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Mediunidade com Kardec

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  • 55. Por que a mediunidade não é um privilégio dos homens de bem?

    No artigo intitulado Escolhos do Médium — edição de fevereiro de 1859 da Revista Espírita — , Kardec afirma que, à primeira vista, a mediunidade parece um dom tão precioso que não deveria ser partilhado senão por almas extremamente elevadas. Entretanto, a experiência prova o contrário, pois encontramos mediunidade potente em criaturas cuja moral deixa muito a desejar, enquanto outras, estimáveis sob todos os aspectos, não a possuem. Buscando nos elucidar quanto ao uso correto da mediunidade, o mestre lionês, com profundidade e sabedoria, trata dessa temática em diversas passagens de suas obras. Em O que é o Espiritismo , o codificador afirma que a mediunidade é um dom de Deus (como todas as outras faculdades) , que se pode empregar tanto para o bem quanto para o mal, e da qual se pode abusar. Seu fim é pôr-nos em relação direta com as almas daqueles que viveram, a fim de recebermos ensinamentos e iniciações da vida futura. Aquele que dela se utiliza para o seu adiantamento e o de seus irmãos — prossegue Allan Kardec — , desempenha uma verdadeira missão e será recompensado. O que abusa e a emprega em coisas fúteis ou para satisfazer interesses materiais, desvia-a do seu fim providencial, e, tarde ou cedo, será punido, como todo homem que faça mau uso de uma faculdade qualquer. No capítulo XXIV de O Evangelho Segundo o Espiritismo , Kardec retorna a este tópico ao destacar: “Deus outorgou faculdades ao homem e lhe dá a liberdade de usá-las, mas não deixa de punir o que delas abusa. Se só aos mais dignos fosse concedida a faculdade de se comunicar com os Espíritos, quem ousaria pretendê-la? [...] A mediunidade é conferida sem distinção, a fim de que os Espíritos possam trazer a luz a todas as camadas, a todas as classes da sociedade, ao pobre como ao rico; aos retos, para os fortificar no bem, aos viciosos para os corrigir. ” POR QUE A MEDIUNIDADE NÃO É UM PRIVILÉGIO DOS HOMENS DE BEM? Na segunda parte de O Livro dos Médiuns (cap. XX), Kardec pergunta aos Espíritos: — Sempre se disse que a mediunidade é uma graça, um dom de Deus, um favor. Por que, então, não é privilégio dos homens de bem, e por que se veem pessoas indignas que são dotadas em alto grau e que as desperdiçam? Diante dessa indagação, os Espíritos superiores respondem que todas as faculdades são favores dos quais devemos dar graças a Deus, pois há homens que delas são privados. Poderiam perguntar porque Deus dá uma boa vista a malfeitores, agilidade aos gatunos, eloquência àqueles que dela se servem para dizer coisas más. A mesma coisa com a mediunidade: pessoas indignas são dotadas, porque têm mais necessidade que as outras para se aperfeiçoarem; pensam que Deus recusa meios de salvação aos culpados? Ele os multiplica sob seus passos. Ele os coloca nas mãos, cabe a eles aproveitar. Logo, a mediunidade não depende da qualidade moral do seu portador. Ela se manifesta em diversos meios, independente de moralidade ou qualquer outro atributo. Sendo assim, a mediunidade pode eclodir de forma ostensiva em pessoas desprovidas de uma moral elevada, assim como, pode surgir sutilmente e/ou quase nulamente em pessoas com elevados valores ético-morais. Convém lembrar que o fato da mediunidade se apresentar de modo ostensivo em inúmeras pessoas, não significa necessariamente que estes indivíduos sejam almas nobres e de grande envergadura, missionários com grandes feitos a realizar. Da mesma forma, quando surge sutil, sem grandes embaraços, não significa que o seu portador não tenha um objetivo a desenvolver. MISERICÓRDIA DIVINA O autor espiritual Manoel Philomeno de Miranda, em Mediunidade: Desafios e Bênçãos , pela psicografia de Divaldo Franco, destaca que os indivíduos maus, orgulhosos e corrompidos apresentam-se, portanto, com faculdades ostensivas por misericórdia do amor, a fim de que sejam, eles mesmos, os instrumentos das advertências e orientações de que necessitam para uma existência de retidão e de equilíbrio, com alto discernimento e respeito dos objetivos da caminhada terrestre. Texto extraído do livro   Mediunidade com Kardec   de  Patrick Lima . Capítulo 6: Aspectos Morais da Mediunidade Pergunta 55: Por que a mediunidade não é um privilégio dos homens de bem? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. Revista Espírita – Jornal de estudos psicológicos – fevereiro de 1859. Tradução de Julio Abreu Filho. Edicel Editora; 4ª edição, março de 2020. KARDEC , Allan. O que é o Espiritismo. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. FEB Editora, 2016. KARDEC , Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile. 21ª edição. Editora Boa Nova, 2017. KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 9ª edição. Editora Boa Nova, 2004. FRANCO , Divaldo Pereira (psicografia). Mediunidade: Desafios e Bênçãos. Manoel Philomeno De Miranda (espírito). Editora LEAL, 2019.

