que tenha acesso ao nosso corpo espiritual. Sendo assim, não há indícios físicos e tangíveis que façam distinções entre um médium ostensivo e um não ostensivo. Como saber se sou médium ostensivo? Para melhor compreensão acerca do tema proposto, segue abaixo o dialogo entre Allan Kardec ( A. K.) e o Visitante ( V.) , descrito no capítulo 1 do livro O Que é o Espiritismo, no qual a mediunidade é o tópico central: V. – Há algum sinal pelo qual se possa reconhecer a posse dessa aptidão? A. K. – Até o presente não se conhece um diagnóstico para a mediunidade; todos os que julgamos descobrir, são sem valor; experimentar é o único meio de saber se a faculdade existe . O sexo, a idade e o temperamento são indiferentes; eles aparecem entre os homens e mulheres, entre crianças, velhos, doentes e pessoas sadias. [...] Sua causa física está na assimilação, mais ou menos fácil, dos fluidos perispirituais do encarnado e do Espírito desencarnado. AUTOANÁLISE Muitos são os que se interessam pelos fenômenos mediúnicos sem se atentarem para a responsabilidade que essa faculdade traz. Há também quem deseja descobrir se possuí algum tipo de mediunidade ostensiva, apenas por uma vã curiosidade, como se a mediunidade fosse destinada a pessoas especiais, facultando ao seu portador algum título de grandeza, poder, status, etc. Desse modo, antes da experimentação proposta por Kardec, é necessária uma autoanálise. Essa autoanálise deve ser pautada na sinceridade que o indivíduo traz de si para consigo, questionando-se – de forma honesta – se esse interesse em relação a mediunidade é genuíno, no sentido de estar vendo ou ouvindo Espíritos, assim como, sentindo presenças extrafísicas; ou se tal busca parte apenas de uma mera curiosidade passageira. O Espiritismo , segundo Allan Kardec ( Revista Espírita , agosto de 1863), desaprova toda experiência de pura curiosidade, feita com o propósito de distração, pois não nos devemos divertir com essas coisas. Ou seja, se a tua consciência te acusa a curiosidade infrutífera, interessada em divertimentos fenomênicos, te recomendamos buscar outra área de interesse, pois, nem o Espiritismo nem a mediunidade são pautas para brincadeiras. Porém, caso algumas percepções estejam realmente em afloramento, manifestando-se com maior intensidade, prosseguimos para a experimentação já citada aqui por Kardec. EXPERIMENTAÇÃO A experimentação – geralmente em um curso de educação mediúnica – deve ocorrer sempre em uma casa espírita , acompanhada de perto por instrutores encarnados experientes, membros do corpo regular de trabalhadores do centro espírita, na área mediúnica. No decorrer do curso de desenvolvimento mediúnico, após um estudo prévio sobre Espiritismo e mediunidade, passamos para a parte prática, onde aqueles que possuem mediunidade ostensiva vão aos poucos revelando os pormenores da aproximação de certas entidades, sendo que cada médium possuí seu tempo próprio para aflorar e desenvolver seu mediunismo. Após o curso de educação mediúnica, aqueles que não demonstraram – a priori – mediunidade evidente ou que não se manifestou no período reservado para esse fim, passam a integrar o grupo de trabalhadores, caso queiram, em outras funções, tais como, dialogador, passista ou médium de apoio. A este respeito, o autor espírita Hermínio C. Miranda – em Diversidade dos Carismas –, complementa: “Qualquer que seja, porém, o tipo de mediunidade em desenvolvimento, é preciso que o médium em formação promova um severo e honesto autoexame , a fim de identificar em que aspectos de comportamento precisa mudar e que eventuais virtudes ou qualidades pessoais devem e podem ser revigoradas. E para isso também uma boa dosagem, de humildade será de vital importância.” Isto é, para além da autoanálise seguida da experimentação (e consequentemente, do estudo sério da mediunidade), o médium que deseja trilhar seguramente o intercâmbio com os Espíritos, deve acrescentar ao seu roteiro de vida , uma dosagem considerável de humildade, a fim de não se deixar levar por fantasias, excitações desnecessárias, melindres, deslumbramentos, entre outros comportamentos desastrosos, além de iniciar seu processo de reforma íntima (elevando a sua moralidade através de pensamentos e comportamentos sadios). PROCURANDO À CASA ESPÍRITA Diariamente, inúmeras pessoas procuram às casas espíritas em busca de ajuda e informações em relação à mediunidade, pois ouviu alguém dizer que ela era médium. Um ponto importante, nesse aspecto, é que realmente o centro espírita é o melhor lugar para se obter suporte referente a esses casos, mas não podemos deixar de informar aos que buscam essas páginas para instrução, que tenham sempre prudência ao dar ouvidos a tudo o que escutam. A experiência vem nos mostrando que há sim, médiuns ostensivos bastante experientes, íntegros e com vidência apurada, que dependendo da situação, podem perceber se aquela pessoa é portadora de mediunidade ou não; porém, o médium educado nas lides espirituais jamais sairá falando tudo o que enxerga ou causando alarde às pessoas à sua volta, mesmo que seja com a melhor das intenções . E também há aqueles que – por desconhecerem a racionalidade proposta por Kardec – colocam tudo na conta da espiritualidade, de um tropeço ao arrepio, tudo é culpa dos obsessores, das energias negativas, tudo é mediunidade, tudo é espiritual. Sendo assim, como recomendou sabiamente Kardec, experimentar é sempre o melhor caminho, senão o mais confiável ; todas as demais fórmulas de atestar a mediunidade não são seguras, muito menos confiáveis e cabíveis de contestações. RESPONSABILIDADE MORAL Em Mediunidade: Desafios e Bênçãos , o autor espiritual Manoel Philomeno de Miranda, pela psicografia de Divaldo Franco, destaca que q uanto mais amplas sejam as possibilidades mediúnicas, mais responsabilidades morais e dívidas a resgatar pesarão na economia evolutiva do medianeiro , que se deve revestir de simplicidade, autoconscientizando-se do muito que deve fazer em favor de si mesmo, vencendo as paixões primitivas e as tendências à prepotência, à dominação, ao exibicionismo que nele predominam. Ou seja, quanto maior for a ostensividade da mediunidade que o indivíduo possuí, maior será a sua responsabilidade, seu comprometimento e a gravidade dos compromissos assumidos a este respeito. Por conseguinte, os médiuns ostensivos, aqueles que facilmente se comunicam com os Espíritos, salvo raras exceções, encontram-se em provações reparadoras. Muitos desses indivíduos se perdem em sua caminhada de automelhoramento e ajuda ao próximo devido ao deslumbramento e à autofascinação aos quais se entregam, tendo como ponto de partida a petulância, a presunção e a invigilância. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 2: Mediunidade Sem Medo Pergunta 13: Como saber se sou médium ostensivo? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. O que é o Espiritismo. FEB Editora, 2016. KARDEC , Allan. Revista Espírita – Jornal de estudos psicológicos – agosto de 1863. Tradução de Julio Abreu Filho. Edicel, 1ª edição, julho de 2002. MIRANDA , Hermínio C. Diversidade dos Carismas. LACHATRE, novembro de 2019, 9ª edição. FRANCO , Divaldo Pereira (psicografia). Mediunidade: Desafios e Bênçãos. Manoel Philomeno De Miranda (espírito). Editora LEAL, 2019.

