75. O que é médium de apoio e qual sua função em uma reunião mediúnica?
Atualizado: há 51 minutos
Entre os componentes de uma reunião mediúnica espírita encontram-se o dirigente, o dialogador, os médiuns ostensivos, os médiuns de apoio e os passistas. Cada uma dessas funções possui particularidades próprias, o que requer conhecimentos, disciplina e aptidões compatíveis com o seu exercício. Para atender a esses requisitos, a casa espírita desenvolve um processo de formação que compreende o estudo teórico-prático da mediunidade e a preparação para as diferentes atribuições desse trabalho, especialmente por meio do Grupo de Estudos Mediúnicos (GEM). (vide questão 36)

Durante esse processo formativo, observam-se as aptidões de cada participante, o que permite definir a função que lhe caberá desempenhar na reunião. Aqueles em quem a faculdade mediúnica se encontra caracterizada atuam como médiuns ostensivos. Os que não a apresentam de forma evidente contribuem na sustentação e no apoio do grupo, enquanto os que demonstram inclinação para o diálogo com os Espíritos atuam como dialogadores. O passe, embora integre as atividades da equipe, não constitui uma tarefa exclusiva, somando-se às atribuições de quem já desempenha outras funções no trabalho mediúnico. De modo semelhante, a tarefa do esclarecedor acumula-se, com frequência, com as atribuições do próprio dirigente da reunião.
Essa diversidade de atuações, contudo, não estabelece qualquer diferença de valor entre os trabalhadores, uma vez que a sustentação psíquica, o intercâmbio mediúnico e o diálogo com os Espíritos possuem idêntica importância para o equilíbrio da reunião. Em outras palavras, a atuação do médium de apoio, a do médium ostensivo e do dialogador não guardam qualquer hierarquia de valor entre si.
Sendo a faculdade mediúnica uma possibilidade de comunicação com o mundo espiritual e neutra em sua natureza, o seu exercício não constitui, por si só, sinal de superioridade moral ou de elevação espiritual, assim como a sua ausência não representa condição de inferioridade. A distribuição das funções decorre unicamente das aptidões de cada integrante, convergindo todas para a finalidade comum do grupo.
O QUE É MÉDIUM DE APOIO E QUAL SUA FUNÇÃO EM UMA REUNIÃO MEDIÚNICA?
A reunião mediúnica é um trabalho de ordem coletiva, no qual diferentes integrantes desempenham funções que se complementam. Nem todos participam do intercâmbio espiritual da mesma maneira. Enquanto os médiuns ostensivos atuam diretamente como intermediários dos Espíritos comunicantes, outros trabalhadores contribuem para a sustentação do trabalho, oferecendo as condições necessárias para que o atendimento se desenvolva. É nesse segundo grupo que se situa o médium de apoio, também conhecido como médium de sustentação.
O médium ostensivo é o trabalhador que, na reunião mediúnica, atua diretamente como intermediário dos Espíritos comunicantes. Para isso, manifesta uma faculdade mediúnica bem caracterizada, como a vidência, a psicofonia, a audiência ou a psicografia.
O médium de apoio, por sua vez, participa ativamente do mesmo trabalho, mas essa atuação não se dá pela intermediação dos Espíritos em atendimento. Sua função é contribuir para que o intercâmbio mediúnico se desenvolva de forma harmoniosa e que o ambiente da reunião se mantenha favorável às atividades em curso. Cabe-lhe, portanto, acompanhar atentamente as manifestações espirituais, mantendo a concentração, a vigilância e a disposição para a prece, além de cultivar uma atitude mental e espiritual voltada à sustentação e ao equilíbrio do grupo.
Suely Caldas Schubert oferece elementos fundamentais para compreender essa participação. Em Obsessão/Desobsessão: Profilaxia e Terapêutica Espíritas, ao tratar da contribuição dos encarnados em uma reunião mediúnica, a autora explica que os participantes sustentam a tarefa ao fornecerem os recursos fluídicos que os trabalhadores espirituais manipulam no atendimento aos comunicantes. Schubert destaca, assim, que o trabalho da equipe não se limita aos médiuns ostensivos e ressalta a necessidade de harmonia no grupo, uma vez que a mesma cota de doação é exigida de todos os membros da mesa.
É importante destacar que as expressões médium de apoio e médium de sustentação não fazem parte da classificação dos médiuns apresentada por Allan Kardec. Essas denominações foram adotadas posteriormente pelo movimento espírita brasileiro para designar uma função específica dentro da reunião mediúnica. Assim, o emprego do termo médium nessa nomenclatura não significa a existência de uma modalidade própria de mediunidade, denominada mediunidade de apoio ou de sustentação. Trata-se de uma designação funcional atribuída ao trabalhador que exerce essa função na reunião.