  • 46. O Espiritismo é uma religião? É comum médiuns espíritas terem altares em casa?

    A palavra altar tem pelo menos três significações, a depender de sua origem. Do hebraico, lugar de matança ; do grego: lugar de sacrifício ; do latim ( altare  ou altus ), plataforma elevada . Com o passar dos tempos o altar – narrado diversas vezes na Bíblia – foi deixando de ser um lugar de sacrifício e matança para ser um local de adoração, homenagem, respeito e reverência, seja a Jesus, Maria de Nazaré ou qualquer outra divindade que a fé humana professe. Em quase todos os lares que seguem o catolicismo (religião predominante no Brasil) há um altar montado, desde os mais simples aos mais ornamentados; geralmente compostos por uma mesa, uma toalha branca, imagens de variados santos e objetos típicos da religião (como o terço, velas e a Bíblia ). Sendo este costume marcante na cultura popular brasileira, não podemos deixar de verificar que muitos adeptos do espiritismo – oriundos do catolicismo, sendo hoje ex-católicos – possuem algum tipo de altar em casa, o que não nos cabe julgar se tal prática é correta ou não. Aqui, nos limitamos a apresentar algumas observações a este respeito, deixando ao amigo leitor a liberdade de decidir como proceder em sua intimidade doméstica. O espírita – estudioso das obras de Kardec – já deve saber que a doutrina dos Espíritos não segue uma base religiosa; isto é, não possui dogmas, cerimônias, rituais, misticismos, privilégios, casta sacerdotal, nem práticas exteriores de adoração, incluindo altares e seus congêneres destinados a esse fim. O Espiritismo é uma doutrina científica e filosófica. Na acepção comum do termo, o Espiritismo não é considerado uma religião, embora possua aspectos religiosos. RELIGIÃO ESPÍRITA? Para entendermos com mais clareza esse aspecto religioso presente na doutrina espírita, analisemos com atenção o pensamento apresentado por Kardec na edição de dezembro de 1868 da Revista Espírita . Ao ser questionado se o Espiritismo era ou não uma religião, Kardec responde: “Ora, sim, sem dúvida, senhores; no sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e nós nos glorificamos por isto, porque é a doutrina que funda os laços da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre as mais sólidas bases: as próprias leis da Natureza." Dando continuidade a sua linha de raciocínio, o autor complementa: "Por que, então, temos declarado que o Espiritismo não é uma religião? Porque não há uma palavra para exprimir duas ideias diferentes, e porque, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da ideia de culto; porque ela desperta exclusivamente uma ideia de forma, que o Espiritismo não tem." E por fim, arremata o autor: "Se o Espiritismo se dissesse religião, o público não veria aí senão uma nova edição, uma variante, se quiserem, dos princípios absolutos em matéria de fé; uma casta sacerdotal com seu cortejo de hierarquias, de cerimônias e de privilégios; ele não o separaria das ideias de misticismo e dos abusos contra os quais tantas vezes a opinião pública se levantou. Não tendo o Espiritismo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual do vocábulo, não podia nem devia enfeitar-se com um título sobre cujo valor as pessoas inevitavelmente ter-se-iam equivocado. Eis por que simplesmente se diz: doutrina filosófica e moral. ” Ao ler o texto na íntegra, na qual recomendamos que isso seja feito por parte do estudante espírita, veremos que Kardec argumenta que o Espiritismo é, de fato, uma religião no sentido filosófico, pois une as pessoas em uma comunhão de sentimentos, princípios e crenças, com base nas leis da natureza, promovendo a fraternidade, a solidariedade e o desenvolvimento moral. No entanto, evita o título de religião para não ser confundido com as práticas e formas associadas a cultos tradicionais. Embora reconheça que o Espiritismo possua aspectos de uma religião – no seu sentido filosófico –, Kardec assevera que a doutrina espírita não deve ser assim denominada, no sentido tradicional do termo. Isso porque a palavra religião está associada, na opinião pública, à ideia de culto, hierarquias sacerdotais e cerimônias, práticas estas que o Espiritismo não possuí. Para Kardec, portanto, o Espiritismo não é uma religião – no sentido tradicional do termo. Em suma, com base no pensamento exímio do codificador, podemos dizer que o único ponto em que o Espiritismo poderia se assemelhar a religião é no quesito filosófico, simbolizando a conexão que liga os indivíduos numa comunhão de sentimentos. Para os espiritistas este elo (que liga os homens em um mesmo sentimento) é a caridade para com todos, isto é, o amor ao próximo (seja encarnado ou desencarnado). No entanto, o Espiritismo no cenário brasileiro, além de ser uma doutrina filosófica, moral e científica, é também visto, por influência da tradição cultural e popular, como uma