  • 12. Quais são as variações e categorias da psicografia e o que ela significa?

    O vocábulo psicografia – conforme destaca Kardec em Instruções Práticas Sobre as Manifestações Espíritas – tem sua origem na língua grega, sendo formado pela união dos vocábulos psykhê , que remete a alma ou borboleta , e graphô , que significa eu escrevo . Quais são as variações e categorias da psicografia e o que ela significa? Em linhas gerais, a psicografia é a transmissão do pensamento do Espírito por meio da escrita manual do médium. TIPOS DE PSICOGRAFIA Em O Livro dos Médiuns , Kardec ressalta que a psicografia é uma medianimidade pertencente à categoria dos efeitos inteligentes, possuindo algumas especificidades, tais como: PSICOGRAFIA MECÂNICA Nesta variação, a mão do médium recebe um impulso involuntário e este não têm nenhuma consciência do que escreve. Especificidade muito rara de se encontrar. PSICOGRAFIA SEMIMECÂNICA Nesta especificidade, a mão do médium também trabalha involuntariamente, mas este tem consciência instantânea das palavras e das frases à medida que escreve. Esses são os mais comuns. PSICOGRAFIA INTUITIVA É aquela a quem os Espíritos se comunicam pelo pensamento e cuja mão é guiada pela vontade do próprio médium. Diferem dos médiuns inspirados, no que estes não têm necessidade de escrever, enquanto que o médium intuitivo escreve o pensamento que lhe é sugerido instantaneamente sobre um assunto determinado e provocado. São muito comuns, mas também sujeitos a erros, porque não podem discernir o que vem dos Espíritos e o que vem de sua própria cabeça. PSICOGRAFIA POR MEIO DE UM MÉDIUM POLÍGRAFO Nesta especificidade, a escrita muda de acordo com o Espírito que se comunica (muito comum), ou reproduz a escrita que o Espírito tinha em vida (mais raro). PSICOGRAFIA POR MEIO DE MÉDIUM POLIGLOTA Também conhecida como xenoglassia, essa medianimidade tanto se aplica na psicofonia como na psicografia. Nesta especificidade o médium possui a faculdade de falar ou escrever em idiomas que lhes são estranhos. Muito rara. PSICOGRAFIA POR MEIO DE UM MÉDIUM ILETRADO Essa modalidade é marcada pela capacidade de escrita durante o transe, em que o médium se torna capaz de escrever, apesar de não possuir essa habilidade em seu estado de vigília. PSICOGRAFIA POR HERMÍNIO C. MIRANDA Em Diversidade dos Carismas, o autor Hermínio C. Miranda, ao tratar da temática envolvendo a psicografia, destaca: “A psicografia é a faculdade através da qual espíritos encarnados e desencarnados se manifestam por escrito . Deve ser considerada como fenômeno mediúnico quando o manifestante é um espírito desencarnado. É uma faculdade anímica quando se manifesta o próprio espírito do sensitivo encarnado que, em tais casos, pode perfeitamente revelar um conhecimento acima do seu nível habitual, como ser encarnado. Uma terceira categoria de manifestação psicográfica, como vimos, é aquela na qual se manifestam espíritos encarnados através de sensitivos também encarnados.” Sendo assim, Hermínio de Miranda assegura que existem três tipos de categorias na qual a psicografia pode se manifestar: Psicografia Mediúnica : Quando a escrita ocorre ao influxo de um Espírito desencarnado. Psicografia Anímica : Também conhecida como escrita automática . Nessa modalidade é a própria alma do médium – em desdobramento – que se comunica. Em outros termos, é a alma do médium que se comunica por ele mesmo, sem que este tenha consciência deliberada sobre o ocorrido. Psicografia de encarnado para encarnado : Quando um encarnado, em estado de desdobramento, comunica-se através de um médium, também encarnado. Kardec já havia levantado essa hipótese, observando que alguns Espíritos que se comunicavam com ele, seja por meio da psicografia ou psicofonia, possivelmente estariam encarnados. Essa hipótese foi confirmada a posteriori pelos Espíritos benfeitores que lhe auxiliavam. Nessa modalidade de psicografia (entre encarnados), o autor Hermínio de Miranda, na obra acima mencionada, adverte: “É preciso observar, ainda, que nem sempre a comunicação psicográfica de características mediúnicas provém de um espírito desencarnado. Já Kardec nos alertava para esse aspecto, ao informar que o espírito encarnado também pode comunicar-se através de um médium, como se desencarnado estivesse, pois não deixa de ser espírito somente porque está preso a um corpo material. ” O ESPÍRITO TOMA A MÃO DO MÉDIUM PARA ESCREVER? Os mecanismos que envolvem as comunicações mediúnicas voltadas para a psicofonia e a psicografia, por exemplo, são bem mais complexos do que os apresentados pelo imaginário popular. Em partes, conforme nos elucidam os instrutores espirituais por meio da vasta literatura espiritista, há sim algum sentido quando alguém diz que na psicografia o Espírito opera diretamente sobre a mão do médium; já na psicofonia, a entidade passa a atuar sobre o aparelho fonador. Porém, esses mecanismos são bem mais profundos. A este respeito, Hermínio de Miranda, na obra acima exposta, destaca: “Não é a entidade comunicante que toma literalmente a mão do médium, como alguém que ajuda uma criança a escrever guiando sua mãozinha sobre o papel. A entidade atua com o seu pensamento através dos canais condutores que levam o impulso da sua vontade ao cérebro do médium, a fim de ativar o centro próprio que comanda os movimentos do braço e da mão.” Quanto à psicofonia, o mecanismo é o mesmo, ocorrendo de maneira idêntica, conforme nos elucida Hermínio de Miranda. Concluindo seu pensamento, ainda na supracitada obra, arremata com sapiência o referido autor: “O certo, porém, é que o espírito comunicante não vai