Mediunidade com Kardec
72 resultados encontrados com uma busca vazia
- 58. Qual prece é indicada para afastar os maus espíritos?
Kardec nos afirma, em O Evangelho Segundo o Espiritismo , que a prece é uma invocação, mediante a qual o homem entra, pelo pensamento, em comunicação com o ser a quem se dirige . No livro Estudando a Mediunidade , o escritor e pesquisador espírita Martins Peralva destaca a existência de três tipos de prece/súplica. Prece vertical: A prece vertical é aquela que, ao expressar aspirações verdadeiramente elevadas, dirige-se ao Mais Alto, buscando o auxílio dos missionários das esferas superiores. Quando proferida com sinceridade e humildade, ela sintoniza-se com os mensageiros do amor e da fraternidade. Esse tipo de oração alcança ainda mais força quando temos consciência de que a vontade divina está acima dos nossos desejos e, apesar das vicissitudes da vida, mantemos preservadas a nossa fé e coragem, sem resquícios de rebeldia contra os desígnios de Deus. Prece horizontal: Baseia-se em anseios vulgares e encontra ressonância entre Espíritos que ainda estão presos às inquietações e problemas terrestres (diferentemente da prece vertical, projeta-se horizontalmente e não para o alto). Na prece horizontal, contamos com a colaboração de entidades amigas próximas à nossa própria evolução, que, assim como nós, se ocupam com os problemas ainda ligados à Terra e às questões cotidianas, familiares e afins. Invocação descendente: Ao realizarmos um apelo — que aqui não chamaremos de prece, mas de invocação — marcado por pedidos inadequados, como a vingança, cobiça, arrogância e outros sentimentos inferiores, sintonizamos automaticamente com seres de baixo teor vibratório que passarão a nos ajudar na realização desses anseios e pedidos. Entretanto, para esses seres, ao contrário dos emissários do bem que trabalham em nome do amor e da caridade, há um alto preço a ser pago. O pagamento dessa ajuda — que nós mesmos pedimos com apelos inferiores — é a obsessão, a vampirização e a perseguição, não apenas no plano físico (como encarnados), mas também após o desencarne, no plano espiritual. Em outras palavras, o indivíduo, seja ele médium ou não, acaba por descobrir, a duras penas, que, para realizar um trabalho de magia desse nível, não é necessário procurar qualquer local físico específico. Basta manifestar mentalmente o desejo de ferir alguém, expô-lo ao ridículo, levá-lo ao sofrimento, vingar-se, ou nutrir qualquer outra aspiração sombria. Esse simples apelo, feito por meio do pensamento, sintoniza-o de imediato com Espíritos de mesma natureza, que passam a contribuir, sem medir esforços, para a concretização do objetivo proposto. PACTOS COM OS MAUS ESPÍRITOS, SEGUNDO KARDEC A este respeito, corroborando com o nosso ponto de vista, encontraremos em O Livro dos Espíritos , questão 549, a seguinte indagação feita por Kardec: – Algo de verdade haverá nos pactos com os maus Espíritos? Resposta dos Espíritos superiores: Não, não há pactos. Há, porém, naturezas más que simpatizam com os maus Espíritos. Por exemplo: queres atormentar o teu vizinho e não sabes como hás de fazer. Chamas então por Espíritos inferiores que, como tu, só querem o mal e que, para te ajudarem, exigem que também os sirvas em seus maus desígnios. Mas, não se segue que o teu vizinho não possa livrar-se deles por meio de uma conjuração oposta e pela ação da sua vontade. Em complemento à resposta anterior, os Espíritos esclarecem que aquele que intenta praticar uma ação má, pelo simples fato de alimentar essa intenção, chama em seu auxílio maus Espíritos, aos quais fica então obrigado a servir, porque dele também precisam esses Espíritos, para o mal que queiram fazer. Nisto é que consiste o pacto. Em Instruções Práticas sobre as manifestações espíritas , Allan Kardec trata novamente sobre o tema aqui abordado ao dizer que a prece é uma invocação e, em certos casos uma evocação, pela qual chamamos este ou aquele Espírito. Quando dirigida a Deus, ele nos envia seus mensageiros, os Bons Espíritos. Em sequência, o codificador ressalta que a prece não pode alterar os desígnios da Providência; mas por ela os Bons Espíritos podem vir em nosso auxílio, seja para nos dar a força moral que nos falta, seja para nos sugerir os pensamentos necessários. Daí vem o alívio que se experimenta quando se ora com fervor. [...] Diz-nos, porém, a razão, aliás de acordo com os Espíritos, que a prece dos lábios é uma fórmula vã, quando nela não participa o coração. INTERFERÊNCIAS ESPIRITUAIS E A PREPARAÇÃO PARA O SONO Existem ainda dois momentos em que estamos — de certo modo — mais vulneráveis e nos quais a prece deve ser reforçada em nosso favor: Antes de dormir: A prece é um poderoso escudo contra as armadilhas que poderemos encontrar ao deixarmos o corpo físico (por meio do desdobramento) ao dormirmos, pois, geralmente, existem Espíritos que estão ligados a nós por elos pretéritos (de outras vidas) e que ficam à espreita para nos atacar, impondo-nos acertos de contas ou visando nos controlar, conduzindo-nos por caminhos trevosos através da hipnose e programando-nos para a realização de atos funestos ao despertarmos. A médium e escritora espírita Yvonne do Amaral Pereira, bem como o Espírito André Luiz (pela psicografia de Chico Xavier), afirmam — em suas diversas obras — que certos conflitos, desarmonias, assassinatos e outros atos deploráveis são frequentemente arquitetados e induzidos — através da hipnose — durante as nossas noites de sono. Uma maneira eficaz de nos protegermos contra essas investidas noturnas é através da prece, tanto ao adormecer quanto ao despertar. Sem essa defesa espiritual, corremos o risco de nos rendermos facilmente a essas sugestões criminosas. Além disso, a prece antes de dormir ajuda o indivíduo a elevar sua vibração e a sintonizar com os bons Espíritos. Essa sintonia possibilita, ao desdobrar-se (ou seja, deixar parcialmente o corpo carnal durante o sono físico), o trânsito por regiões mais elevadas, guiado por seus protetores espirituais. Assim, desfruta de um ambiente salutar e restaurador, que o prepara para um despertar renovado e em equilíbrio. Após acordar: O dever primordial de toda criatura humana, o primeiro ato que deve assinalar a sua volta à vida ativa de cada dia, é a prece ( O Evangelho Segundo o Espiritismo ). Quando a alma encarnada retorna ao corpo após o sono orgânico, ela pode trazer, junto ao seu perispírito, fluidos nocivos e prejudiciais. Sendo de origem inferior, dependendo dos lugares por onde o indivíduo — em desdobramento — tenha percorrido, esses fluidos, se não forem dispersados, podem influenciar negativamente nossas emoções, desarmonizando o dia que se inicia. Esse efeito em cadeia nos prepara de maneira desfavorável para a próxima noite de sono. Presos a essas energias malsãs, tornamo-nos mais suscetíveis a sermos atraídos para as regiões umbralinas que se alinham com nossa vibração desajustada, onde esse ciclo hipnótico se repete até cumprir seu propósito maléfico. A prece, portanto, é a ferramenta mais eficaz contra o acúmulo dessas energias nocivas, limpando-nos e fortalecendo-nos contra as sugestões hipnóticas da obsessão, afastando, assim, os espíritos obsessores que buscam nos dominar. A PRECE, SEGUNDO ANDRÉ LUIZ Em diversas obras espíritas e espiritualistas, encontramos relatos significativos sobre o poder da prece. O autor espiritual André Luiz — em quase todas as suas obras — descreve momentos em que testemunhou a sinceridade das preces proferidas, quando jatos de luz, de diversas cores e formas, desciam do alto como respostas automáticas e balsâmicas para aqueles que elevavam seus pensamentos ao Criador. Esses fluidos espirituais provenientes das altas esferas trazem consigo propriedades energéticas que atendem às necessidades do emissor em prece, proporcionando-lhe novo ânimo e força para enfrentar as intempéries e vicissitudes da vida. Eles oferecem alento nas horas de tristeza, promovem calma diante da dor e do desespero, entre outras benesses. Nesse sentido, é fundamental reconhecer que toda prece — humilde e sincera — que emana do nosso coração é ouvida pelos planos superiores, recebendo uma resposta imediata e amorosa. É necessário ressaltar que essa resposta não se restringe ao simples cumprimento de nossos pedidos e súplicas. Afinal, nem tudo o que rogamos a Deus é o melhor para nós. Sob os olhos da sabedoria divina, que possamos confiar nos desígnios superiores, sempre atentando para a máxima: que seja feita a Vossa vontade! IMPORTÂNCIA DA PRECE PARA OS MÉDIUNS O benfeitor Miramez, em sua obra Médiuns , psicografada por João Nunes Maia, nos adverte que todo intercâmbio espiritual — incluindo as reuniões mediúnicas — deve ter como princípio a ação da prece . Dessa forma, toda atividade de natureza espírita deve começar e terminar com a prece. Esse hábito benéfico permite que os trabalhadores encarnados elevem sua vibração e estabeleçam uma conexão mais profunda com os Espíritos superiores que guiam os trabalhos em curso. Em síntese, a prece é um remédio salutar e benéfico contra todos os males. O médium que foge ao hábito da prece sincera e edificante não oferece defesa contra as investidas inferiores que atravancam o seu caminho. Ainda assim, a prece não é garantia de isenção diante das provas que o médium — ou qualquer outra pessoa — precisa passar, mas lhe oferece um grande bálsamo para transpor essas dificuldades com mais serenidade, paciência, força, fé e coragem. Logo, a prece não é benéfica apenas para os médiuns, mas para todas as pessoas que buscam uma comunhão mais íntima com Deus. AFINAL, QUAL A MELHOR PRECE PARA AFASTAR OS MAUS ESPÍRITOS? De acordo com O Evangelho Segundo o Espiritismo , a prece tem três objetivos ou funções principais: pedir, louvar e agradecer. Ela deve ser simples, clara e direta (objetiva), sem a necessidade de ser demasiadamente longa ou adornada com palavras excessivamente elaboradas. A oração deve vir do íntimo do coração, com fé, sinceridade e humildade, evitando qualquer tipo de orgulho, soberba, arrogância, prepotência ou rebeldia. Para orarmos ou proferirmos uma prece, segundo a doutrina espírita, não há necessidade de nenhum lugar, gesto ou ritual em especial. Para isso, basta elevarmos o nosso pensamento ao Pai Criador. Orar é pensar em Deus com um puro sentimento; é conversar com Ele como fazemos com um amigo querido a quem tanto amamos e respeitamos. Todavia, a prece proferida apenas com os lábios (de forma maquinal), onde o coração não participa, não apresenta nenhum valor diante da divindade. Ao proferir uma prece, seja em pensamento ou de forma articulada, precisamos meditar em cada frase que é dita; do contrário, por mais bela que a prece — ou oração — possa ser, não passará de palavras bonitas, mas vazias, sem força, efeito ou apelo sincero. Assim, a melhor prece, independentemente do objetivo, é aquela cuja tônica segue os moldes descritos acima, ou seja: Simples, clara e objetiva (não é pela multiplicidade das palavras que sereis ouvidos); Meditando em cada palavra proferida, seja mentalmente ou em voz alta (o valor da prece reside na sinceridade e intenção de cada frase); Evitando, sempre que possível, palavras mecânicas¹ (aquelas em que o coração não participa); Sincera, humilde e com fé (confiança); Livre de soberba, arrogância, orgulho, prepotência ou rebeldia; Respeitosa e atenta à vontade divina e aos desígnios superiores; Desprovida de gestos ritualísticos. Para orar, basta elevar o pensamento a Deus, sem necessidade de nos pormos em evidência (orai em secreto). ¹ As orações popularmente conhecidas, a exemplo do Pai-Nosso (ensinada pelo próprio Cristo), Ave-Maria, Oração de São Francisco, Prece de Cáritas, entre outras, não devem ser recitadas mecanicamente. É necessário que cada frase seja devidamente meditada, com plena consciência do que está sendo dito. Para maior aprofundamento, recomendamos a leitura atenta dos capítulos XXVII (Pedi e obtereis) e XXVIII (Coletânea de preces espíritas) de O Evangelho Segundo o Espiritismo . Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 6: Aspectos Morais da Mediunidade Pergunta 58: Qual prece é indicada para afastar os maus espíritos? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile. 21ª edição. Editora Boa Nova, 2017. PERALVA , Martins. Estudando a Mediunidade. FEB Editora, 2017. KARDEC , Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB; 93ª edição. Rio de Janeiro, 2014. KARDEC , Allan. Instruções Práticas Sobre as Manifestações Espíritas. Pensamento, 1995. MAIA , João Nunes (psicografia). Médiuns. Miramez (espírito). Fonte Viva, 19ª edição, 2017.