DIALOGADOR x MÉDIUM DE SUSTENTAÇÃO
O papel do médium de apoio não deve se confundir com o do esclarecedor. O dialogador, anteriormente denominado doutrinador, é o trabalhador encarregado de estabelecer o diálogo com o Espírito comunicante, buscando auxiliá-lo por meio da palavra, do esclarecimento e da orientação fraterna. Essa função pode ser exercida pelo próprio dirigente da reunião ou por outro integrante da equipe previamente preparado para essa tarefa.
O médium de apoio, por sua vez, não estabelece o diálogo com os Espíritos comunicantes. Sua atuação ocorre no âmbito da sustentação do trabalho e requer o mesmo compromisso com a preparação moral, física e mental exigido dos demais integrantes da equipe. Por isso, sua participação não deve ser entendida como secundária, mas como parte integrante da organização da reunião mediúnica.
Durante o atendimento, o médium de sustentação deve acompanhar atentamente o diálogo, mantendo-se vigilante e em sintonia com a condução do trabalho. Essa atenção, entretanto, não deve levá-lo a participar mentalmente da conversa como se também estivesse dialogando com o Espírito comunicante. Em Diálogo com as Sombras, Hermínio C. Miranda adverte justamente para esse risco ao orientar que os participantes não se envolvam mentalmente na conversa a ponto de interferir no diálogo estabelecido entre o doutrinador e o Espírito.
Isso não impede que o médium de apoio acompanhe o raciocínio desenvolvido pelo dialogador, concorde interiormente com uma orientação adequada ou mantenha pensamentos de simpatia, fraternidade e auxílio em favor do Espírito atendido. O que se deve evitar é a formação de uma segunda interlocução mental, na qual o médium de sustentação passe a elaborar respostas próprias, corrigir mentalmente o dialogador ou estabelecer, por sua conta, um diálogo paralelo com o comunicante. Ainda que suas intenções sejam boas e que suas ideias coincidam com aquilo que está sendo dito, essa postura pode dispersar sua atenção e interferir na sintonia necessária ao trabalho.
Além disso, a interlocução paralela pode ser aproveitada pelo Espírito comunicante para criar uma oposição entre os trabalhadores. Ao perceber a intervenção mental do médium de apoio, poderá usá-la para contestar o dialogador, fazendo parecer que suas próprias palavras não encontram concordância entre os integrantes da equipe. Poderá, então, questionar por que deveria ouvi-lo, declarar que não o reconhece como alguém capaz de atendê-lo e dirigir-se àquele que, mentalmente, interferiu no diálogo. Nessa situação, o Espírito comunicante poderá procurar estimular a vaidade do médium de apoio, valendo-se de elogios e estabelecendo com ele um diálogo mais suave, em contraste com a forma como se relacionava com o dialogador. Se houver alguma animosidade entre o médium de sustentação e o dialogador, encontrará nela outro elemento para alimentar essa divergência. Assim, aquilo que o médium de apoio fez com intenção de auxiliar pode ser aproveitado pelo comunicante para enfraquecer o dialogador e dividir a equipe, comprometendo o equilíbrio e a harmonia da reunião.
Essa compreensão permite distinguir a participação mental do médium de apoio de uma intervenção no atendimento. Enquanto o dialogador conduz a conversa e busca o esclarecimento do Espírito por meio da palavra, o médium de sustentação acompanha o atendimento sem assumir a interlocução. Sua contribuição permanece, assim, voltada à sustentação do trabalho, dentro da organização estabelecida pelo dirigente.
Para aqueles que desejam conhecer ou aprofundar seus estudos sobre os médiuns de apoio, recomendamos a leitura do capítulo IX, intitulado “Salvo pelo elemento de sustentação”, da obra Bastidores da Mediunidade, psicografada por Emanuel Cristiano, pelo Espírito Nora.
Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima.
Capítulo 8: Definições e Conceitos Importantes
Pergunta 75: O que é médium de apoio e qual sua função em uma reunião mediúnica?
Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed.
REFERÊNCIAS
SCHUBERT, Suely Caldas. Obsessão/desobsessão: Profilaxia e Terapêutica Espíritas. 2ª edição. FEB Editora, 2015. MIRANDA, Hermínio C. Diálogo com as Sombras. FEB Editora, 2018.




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