diretamente aos órgãos que 'materializam' a comunicação, mas aos centros que comandam esses órgãos; mesmo assim, não vai a esses centros diretamente, mas sempre por intermédio dos canais condutores.” ESCRITA AUTOMÁTICA x ESCRITA DIRETA Não podemos confundir a escrita automática (psicografia anímica) com a escrita direta (pneumatografia) . A pneumatografia é pertencente aos efeitos físicos, já a psicografia pertence a categoria dos efeitos inteligentes. Na escrita direta (pneumatografia), não há interferência ou colaboração por parte de médiuns encarnados. São os próprios Espíritos que produzem a matéria e os instrumentos de que precisam, fazendo imprimir em uma folha, parede ou qualquer superfície, uma mensagem, seja via texto ou imagem. Em O Livro dos Médiuns (cap. VIII, item 127), a respeito da pneumatografia, escreve Kardec: "A escrita direta, ou pneumatografia, é a que se produz espontaneamente, sem a ajuda, nem da mão do médium, nem do lápis. Basta tomar-se de uma folha de papel branco — o que se pode fazer com todas as precauções necessárias, para se ter a certeza da ausência de qualquer fraude —, dobrá-la e depositá-la em qualquer parte, numa gaveta ou simplesmente sobre um móvel. Feito isso, se a pessoa estiver nas devidas condições, ao fim de mais ou menos longo tempo se encontrarão traçados no papel, letras, sinais diversos, palavras, frases e até dissertações, as mais das vezes com uma substância acinzentada, igual a grafite, doutras vezes com lápis vermelho, tinta comum e até tinta de imprimir." Ainda na referida obra (capítulo XII, item 148), Kardec volta a escrever sobre a pneumatografia: "Para escrever dessa maneira, o Espírito não se serve das nossas substâncias, nem dos nossos instrumentos. Ele próprio fabrica a matéria e os instrumentos de que precisa, tirando os materiais necessários para isso do elemento primitivo universal que, pela ação da sua vontade, sofre as modificações necessárias à produção do efeito desejado. Portanto, é possível para ele fabricar tanto o lápis vermelho, a tinta de imprimir, a tinta comum, como o lápis preto, ou até caracteres tipográficos bastante resistentes para darem relevo à escrita, conforme temos tido ensejo de verificar." Geralmente as mensagens obtidas por meio da pneumatografia são bastante curtas, algumas palavras chegam a ser inteligíveis. Segundo nos informa Allan Kardec (no cap. XII, item 148 de O Livro dos Médiuns ), a principal utilidade da escrita direta (pneumatografia) é “a comprovação material de um fato sério: a intervenção de um poder oculto que, nesse fenômeno, tem mais um meio de se manifestar." Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 2: Mediunidade Sem Medo Pergunta 12: Quais são as variações e categorias da psicografia e o que ela significa? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. Instruções Práticas Sobre as Manifestações Espíritas. Pensamento, 1995. KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 9ª edição. Editora Boa Nova, 2004. MIRANDA , Hermínio C. Diversidade dos Carismas. LACHATRE, novembro de 2019, 9ª edição.

  • 11. Quais são os principais tipos de médiuns e mediunidades conhecidas?

    Em O Livro dos Médiuns , Allan Kardec (sob a supervisão e revisão dos Espíritos Sócrates e Erasto) dividiu os medianeiros em duas grandes categorias, sendo estes, os médiuns de efeitos físicos e os médiuns de efeitos inteligentes (ou intelectuais). Quais são os principais tipos de médiuns e mediunidades conhecidas? O codificador da doutrina espírita também esclarece que todas as outras variedades se ligam mais ou menos diretamente a uma ou a outra dessas duas categorias; algumas se ligam às duas. Com base em O Livro dos Médiuns , apresentamos – de forma resumida – a lista a seguir. MÉDIUNS DE EFEITOS FÍSICOS Os médiuns de efeitos físicos são aqueles que têm o poder de provocar efeitos materiais ou de manifestações ostensivas (vide quadro abaixo). Tais efeitos ou manifestações podem ocorrer de modo consciente ou inconsciente, isto é, com ou sem o conhecimento do médium. A mediunidade de efeitos físicos é, para o médium, bastante fatigante. Dentre as especificidades de médiuns e mediunidades de efeitos físicos, destacamos: MÉDIUNS TIPTÓLOGOS Aqueles pela influência dos quais se produzem os ruídos, os golpes e as pancadas. Tais fenômenos ocorrem com ou sem o conhecimento do médium. Muito comum. MÉDIUNS MOTORES Aqueles que produzem o movimento de objetos inertes, estáticos. Muito comum. MÉDIUNS DE TRANSLAÇÕES E SUSPENSÕES Aqueles que produzem a translação no espaço e a suspensão de corpos inertes no ar sem qualquer ponto de apoio (mais ou menos raros, segundo o desenvolvimento do fenômeno). Há também aqueles que podem elevar-se a si próprios (muito raro). MÉDIUNS DE APARIÇÕES (MATERIALIZAÇÃO) São aqueles que possuem a capacidade de provocar aparições fluídicas ou tangíveis, que podem ser vistas e até tocadas pelos assistentes. No entanto, essa habilidade é considerada muito rara. MÉDIUNS DE TRANSPORTE São aqueles que possuem a habilidade de auxiliar os Espíritos no transporte de objetos materiais. Essa habilidade se manifesta através do transporte espontâneo de objetos que não existem no local onde o médium se encontra; geralmente, são flores, por vezes frutas, doces, joias e outros itens. Variedade dos médiuns motores e de translação. Excepcionais. MÉDIUNS DE EFEITOS INTELECTUAIS Os médiuns de efeitos intelectuais são aqueles que estão mais aptos a receber e a transmitir comunicações inteligentes. Dentre as especificidades de médiuns e mediunidades de efeitos inteligentes, destacamos: MÉDIUNS AUDIENTES, AUDITIVOS OU OUVINTES