top of page

75. O que faz um médium de apoio em uma reunião mediúnica?

há 3 horas
8 min de leitura

A casa espírita é um espaço de estudo, assistência e trabalho no qual se desenvolvem diferentes atividades, como palestras públicas, passes, estudos doutrinários, projetos sociais, atendimento fraterno, reuniões mediúnicas, entre outras. Essas atividades envolvem diferentes formas de participação e atendem a finalidades distintas, alcançando tanto aqueles que trabalham na instituição quanto as pessoas que a procuram em busca de conhecimento, orientação e amparo.


Retrato colorido em alta resolução de Allan Kardec, pioneiro do Espiritismo e dos estudos sobre mediunidade, com fundo escuro tipo lousa escolar, destacando seu rosto detalhado e expressão séria.
O que faz um médium de apoio em uma reunião mediúnica?

Para o trabalhador espírita, a disposição para servir é fundamental, mas, isoladamente, não define a atividade que cada pessoa está apta a desempenhar. Cada função exige conhecimentos, preparo e aptidões compatíveis com sua natureza. Assim, além do propósito de contribuir de forma abnegada e gratuita para a seara do Cristo, é necessário preparar-se para a função que se pretende assumir, por meio do estudo, da formação oferecida pela própria instituição e do desenvolvimento das capacidades necessárias ao seu exercício.


No campo da mediunidade, essa preparação requer atenção particular, uma vez que o exercício da faculdade mediúnica apresenta características próprias e envolve responsabilidades específicas. Conforme esclarece Kardec, em O Livro dos Médiuns, capítulo XVI, item 198, não se deve forçar o desenvolvimento de uma faculdade que não se possua, mas cultivar aquelas de que se reconheçam os germens. Desse modo, é necessário considerar as disposições particulares de cada pessoa, distinguindo aquelas que não apresentam aptidão para determinada faculdade, aquelas em que se reconhecem seus germens e aquelas em que a faculdade mediúnica já se mostra caracterizada, antes de lhe atribuir uma determinada função em uma reunião de intercâmbio espiritual. (vide questão 36).



ESTUDO APROFUNDADO DA DOUTRINA ESPÍRITA


Apesar de ser um elemento basilar nas atividades da casa espírita, a mediunidade ainda suscita numerosas questões, tanto entre aqueles que não conhecem a Doutrina Espírita quanto entre os próprios espíritas que não se dedicaram ao seu estudo aprofundado.


Para compreender adequadamente a mediunidade, é necessário partir das bases estabelecidas por Allan Kardec na Codificação e, a partir delas, recorrer aos estudos de seus colaboradores e continuadores mais próximos, entre os quais se destacam Léon Denis e Gabriel Delanne. Sem esse conhecimento fundamental, conceitos importantes da Doutrina podem ser assimilados de maneira superficial e, consequentemente, dar margem a interpretações que não correspondem ao pensamento espírita.


Uma das questões recorrentes no estudo da mediunidade está relacionada à afirmação, bastante difundida entre os espíritas, de que todos somos médiuns (vide questão 03). Essa afirmação pode gerar equívocos quando não se distingue a influência espiritual da mediunidade propriamente dita. Estar sujeito à influência dos Espíritos não significa, necessariamente, possuir uma faculdade mediúnica caracterizada, tampouco ser médium na acepção legítima do termo.


Sem essa distinção, pode-se chegar à falsa compreensão de que somente os médiuns ostensivos estão aptos a participar de uma reunião mediúnica. Essa compreensão desconsidera que o trabalho de intercâmbio espiritual reúne diferentes funções e que a participação nas reuniões dessa natureza não depende, necessariamente, da manifestação ostensiva da faculdade mediúnica. Na realidade, a equipe mediúnica é constituída por trabalhadores com diferentes atribuições, entre os quais se encontram tanto aqueles em quem a faculdade mediúnica se encontra caracterizada quanto aqueles que, sem serem médiuns no sentido empregado por Kardec, desempenham outras funções necessárias ao trabalho da reunião.



COMPONENTES DE UMA REUNIÃO MEDIÚNICA


Entre os componentes de uma reunião mediúnica espírita encontram-se o dirigente e dialogador, os médiuns ostensivos, os médiuns de apoio e os passistas. Essas funções são definidas ao longo dos dois anos em que os integrantes participam do Grupo de Estudos Mediúnicos (GEM). Esse período é uma referência adotada por diversos centros espíritas no Brasil, podendo variar de uma instituição para outra, de acordo com o modelo de formação adotado (vide questão 36).