religião – no sentido usual da palavra –, devido à predominância da ideia de culto presente no país. Basta perguntar a um espírita qual é a sua religião, e ele prontamente responderá: Sou espírita! ALTARES EM CENTROS ESPÍRITAS Também é costume, em alguns centros espíritas, encontrarmos altares dedicados a Jesus Cristo, Bezerra de Menezes, Chico Xavier e Kardec, ornamentados através de imagens de gesso ou resina, quadros, pinturas, banners... Em tantos outros também é comum a inclusão de imagens de Maria de Nazaré e outros seres admiráveis – como os santos da igreja católica – que deixaram seu legado pela Terra. Do ponto de vista sociológico, podemos enxergar essa ação como reflexo de uma herança religiosa, visto que muitos dos adeptos do espiritismo – na atualidade – são ex-católicos, trazendo arraigados para sua nova crença (o Espiritismo), antigos costumes e práticas; o que promove, mesmo sem intenção, um processo de sincretismo religioso (unindo a doutrina espírita com outras vertentes filosóficas e religiosas). Da mesma forma que a umbanda, o candomblé e o santo daime, a doutrina espírita, sem dúvidas, também passou por esse processo sincrético, assumindo uma característica religiosa – no sentido comum do termo – nas terras do Cruzeiro do Sul. A este respeito, já é possível encontrarmos o termo espiritismo à brasileira sendo usado – por autores e pesquisadores do tema – para diferenciar os centros, federações e demais instituições, que introduziram ideias adversas, por vezes, combatidas por Kardec, dentro do movimento espírita no Brasil, das demais organizações espiritistas que prezam pela pureza doutrinária das obras de Kardec, buscando seguir o modus operandi , ou melhor, o método científico (Controle Universal do Ensino dos Espíritos) usado e ensinado pelo codificador. ALTAR NO AMBIENTE DOMÉSTICO Desse modo, é fácil compreender o porquê da existência de tantos altares nos lares dos adeptos do espiritismo, assim como, nas próprias casas espíritas. Seja na residência doméstica ou no centro espírita, o altar – ou outros símbolos religiosos, como imagens de gesso ou resina – possui um propósito específico para o espírita: além de fazer parte da decoração do ambiente, também cumpre a função de direcionar o pensamento do devoto. Para melhor compreensão, ao visualizarmos uma imagem de uma entidade à qual somos devotos, imediatamente trazemos à mente suas lembranças, exemplos e ensinamentos deixados em favor da humanidade. Isso muitas vezes nos ajuda a voltar ao momento presente, a exercer a vigilância, a cultivar a nossa fé, dando-nos força e discernimento diante dos obstáculos da vida. Dentre as personalidades espíritas que conservaram o costume de possuir um altar em sua residência, destacamos a figura de Chico Xavier. Ainda hoje, em sua antiga residência na cidade de Uberaba (MG), atualmente transformada em um memorial (Casa de Memórias e Lembranças de Chico Xavier), é possível encontrarmos um altar dedicado a variados santos católicos, além de terços e outros objetos que fizeram parte da sua trajetória. O QUE DIZ KARDEC? É importante observarmos que, nos casos acima citados, os objetos que compõe o altar dos espiritistas não são considerados ou tidos como mágicos  ou sagrados por seus respectivos donos. Também não possuem nenhuma função espiritual, a exemplo da realização de milagres , muito menos, destinam-se à adoração ou veneração de nenhuma espécie. Não se trata, nesse contexto, de amuletos ou quaisquer outros objetos tidos como sobrenaturais. Em sua maioria, são apenas parte da decoração (não esqueçamos da simplicidade que o Espiritismo traz em sua essência) do centro ou do próprio lar doméstico, como também, um ponto de foco que pode vir a ajudar o espiritista a voltar ou direcionar seu pensamento em um momento oportuno. A respeito dos amuletos ou objetos mágicos, vejamos o que diz Kardec na questão 554 de O Livro dos Espíritos: Aquele que, com ou sem razão, confia naquilo a que chama virtude de um talismã, não pode, por essa mesma confiança, atrair um Espírito? Porque então é o pensamento que age; o talismã não é um signo que ajuda a dirigir o pensamento? Resposta dos Espíritos: Isso é verdade; mas a natureza do Espírito atraído depende da natureza da intenção e da elevação dos sentimentos. Ora, é difícil que aquele que é tão simplório para crer na virtude de um talismã não tenha um objetivo mais material do que moral. Qualquer que seja o caso, isso indica estreiteza e fraqueza de ideias, que dão azo aos Espíritos imperfeitos e zombadores. Em outras palavras, a fé em amuletos ou objetos materiais pode influenciar nossos pensamentos e, consequentemente, atrair Espíritos de diversas estirpes. No entanto, a natureza do Espírito atraído (seja bom ou mau) dependerá dos nossos próprios pensamentos e intenções. Se a pessoa tem uma visão simplista e materialista, é provável que atraia espíritos