São aqueles que ouvem os Espíritos. É um tipo de mediunidade muito comum. Em sua manifestação, essa audição pode ser percebida de duas maneiras distintas. Em algumas ocasiões, trata-se de uma voz íntima falando dentro da mente (voz interna); em outras, é uma voz externa, nítida e distinta, como se fosse a de uma pessoa viva (voz exterior). É preciso prudência para distinguir o que é imaginação e o que é audiência espiritual. MÉDIUNS FALANTES (PSICOFÔNICOS) São aqueles que falam sob a influência dos Espíritos. É um tipo de mediunidade muito frequente. Popularmente conhecida como incorporação. MÉDIUNS VIDENTES ​São aqueles que veem Espíritos em estado de vigília, perfeitamente acordados. Há também quem só os enxerga em estado sonambúlico ou próximo do sonambulismo (êxtase ou transe mediúnico). É preciso distinguir as aparições acidentais e espontâneas da faculdade propriamente dita de ver os Espíritos. Ver um Espírito por acidente em uma circunstância particular é algo comum. Já a capacidade de vê-los sempre, de modo constante, é bastante rara. Vale destacar que o médium vidente enxerga os Espíritos tanto com os olhos abertos como fechados, pois este os enxerga com a alma e não com os olhos físicos. MÉDIUNS INSPIRADOS São aqueles que recebem pensamentos sugeridos pelos Espíritos, muitas vezes à revelia, seja para atos comuns da vida, seja para grandes trabalhos da inteligência. MÉDIUNS DE PRESSENTIMENTOS O pressentimento é uma intuição vaga das coisas futuras. Portanto, os médiuns de pressentimentos são aqueles que, em certas circunstâncias, têm uma vaga intuição de coisas vulgares que irão ocorrer no futuro. Certas pessoas têm essa faculdade mais ou menos desenvolvida. Variação dos médiuns inspirados. MÉDIUNS PROFÉTICOS Os médiuns proféticos são uma variação dos médiuns inspirados e de pressentimentos, que recebem, se assim permitido por Deus, revelações mais precisas do que os médiuns de pressentimentos sobre coisas futuras de interesse geral. Como portadores de tais revelações, é responsabilidade deles comunicá-las aos seres humanos para que possam ser instruídos. Importante dizer que se há verdadeiros profetas, há também os falsos (mistificadores, zombeteiros, dentre outros da mesma estirpe), que tomam os sonhos de sua imaginação por revelações. MÉDIUNS PINTORES OU DESENHISTAS São aqueles que pintam ou desenham sob a influência dos Espíritos. Falamos daqueles que obtêm coisas sérias, porque não poderíamos dar esse nome a certos médiuns aos quais os Espíritos zombeteiros fazem produzir coisas grotescas que desabonariam o último dos estudantes. MÉDIUNS ESCREVENTES OU PSICÓGRAFOS São aqueles que têm a faculdade de escrever eles mesmos sob a influência dos Espíritos. MÉDIUM AUDIENTE x MÉDIUM PSICOFÔNICO Kardec também nos instrui para que não confundamos o médium audiente com o médium psicofônico. O médium audiente pode repetir palavra por palavra aquilo que esteja ouvindo e sendo ditado (e de modo deliberado, filtrar ou censurar conscientemente os impropérios que possam estar sendo proferidos, sem que isso venha a descaracterizar a mensagem original); já o médium de psicofonia, cede o seu corpo para que o próprio Espírito fale por seu intermédio (aqui também pode ocorrer a censura das palavras, porém, essa filtragem é feita através de um bloqueio psicológico relacionado diretamente ao comportamento moral do médium). Qualquer que seja o mecanismo utilizado, tanto o médium audiente como o psicofônico possuem recursos para filtrar a comunicação que ocorre por seu intermédio. SENSITIVOS, FACULTATIVOS E NATURAIS Temos ainda uma variedade de médiuns que são comuns a todos os gêneros de mediunidade , conforme nos explica Kardec na supramencionada obra, sendo estes: MÉDIUNS SENSITIVOS Os indivíduos que são capazes de sentir a presença de espíritos por meio de uma vaga impressão ou um toque na pele ou nos membros são conhecidos como médiuns sensitivos. A natureza exata dessas sensações é desconhecida para eles. Essa habilidade se desenvolve com a prática e pode se tornar tão sutil que aqueles que a possuem conseguem não apenas discernir se o espírito é bom ou mau quando este se aproxima, mas também reconhecer sua identidade, assim como uma pessoa com deficiência visual pode reconhecer a aproximação de alguém sem o ver. Os médiuns delicados e muito sensitivos devem se abster de comunicações com Espíritos violentos, ou cuja impressão é penosa, por causa da fadiga que daí resulta. MÉDIUNS FACULTATIVOS OU VOLUNTÁRIOS Os médiuns facultativos são aqueles que têm consciência de seu poder e que produzem fenômenos espíritas por ato de sua vontade (tem consciência do fenômeno que está sendo produzido). Seja qual for essa vontade, os médiuns nada podem fazer se os Espíritos a isso se recusam, o que prova a intervenção de um poder estranho. ​ MÉDIUNS NATURAIS OU INCONSCIENTES São aqueles que produzem os fenômenos espontaneamente, sem nenhuma participação de sua vontade e na maior parte das vezes à sua revelia (não tem consciência dos fenômenos que se manifestam). Existem outros tipos de médiuns e mediunidades que não apresentamos ou não nos aprofundamos nesta questão. Para maior amplitude e estudo desses tópicos, recomendamos a leitura de O Livro dos Médiuns , especificamente os capítulos que vão do 10 ao 17. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 2: Mediunidade Sem Medo Pergunta 11: Quais são os principais tipos de médiuns e mediunidades conhecidas? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 9ª edição. Editora Boa Nova, 2004.

  • 10. Quais os sintomas físicos que podem estar associados ao afloramento mediúnico?