- 41. Quais são as diretrizes para o exercício da mediunidade fora do centro espírita?
Da mesma maneira que a intimidade do lar não é o local mais adequado para o exercício da mediunidade, o ambiente de trabalho, a rua, dentre outros não destinados a essas práticas, também não devem ser considerados como tais. ( vide questão 42 ) É sempre válido ressaltar que o melhor lugar para o atendimento aos espíritos sofredores e obsessores é o templo espírita, nas reuniões mediúnicas. Sabemos, porém, que a mediunidade não é uma faculdade que pode ser ligada ou desligada girando apenas um botão ao entrar ou sair de um centro espírita. O médium é, portanto, portador do seu mediunismo 24h por dia, seja em estado de vigília ou dormindo, dentro da casa espírita ou no ambiente de trabalho, na rua ou dentro do próprio lar... Por ser inerente ao ser humano, a mediunidade acompanha o seu portador onde quer que ele se encontre. Isso não significa que o médium deve exercer seu mediunismo em quaisquer ambientes, de modo banal ou com propósitos fúteis, de maneira leviana ou imprudente, de forma irrefletida, sem cautela ou discrição... Em vista disso, aqui nos limitaremos a explanar apenas alguns acontecimentos que podem surgir na vida do medianeiro, além dos riscos e inconvenientes que essas situações possam desencadear em seu dia a dia. O MÉDIUM É SEMPRE VISADO ONDE QUER QUE SE ENCONTRE O médium é um ser visado – onde quer que esteja – tanto pelos seres encarnados como desencarnados. Dessa forma, o medianeiro frequentemente se depara com certas insistências, na qual o bom senso, a prudência e a instrução espiritista devem lhe servir como norte. Um dos casos mais comuns na vida do medianeiro são as perguntas dirigidas a ele por parte de pessoas encarnadas, que ao descobrirem a sua sensibilidade, passam a interrogá-lo sobre variados assuntos, desde os pedidos de comunicações para com os entes queridos, se ele nota a presença de algum obsessor próximo, dentre outras curiosidades vãs. À vista disso, o médium instruído nos ensinos de Kardec e das obras espíritas complementares, entende – pela lógica dos fatos, pela razão e o raciocínio próprio – que nem tudo o que ele enxerga, assim como as comunicações que lhe chega em cenários diversos, podem ou devem ser transmitidas aos demais. SITUAÇÕES COMUNS NA VIDA DO MÉDIUM Para melhor exemplificar a nossa dissertação, sem a pretensão de esgotarmos todas as ocorrências, observemos alguns eventos frequentes na vida do medianeiro: O médium chega a um determinado evento e um Espírito aproxima-se pedindo que ele transmita um recado – aparentemente simples e inofensivo – para uma pessoa ali presente. O medianeiro sensato não compartilhará essa informação, pois compreende que tal ação pode causar um mal-estar generalizado, constrangendo não apenas o encarnado – alvo da suposta comunicação –, assim como, as demais pessoas ao seu redor. Além disso, o médium também considera a possibilidade de estar lidando com um Espírito zombeteiro, que busca enganá-lo e ridicularizá-lo. Quando bem orientado, o médium educado compreende que a própria espiritualidade superior possuí meios adequados de promover o encontro entre o Espírito desencarnado e a pessoa que ele deseja se comunicar, seja por meio do desdobramento parcial através do sono fisiológico ou, até mesmo, intuindo o encarnado para comparecer a um centro espírita onde ele poderá receber essa comunicação adequadamente. Em outra situação, ao esperar o transporte público, o médium começa a sentir uma vontade quase incontrolável de escrever, melhor dizendo, psicografar. Tendo as obras de Kardec como referencial – em especial O Livro dos Médiuns –, saberá que o exercício da psicografia não ocorre dessa maneira, em qualquer lugar, em horários e locais inoportunos. A espiritualidade superior que deseja utilizar a faculdade do médium para a prática da psicografia, recomenda sempre um horário adequado, em local reservado, sempre atentando para a disciplina, a prática da prece e, principalmente, da análise criteriosa do que está sendo escrito ou explanado. (vide questão 43) Os espíritos superiores têm sempre muito trabalho e deveres a realizar e não estão disponíveis a qualquer hora ou ao nosso simples chamado. Apenas os espíritos descompromissados, ainda em estado inferiorizado, atendem a qualquer momento ou se dispõem a perturbar o dia a dia do medianeiro, acordando-o, às vezes, no meio da noite para que ele escreva ou abordando-o no meio da rua ou outros cenários impróprios. O médium que deseja desenvolver a psicografia sabe que para isto existe dia, hora e local adequados, nunca na rua, no trabalho ou despertando de súbito no meio da madrugada. A caminho do trabalho, o medianeiro encontra um Espírito que deseja se comunicar, seja para uma conversação ordinária ou um pedido de ajuda. O médium versado na literatura e na prática espírita sabe bem que a linguagem utilizada pelos Espíritos é – comumente – a do pensamento, sem necessidade da linguagem articulada para que ambos se entendam. Logo, quando preciso, o médium conversa por meio do pensamento. De modo contrário, pode ser visto como uma pessoa insana, desequilibrada, que conversa sozinha . Portanto, o médium bem instruído sabe que apesar de possuir a habilidade de se relacionar com o plano espiritual, não deve utilizar sua faculdade ordinariamente; sabe ainda que as comunicações em ambientes inapropriados podem abrir precedentes para um processo obsessivo, dificultando o afastamento dessas entidades a posteriori, pois, uma afinidade mais ampla pode ser estabelecida entre o médium e o Espírito que insiste em ser notado. Durante a realização do evangelho no lar, de forma recorrente, com a família reunida, um Espírito se torna perceptível a visão de um parente ali presente, portador de vidência. Esse mesmo Espírito mostra-se como um guia familiar (um ente querido já desencarnado e amado por muitos), buscando trazer instruções, colaborar com a harmonia da casa, etc. O médium educado e seguro diante das suas faculdades, compreende bem a diferença entre evangelho no lar e reunião mediúnica (vide questão 79). Entende ainda que, salvo raríssimas exceções (uma ou duas vezes durante toda uma existência, a depender de uma série de fatores), pode ser válido a manifestação, mesmo no ambiente do lar, de um Espírito amigo que visa beneficiar a família com alguma instrução. Entretanto, na maioria dos casos, quando um Espírito busca interferir demasiadamente no estudo do evangelho durante o culto do lar, tentando comunicar-se de forma insistente ou exclusiva, a probabilidade dessa entidade ser de ordem inferior, mistificadora ou vingativa, é bastante grande. Cenas como essa – de Espíritos que se passam por outros – são cabíveis de ocorrer até mesmo no interior da própria casa espírita, entre as quatro paredes de uma reunião mediúnica, diante da presença de todo o grupo (que por vezes se deixa levar por nomes elevados e ilustres), quanto mais no recolhimento do lar, com o médium isolado ou afastado de seus companheiros de ideal. Por essas e outras não cansamos de repetir que o discernimento é imprescindível diante do intercâmbio com o mundo espiritual. O médium espírita – educado e instruído – é discreto, isto é, não faz alarde diante das comunicações ou visões que lhe acomete, muito menos apresenta comportamentos extravagantes, mostrando-se arrepiado, com calafrios, com tonturas, dentre outros desequilíbrios. Se tais fatos ocorrem em seu dia a dia e se isso é realmente derivado de alguma influência externa e/ou espiritual, o médium não chama atenção, permanecendo comedido em suas ações. Além disso, compreende que não deve repassar determinados recados espirituais adiante ou psicografar no meio da rua, muito menos permitir a psicofonia (incorporação) fora da reunião mediúnica, etc. É preciso educação mediúnica; ponderação diante da diversidade de eventos que lhe reclama a percepção psíquica; bom senso, equilíbrio e discernimento para analisar cada quadro que se apresente convidando-o ao uso correto da mediunidade. O QUE FAZER? Como o médium pode proceder ao identificar a presença de um espírito enganador ou vingativo insistindo em atrapalhar o seu psiquismo? Como assevera a médium Yvonne do Amaral Pereira em Devassando o invisível : "A prece será sempre a melhor defesa contra essa espécie de habitantes do mundo invisível. Se a prece for feita com a necessária confiança, levando o médium a se harmonizar com as vibrações superiores do Além, geralmente tais entidades se afastam com rapidez, apavoradas e contrafeitas." Portanto, a prece sincera será sempre a ferramenta mais eficaz diante das investidas da espiritualidade inferior. Por outro lado, há ainda a manifestação – em ambientes aleatórios – de entidades sofredoras, que não apresentam maldade ou malícia em suas intenções, mas sim, a esperança de serem ajudadas e socorridas, amenizando suas angústias, dores e aflições. Então, o que fazer? Também nesse caso, a prece será a companheira ideal, o meio de ajuda para com os companheiros necessitados. Como um bom cristão, recolhido no remanso dos seus pensamentos, ao se deparar com tais situações, o medianeiro pode realizar uma rogativa solicitando o auxílio da espiritualidade superior em prol da entidade ali presente. No silêncio da sua prece, também pode (e deve) pedir o auxílio do seu anjo guardião para que lhe ajude e ampare nesse momento, solicitando ainda que as equipes espirituais resgatem a entidade que esteja necessitada de ajuda. Outra opção similar a essa, de modo direto, tendo a prece sincera como o sustentáculo da sua ação, o próprio médium pode encaminhá-la ao centro espírita no qual faz parte (ou qualquer outro que conheça), usando apenas o seu pensamento e a sua força de vontade. Para isto, em meio à prece, solicitando a ajuda dos bons Espíritos, basta imaginar que a entidade ali presente está