menos elevados e até zombadores. Vivemos em um país onde o sincretismo é marcante, especialmente nas religiões e doutrinas. O brasileiro é, sem dúvida, um ser religioso. Porém, o espiritista que verdadeiramente estudou e busca compreender os ensinos dos Espíritos, em especial O Livro dos Espíritos , entende que os objetos nos altares ou usados pelos devotos (como pulseiras, escapulários e pingentes) não possuem nenhum poder espiritual ou sobrenatural. Esses objetos não protegem, não se destinam a limpeza do lar ou do sujeito, nem cumprem qualquer outra função nesse sentido. CONCLUSÃO Seja pela influência de sua antiga crença ou qualquer outra necessidade, é lícito ao médium espírita manter ou cultivar um altar em sua residência! O mesmo é válido para os demais adeptos ou trabalhadores espíritas. Claro, desde que atente para o bom senso, para a lógica e a fé raciocinada, buscando compreender que, muito mais do que a beleza do altar ou os objetos que lhe ornamenta, será sempre a pureza de intenção, juntamente a vontade e a firmeza do pensamento, que fará alguma diferença na forma como a fé será professada e quais tipos de Espíritos estarão sendo atraídos por meio dessa ação. Cada um é livre para professar sua fé como bem entender, de acordo com suas necessidades e capacidade de entendimento. O Espiritismo não impõe barreiras, nem regras rígidas de conduta, porém, incentiva constantemente o estudo e a instrução, o amor ao próximo e a transformação moral, deixando a cada um a liberdade de seguir seu próprio caminho. Sabendo que tais objetos são apenas acessórios, enfeites ou símbolos – e o que realmente importa é a elevação dos pensamentos e as intenções nobres –, nada impede o espiritista de ter seu altar ou local de oração no seu ambiente doméstico. Mas antes que alguém indague se essa prática seria correta ou não, vejamos o que diz Kardec na obra O Espiritismo em sua mais simples expressão : "Aos que lhe perguntam se fazem bem em seguir tal ou tal prática, ele responde: Se credes que vossa consciência o solicita a fazê-lo, fazei-o: Deus leva sempre em conta a intenção.   Também é importante relembrar, conforme afirma Kardec na questão 554 de O Livro dos Espíritos , que a intenção, seja ela materialista ou moral, influencia o tipo de espírito atraído. Da mesma forma, a confiança na virtude de um talismã ou outros objetos materiais geralmente reflete uma mentalidade simplória e materialista, tornando a pessoa mais suscetível a espíritos imperfeitos e zombeteiros. Assim também, já referenciamos aqui por algumas vezes, as chamadas casas mistas ou universalistas , que mesclam o espiritismo com outras vertentes mediúnicas. Geralmente, as casas espíritas que costumam manter em seu interior a presença de um altar (com imagens, velas, búzios, rosas, etc.) são, mesmo que não percebam diretamente isso, pertencentes às casas mistas . Ou seja, elas estão mais para uma casa universalista (com um sincretismo acentuado) do que para um centro espírita propriamente kardecista. (sobre o uso do termo kardecista, vide questão 44 ). Por fim, ao espírita de modo particular, é sempre necessário estar atento ao seu modo de proceder, evitando misticismos ou práticas que fogem a fé raciocinada, a razão, o bom senso, a vigilância e a prudência. Quanto ao fato do sincretismo religioso dentro do movimento espírita brasileiro, há duas correntes de pensamento em destaque. Os que se consideram puristas ou kardecistas , e os que são partidários do espiritismo à brasileira. Aos primeiros ( kardecistas ), o espiritismo é uma religião apenas em seu sentido filosófico, como concluiu o codificador. Para os kardecistas , a análise racional diante dos ensinos dos Espíritos é sempre posta em prática antes de aceitar quaisquer conceitos, independentemente do nome (do espírito, médium ou autor) que assine a obra. A estes últimos ( espiritismo à brasileira ), o espiritismo tem um caráter mais sincrético ou de revelação divina (variando de centro para centro), no qual passa a ser uma religião — na acepção mais comum do termo. A estes, as orientações de Kardec ficam sempre em segundo plano, o que reforça, mesmo que inconscientemente, a implantação de dogmas ou verdades absolutas e incontestáveis (ficando o controle universal do ensino dos Espíritos, ensinado e usado por Kardec no desenvolvimento de suas obras, de lado). Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 4: O Médium e a Casa Espírita Pergunta 46: O Espiritismo é uma religião? É comum médiuns espíritas terem altares em casa? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS   KARDEC , Allan. Revista Espírita – Jornal de estudos psicológicos – junho de 1868. Tradução de Julio Abreu Filho. Edicel Editora; 4ª edição, março de 2020. KARDEC , Allan. O espiritismo na sua expressão mais simples. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 3ª edição. FEB Editora, 2019.