    Em O Livro dos Médiuns (Cap. XVI), Kardec afirma que quando o princípio ou germe de uma faculdade existe, ela se manifesta sempre por sinais inequívocos. “Quando o princípio ou germe de uma faculdade existe, ela se manifesta sempre por sinais inequívocos.” (O Livro dos Médiuns – Cap. XVI) Como visto anteriormente, a eclosão da mediunidade provacional nos acarreta, comumente, problemas de ordens física e emocional, além de perturbações espirituais ( vide questão 09 ). A mediunidade de prova é aquela que surge com o intuito de direcionar o médium a resgates aflitivos de condutas decadentes ou maléficas praticadas em outras encarnações, com base na lei de ação e reação, de causa e efeito. Um dos objetivos da mediunidade é proporcionar ao medianeiro a oportunidade de trabalhar em prol dos mais necessitados, sejam eles encarnados ou desencarnados, amenizando seus próprios débitos diante da balança divina, além de colocar em prática os compromissos assumidos de acordo com seu planejamento reencarnatório. Em outras palavras, a mediunidade não é aleatória, é o próprio Espírito que vai reencarnar e pede – repetidamente – para vir com esse dom aflorado, pois bem sabe que a mediunidade é uma extensão da misericórdia divina que lhe permite resgatar seus débitos anteriores através do trabalho santificante e gratuito na seara do Cristo. SINAIS FÍSICOS DA MEDIUNIDADE No capítulo 19 de sua obra Momentos de Consciência , Joanna de Ângelis (por Divaldo Franco) destaca que os primeiros sinais da eclosão da mediunidade podem se manifestar como "sensações estranhas de presenças psíquicas ou físicas algo perturbador, gerando medo ou ansiedade, inquietação ou incerteza. Em alguns momentos, turba-se a lucidez, para, noutros, abrirem-se brechas luminosas na mente, apercebendo-se de um outro tipo mais sutil de realidade.” O autor espírita Martins Peralva, em Mediunidade e Evolução , explica que os sintomas da mediunidade são imensuráveis, sendo os mais frequentes: reações emocionais incomuns (fora do habitual), sensação aparente de enfermidade (sem razão orgânica), calafrios, mal-estar e irritações estranhas. Peralva nos diz ainda que em certos casos, a mediunidade pode surgir sem qualquer sintoma, aparecendo espontaneamente. Em Plantão de Respostas - Pinga Fogo II , Chico Xavier e Emmanuel, quando questionados acerca dos sinais físicos e psicológicos oriundos do surgimento da mediunidade, explicaram que os sintomas podem ser variados, de acordo com o tipo de mediunidade. Irritabilidade, sonolência sem motivo, dores sem diagnóstico definido, mau humor e choro inexplicável podem indicar necessidade de esclarecimento e estudo. É NECESSÁRIO ENTENDER, CONHECER, ESTUDAR... A faculdade medianímica não é uma disfunção do organismo. As complicações existentes em sua manifestação inicial são decorrentes da falta de conhecimento em relação à mediunidade, mas logo que o medianeiro passa a fazer uso da terapêutica correta, recebendo a assistência devida, tanto na casa espírita (estudo, passes, tratamento espiritual) quanto fazendo a sua parte (reforma íntima, prática do bem e caridade), seu equilíbrio emocional e fisiológico é resgatado e sua saúde restabelecida. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 2: Mediunidade Sem Medo Pergunta 10: Quais os sintomas físicos que podem estar associados ao afloramento mediúnico? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 9ª edição. Editora Boa Nova, 2004. FRANCO , Divaldo Pereira (psicografia). Momentos de Consciência. ÂNGELIS, Joanna de (espírito). LEAL, 2008. PERALVA , Martins. Mediunidade e Evolução. FEB, 2009. XAVIER , Francisco Cândido. Plantão de Respostas - Pinga Fogo II. Ceu, 2015.

  • 09. Como surge a mediunidade?

    Entendemos a mediunidade como uma faculdade espiritual e, simultaneamente, como uma predisposição orgânica, isto é, a mediunidade é um dom natural inerente ao homem e tem sua matriz localizada no perispírito. Como ela é natural, seu tempo de afloramento e despertar também são naturais e isso ocorre de modo distinto entre os médiuns, de acordo com o planejamento reencarnatório de cada indivíduo. Como surge a mediunidade? A mediunidade é uma faculdade que vai se aprimorando de acordo com as sucessivas reencarnações do indivíduo. Dado o instante em que ela se tornará mais ostensiva para o exercício no plano terrestre, os técnicos e instrutores espirituais que se encarregam da respectiva reencarnação, projetam um corpo físico compatível com o tipo de medianimidade que cada médium irá desempenhar. Chegado o momento em que a faculdade mediúnica começa a demonstrar sinais mais perceptíveis, temos aí o que muitos chamam de eclosão da mediunidade . Conforme descrito no módulo II, tema 1 do livro Mediunidade: Estudo e Prática da Federação Espírita Brasileira (FEB) , a eclosão da mediunidade é o início ou aparecimento de fenômenos resultantes da capacidade de uma pessoa (médium) entrar em contato com seres de outra dimensão, os chamados “mortos”, que, em linguagem espírita, são os desencarnados, seres humanos que estão fora da carne, isto é, não têm o corpo físico. ECLOSÃO DA MEDIUNIDADE A mediunidade pode se manifestar de duas formas diferentes: 1) A primeira ocorre de forma espontânea; por surgir de forma natural e gradativa, a mediunidade espontânea não acarreta grandes desconfortos para o médium principiante, sejam eles físicos ou emocionais. 