sendo levada pela equipe espiritual até o local desejado, envolta em fluidos reconfortantes, de paz, harmonia e tranquilidade... Por fim, ao término de ambas as atividades, o médium não deve esquecer de agradecer aos amigos espirituais pela ajuda naquele momento. Em seguida, deve prosseguir normalmente o seu caminho e as suas ações rotineiras, compreendendo que esse é apenas um ponto a parte no seu dia, evitando fixar o seu pensamento no que ocorreu ou outros desregramentos emocionais. Uma coisa é ser médium 24h por dia (como destacamos anteriormente), outra coisa é pensar em mediunidade a todo instante, como um pensamento fixo (monoideia). Importante esclarecer que as duas técnicas acima citadas não ocorrem via psicofonia (incorporação). Ressaltamos que é apenas o pensamento do médium, a sua prece sincera e a sua força de vontade que são utilizados nesse encaminhamento . Dizemos isto, pois dentro das reuniões mediúnicas realizadas nas casas espíritas (local preparado para o amparo aos Espíritos sofredores e obsessores), as entidades em atendimento – via psicofonia – são revestidas pelos fluidos animalizados do médium encarnado (recebendo o choque anímico), melhorando consideravelmente o seu estado vibratório (o que lhe permite ser melhor atendida, logo após, pela equipe espiritual). Dito isto, ressaltamos que o exercício da psicofonia é amplamente desaconselhado fora das reuniões mediúnicas ocorridas nas casas espíritas. Portanto, é importante que o leitor amigo não confunda essas duas técnicas, isto é, o encaminhamento via pensamento (que pode ser utilizado em qualquer ambiente, sempre de forma amorosa e equilibrada) e o encaminhamento via choque anímico (através da incorporação /psicofonia em uma reunião mediúnica). Todos esses processos devem ser feitos com muito amor e compaixão, nunca com a pretensão de enxotar os Espíritos – obsessores, sofredores ou quaisquer outros –, querendo se ver livre deles ou qualquer outro motivo que não seja apenas a pretensão de ajudar e socorrer. Mediunidade é amor, é equilíbrio, é estudo, é educação e disciplina, é harmonia, é caridade, é ajuda, é resgate e auxílio, é amparo, é eterno aprendizado, é a extensão da misericórdia divina agindo em prol de toda a humanidade, onde semelhante ajuda semelhante... Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 4: O Médium e a Casa Espírita Pergunta 41: Quais são as diretrizes para o exercício da mediunidade fora do centro espírita? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 9ª edição. Editora Boa Nova, 2004. PEREIRA , Yvonne do Amaral. Devassando o invisível. 15ª edição. FEB Editora, 2018.
- 52. Livros que não podem faltar na biblioteca de um médium espírita?
Amai-vos e instruí-vos , assim nos disse o Espírito da Verdade em O Evangelho Segundo o Espiritismo . Para além do amor, Jesus – o Espírito da Verdade – nos incitou à busca pela instrução. Não é por coincidência que, ano após ano, somos agraciados com a publicação de diversas obras espíritas, sejam elas psicografadas ou fruto de pesquisas de autores sérios e respeitáveis. Até o presente momento, nenhuma outra doutrina ou filosofia dedicou tanta energia à difusão de livros como o Espiritismo. Como em todas as áreas do conhecimento, não tenhamos dúvidas que, apesar de existir uma infinidade de livros espíritas do mais alto teor moral e educativo, também encontraremos obras inaceitáveis, sem quaisquer fundamentos. LIVROS INDICADOS POR KARDEC Em Catálogo Racional das Obras para se Fundar uma Biblioteca Espírita (1869), Allan Kardec destaca uma série de livros que são essenciais para quem pretende iniciar seus estudos acerca do Espiritismo. No capítulo primeiro, intitulado Obras Fundamentais da Doutrina Espírita, o codificador assevera que os livros básicos da doutrina são: O Livro dos Espíritos O Livro dos Médiuns O Evangelho Segundo o Espiritismo O Céu e o Inferno A Gênese O Que é o Espiritismo O Espiritismo na Sua Expressão Mais Simples Resumo da Lei dos Fenômenos Espíritas Caráter da Revelação Espírita Viagem Espírita em 1862 Coleção Revista Espírita¹ Assim como uma construção precisa de pilares sólidos para ser estável, os espiritistas devem começar seus estudos pelos fundamentos principais da doutrina, isto é, as obras de Allan Kardec. Baseando-se nos ensinamentos de Kardec, o leitor atento estará mais seguro e previdente diante do intercâmbio espiritual, bem como, mais apto para distinguir e separar o joio do trigo, o real do fantasioso, a essência da aparência (vide questão 02: Por que devemos iniciar nossos estudos de educação mediúnica através das obras de Kardec? ) OBRAS COMPLEMENTARES DA DOUTRINA ESPÍRITA No capítulo segundo da obra acima citada – denominado Obras Diversas sobre o espiritismo (Ou Complementares da Doutrina) –, Kardec sugere alguns autores e livros secundários que podem auxiliar no aprofundamento do conhecimento espírita. Em síntese, destacamos abaixo alguns deles, tais como: Síntese da Doutrina Espírita por Florent Loth Deus na Natureza por C. Flammarin Revelações de Além Túmulos por Henri Dozon Estudo e Sessões Espíritas pelo doutor Houat História de Joana D´Arc ditada por ela mesma à senhorita Ermance Dufaux Cartas Sobre o Espiritismo pela Sra. J. – B Manifestações dos Espíritos por Paul Auguez Dos Espíritos e de Suas Manifestações Fluídicas por Mirville Pluralidade dos Mundos Habitados por C. Flammarion A Realidade dos Espíritos pelo barão de Guldenstubré O Espiritismo na Bíblia por H. Stecki As Mesas Girantes por Agénor Gasparin Para além dos nomes já mencionados, pensadores como Léon Denis (cujo primeiro livro só fora publicado em 1885), Gabriel Delanne e Ernest Bozzano também desempenharam papéis cruciais na construção do conhecimento espírita. Ao lado de Allan Kardec, esses autores e suas respectivas obras – tidas como clássicas – são de imensa valia para o conhecimento espírita. Complementando nossa lista, personalidades como Charles Richet, Sir William Crookes, Arthur Conan Doyle e Victor Hugo, de diferentes áreas do conhecimento, emprestaram seu prestígio e talento para lançar luz sobre o Espiritismo, contribuindo significativamente para a divulgação e compreensão da doutrina. AUTORES E OBRAS BRASILEIRAS Após a leitura e estudo das obras fundamentais de Kardec, seguido das obras secundárias da doutrina espírita acima descritas, chegamos às obras e autores brasileiros. Na lista nacional, nomes como Chico Xavier, Divaldo Franco, Dr. Bezerra de Menezes, Hermínio C. Miranda, João Nunes Maia, Raul Teixeira, Yvonne do Amaral Pereira, Zilda Gama, dentre outros, tiveram papel significativo diante da expansão do espiritismo em solo brasileiro. OBRAS CONTRA O ESPIRITISMO Finalizando o capítulo terceiro do catálogo proposto por Kardec, encontraremos um tópico voltado para as obras contrárias ao espiritismo. Sem aflição ou receio, o próprio codificador recomenda uma gama de obras que vão de encontro aos ensinos dos Espíritos superiores, asseverando que proibir um livro é dar mostras de que o tememos. O Espiritismo, longe de temer a divulgação dos escritos publicados contra ele e interditar sua leitura aos adeptos, chama a atenção destes e do público para tais obras, a fim de que possam julgar por comparação. Desse modo, é justo relembrarmos o que asseverou o apóstolo Paulo aos Tessalonicenses, em sua primeira epístola: Examinai tudo: abraçai o que é bom. (I Tessalonicenses 5:21) Este ensinamento é válido para todas as obras doutrinárias, independentemente do médium que as recebeu, do espírito que as assinou, da fama do palestrante ou da instituição que as divulgou. Sendo assim, recomendamos aos adeptos da doutrina espírita que sempre baseiem seus estudos nas obras de Allan Kardec. Somente através do estudo disciplinado das obras de Kardec, aliado ao exame rigoroso da razão e do bom senso, poderemos identificar o que é verdadeiramente oriundo dos Espíritos superiores e o que é fruto da contribuição anímica (opinião pessoal) do médium ou autor. A vista disso, toda mensagem ou ensinamento espírita deve ser submetido a uma análise racional, lógica e rigorosa. Em suma, esse é um dos princípios ensinados e usado por Kardec no decorrer da codificação, conhecido como Controle Universal do Ensino dos Espíritos. ( vide questão 44 ) OBRAS DE KARDEC: POR ONDE COMEÇAR? Encontraremos essa resposta em O Livro dos Médiuns , capítulo III. O codificador recomenda que, para obter uma compreensão preliminar através de suas obras, elas devem ser lidas na seguinte ordem: 1 - O que é o Espiritismo? 2 - O Livro dos Espíritos 3 - O Livro dos Médiuns 4.º. A Revue Spirite (Revista Espírita) Allan Kardec, na supracitada obra, ressalta que para se obter um entendimento abrangente sobre qualquer ciência, é essencial ler todo o material disponível sobre o tema, ou pelo menos os principais textos. Isso envolve não apenas a análise das obras de um único autor, mas também a consideração das críticas e defesas, e o estudo dos diversos sistemas, para que se possa fazer uma comparação e formar um julgamento bem fundamentado. ¹ Kardec catalogou e revisou as edições da Revista Espírita que vão de janeiro de 1858 a abril de 1869 (em um total de 12 volumes). As publicações posteriores não são de sua autoria ou responsabilidade. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 5: Mentores Espirituais Pergunta 52: Livros que não podem faltar na biblioteca de um médium espírita? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile. 21ª edição. Editora Boa Nova, 2017. KARDEC , Allan. Catálogo Racional das Obras para se Fundar uma Biblioteca Espírita. Tradução de Julia Vidili. São Paulo: Madras, 2014. BÍBLIA DE JERUSALÉM . I Tessalonicenses 5:21. 14ª impressão. Editora PAULUS, 2017. MAIA , João Nunes (psicografia). Médiuns. Miramez (espírito). Fonte Viva, 19ª edição, 2017. KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 9ª edição. Editora Boa Nova, 2004.