  • 48. Quem são os Espíritos? Qual a diferença entre alma e Espírito?

    Em O Livro dos Espíritos (questão 76), Kardec sabiamente busca esse esclarecimento ao perguntar: – Como podemos definir os Espíritos? Resposta: “Podemos dizer que os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Eles povoam o Universo, além do mundo material.” Já na questão 134 da referida obra e suas subdivisões, Kardec volta a indagar: – O que é a alma? Resposta: “Um Espírito encarnado.” – O que era a alma, antes de unir-se ao corpo? R: “Espírito.” – As almas e os Espíritos são, portanto, uma e a mesma coisa? R: “Sim, as almas não são mais que Espíritos. Antes de ligar-se ao corpo, a alma é um dos seres inteligentes que povoam o mundo invisível, e depois reveste temporariamente um invólucro carnal, para se purificar e esclarecer.” Em outro recorte da codificação, mais precisamente na obra Resumo da Lei dos Fenômenos Espíritas , Kardec nos elucida ao dizer que os Espíritos não são, como frequentemente se imagina, seres à parte na criação; são as almas daqueles que viveram sobre a Terra ou em outros mundos. As almas ou Espíritos são, pois, uma única e mesma coisa. Segundo o codificador, em O Livro dos Médiuns  (Segunda parte; cap. 1), o Espírito não é uma abstração, é um ser definido, limitado e circunscrito. O Espírito encarnado no corpo constitui a alma . Desse modo, o Espírito é a individualidade consciente, que existe antes, durante e depois da encarnação. Quando o Espírito está encarnado, ou seja, unido a um corpo físico, ele é chamado de alma. Em suma, a alma é o Espírito (princípio inteligente individualizado) que anima o corpo físico em estado de encarnação. Após a morte do corpo físico, a alma retorna à condição de Espírito. Em termos gerais, a alma é o Espírito encarnado, e o Espírito é a alma desembaraçada do corpo físico. Texto extraído do livro   Mediunidade com Kardec   de  Patrick Lima . Capítulo 5: Mentores Espirituais Pergunta 48: Quem são os Espíritos? Qual a diferença entre alma e Espírito? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB; 93ª edição. Rio de Janeiro, 2014. KARDEC , Allan. Resumo da Lei dos Fenômenos Espíritas. Tradução de Salvador Gentile. IDE Editora, 2012. KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 9ª edição. Editora Boa Nova, 2004.

  • 49. Quem são os Anjos da Guarda, Mentores ou Guias Espirituais?

    Se os Espíritos são as almas dos homens que viveram sobre a terra, ou até mesmo em outros planetas, conforme a doutrina espírita nos ensina (vide questão 48 ), os anjos são essas mesmas almas ou Espíritos chegados a um estado de perfeição que os aproxima da Divindade. (Revista Espírita, edição de março de 1866) Segundo os ensinamentos apresentados em O Livro dos Espíritos (questão 96), veremos que os Espíritos são de diferentes ordens, conforme o grau de perfeição que tenham alcançado . Desse modo, os seres que recebem o nome de anjo guardião, bom gênio, guia ou mentor espiritual, são os Espíritos que atingiram um elevado grau de evolução e pureza. Esta afirmação é confirmada através da questão 129 da obra supracitada, na qual destacamos: – Os anjos também percorreram todos os graus? Resposta dos Espíritos: “Percorreram todos. Mas, como já dissemos: uns aceitaram a sua missão sem lamentar e chegaram mais depressa; outros empregaram maior ou menor tempo para chegar à perfeição.” CLASSIFICAÇÃO EVOLUTIVA DOS ESPÍRITOS Para que o Espírito alcance esse grau de pureza e perfeição, é necessário que ele percorra uma escala evolutiva. Ainda com base na obra acima citada, Kardec dividiu o grau de adiantamento dos Espíritos em 3 ordens e 10 classes. Tal escala compreende como ponto de partida a terceira ordem , que corresponde a classe dos Espíritos Imperfeitos (10ª classe); seguidos pelos Espíritos Levianos (9ª classe); Pseudossábios (8ª classe); Neutros (7ª classe); Batedores e Perturbadores (6ª classe). Avançando para a segunda ordem , teremos a classe dos Espíritos Benévolos (5ª classe); de Ciência (4ª classe); de Sabedoria (3ª classe); Superiores (2ª classe). Finalmente, na primeira ordem , chegamos à classe dos Espíritos Puros (1ª classe). ANJO GUARDIÃO, MENTOR OU GUIA ESPIRITUAL Dando continuidade, ainda na obra em destaque, Kardec retoma o tema referente ao anjo guardião ao interpelar: Questão 490  – Que se deve entender por anjo da guarda? Resposta:  “O Espírito protetor de uma ordem elevada.” 