Ao longo desse período de estudo e experiência, as aptidões de cada participante são observadas, permitindo definir a função mais adequada ao trabalho na reunião. Aqueles em quem a faculdade mediúnica se encontra caracterizada atuam como médiuns ostensivos. Os que não apresentam uma faculdade mediúnica perceptível e nítida contribuem na sustentação e no apoio da reunião, enquanto aqueles que demonstram inclinação para o diálogo com os Espíritos atuam como dialogadores. O passe, embora também integre as atividades desenvolvidas na reunião, não constitui necessariamente uma função exclusiva, podendo ser exercido por trabalhadores que igualmente desempenham outras funções no trabalho mediúnico.


Essa definição das funções a partir das aptidões observadas não estabelece qualquer diferença de valor entre os trabalhadores. Aqueles que atuam na sustentação da reunião exercem funções tão necessárias ao trabalho quanto aqueles que atuam diretamente no intercâmbio mediúnico. Esse entendimento deve orientar a relação entre os membros encarnados do grupo, para que a diversidade de funções não seja acompanhada por sentimentos de superioridade ou inferioridade. A mediunidade não constitui, em si mesma , sinal de grandeza ou de elevação espiritual, e aquele que a exerce não deve transformar essa condição em motivo de destaque, visibilidade ou reconhecimento pessoal, deixando-se conduzir pela vaidade.


Por outro lado, também é necessário observar o sentimento de inferioridade que pode surgir naqueles que, não apresentando manifestações mediúnicas perceptíveis ao longo dos estudos, são direcionados para outras formas de atuação, como o apoio. Não apresentar uma faculdade mediúnica caracterizada não representa uma condição de inferioridade, assim como a manifestação da mediunidade não constitui, por si só, sinal de superioridade moral ou de elevação espiritual.


A faculdade mediúnica é uma aptidão colocada a serviço do trabalho, e não um atributo que determine o valor espiritual de quem a possui. Por isso, qualquer que seja a função desempenhada, é necessário examinar com sinceridade os sentimentos que surgem diante dela, para que nem a valorização indevida da própria faculdade mediúnica nem o sentimento de inferioridade pela ausência de uma manifestação mediúnica ostensiva desviem o trabalhador da finalidade essencial do trabalho, que é servir ao próximo com humildade, gratidão e abnegação.



FUNÇÕES E CARACTERÍSTICAS DO MÉDIUM DE APOIO


Voltando ao tópico central, os médiuns de apoio, também conhecidos como médiuns de sustentação, são aqueles que não apresentam mediunidade ostensiva e, por essa razão, não atuam diretamente como intermediários nas comunicações mediúnicas realizadas durante a reunião, como a psicofonia, a psicografia, a vidência e a audiência. Isso não significa afirmar que não possuam qualquer possibilidade mediúnica, mas apenas que, durante o período de estudos e experiências em que suas aptidões foram observadas, não apresentaram manifestações mediúnicas que permitissem caracterizá-los como médiuns propriamente ditos, na acepção usual empregada por Kardec.


A ausência de manifestações mediúnicas ostensivas não significa, contudo, ausência de participação no trabalho espiritual. A atuação desses trabalhadores ocorre por meio das preces, da concentração e da elevação dos pensamentos, contribuindo para as condições necessárias ao desenvolvimento da reunião.


Suely Caldas Schubert, ao estudar a dinâmica das reuniões mediúnicas, oferece elementos importantes para compreender essa forma de participação. Em Obsessão/Desobsessão: Profilaxia e Terapêutica Espíritas, ao tratar da ação dos médiuns, a autora esclarece que os participantes encarnados concorrem para a sustentação do trabalho mediante os recursos fluídicos que fornecem e que são utilizados pelos trabalhadores espirituais no atendimento aos comunicantes. Schubert destaca, assim, que o trabalho da equipe não se restringe àqueles que atuam diretamente como intermediários dos Espíritos e ressalta a necessidade de harmonia entre seus integrantes, afirmando que a mesma quota de doação é solicitada a todos os membros da equipe.


Já em Dimensões Espirituais do Centro Espírita, Schubert amplia essa compreensão ao mostrar que a própria programação dos trabalhos espirituais está relacionada à qualificação da equipe encarnada. A autora explica que os mentores organizam as atividades de acordo com as condições e a disponibilidade dos integrantes e que as qualidades adquiridas por cada um no cotidiano são aquelas que serão oferecidas à equipe espiritual para a programação de cada sessão. Nesse contexto, a seriedade, o estudo contínuo, a dedicação, o amor e os testemunhos de fidelidade a Jesus e a Kardec, tanto no âmbito da equipe quanto na vida pessoal, participam das condições em que o trabalho se desenvolve. Schubert relaciona ainda a homogeneidade de pensamentos e vibrações à concentração necessária às atividades mediúnicas, evidenciando que aquilo que cada participante cultiva e leva para a reunião interfere na qualidade do trabalho realizado.