- 43. Psicografia em casa: o que devo saber antes de iniciar esta prática?
A mediunidade é manifestada por diferentes tipos e especificidades, a exemplo da vidência, audiência, psicometria, psicofonia, psicografia, efeitos físicos, dentre outras. Geralmente, os médiuns apresentam — concomitantemente — uma ou duas faculdades medianímicas de forma mais acentuada em suas vidas. Alguns são médiuns psicofônicos e de vidência; outros de audiência e psicografia; há médiuns de materializações (raros) e de cura... O que na prática não significa que, mesmo que uma pessoa seja dotada de uma mediunidade ostensiva, pode ser que ela não seja médium de psicografia. A esse respeito, em O Livro dos Médiuns , destaca Allan Kardec: "Desde que se faça ao Espírito uma pergunta de ordem geral, ele responde de modo geral. Ora, como se sabe, nada é mais elástico do que a faculdade mediúnica, pois que pode apresentar-se sob as mais variadas formas e em graus muito diferentes. Pode, portanto, uma pessoa ser médium, sem dar por isso, e num sentido diverso daquele que imagina. A esta pergunta vaga: Sou médium? O Espírito pode responder — Sim . A esta outra mais precisa: Sou médium escrevente? Pode responder — Não. " SOU MÉDIUM ESCREVENTE? Há pessoas que, ao perceberem um simples movimento involuntário no braço — podendo ser um mero espasmo muscular, sem nenhuma relação espiritual — , já cogitam a possibilidade de serem médiuns psicógrafos e passam a relatar que se sentem chamadas para o desenvolvimento da psicografia. Nesse caso, a grande maioria acaba se decepcionando, criando expectativas frustradas e abrindo vias cada vez mais largas que podem, a seu turno, resultar em um processo obsessivo de difícil desvinculação. Outros são os que, por ainda não saberem diferenciar os pensamentos que lhes são próprios (anímico) dos pensamentos dos Espíritos (mediúnico), julgam escrever sob a influência de uma entidade desencarnada, quando na verdade os textos são de suas próprias autorias. PERGUNTAS PERTINENTES Sendo assim, antes de buscarmos o desenvolvimento psicográfico na intimidade do lar, devemos indagar quais os motivos que nos levam a esse desejo. Será realmente um chamado espiritual? Essa inclinação quase irresistível para escrever é realmente abnegada ou no fundo há um desejo oculto de reconhecimento e/ou fama? Eu possuo conhecimento espírita suficiente para lidar com o exercício da psicografia de forma isolada? Nomes e personalidades espirituais ilustres despertam em mim algum tipo de vaidade? Eu consigo reconhecer, seja através da sensação energética que o Espírito emana ou por meio dos seus escritos a sua classificação evolutiva? Sou apto a distinguir com clareza o meu próprio pensamento daquele que é mediúnico, originário de uma comunicação espiritual? Se houve dúvida ou hesitação na resposta de alguma dessas perguntas, convidamos o leitor a prosseguir com a leitura abaixo, buscando conhecer as advertências e orientações expostas por Allan Kardec, Divaldo Franco e Yvonne do Amaral Pereira. O QUE DIZ KARDEC? De fato, Kardec, em sua obra supracitada, não impôs nenhuma restrição direta sobre a prática da psicografia no ambiente doméstico, na intimidade do lar. Contudo, não deixou de enfatizar uma série de diretrizes para que esta prática seja conduzida de maneira séria, sensata e com objetivos nobres. O filho de Lyon nos aconselha a cultivarmos o hábito da prece sincera, evitando a impaciência, os propósitos egoístas, frívolos e triviais... Kardec também nos adverte sobre os tipos de perguntas que podem — ou não — ser dirigidas aos Espíritos, além da importância da calma e do recolhimento adequados para alcançar o intuito desejado. Prosseguindo, o autor nos esclarece que, quando um grupo de médiuns se reúne com o abnegado objetivo de exercitar e desenvolver a psicografia, em um ambiente de absoluto silêncio e recolhimento religioso, facilmente será possível observar que entre os presentes, alguns passam a demonstrar tamanha habilidade que, em pouco tempo, já escrevem com fluidez e maestria. O mestre lionês, no entanto, ressalta que as primeiras comunicações recebidas pelos médiuns psicógrafos — em desenvolvimento — devem ser consideradas como meros exercícios, pois os Espíritos destinados a esse fim são, em sua maioria, de ordem secundária (levianos, zombeteiros, vingativos, mistificadores, etc.). A espiritualidade superior permite que situações como essa ocorram, mesmo com médiuns que apresentam propósitos nobilitantes (nobres), para que eles possam se desenvolver, aprendendo a discernir, analisando as diversas mensagens escritas por seus intermédios, diferenciando uma comunicação elevada de outra mistificadora, dentre outras experiências educativas. Para maior aprofundamento acerca desses conceitos, recomendamos a leitura de O Livro dos Médiuns , de Allan Kardec, em especial, o capítulo XVII – Da formação dos médiuns. PSICOGRAFIA NO AMBIENTE DOMÉSTICO Apesar do codificador asseverar que a prática da psicografia é a mais simples e cômoda de desenvolver através do exercício, trazendo resultados mais satisfatórios e completos (LM, itens 178 e 200), ele não deixou de nos alertar sobre a influência negativa que quase todos os médiuns iniciantes sofrem, o que pode abrir precedentes para um processo obsessivo — de difícil separação — a posteriori. Observando com atenção, o leitor notará que Kardec, entre as orientações sugeridas, recomenda — como uma das opções, especialmente em sua fase inicial — a prática e o exercício da psicografia em grupo. Ora, mas em qual local esse grupo, na atualidade, poderia se reunir de forma acessível e sensata para essa finalidade? Creio que a resposta mais coerente seja: a casa espírita! Onde, por exemplo, um médium em desenvolvimento poderia ser melhor aconselhado e orientado quanto aos seus escritos psicográficos do que no centro em que participa, ao lado de seus companheiros de ideal? Dessa maneira, recomendamos aos médiuns — principalmente aos iniciantes — que exercitem suas faculdades, aqui inclusas a psicografia, preferencialmente nas casas espíritas... O centro espírita é, sem dúvidas, o espaço ideal para o medianeiro exercitar seus dons mediúnicos, bem como, o ambiente propício para as reuniões de desobsessão, o que faculta — aos médiuns ali vinculados — o afastamento das entidades acima descritas, isto é, os Espíritos inferiores que insistem em assediar e enganar o médium em sua fase de desenvolvimento psicográfico. POR QUE ALGUNS MÉDIUNS PODEM PSICOGRAFAR EM CASA, ENQUANTO OUTROS NÃO? A abnegada médium e escritora espírita Yvonne do Amaral Pereira, em À Luz do Consolador , destaca que alguns médiuns, de fato, têm obtido resultados satisfatórios no tocante à psicografia no ambiente doméstico. Estes, por sua vez, exceções ao nosso estudo, são médiuns experientes, conhecedores da doutrina espírita e dos fenômenos mediúnicos, o que lhes permite reconhecer a genuína assistência espiritual por parte dos seus guias e mentores. De forma assertiva, Yvonne ressalta que a inexperiência muitas vezes leva o principiante a se lançar de maneira imprudente às experiências mediúnicas isoladas, o que pode conduzi-lo a graves consequências, como a obsessão. Dando continuidade, a autora destaca que o adepto prudente não se atirará a experiências isoladas, pois sabe que estará desafiando forças da Criação ainda mal conhecidas. Como seguidora fiel aos ensinos de Kardec, Yvonne do Amaral reitera o que o codificador expressou em sua obra acima citada, ao afirmar que médiuns já bastante experientes, com tarefas definidas, psicografam em suas residências, desacompanhados, só assistidos por seus guias espirituais. Mas o iniciante devera deter-se, preparando-se antes ao lado dos companheiros de ideal, para as lutas do difícil, mas glorioso intercâmbio entre o Mundo dos Espíritos e a Terra." DIRETRIZES DE SEGURANÇA O médium e orador espírita Divaldo P. Franco, acerca desse assunto, em Diretrizes de Segurança (questão 47) , destaca que toda reunião mediúnica realizada de forma isolada, em ambientes domésticos ou outros fora do cenário espírita são, certamente, desaconselháveis, devido aos danos que podem surgir desse intercâmbio. Isto é, as mistificações , distonias e aberturas psíquicas com Espíritos desprovidos de propósitos elevados. Em suas palavras, a realização de reuniões mediúnicas em ambientes impróprios é análoga a condução de uma cirurgia em local que não oferece os requisitos necessários para tal, como a assepsia, a equipe especializada, o maquinário cirúrgico, etc. O que podemos deduzir que, nessas circunstâncias desfavoráveis e insalubre, mesmo munidos de boa vontade, os êxitos são bastante raros. Dando continuidade, Divaldo acrescenta que o ambiente no qual as sessões mediúnicas ocorrem vai sendo marcado pelos Espíritos sofredores. Estes, por conta própria, passam a informar aos demais companheiros de aflição sobre o amparo recebido naquele recinto, o que leva a muitos outros Espíritos necessitados a buscarem cada vez mais o refúgio anunciado. Porém, quando esse espaço é o nosso próprio lar, ele acaba por se tornar um verdadeiro pandemônio, onde o caos, a confusão, a balbúrdia e a desordem têm predomínio, justamente por não ser um ambiente preparado para tal mister, isto é, que não oferece quaisquer defesas ou resistências mais significativas contra as investidas de natureza inferior. Concluindo seu ponto de vista, arremata o expositor baiano: " Indagar-se-á: e antes de haver os Centros Espíritas? Enquanto ignoramos, temos uma responsabilidade menor. Mesmo quando não se entendia de assepsia, faziam-se operações, mas o número de óbitos era muito maior. Já que temos o Centro, por que desrespeitá-lo, fazendo sessões mediúnicas noutro lugar, se ele é o determinado para tal? Se o problema é ir-se a um lugar, por que não ao ideal?" (questão 48) Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 4: O Médium e a Casa Espírita Pergunta 43: Psicografia em casa: o que devo saber antes de iniciar esta prática? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 9ª edição. Editora Boa Nova, 2004. PEREIRA , Yvonne do Amaral. À luz do Consolador. FEB Editora, 2014. FRANCO , Divaldo Pereira; TEIXEIRA , Raul. Diretrizes de Segurança - Mediunidade. InterVidas, 2012.