491  – Qual a missão do Espírito protetor? R:  “A de um pai para com os filhos: conduzir o seu protegido pelo bom caminho, ajudá-lo com os seus conselhos, consolá-lo nas suas aflições, sustentar sua coragem nas provas da vida.” Em sequência, Kardec volta a indagar: 492  – O Espírito protetor é ligado ao indivíduo desde o seu nascimento? R: “Desde o nascimento até a morte, e frequentemente o segue depois da morte, na vida espírita, e mesmo através de numerosas experiências corpóreas, porque essas existências não são mais do que fases bem curtas da vida do Espírito.” 493  – A missão do Espírito protetor é voluntária ou obrigatória? R:  “O Espírito é obrigado a velar por vós porque aceitou essa tarefa, mas pode escolher os seres que lhe são simpáticos. Para uns, isso é um prazer; para outros, uma missão ou um dever.” Embora já tenha sido amplamente esclarecido, é importante reiterar que os guias e mentores não são seres criados à parte, mas Espíritos que alcançaram um elevado grau de evolução, tendo percorrido os mesmos estágios que hoje buscamos vencer. Dessa forma, por meio de suas experiências, conhecem intimamente as dificuldades enfrentadas por aqueles a quem assistem, tanto no estado de encarnados quanto na erraticidade (no plano espiritual). GUIAS ESPIRITUAIS DO MÉDIUM Em Médiuns (psicografia de João Nunes Maia ) , mais precisamente no capítulo denominado Os Guias Espirituais, encontraremos o autor espiritual Miramez tecendo as seguintes observações: “Os guias espirituais de um médium se configuram como pais na frequência do amor e da justiça, sem alterar as necessidades do filho do coração, ajudando-o a andar com os seus próprios pés." Dando continuidade, esclarece Miramez: "Há quem diga que os guias abandonam os seus tutelados. Não existe abandono nestes casos. Eles, os benfeitores espirituais, ajudam mais, porém, em outra frequência, até o medianeiro compreender o tesouro que está ao seu dispor, dependendo da sua disposição ao bem da coletividade." Por fim, arremata o benfeitor: " Os guias espirituais são afáveis, quando essa afabilidade desperta algo de bom no aprendiz. São enérgicos, quando essa energia abre os olhos do candidato à luz, no sentido de disciplinar a razão e educar os sentimentos. ” Em virtude dos fatos acima mencionados, podemos concluir que nossos guias espirituais nunca nos abandonam de fato e seguem velando por nós como verdadeiros pais e/ou professores amorosos. Acompanhando passo a passo nossa trajetória evolutiva, nossas dores e dissabores, gozos e alegrias, permitem que certos males nos acometam para a ampliação do nosso aprendizado, sempre respeitando as leis de causa e efeito. Isto é, os valores morais que o médium possui não o isenta das provas que ele deve passar, mas faculta-lhe a companhia e a simpatia dos bons Espíritos (que o ajuda e ampara nos momentos difíceis). ANJOS DA GUARDA, POR SANTO AGOSTINHO E SÃO LUÍS Para concluir o nosso raciocínio, transcrevemos abaixo uma síntese da mensagem – assinada pelos Espíritos de São Luís e Santo Agostinho – encontrada em O Livro dos Espíritos , bem como, na Revista Espírita de 1859: Há uma doutrina que deveria converter os mais incrédulos, por seu encanto e por sua doçura: a dos anjos da guarda. Pensar que tendes sempre junto a vós seres que vos são superiores; que aí estão sempre para vos aconselhar, para vos sustentar, para vos ajudar a escalar a áspera montanha do bem; que são amigos mais certos e mais dedicados do que as mais íntimas ligações que possais estabelecer na Terra, não é uma ideia consoladora? Esses seres aí estão por ordem de Deus. Foi ele que os pôs ao vosso lado. Aí se acham por amor a ele e realizam bela e penosa missão. Sim, onde quer que estejais, estarão convosco. Os calabouços, os hospitais, os lugares de deboche, a solidão, nada vos separa desses amigos que não vedes, mas cujos suaves impulsos vossa alma sente, como lhes escuta os sábios conselhos. [...] Nada penseis ocultar-lhes, pois eles têm o olhar de Deus e não podeis enganá-los. [...] Aos que pensassem ser impossível a Espíritos realmente elevados ater-se a uma tarefa tão laboriosa e de todos os instantes, diremos que influenciamos vossas almas mesmo estando a milhões de léguas de vós. Para nós, nada é o espaço, e mesmo vivendo num outro mundo, nossos Espíritos conservam suas ligações com o vosso. [...]  