É nesse contexto que se compreende a denominação médium de apoio ou médium de sustentação, adotada entre os espíritas brasileiros para designar, de forma didática, aquele que, não apresentando mediunidade ostensiva, exerce uma função de sustentação dentro da reunião. Sua participação exige vigilância, concentração e equilíbrio, além do acompanhamento atento da condução dos trabalhos, colaborando por meio das preces e dos pensamentos elevados para a sustentação das condições vibratórias necessárias ao intercâmbio mediúnico.


Desse modo, a ausência de manifestações mediúnicas ostensivas não define a importância de sua participação no trabalho. O médium de apoio integra a equipe como trabalhador que contribui para o desenvolvimento da reunião, em cooperação com aqueles que atuam diretamente nas comunicações mediúnicas.



DIALOGADOR x MÉDIUM DE SUSTENTAÇÃO


Vale ressaltar que o médium de apoio/sustentação também se diferencia do dialogador, embora ambos possam integrar a mesma equipe e exercer funções distintas no atendimento aos Espíritos. O dialogador, anteriormente denominado doutrinador, é o trabalhador encarregado de estabelecer o diálogo com o Espírito comunicante, buscando auxiliá-lo por meio da palavra, do esclarecimento e da orientação fraterna. Essa função pode ser exercida pelo próprio dirigente da reunião ou por outro integrante da equipe previamente preparado para essa tarefa.


O médium de apoio, por sua vez, não estabelece o diálogo com os Espíritos comunicantes. Sua atuação ocorre no âmbito da sustentação do trabalho e requer o mesmo compromisso com a preparação moral, física e mental exigido dos demais integrantes da equipe. Por isso, sua participação não deve ser entendida como secundária, mas como parte integrante da organização da reunião mediúnica.


Durante o atendimento, o médium de sustentação deve acompanhar atentamente o diálogo, mantendo-se vigilante e em sintonia com a condução do trabalho. Essa atenção, entretanto, não deve levá-lo a participar mentalmente da conversa como se também estivesse dialogando com o Espírito comunicante. Em Diálogo com as Sombras, Hermínio C. Miranda adverte justamente para esse risco ao orientar que os participantes não se envolvam mentalmente na conversa a ponto de interferir no diálogo estabelecido entre o doutrinador e o Espírito.


Isso não impede que o médium de apoio acompanhe o raciocínio desenvolvido pelo dialogador, concorde interiormente com uma orientação adequada ou mantenha pensamentos de simpatia, fraternidade e auxílio em favor do Espírito atendido. O que se deve evitar é a formação de uma segunda interlocução mental, na qual o médium de sustentação passe a elaborar respostas próprias, corrigir mentalmente o dialogador ou estabelecer, por sua conta, um diálogo paralelo com o comunicante. Ainda que suas intenções sejam boas e que suas ideias coincidam com aquilo que está sendo dito, essa postura pode dispersar sua atenção e interferir na sintonia necessária ao trabalho.


Essa compreensão permite distinguir a participação mental do médium de apoio de uma intervenção no atendimento. Enquanto o dialogador conduz a conversa e busca o esclarecimento do Espírito por meio da palavra, o médium de sustentação acompanha o atendimento sem assumir a interlocução. Sua contribuição permanece, assim, voltada à sustentação do trabalho, dentro da organização estabelecida pelo dirigente.


Para aqueles que desejam conhecer ou aprofundar seus estudos sobre os médiuns de apoio, recomendamos a leitura do capítulo IX, intitulado “Salvo pelo elemento de sustentação”, da obra Bastidores da Mediunidade, psicografada por Emanuel Cristiano, pelo Espírito Nora.





Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima.

Capítulo 8: Obsessões

Pergunta 75: O que faz um médium de apoio em uma reunião mediúnica?

Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed.




REFERÊNCIAS


KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 9ª edição. Editora Boa Nova, 2004.

SCHUBERT, Suely Caldas. Obsessão/desobsessão: Profilaxia e Terapêutica Espíritas. 2ª edição. FEB Editora, 2015.

SCHUBERT, Suely Caldas. Dimensões espirituais do Centro Espírita. 2ª edição. FEB Editora, 2012. MIRANDA, Hermínio C. Diálogo com as Sombras. FEB Editora, 2018.

Comentários


© 2023 Mediunidade com Kardec. Todos os direitos reservados.
mediunidadecomkardec@gmail.com
Voltar ao topo
bottom of page