- 57. Como a oração e a vigilância auxiliam no desenvolvimento do médium?
A mediunidade é um dom, uma faculdade que nos é concedida por um acréscimo da misericórdia divina em prol do nosso progresso/evolução espiritual, moral e intelectual. Por ser de caráter neutro, a mediunidade pode ser usada tanto para fins elevados quanto os menos dignos, sendo cada um responsável pelo bom ou mau uso que dela vier a fazer (ou deixar de fazer; afinal, nada nos é dado sem proveito). Dessa forma, o médium que já conseguiu retirar os primeiros véus da ignorância e sente em seu íntimo os compromissos assumidos antes de reencarnar, desejoso de servir abnegadamente na seara de Jesus, deve buscar — de modo primordial — a sua reforma íntima; isto é: uma mudança comportamental que abrange o seu modo de pensar, de agir e de falar... SENSIBILIDADE MEDIÚNICA Sendo o médium um intermediário entre os dois planos, o físico e o espiritual, frequentemente ele é capaz de sentir, perceber e captar as diversas energias em que se encontra envolto. Do ponto de vista evolutivo, a Terra é considerada um planeta de provas e expiações, encontrando-se apenas um degrau acima dos mundos primitivos (destinados às primeiras encarnações do Espírito). Por ainda ser um mundo inferior, em transição para o mundo de regeneração, a Terra encontra-se próxima das zonas umbralinas. Popularmente conhecida como umbral , essas regiões abrigam uma multidão de Espíritos que se aglutinam por afinidade, criando e plasmando telas perturbadoras, de acordo com os débitos contraídos em suas existências pretéritas. Desse modo, nosso planeta está naturalmente imerso em energias negativas e densas, oriundas dos próprios atos e pensamentos de seus habitantes. O homem encarnado, portanto, convive diariamente, apenas em dimensões distintas, com esses seres umbralinos. Devido ao apego às questões materiais, como vícios, luxúria e outras inclinações, esses Espíritos, habitantes das zonas purgatoriais , encontram-se ligados ao orbe terrestre e, consequentemente, aos encarnados que compartilham desses mesmos gostos e pensamentos. Assim, não será difícil compreender a influência direta e indireta que esses Espíritos — e as energias que circulam em nosso planeta — exercem sobre nós. Vale destacar que tanto o homem encarnado quanto aquele que já se despojou da veste carnal desempenham um papel essencial na manutenção energética do planeta onde estagiam. Cada pensamento, palavra ou ação que emanam interfere diretamente na psicosfera terrestre, influenciando-a de forma positiva ou negativa. IMPORTÂNCIA DA VIGILÂNCIA E ORAÇÃO Na obra Nos Domínios da Mediunidade , o autor espiritual André Luiz, pela psicografia de Chico Xavier, destaca a explanação do instrutor Áulus sobre a importância do orar e vigiar, na qual transcrevemos abaixo: “[...] a mediunidade é um dom inerente a todos os seres, como a faculdade de respirar, e cada criatura assimila as forças superiores ou inferiores com as quais sintoniza. Por isso mesmo, o Divino Mestre recomendou-nos oração e vigilância para não cairmos nas sugestões do mal, porque a tentação é o fio de forças vivas a irradiar-se de nós, captando os elementos que lhe são semelhantes e tecendo, assim, ao redor de nossa alma, espessa rede de impulsos, por vezes irresistíveis. ” ( vide questão 56 ) Já em Os Mensageiros (André Luiz/Chico Xavier), o autor espiritual registra a elucidação do benfeitor Aniceto a respeito da relevância da prece: “[...] o trabalho da prece é mais importante do que se pode imaginar no círculo dos encarnados. Não há prece sem resposta. E a oração, filha do amor, não é apenas súplica. É comunhão entre o Criador e a criatura, constituindo, assim, o mais poderoso influxo magnético que conhecemos.” O QUE DIZ KARDEC? A respeito da prece, em O Livro dos Espíritos (questão 660), Kardec indaga: – A prece torna melhor o homem? " Sim, porquanto aquele que ora com fervor e confiança se faz mais forte contra as tentações do mal e Deus lhe envia bons Espíritos para assisti-lo. É este um socorro que jamais se lhe recusa, quando pedido com sinceridade." Em O Evangelho Segundo o Espiritismo , capítulo 27, Allan Kardec destaca: "Pela prece, o homem atrai o concurso dos Bons Espíritos, que o vêm sustentar nas suas boas resoluções e inspirar-lhe bons pensamentos. Ele adquire assim a força moral necessária para vencer as dificuldades e voltar ao caminho reto, quando dele se afastou; e assim também podem desviar de si os males que atrairia pelas suas próprias faltas." Resumidamente, podemos compreender que o médium invigilante é facilmente manipulado pelos Espíritos inferiores e influenciado, sem grande esforço ou resistência, pelas energias malsãs ao seu redor. A ORAÇÃO ELEVA A VIBRAÇÃO A oração, nesse e em tantos outros contextos, é uma poderosa aliada contra todas as forças do mal, especialmente aquelas oriundas da própria inferioridade moral do médium. Este, por sua vez, por meio da prece sincera, eleva sua vibração e passa a sintonizar com os bons Espíritos, emissários divinos que jamais deixam uma rogativa sem resposta imediata. Através da oração, o médium se reveste de energias benfazejas, capazes de anular e dispersar os fluidos negativos que o influenciavam. Essa prática lhe confere novas forças, ânimo e clareza para resistir a impulsos prejudiciais e a suas más tendências. Em suma, a vigilância, a oração e o hábito dos bons pensamentos são valiosíssimos recursos contra todas as investidas inferiores. Devemos considerar também o trabalho na caridade — em favor do próximo — como uma ferramenta essencial nessa luta contra as mentes menos esclarecidas que tentam dificultar nosso caminho. A vigilância em relação aos nossos pensamentos é fundamental, pois somos as primeiras vítimas de todo pensamento maledicente, bem como de todo mal que endereçamos ao próximo. Sempre que desejamos o mal a outrem, estamos, primeiramente, ferindo a nós mesmos. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 6: Aspectos Morais da Mediunidade Pergunta 48: Como a oração e a vigilância auxiliam no desenvolvimento do médium? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS XAVIER , Francisco Cândido. Nos Domínios da Mediunidade. André Luiz (espírito). FEB Editora, 2018. XAVIER , Francisco Cândido. Os Mensageiros. André Luiz (espírito). FEB Editora, 2019. KARDEC , Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB; 93ª edição. Rio de Janeiro, 2014. KARDEC , Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile. 21ª edição. Editora Boa Nova, 2017.
- 42. Posso realizar sessões mediúnicas na minha própria casa?