2) A segunda acontece sob o prisma provacional. Eclodindo muitas vezes de modo abrupto e inesperado, o médium em fase inicial sente o revés que atinge seu corpo físico, podendo acontecer perturbações espirituais e desordem emocional. Devido ao estado evolutivo que ainda nos encontramos, a eclosão provacional (marcada por sofrimentos, perturbações emocionais e fisiopsiquicas) é a mais comum de ocorrer. Segundo Manoel Philomeno de Miranda ( Mediunidade: Desafios e Bênçãos , por Divaldo Franco), a mediunidade, frequentemente, surge de forma violenta, sendo necessária a educação dessa faculdade por meio da disciplina. Ela também pode eclodir de forma leve e suave, expandindo-se gradativamente à medida que o indivíduo desenvolve capacidades psíquicas compatíveis com o exercício medianímico. CULPA DA MEDIUNIDADE? De fato, algumas mediunidades ao eclodirem trazem consigo certos desconfortos ou inconvenientes. Esses tormentos que se tornam mais perceptíveis com o aflorar mediúnico não têm sua causa na mediunidade em si, mas no comportamento moral da pessoa que dela seja portadora. Isso ocorre porque, em muitos casos, a eclosão da mediunidade tem um caráter provacional e o médium ainda não possui valores morais acentuados. Não raramente, o médium em fase inicial sequer possui o hábito da prece (a prece sincera, humilde e de coração; não a mecânica, dos lábios pra fora). Além do mais, como bem destaca Hermínio de Miranda, em Diversidade dos Carismas , “a fenomenologia que ocorre nessa primeira fase quase nunca é disciplinada e de elevado teor espiritual. A mediunidade raramente começa com a manifestação suave de entidades de elevada condição evolutiva.” Aos primeiros rudimentos do surgimento da mediunidade, é sempre comum que os Espíritos – nessa fase inicial – que costumam se apresentar, sejam de baixa elevação, isto é, entidades sofredoras, perspicazes ou violentas que se afinizam e sintonizam com a vibração do médium em desabrochar. Elevando – o médium – o seu padrão mental, moral e evolutivo, ocorrerá, como por encanto, a seleção natural dos tipos de Espíritos que ele passará a sintonizar em seu dia a dia. Isso não significa que o médium irá deixar de estabelecer algum tipo de intercâmbio com Espíritos dessa estirpe (nossos irmãos sofredores e ainda sem esclarecimento), pois um dos principais objetivos da mediunidade é o amparo a essas entidades. Porém, esse auxílio passa a ocorrer nas reuniões de desobsessão na casa espírita e/ou durante o sono via desdobramento, não mais às claras, durante o dia ou em qualquer lugar, diminuindo também o mal-estar e outras perturbações e alterações psíquicas. PROCURANDO A CASA ESPÍRITA Percebendo os primeiros sinais de manifestações extrafísicas, muitos são os que procuram as casas espíritas em busca de auxílio e instrução. Importante dizer que nem todos os que buscam os centros espiritistas informando variadas situações em sua rotina diária – associando a causas espirituais – são de fato médiuns, obsedados ou enfermos espirituais. Portanto, não seria lógico, sensato ou prudente encaminhar todas essas pessoas as salas de estudo mediúnico assim que se apresentem as respectivas unidades espiritistas. É preciso examinar caso a caso. Verificando onde realmente ocorrem interferências espirituais, se é verdadeiramente uma eclosão da mediunidade, e até mesmo, se tais relatos não são oriundos de algum distúrbio psíquico ou fantasioso. Aos portadores de algum tipo de mediunismo, bem como os demais companheiros tidos como não médiuns, assim como os obsedados e enfermos orgânicos, o mais indicado – a princípio – é a reestruturação mental do sujeito, ajudando-o através dos passes, palestras, do evangelho no lar, da água fluidificada e do esclarecimento, para somente depois facultar o seu ingresso nas salas de estudos espíritas e mediúnicos (se realmente for essa a sua vontade). FENÔMENO OCASIONAL Em Diversidade dos Carismas , o autor Hermínio C. Miranda, nos adverte ao dizer que “um ou outro fenômeno espontâneo e ocasional não precisa ser tomado como indício de mediunidade a ser desenvolvida e praticada, dado que todos nós, seres encarnados, temos certo grau de sensibilidade e estaremos sujeitos a episódios mediúnicos esparsos.” Dando continuidade ao seu pensamento, na obra acima exposta, conclui Hermínio de Miranda: “Quando, porém, começam a ocorrer com certa frequência necessitam de atenção, cuidados e esclarecimentos que dificilmente o iniciante tem condições de prover por si mesmo. O mais comum é que comece a rejeitar os fenômenos, seja porque tenha assumido uma atitude preconcebida quanto a eles - ceticismo, convicções materialistas ou ortodoxo-religiosas -, seja porque teme as manifestações ou as considere como sintomas de perturbação mental. São muitos, portanto, os obstáculos iniciais que a mediunidade encontra logo nas suas primeiras manifestações.” Em suma, não é porque o sujeito alega ter visto uma única vez o Espírito do falecido avô que ele venha ser, de fato, médium ostensivo. Se, porém, esses fenômenos passarem a ser mais comuns e rotineiros, aí sim será preciso um olhar mais atento sobre essa situação, buscando verificar o que realmente está ocorrendo, iniciando a terapêutica correta para cada quadro. E para isso, a casa espírita será sempre uma boa aliada para esse e outros tipos de ajuda. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 2: Mediunidade Sem Medo Pergunta 09: Como surge a mediunidade? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MOURA , Marta Antunes de Oliveira (org.). Mediunidade: estudo e prática. Programa 1. 2. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2014. FRANCO , Divaldo (psicografia). Mediunidade: Desafios e Bênçãos. Manoel Philomeno De Miranda (espírito). Editora LEAL, 2019. MIRANDA , Hermínio C. Diversidade dos Carismas. LACHATRE, novembro de 2019, 9ª edição.

  • 08. A mediunidade é de natureza orgânica ou espiritual?