Cada anjo da guarda tem o seu protegido, sobre o qual vela como um pai sobre o filho. É feliz quando o vê seguir o bom caminho e sofre quando seus conselhos são desprezados. Texto extraído do livro   Mediunidade com Kardec   de  Patrick Lima . Capítulo 5: Mentores Espirituais Pergunta 49: Quem são os Anjos da Guarda, Mentores ou Guias Espirituais? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. Revista Espírita – Jornal de estudos psicológicos – março de 1866. Tradução de Julio Abreu Filho. Edicel, 2021. KARDEC , Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB; 93ª edição. Rio de Janeiro, 2014 MAIA , João Nunes (psicografia). Médiuns. Miramez (espírito). Fonte Viva, 19ª edição, 2017. KARDEC , Allan. Revista Espírita – Jornal de estudos psicológicos – fevereiro de 1859. Tradução de Julio Abreu Filho. Edicel Editora; 4ª edição, março de 2020.

  • 51. Como os guias espirituais se comunicam com aqueles que estão sob sua orientação?

    Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo. (O Espírito da Verdade, Paris, 1860 – O Evangelho Segundo o Espiritismo ) Parafraseando o instrutor espiritual Miramez, compreenderemos que a mediunidade ocorre com maior frequência dentro do nosso próprio lar, porém, de maneira inspirativa e intuitiva; nunca por meio dos processos utilizados pelo Espiritismo, a exemplo da psicofonia. ( Médiuns , pela psicografia de João Nunes Maia) De tal modo, os guias espirituais costumam nos intuir e inspirar através do livro, principalmente aqueles voltados para a nossa educação moral e sentimental. Portanto, todo candidato a médium deve buscar como companhia diária livros que tenham como base o amor, a conduta no bem, o levantamento do nosso ânimo, a prática da caridade, dentre outras virtudes. INSPIRAÇÃO E INTUIÇÃO Tais inspirações e intuições também podem ser obtidas de outras formas. Entretanto, o medianeiro, ao ler um livro edificante, torna-se mais receptivo a absorver as boas vibrações da espiritualidade superior, pois eleva o seu pensamento na medida em que reflete sobre os ensinamentos contidos em cada página. Esse é o mesmo princípio utilizado pelos benfeitores espirituais durante as palestras espíritas, sejam elas presenciais – nas casas espíritas – ou virtuais. Em Mediunidade: Desafios e Bênçãos , o benfeitor Manoel Philomeno de Miranda – pela psicografia de Divaldo Franco – disserta a respeito da boa leitura ao escrever: “As leituras portadoras de mensagens enriquecedoras de paz e de sabedoria conseguem arquivar-se na memória, substituindo as fixações doentias e mesmo conseguindo anulá-las.” AMAI-VOS E INSTRUÍ-VOS Jesus Cristo – O Espírito da Verdade – foi imensamente sábio ao recomendar-nos, além do amor, a instrução. Nenhuma outra doutrina destinou tanta energia para trazer ao mundo livros com grande teor moral, intelectual, científico e filosófico como o Espiritismo. Dessa forma, encontraremos na doutrina dos Espíritos livros que são verdadeiros alimentos para a alma. Além disso, o médium também pode procurar outras fontes literárias para sua instrução fora do acervo espírita, bebendo de diversas fontes, porém, filtrando e tirando sempre aquilo que lhe corresponde. Eis alguns dos princípios da fé raciocinada: o questionamento, a reflexão e a absorção dos bons conteúdos. Texto extraído do livro   Mediunidade com Kardec   de  Patrick Lima . Capítulo 5: Mentores Espirituais Pergunta 51: Como os guias espirituais se comunicam com aqueles que estão sob sua orientação? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile. 21ª edição. Editora Boa Nova, 2017. MAIA , João Nunes (psicografia). Médiuns. Miramez (espírito). Fonte Viva, 19ª edição, 2017. FRANCO , Divaldo Pereira (psicografia). Mediunidade: Desafios e Bênçãos. Manoel Philomeno De Miranda (espírito). Editora LEAL, 2019.