Conforme destaca o benfeitor Miramez – através do livro Médiuns , psicografado por João Nunes Maia –, é mais simples enviar o homem ao espaço do que realizar uma comunicação segura entre os planos corpóreo e espiritual. Dito isto, entendemos o quão complexa é a comunicação entre os Espíritos e os homens, sendo necessária uma equipe numerosa de trabalhadores desencarnados para o bom êxito desse processo – comumente conhecido como psicofonia ou incorporação . É sempre bom ressaltar que o melhor local para o estudo e o desenvolvimento mediúnico é o centro espírita, e nunca a nossa própria residência. O Espírito André Luiz, por meio das obras psicografadas por Chico Xavier, traz a lume os bastidores do que ocorre nas diversas reuniões mediúnicas no interior das casas espíritas. Por exemplo, nos centros espiritistas que realizam trabalhos sérios e idôneos, antes mesmo da casa abrir para o público encarnado, os trabalhadores espirituais já se encontram em amplo processo de trabalho e preparação das atividades que serão realizadas no decorrer daquele dia. Tudo é muito organizado e composto com esmero e antecedência pelos instrutores espirituais, desde a equipe de segurança (que através das defesas magnéticas impedem a entrada de entidades que queiram perturbar a ordem); assim como os Espíritos que irão trabalhar no passe; a triagem das entidades que serão socorridas nas reuniões de desobsessão; a limpeza fluídica do salão; a instalação dos equipamentos espirituais que serão utilizados; dentre outros. REUNIÕES ESPÍRITAS NO AMBIENTE DOMÉSTICO? Assim como o hospital é o local mais indicado para a execução de quaisquer procedimentos cirúrgicos, tanto por sua assepsia, além de possuir uma equipe adestrada em situações de emergências e aparelhos próprios para cada ocorrência, o centro espírita é o local mais seguro e adequado para o intercâmbio espiritual, principalmente no tocante à desobsessão. Afinal, seria ilógico imaginarmos um enfermo dando preferência em receber, a título de exemplo, um transplante pulmonar na sala da sua residência doméstica, ao invés de um hospital moderno e preparado. E por quais motivos o médium acha prudente realizar sessões mediúnicas na intimidade da sua própria casa? Sendo assim, como alerta a prática da realização de reuniões mediúnicas no âmbito doméstico, destacamos as advertências proferidas por Miramez, através da obra acima citada: Ninguém deve transformar a sua casa em um centro espírita, ou qualquer espaço para reuniões de desobsessão. Uma sessão espírita endereçada ao alívio dos enfermos e à doutrinação dos Espíritos desequilibrados torna-se uma escola de reajustamento, e nem sempre os alunos aceitam de boa mente a conversação a que se expõe... Alguns deles, à primeira vista, revoltam-se, blasfemam, agridem, e sempre voltam aquele campo de trabalho, com todos os seus desajustes. E esse templo sendo um lar, recebe por vezes, visitas indesejadas e em horas que não condizem com o plano de disciplina orientado pela Doutrina. Todos são afetados pela presença dessas entidades. Há, de fato, alguns inconvenientes – como descritos acima – ao realizarmos reuniões mediúnicas no seio da nossa própria residência doméstica, principalmente no que se refere a prática da desobsessão. Como bem observamos, os trabalhos realizados nas casas espíritas são cuidadosamente preparados pela equipe espiritual, oferecendo suporte adequado para as atividades que serão executadas, em especial, na assistência aos médiuns trabalhadores. É justo dizermos que, quando o médium entra em contato com Espíritos sofredores e obsessores, há nesse intercâmbio uma troca energética (de ambas as partes), tanto do médium para o Espírito, como do Espírito para o médium. O médium, por vezes, quando bem equilibrado, emana para a entidade em atendimento fluidos calmantes e reconfortantes... Por outro lado, recebe e assimila do Espírito os seus fluidos em desajuste, registrando em seu organismo físico e mental toda a desarmonia oriunda dessa comunhão com a entidade sofredora/obsessora. Durante todas as comunicações mediúnicas ocorridas no centro espírita, veremos a equipe espiritual – responsável pelos trabalhos em andamento – atenta para que o médium não venha a sofrer nenhum desgaste ou prejuízo no seu psiquismo, abalando sua estrutura orgânica ou cerebral... São esses trabalhadores desencarnados, coordenadores das atividades no plano espiritual que, juntamente com os mentores de cada médium, se responsabilizam pelas comunicações ocorridas nas reuniões espiritistas para que o médium realize o seu trabalho sem maiores prejuízos. Eles filtram, dosam e controlam a potência , se assim podemos chamar, dos fluidos emanados, para que não ocorra uma sobrecarga energética no organismo físico, mental e espiritual do médium, evitando que ele tenha sua estrutura psicossomática comprometida. O QUE DIZ ANDRÉ LUIZ? Ratificando a nossa linha de raciocínio, o autor espiritual André Luiz, no capítulo primeiro da obra Missionários da Luz , pela psicografia de Chico de Xavier, destaca que o médium é um maquinismo demasiadamente delicado , não sendo um simples aparelho utilizado pelos Espíritos na execução das comunicações mediúnicas... Afirma ainda que, antes mesmo da execução prática das tarefas medianímicas, o médium já recebe o auxílio antecipado dos amigos espirituais para que ele não venha a ter a sua saúde física comprometida. Esse acompanhamento da equipe espiritual também ocorre durante todo o andamento da comunicação mediúnica, bem como, após o seu término. Vejamos o quanto é delicado o intercâmbio com o mundo dos espíritos e o quanto o médium disposto a servir na seara do Cristo é amplamente ajudado. Realmente, como bem destacou o instrutor Miramez, a complexidade para o homem chegar ao espaço com seus foguetes e maquinários é bem menor do que uma simples comunicação entre o médium e um Espírito. PROTEÇÃO ESPIRITUAL A proteção espiritual – certamente – existe no dia a dia do medianeiro do bem, porém, todas as vezes que o médium foge a lei natural da vida, passa a sofrer as consequências das suas próprias atitudes e invigilância. Isso é permitido pela espiritualidade superior para que o aprendizado do médium seja mais concreto e, consequentemente, não volte a repetir os mesmos erros. O médium de Pedro Leopoldo, Chico Xavier, sempre descrevia os conselhos de Emmanuel – seu mentor espiritual –, sendo um dos mais conhecidos: disciplina, disciplina, disciplina. Em O Livro dos Médiuns encontraremos algumas menções a medianimidade da psicografia, sendo descrita por Kardec como uma das mais simples e fáceis de exercitar, podendo até mesmo ser realizada no ambiente doméstico, na intimidade do lar. Contudo, Allan Kardec, sob a supervisão dos Espíritos superiores, não deixou de nos instruir com relação aos perigos que esse exercício pode oferecer, caso realizado de forma trivial, curiosa, comercial ou banal. Para maior aprofundamento a este respeito, recomendamos a leitura do capítulo XVII da referida obra. No processo histórico do espiritismo no Brasil, em especial, quando havia uma perseguição por parte das autoridades policiais e judiciárias diante da expansão do espiritismo em solo brasileiro, assim como, a quantidade limitada de centros espíritas na época, muitos eram os companheiros espiritistas que realizavam sessões familiares em sua própria residência, destinando um ambiente do lar doméstico – geralmente isolado – para essa prática. Na atualidade, sem mais a perseguição das autoridades competentes e com o crescimento do número de centros espíritas espalhados por todo o Brasil (e em boa parte do mundo), não vemos mais necessidades do uso das próprias residências para essa finalidade. Com a estruturação das atividades espiritistas no Brasil, sua organização e o surgimento das obras tidas como complementares, como as de Chico Xavier e outros, compreendemos que o exercício da mediunidade tem dia, lugar e horas adequadas para tal mister, não sendo mais o ambiente doméstico o referencial para esse labor, por mais bem intencionados que os trabalhadores ali presentes possam ser. Por fim, nossas ponderações acima descritas não visam impor medo ou temor ao medianeiro, muito menos destacar o que cada um deve ou pode fazer referente a sua mediunidade. Nossa dissertação é apenas um ponto – dentre muitos – a ser analisado pelo estudante da mediunidade, ficando a cargo de cada consciência a parte que lhe cabe como trabalhador espírita, isto é, a vigilância, a prudência, o bom senso e o discernimento diante daquilo que se busca empreender. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 4: O Médium e a Casa Espírita Pergunta 42: Posso realizar sessões mediúnicas na minha própria casa? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MAIA , João Nunes (psicografia). Médiuns. Miramez (espírito). Fonte Viva, 19ª edição, 2017. XAVIER , Francisco Cândido. Missionários da Luz. André Luiz (espírito). FEB Editora, 2018. KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 9ª edição. Editora Boa Nova, 2004.
- 55. Por que a mediunidade não é um privilégio dos homens de bem?