    O codificador da doutrina espírita – Allan Kardec – elucida que a mediunidade é inerente ao ser humano, a depender de uma predisposição orgânica, onde cada pessoa a manifesta em maior ou menor grau, sendo raro aquele que dela não apresente nenhum rudimento. A mediunidade é de natureza orgânica ou espiritual? Sendo assim, Kardec passou a denominar como médiuns – como forma de organização e clareza dos seus estudos e pesquisas – somente aqueles que a manifestam em um nível razoável de ostensividade, ou seja, os indivíduos que de forma acentuada apresentam habilidade de comunicação entre os planos físico e espiritual. FACULDADE DA ALMA Em Mediunidade: Desafios e Bênçãos, o Espírito Manoel Philomeno de Miranda – pela psicografia de Divaldo Franco – nos ensina que a mediunidade é uma faculdade da alma , que se reveste de células no corpo, a fim de permitir a decodificação da onda do pensamento procedente de outra dimensão, para torná-la de entendimento objetivo. Na obra Médiuns e Mediunidades , o Espírito Vianna de Carvalho (por Divaldo Franco) ressalta que a mediunidade, por proceder do Espírito , exige cuidados especiais e competente educação . PERISPÍRITO - SEDE DA MEDIUNIDADE Já a médium Yvonne do Amaral Pereira em seu livro Recordações da Mediunidade, orientada pelo respeitável Espírito Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, nos diz: “Existem mediunidades que do berço se revelam no seu portador, e estas são as mais seguras, porque as mais positivas, frutos de longas etapas reencarnatórias, durante as quais os seus possuidores exerceram atividades marcantes, assim desenvolvendo forças do perispírito, sede da mediunidade, vibrando intensamente num e noutro setor da existência e assim adquirindo vibratilidades acomodatícias do fenômeno.” ORIGEM ESPIRITUAL Hermínio C. Miranda – em Diversidade dos Carismas – ratifica esse pensamento ao afirmar: “A tendência natural de quem observa a mediunidade em exercício é a de considerar o médium como um corpo físico, quando, na realidade, médium, de fato e de direito, é o perispírito , que funciona sempre como agente de ligação entre corpo e a unidade de comando, situada na individualidade.” Sendo assim, podemos considerar que a mediunidade é de origem espiritual, localizada em nosso perispírito. Quando o Espírito está encarnado, a mediunidade reflete em seu corpo físico através de uma predisposição orgânica que influencia no maior ou menor grau de sua ostensividade. Essa condição orgânica acima mencionada vem sendo estudada por grandes teóricos e pesquisadores, sendo René Descartes um dos seus pioneiros. GLÂNDULA PINEAL | EPÍFESE Em meados do século XVII, o autor da célebre frase “Penso, logo existo”, o filósofo, físico e matemático francês René Descartes, tecia em sua obra-prima Meditações Metafísicas , alguns comentários a respeito da glândula pineal (também chamada de epífise) , apresentando-a como a "sede da alma no corpo" e o órgão capaz de captar e traduzir impressões espirituais para o nosso cérebro. Mesmo sendo considerado o fundador da filosofia moderna e um dos pensadores mais importantes e influentes da história do pensamento ocidental, Descartes teve suas sentenças a respeito da glândula pineal relegadas ao misticismo e ocultismo, sendo-as descreditadas pelos seus contemporâneos. O QUE DIZ KARDEC? A respeito do tema, Allan Kardec não se refere diretamente à glândula pineal, contudo, informa em O Livro dos Espíritos que o processo mediúnico é orgânico , respeitando de modo imprescindível à estrutura física do médium. Essa condição orgânica exige a indispensabilidade de um órgão que conceba os recursos materiais para o processo mediúnico, sendo este órgão conhecido atualmente como glândula pineal, epífise neural ou terceiro olho. EPÍFISE (PINEAL) POR ANDRÉ LUIZ Em Missionários da Luz , pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, o instrutor Alexandre em conversação com o autor espiritual André Luiz, resumidamente destaca que a epífise/pineal governa o campo da sexualidade, assegura o intercâmbio com o mundo espiritual através da mediunidade, converte energia mental em estímulo nervoso, é a responsável por ligar o corpo físico ao Espírito, além de comandar os fenômenos relacionados à emotividade. IMPORTÂNCIA DA GLÂNDULA PINEAL (EPÍFISE) É inegável a importância da glândula pineal (epífise) nos processos acima citados, além da importância do corpo físico em todos esses trâmites. Com o advento do Espiritismo e os inúmeros livros psicografados – ou de autoria própria – que nos chegam continuamente, a exemplo das obras sérias, idôneas e confiáveis que estamos expondo no decorrer deste trabalho, temos hoje acesso a diversos acontecimentos no mundo espiritual que nos fazem investigar e repensar que a mediunidade não é restrita somente ao corpo físico (como muitos acreditam), mas relativa ao próprio Espírito. NATUREZA ESPIRITUAL E ORGÂNICA O benfeitor Miramez por meio da obra Segurança Mediúnica – psicografia de João Nunes Maia – esclarece que a mediunidade não depende de qualidades humanas para existir na sua função natural. Sendo assim, o portador desta faculdade a manifesta tanto no plano físico – quando encarnado – como no plano espiritual – em perispírito, seja através do desdobramento nas noites de sono fisiológico ou após o desencarne. Acerca deste assunto, trazemos à tona as contribuições de Hermínio Corrêa de Miranda, um dos mais proeminentes pesquisadores e escritores espíritas do Brasil, que em seu livro Diálogo com as Sombras aborda como as atividades dos trabalhadores mediúnicos não se restringem as sessões mediúnicas ou somente ao plano físico/terrestre: “Durante a noite, enquanto adormecemos no corpo físico, nossos Espíritos, desprendidos, parcialmente libertos, juntam-se aos benfeitores para o preparo das futuras tarefas mediúnicas. Descemos, com eles, às profundezas da dor e, muitas vezes, realizamos, com eles, autênticas sessões em pleno Espaço, para o tratamento preliminar de companheiros já selecionados para a experiência mediúnica, ou irmãos que, já atendidos por nós, necessitam, mais do que nunca, de assistência e amparo, para as readaptações e o aprendizado que os levará à reconstrução de suas vidas, desde o descondicionamento a dolorosas e lamentáveis concepções até o preparo de uma nova encarnação.” Hermínio C. Miranda volta a ratificar esse pensamento, dessa vez em Diversidade dos Carismas , ao escrever: “Com frequência observamos que o trabalho continua pela noite adentro. Em nossos desdobramentos