  • 53. O Espiritismo acredita no diabo e nos demônios?

    Conforme destacado em O Livro dos Espíritos , a partir da questão nº 100, os seres conhecidos como anjos são Espíritos que, após percorrerem uma vasta escala evolutiva, alcançaram a pureza e a perfeição. Dessa forma, compreendemos que há uma escala de infinitos matizes entre o átomo e o arcanjo , contemplando assim, entidades de todas as ordens, classes, categorias, sentimentos e pensamentos variados. ( vide questão 49 ) Portanto, o diabo , assim como os demônios , não são seres criados a parte, mas, as almas dos próprios homens que ainda se comprazem na maldade, na ira, em manipular o próximo, causando discórdia, guerras, etc. Ou seja, são Espíritos que ainda não atingiram a perfeição, encontrando-se nos primeiros degraus da sua senda evolutiva . Allan Kardec, na obra O Céu e o Inferno , discorre sobre esse assunto ao escrever: Há Espíritos, por conseguinte, em todos os graus de saber e de ignorância, de bondade e de maldade. Nas posições inferiores, há os que estão ainda profundamente inclinados ao mal, e nele se comprazem. Pode-se chamá-los demônios, se se quiser, pois são capazes de todas as maldades atribuídas a estes últimos. Se o Espiritismo não lhes dá esse nome, é que se vincula a ele a ideia de seres distintos da humanidade, de uma natureza essencialmente perversa, devotados ao mal por toda a eternidade e incapazes de progredir no bem. Ainda na referida obra, o filho de Lyon compara a visão da igreja com a do Espiritismo sobre os seres conhecidos como demônios : Segundo a doutrina da Igreja, os demônios foram criados bons, e tornaram-se maus por sua desobediência: são anjos caídos; foram colocados por Deus no alto da escala, e desceram. Segundo o Espiritismo, são Espíritos imperfeitos, mas que se aperfeiçoarão; ainda estão na parte inferior da escala, e subirão. Para melhor compreensão, meditemos no ensino dos Espíritos, extraídos da questão 131 de O Livro dos Espíritos : – Há demônios, no sentido que se dá a esta palavra? Resposta dos Espíritos: Se houvesse demônios, seriam obra de Deus. Mas, porventura, Deus seria justo e bom se houvera criado seres destinados eternamente ao mal e a permanecerem eternamente desgraçados? Se há demônios, eles se encontram no mundo inferior em que habitas e em outros semelhantes. São esses homens hipócritas que fazem de um Deus justo um Deus mau e vingativo, e que julgam agradá-lo por meio das abominações que praticam em seu nome. ORIGEM DO TERMO "DEMÔNIO" Para concluirmos, após a resposta dada pelos Espíritos na pergunta acima, Kardec acrescenta que a palavra demônio não implica a ideia de Espírito mau, senão na sua acepção moderna, porquanto o termo grego daímōn, donde ela derivou, significa gênio, inteligência e se aplicava aos seres incorpóreos, bons ou maus, indistintamente. Por demônios, acrescenta o codificador, segundo a acepção vulgar da palavra, se entendem seres essencialmente malfazejos. Como todas as coisas, eles teriam sido criados por Deus. Ora, Deus, que é soberanamente justo e bom, não pode ter criado seres prepostos, por sua natureza, ao mal e condenados por toda a eternidade. Se não fossem obra de Deus, existiriam, como ele, desde toda a eternidade, ou então haveria muitas potências soberanas. [...] REPRESENTAÇÃO ALEGÓRICA DO MAL Dando continuidade, Kardec destaca que o termo demônios refere-se aos Espíritos impuros, cuja condição frequentemente não é superior à das entidades comumente chamadas por esse nome. No entanto, há uma distinção importante: o estado desses Espíritos é temporário. São seres imperfeitos que se revoltam contra as provas que lhes são destinadas, prolongando assim seu sofrimento. Contudo, quando decidirem, também poderão superar essa condição. Por fim, Kardec reitera que não existem seres criados exclusivamente para o mal, tal como a ideia que temos da figura de Satanás . Segundo o codificador, o termo Satanás é, na verdade, uma representação alegórica do mal, pois não se pode conceber a existência de um ser maligno que pudesse competir com a Divindade e cujo único objetivo fosse opor-se aos seus desígnios. Texto extraído do livro   Mediunidade com Kardec   de  Patrick Lima . Capítulo 5: Mentores Espirituais Pergunta 53: O Espiritismo acredita no diabo e nos demônios? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB; 93ª edição. Rio de Janeiro, 2014. KARDEC , Allan. O Céu e o Inferno ou a justiça divina segundo o Espiritismo. Tradução de Manuel Quintão. FEB Editora, 2018.

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