No artigo intitulado Escolhos do Médium — edição de fevereiro de 1859 da Revista Espírita — , Kardec afirma que, à primeira vista, a mediunidade parece um dom tão precioso que não deveria ser partilhado senão por almas extremamente elevadas. Entretanto, a experiência prova o contrário, pois encontramos mediunidade potente em criaturas cuja moral deixa muito a desejar, enquanto outras, estimáveis sob todos os aspectos, não a possuem. Buscando nos elucidar quanto ao uso correto da mediunidade, o mestre lionês, com profundidade e sabedoria, trata dessa temática em diversas passagens de suas obras. Em O que é o Espiritismo , o codificador afirma que a mediunidade é um dom de Deus (como todas as outras faculdades) , que se pode empregar tanto para o bem quanto para o mal, e da qual se pode abusar. Seu fim é pôr-nos em relação direta com as almas daqueles que viveram, a fim de recebermos ensinamentos e iniciações da vida futura. Aquele que dela se utiliza para o seu adiantamento e o de seus irmãos — prossegue Allan Kardec — , desempenha uma verdadeira missão e será recompensado. O que abusa e a emprega em coisas fúteis ou para satisfazer interesses materiais, desvia-a do seu fim providencial, e, tarde ou cedo, será punido, como todo homem que faça mau uso de uma faculdade qualquer. No capítulo XXIV de O Evangelho Segundo o Espiritismo , Kardec retorna a este tópico ao destacar: “Deus outorgou faculdades ao homem e lhe dá a liberdade de usá-las, mas não deixa de punir o que delas abusa. Se só aos mais dignos fosse concedida a faculdade de se comunicar com os Espíritos, quem ousaria pretendê-la? [...] A mediunidade é conferida sem distinção, a fim de que os Espíritos possam trazer a luz a todas as camadas, a todas as classes da sociedade, ao pobre como ao rico; aos retos, para os fortificar no bem, aos viciosos para os corrigir. ” POR QUE A MEDIUNIDADE NÃO É UM PRIVILÉGIO DOS HOMENS DE BEM? Na segunda parte de O Livro dos Médiuns (cap. XX), Kardec pergunta aos Espíritos: — Sempre se disse que a mediunidade é uma graça, um dom de Deus, um favor. Por que, então, não é privilégio dos homens de bem, e por que se veem pessoas indignas que são dotadas em alto grau e que as desperdiçam? Diante dessa indagação, os Espíritos superiores respondem que todas as faculdades são favores dos quais devemos dar graças a Deus, pois há homens que delas são privados. Poderiam perguntar porque Deus dá uma boa vista a malfeitores, agilidade aos gatunos, eloquência àqueles que dela se servem para dizer coisas más. A mesma coisa com a mediunidade: pessoas indignas são dotadas, porque têm mais necessidade que as outras para se aperfeiçoarem; pensam que Deus recusa meios de salvação aos culpados? Ele os multiplica sob seus passos. Ele os coloca nas mãos, cabe a eles aproveitar. Logo, a mediunidade não depende da qualidade moral do seu portador. Ela se manifesta em diversos meios, independente de moralidade ou qualquer outro atributo. Sendo assim, a mediunidade pode eclodir de forma ostensiva em pessoas desprovidas de uma moral elevada, assim como, pode surgir sutilmente e/ou quase nulamente em pessoas com elevados valores ético-morais. Convém lembrar que o fato da mediunidade se apresentar de modo ostensivo em inúmeras pessoas, não significa necessariamente que estes indivíduos sejam almas nobres e de grande envergadura, missionários com grandes feitos a realizar. Da mesma forma, quando surge sutil, sem grandes embaraços, não significa que o seu portador não tenha um objetivo a desenvolver. MISERICÓRDIA DIVINA O autor espiritual Manoel Philomeno de Miranda, em Mediunidade: Desafios e Bênçãos , pela psicografia de Divaldo Franco, destaca que os indivíduos maus, orgulhosos e corrompidos apresentam-se, portanto, com faculdades ostensivas por misericórdia do amor, a fim de que sejam, eles mesmos, os instrumentos das advertências e orientações de que necessitam para uma existência de retidão e de equilíbrio, com alto discernimento e respeito dos objetivos da caminhada terrestre. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 6: Aspectos Morais da Mediunidade Pergunta 55: Por que a mediunidade não é um privilégio dos homens de bem? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. Revista Espírita – Jornal de estudos psicológicos – fevereiro de 1859. Tradução de Julio Abreu Filho. Edicel Editora; 4ª edição, março de 2020. KARDEC , Allan. O que é o Espiritismo. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. FEB Editora, 2016. KARDEC , Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile. 21ª edição. Editora Boa Nova, 2017. KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 9ª edição. Editora Boa Nova, 2004. FRANCO , Divaldo Pereira (psicografia). Mediunidade: Desafios e Bênçãos. Manoel Philomeno De Miranda (espírito). Editora LEAL, 2019.
- 46. O Espiritismo é uma religião? É comum médiuns espíritas terem altares em casa?
A palavra altar tem pelo menos três significações, a depender de sua origem. Do hebraico, lugar de matança ; do grego: lugar de sacrifício ; do latim ( altare ou altus ), plataforma elevada . Com o passar dos tempos o altar – narrado diversas vezes na Bíblia – foi deixando de ser um lugar de sacrifício e matança para ser um local de adoração, homenagem, respeito e reverência, seja a Jesus, Maria de Nazaré ou qualquer outra divindade que a fé humana professe. Em quase todos os lares que seguem o catolicismo (religião predominante no Brasil) há um altar montado, desde os mais simples aos mais ornamentados; geralmente compostos por uma mesa, uma toalha branca, imagens de variados santos e objetos típicos da religião (como o terço, velas e a Bíblia ). Sendo este costume marcante na cultura popular brasileira, não podemos deixar de verificar que muitos adeptos do espiritismo – oriundos do catolicismo, sendo hoje ex-católicos – possuem algum tipo de altar em casa, o que não nos cabe julgar se tal prática é correta ou não. Aqui, nos limitamos a apresentar algumas observações a este respeito, deixando ao amigo leitor a liberdade de decidir como proceder em sua intimidade doméstica. O espírita – estudioso das obras de Kardec – já deve saber que a doutrina dos Espíritos não segue uma base religiosa; isto é, não possui dogmas, cerimônias, rituais, misticismos, privilégios, casta sacerdotal, nem práticas exteriores de adoração, incluindo altares e seus congêneres destinados a esse fim. O Espiritismo é uma doutrina científica e filosófica. Na acepção comum do termo, o Espiritismo não é considerado uma religião, embora possua aspectos religiosos. RELIGIÃO ESPÍRITA? Para entendermos com mais clareza esse aspecto religioso presente na doutrina espírita, analisemos com atenção o pensamento apresentado por Kardec na edição de dezembro de 1868 da Revista Espírita . Ao ser questionado se o Espiritismo era ou não uma religião, Kardec responde: “Ora, sim, sem dúvida, senhores; no sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e nós nos glorificamos por isto, porque é a doutrina que funda os laços da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre as mais sólidas bases: as próprias leis da Natureza." Dando continuidade a sua linha de raciocínio, o autor complementa: "Por que, então, temos declarado que o Espiritismo não é uma religião? Porque não há uma palavra para exprimir duas ideias diferentes, e porque, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da ideia de culto; porque ela desperta exclusivamente uma ideia de forma, que o Espiritismo não tem." E por fim, arremata o autor: "Se o Espiritismo se dissesse religião, o público não veria aí senão uma nova edição, uma variante, se quiserem, dos princípios absolutos em matéria de fé; uma casta sacerdotal com seu cortejo de hierarquias, de cerimônias e de privilégios; ele não o separaria das ideias de misticismo e dos abusos contra os quais tantas vezes a opinião pública se levantou. Não tendo o Espiritismo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual do vocábulo, não podia nem devia enfeitar-se com um título sobre cujo valor as pessoas inevitavelmente ter-se-iam equivocado. Eis por que simplesmente se diz: doutrina filosófica e moral. ” Ao ler o texto na íntegra, na qual recomendamos que isso seja feito por parte do estudante espírita, veremos que Kardec argumenta que o Espiritismo é, de fato, uma religião no sentido filosófico, pois une as pessoas em uma comunhão de sentimentos, princípios e crenças, com base nas leis da natureza, promovendo a fraternidade, a solidariedade e o desenvolvimento moral. No entanto, evita o título de religião para não ser confundido com as práticas e formas associadas a cultos tradicionais. Embora reconheça que o Espiritismo possua aspectos de uma religião – no seu sentido filosófico –, Kardec assevera que a doutrina espírita não deve ser assim denominada, no sentido tradicional do termo. Isso porque a palavra religião está associada, na opinião pública, à ideia de culto, hierarquias sacerdotais e cerimônias, práticas estas que o Espiritismo não possuí. Para Kardec, portanto, o Espiritismo não é uma religião – no sentido tradicional do termo. Em suma, com base no pensamento exímio do codificador, podemos dizer que o único ponto em que o Espiritismo poderia se assemelhar a religião é no quesito filosófico, simbolizando a conexão que liga os indivíduos numa comunhão de sentimentos. Para os espiritistas este elo (que liga os homens em um mesmo sentimento) é a caridade para com todos, isto é, o amor ao próximo (seja encarnado ou desencarnado). No entanto, o Espiritismo no cenário brasileiro, além de ser uma doutrina filosófica, moral e científica, é também visto, por influência da tradição cultural e popular, como uma religião – no sentido usual da palavra –, devido à predominância da ideia de culto presente no país. Basta perguntar a um espírita qual é a sua religião, e ele prontamente responderá: Sou espírita! ALTARES EM CENTROS ESPÍRITAS Também é costume, em alguns centros espíritas, encontrarmos altares dedicados a Jesus Cristo, Bezerra de Menezes, Chico Xavier e Kardec, ornamentados através de imagens de gesso ou resina, quadros, pinturas, banners... Em tantos outros também é comum a inclusão de imagens de Maria de Nazaré e outros seres admiráveis – como os santos da igreja católica – que deixaram seu legado pela Terra. Do ponto de vista sociológico, podemos enxergar essa ação como reflexo de uma herança religiosa, visto que muitos dos adeptos do espiritismo – na atualidade – são ex-católicos, trazendo arraigados para sua nova crença (o Espiritismo), antigos costumes e práticas; o que promove, mesmo sem intenção, um processo de sincretismo religioso (unindo a doutrina espírita com outras vertentes filosóficas e religiosas). Da mesma forma que a umbanda, o candomblé e o santo daime, a doutrina espírita, sem dúvidas, também passou por esse processo sincrético, assumindo uma característica religiosa – no sentido comum do termo – nas terras do Cruzeiro do Sul. A este respeito, já é possível encontrarmos o termo espiritismo à brasileira sendo usado – por autores e pesquisadores do tema – para diferenciar os centros, federações e demais instituições, que introduziram ideias adversas, por vezes, combatidas por Kardec, dentro do movimento espírita no Brasil, das demais organizações espiritistas que