durante a semana somos levados a visitar pessoas encarnadas ou desencarnadas, em locais diversos, muitas vezes nos próprios núcleos ou instituições onde militam os companheiros que se acham em tratamento no grupo mediúnico. Algumas vezes é trabalho complementar, outras, é tarefa preliminar ou de observações. Somos, também, levados a reuniões de estudo e debate, assistimos a palestras, recebemos instruções, tomamos conhecimento de planos e estratégias de trabalho a desenvolver, sempre sob a supervisão de nossos orientadores espirituais.” Segundo os informes do referido autor (Hermínio C. Miranda), os trabalhos mediúnicos (amparo aos sofredores, choque anímico, etc) continuam durante a noite, no período em que o médium está dormindo e seu corpo desprendido parcialmente através do sono. Deste modo, a mediunidade não é algo limitado ao corpo físico, mas um processo de constante evolução, permitindo ao Espírito encontrar e alcançar as ferramentas necessárias ao seu progresso e adiantamento, esteja ele encarnado ou não. O benfeitor Manoel Philomeno de Miranda, em Mediunidade: Desafios e Bênçãos (pela psicografia de Divaldo Franco), confirma estas informações ao escrever: “Os membros que os constituem estarão sempre atentos aos compromissos assumidos, de forma que possam cooperar com os mentores em qualquer momento que se faça necessário, mesmo fora do dia e horário estabelecidos.” MÉDIUNS DESENCARNADOS Já o autor espiritual André Luiz registra no livro Libertação (através da mediunidade de Chico Xavier), capítulo 3 com o título Entendimento , um episódio no qual vinte médiuns realizam um trabalho de materialização no plano espiritual. Na mesma obra, capítulo 18, ocorre semelhante processo para uma segunda materialização da benfeitora Matilde. Em Missionários da Luz (André Luiz/Chico Xavier), capítulo 17 de título Doutrinação , em um dos trabalhos envolvendo o mentor Alexandre e o autor André Luiz, visando ajudar o ex-sacerdote de nome Marinho, surge à figura de Necésio, que servirá como intérprete entre Alexandre e o ex-padre. Em todos os trechos aqui narrados, temos como base Espíritos desencarnados exercendo funções mediúnicas no plano espiritual. Como experiência pessoal, o médium e orador espírita Divaldo Pereira Franco conta-nos que, durante uma visita à cidade de Padova (Itália), em meio a uma pequena comitiva, ao visitar a Basílica de Santo Antônio de Pádua, percebeu a presença de sua guia espiritual Joanna de Ângelis, que lhe informou que Antônio, o Santo de Pádua, desejava transmitir uma mensagem à Terra. A mentora explicou que, devido ao alto nível psíquico de Antônio de Pádua, Divaldo não seria capaz de captar a mensagem diretamente, e que ela (Joanna de Ângelis) intermediaria a comunicação, atuando como médium, isto é, captando o pensamento de Antônio de Pádua e retransmitindo de modo compreensível a Divaldo. Essa mensagem, assinada por Antônio de Pádua, pode ser encontrada na obra Sob a Proteção de Deus , publicada pela Editora LEAL. O episódio narrado por Divaldo Franco não é isolado e ocorre com bastante frequência, sendo examinado e abordado por diversos autores em suas obras e pesquisas. Dentre esses autores destacamos Hermínio de Miranda e seu livro Diversidade dos Carismas (já bastante citado por aqui), que ao observar situações semelhantes à de Divaldo disserta: “ O fato de funcionar o controle, ou guia espiritual do médium, como intermediário para certas comunicações, não quer dizer que todos eles operem como médiuns, no sentido habitual da palavra. Muitos deles apenas captam as emissões de pensamento de um companheiro espiritual e as retransmitem ao médium encarnado para que este possa convertê-lo em palavras escritas, faladas ou símbolos. Embora isso não deixe de ser uma intermediação, não representa, a rigor, uma forma de mediunidade tal como a conhecemos, se ficarmos adstritos ao conceito de que o médium é aquele que serve de intermediário entre os seres desencarnados e os encarnados. Há, contudo, exemplos bem caracterizados de espíritos que não apenas descrevem o que estão captando de outros espíritos, mas funcionam mesmo como médiuns de tais companheiros, servindo de ponte psíquica àquele que não tem condições de se utilizar de um médium encarnado a fim de alcançar, com seu recado, outros seres encarnados.” MÉDIUNS, TODOS SOMOS EM AMBOS OS PLANOS DA VIDA Para finalizar, trazemos mais uma vez a colaboração de Manoel Philomeno de Miranda, na obra acima citada, ao retratar sabiamente que: “A mediunidade é faculdade da alma que no corpo se reveste do arcabouço de células para facultar a captação de ondas e vibrações sutis além da esfera física. [...] Médiuns, todos o somos em ambos os planos da vida [...]” Portanto, a de ser crer, pela lógica dos incontáveis fatos apresentados pela literatura espírita que a mediunidade é um dom do espírito, tendo sua sede no corpo espiritual (perispírito); ao encarnar, o Espírito que irá ter a mediunidade aflorada, recebe um corpo físico compatível com a medianimidade que irá exercer enquanto encarnado, sendo a glândula pineal (epífese) a responsável pela mediunidade no corpo carnal . Desse modo, a mediunidade é de origem espiritual, mas também de natureza orgânica. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 2: Mediunidade Sem Medo Pergunta 08: A mediunidade é de natureza orgânica ou espiritual? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 9ª edição. Editora Boa Nova, 2004. FRANCO , Divaldo (psicografia). Mediunidade: Desafios e Bênçãos. Manoel Philomeno de Miranda (espírito). Editora LEAL, 2019. FRANCO , Divaldo Pereira (psicografia). Médiuns e Mediunidades. Vianna de Carvalho (espírito). 9. ed. Salvador: LEAL, 2015. PEREIRA , Yvonne do Amaral. Recordações da Mediunidade. Editora FEB, 1968. MIRANDA , Hermínio C. Diversidade dos Carismas. LACHATRE, 2019. DESCARTES , René. Meditações Metafísicas. Tradução de Edson Bini. EdiPro, 2018. KARDEC , Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB; 93ª edição. Rio de Janeiro, 2014. XAVIER , Francisco Cândido. Missionários da Luz. André Luiz (espírito). FEB Editora, 2018. MAIA , João Nunes (psicografia). Segurança Mediúnica. Miramez (espírito). Fonte Viva, 2ª edição, março de 2015. MIRANDA , Hermínio Corrêa de. Diálogo com as Sombras. FEB Editora, 2018. MIRANDA , Hermínio C. Diversidade dos Carismas. LACHATRE, novembro de 2019, 9ª edição. XAVIER , Francisco Cândido. Libertação. André Luiz (espírito). FEB Editora, 2019.

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