prezam pela pureza doutrinária das obras de Kardec, buscando seguir o modus operandi , ou melhor, o método científico (Controle Universal do Ensino dos Espíritos) usado e ensinado pelo codificador. ALTAR NO AMBIENTE DOMÉSTICO Desse modo, é fácil compreender o porquê da existência de tantos altares nos lares dos adeptos do espiritismo, assim como, nas próprias casas espíritas. Seja na residência doméstica ou no centro espírita, o altar – ou outros símbolos religiosos, como imagens de gesso ou resina – possui um propósito específico para o espírita: além de fazer parte da decoração do ambiente, também cumpre a função de direcionar o pensamento do devoto. Para melhor compreensão, ao visualizarmos uma imagem de uma entidade à qual somos devotos, imediatamente trazemos à mente suas lembranças, exemplos e ensinamentos deixados em favor da humanidade. Isso muitas vezes nos ajuda a voltar ao momento presente, a exercer a vigilância, a cultivar a nossa fé, dando-nos força e discernimento diante dos obstáculos da vida. Dentre as personalidades espíritas que conservaram o costume de possuir um altar em sua residência, destacamos a figura de Chico Xavier. Ainda hoje, em sua antiga residência na cidade de Uberaba (MG), atualmente transformada em um memorial (Casa de Memórias e Lembranças de Chico Xavier), é possível encontrarmos um altar dedicado a variados santos católicos, além de terços e outros objetos que fizeram parte da sua trajetória. O QUE DIZ KARDEC? É importante observarmos que, nos casos acima citados, os objetos que compõe o altar dos espiritistas não são considerados ou tidos como mágicos ou sagrados por seus respectivos donos. Também não possuem nenhuma função espiritual, a exemplo da realização de milagres , muito menos, destinam-se à adoração ou veneração de nenhuma espécie. Não se trata, nesse contexto, de amuletos ou quaisquer outros objetos tidos como sobrenaturais. Em sua maioria, são apenas parte da decoração (não esqueçamos da simplicidade que o Espiritismo traz em sua essência) do centro ou do próprio lar doméstico, como também, um ponto de foco que pode vir a ajudar o espiritista a voltar ou direcionar seu pensamento em um momento oportuno. A respeito dos amuletos ou objetos mágicos, vejamos o que diz Kardec na questão 554 de O Livro dos Espíritos: Aquele que, com ou sem razão, confia naquilo a que chama virtude de um talismã, não pode, por essa mesma confiança, atrair um Espírito? Porque então é o pensamento que age; o talismã não é um signo que ajuda a dirigir o pensamento? Resposta dos Espíritos: Isso é verdade; mas a natureza do Espírito atraído depende da natureza da intenção e da elevação dos sentimentos. Ora, é difícil que aquele que é tão simplório para crer na virtude de um talismã não tenha um objetivo mais material do que moral. Qualquer que seja o caso, isso indica estreiteza e fraqueza de ideias, que dão azo aos Espíritos imperfeitos e zombadores. Em outras palavras, a fé em amuletos ou objetos materiais pode influenciar nossos pensamentos e, consequentemente, atrair Espíritos de diversas estirpes. No entanto, a natureza do Espírito atraído (seja bom ou mau) dependerá dos nossos próprios pensamentos e intenções. Se a pessoa tem uma visão simplista e materialista, é provável que atraia espíritos menos elevados e até zombadores. Vivemos em um país onde o sincretismo é marcante, especialmente nas religiões e doutrinas. O brasileiro é, sem dúvida, um ser religioso. Porém, o espiritista que verdadeiramente estudou e busca compreender os ensinos dos Espíritos, em especial O Livro dos Espíritos , entende que os objetos nos altares ou usados pelos devotos (como pulseiras, escapulários e pingentes) não possuem nenhum poder espiritual ou sobrenatural. Esses objetos não protegem, não se destinam a limpeza do lar ou do sujeito, nem cumprem qualquer outra função nesse sentido. CONCLUSÃO Seja pela influência de sua antiga crença ou qualquer outra necessidade, é lícito ao médium espírita manter ou cultivar um altar em sua residência! O mesmo é válido para os demais adeptos ou trabalhadores espíritas. Claro, desde que atente para o bom senso, para a lógica e a fé raciocinada, buscando compreender que, muito mais do que a beleza do altar ou os objetos que lhe ornamenta, será sempre a pureza de intenção, juntamente a vontade e a firmeza do pensamento, que fará alguma diferença na forma como a fé será professada e quais tipos de Espíritos estarão sendo atraídos por meio dessa ação. Cada um é livre para professar sua fé como bem entender, de acordo com suas necessidades e capacidade de entendimento. O Espiritismo não impõe barreiras, nem regras rígidas de conduta, porém, incentiva constantemente o estudo e a instrução, o amor ao próximo e a transformação moral, deixando a cada um a liberdade de seguir seu próprio caminho. Sabendo que tais objetos são apenas acessórios, enfeites ou símbolos – e o que realmente importa é a elevação dos pensamentos e as intenções nobres –, nada impede o espiritista de ter seu altar ou local de oração no seu ambiente doméstico. Mas antes que alguém indague se essa prática seria correta ou não, vejamos o que diz Kardec na obra O Espiritismo em sua mais simples expressão : "Aos que lhe perguntam se fazem bem em seguir tal ou tal prática, ele responde: Se credes que vossa consciência o solicita a fazê-lo, fazei-o: Deus leva sempre em conta a intenção. Também é importante relembrar, conforme afirma Kardec na questão 554 de O Livro dos Espíritos , que a intenção, seja ela materialista ou moral, influencia o tipo de espírito atraído. Da mesma forma, a confiança na virtude de um talismã ou outros objetos materiais geralmente reflete uma mentalidade simplória e materialista, tornando a pessoa mais suscetível a espíritos imperfeitos e zombeteiros. Assim também, já referenciamos aqui por algumas vezes, as chamadas casas mistas ou universalistas , que mesclam o espiritismo com outras vertentes mediúnicas. Geralmente, as casas espíritas que costumam manter em seu interior a presença de um altar (com imagens, velas, búzios, rosas, etc.) são, mesmo que não percebam diretamente isso, pertencentes às casas mistas . Ou seja, elas estão mais para uma casa universalista (com um sincretismo acentuado) do que para um centro espírita propriamente kardecista. (sobre o uso do termo kardecista, vide questão 44 ). Por fim, ao espírita de modo particular, é sempre necessário estar atento ao seu modo de proceder, evitando misticismos ou práticas que fogem a fé raciocinada, a razão, o bom senso, a vigilância e a prudência. Quanto ao fato do sincretismo religioso dentro do movimento espírita brasileiro, há duas correntes de pensamento em destaque. Os que se consideram puristas ou kardecistas , e os que são partidários do espiritismo à brasileira. Aos primeiros ( kardecistas ), o espiritismo é uma religião apenas em seu sentido filosófico, como concluiu o codificador. Para os kardecistas , a análise racional diante dos ensinos dos Espíritos é sempre posta em prática antes de aceitar quaisquer conceitos, independentemente do nome (do espírito, médium ou autor) que assine a obra. A estes últimos ( espiritismo à brasileira ), o espiritismo tem um caráter mais sincrético ou de revelação divina (variando de centro para centro), no qual passa a ser uma religião — na acepção mais comum do termo. A estes, as orientações de Kardec ficam sempre em segundo plano, o que reforça, mesmo que inconscientemente, a implantação de dogmas ou verdades absolutas e incontestáveis (ficando o controle universal do ensino dos Espíritos, ensinado e usado por Kardec no desenvolvimento de suas obras, de lado). Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 4: O Médium e a Casa Espírita Pergunta 46: O Espiritismo é uma religião? É comum médiuns espíritas terem altares em casa? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. Revista Espírita – Jornal de estudos psicológicos – junho de 1868. Tradução de Julio Abreu Filho. Edicel Editora; 4ª edição, março de 2020. KARDEC , Allan. O espiritismo na sua expressão mais simples. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 3ª edição. FEB Editora, 2019.
- 48. Quem são os Espíritos? Qual a diferença entre alma e Espírito?
Em O Livro dos Espíritos (questão 76), Kardec sabiamente busca esse esclarecimento ao perguntar: – Como podemos definir os Espíritos? Resposta: “Podemos dizer que os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Eles povoam o Universo, além do mundo material.” Já na questão 134 da referida obra e suas subdivisões, Kardec volta a indagar: – O que é a alma? Resposta: “Um Espírito encarnado.” – O que era a alma, antes de unir-se ao corpo? R: “Espírito.” – As almas e os Espíritos são, portanto, uma e a mesma coisa? R: “Sim, as almas não são mais que Espíritos. Antes de ligar-se ao corpo, a alma é um dos seres inteligentes que povoam o mundo invisível, e depois reveste temporariamente um invólucro carnal, para se purificar e esclarecer.” Em outro recorte da codificação, mais precisamente na obra Resumo da Lei dos Fenômenos Espíritas , Kardec nos elucida ao dizer que os Espíritos não são, como frequentemente se imagina, seres à parte na criação; são as almas daqueles que viveram sobre a Terra ou em outros mundos. As almas ou Espíritos são, pois, uma única e mesma coisa. Segundo o codificador, em O Livro dos Médiuns (Segunda parte; cap. 1), o Espírito não é uma abstração, é um ser definido, limitado e circunscrito. O Espírito encarnado no corpo constitui a alma . Desse modo, o Espírito é a individualidade consciente, que existe antes, durante e depois da encarnação. Quando o Espírito está encarnado, ou seja, unido a um corpo físico, ele é chamado de alma. Em suma, a alma é o Espírito (princípio inteligente individualizado) que anima o corpo físico em estado de encarnação. Após a morte do corpo físico, a alma retorna à condição de Espírito. Em termos gerais, a alma é o Espírito encarnado, e o Espírito é a alma desembaraçada do corpo físico. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 5: Mentores Espirituais Pergunta 48: Quem são os Espíritos? Qual a diferença entre alma e Espírito? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB; 93ª edição. Rio de Janeiro, 2014. KARDEC , Allan. Resumo da Lei dos Fenômenos Espíritas. Tradução de Salvador Gentile. IDE Editora, 2012. KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 9ª edição. Editora Boa Nova, 2004.
- 49. Quem são os Anjos da Guarda, Mentores ou Guias Espirituais?
Se os Espíritos são as almas dos homens que viveram sobre a terra, ou até mesmo em outros planetas, conforme a doutrina espírita nos ensina (vide questão 48 ), os anjos são essas mesmas almas ou Espíritos chegados a um estado de perfeição que os aproxima da Divindade. (Revista Espírita, edição de março de 1866) Segundo os ensinamentos apresentados em O Livro dos Espíritos (questão 96), veremos que os Espíritos são de diferentes ordens, conforme o grau de perfeição que tenham alcançado . Desse modo, os seres que recebem o nome de anjo guardião, bom gênio, guia ou mentor espiritual, são os Espíritos que atingiram um elevado grau de evolução e pureza. Esta afirmação é confirmada através da questão 129 da obra supracitada, na qual destacamos: – Os anjos também percorreram todos os graus? Resposta dos Espíritos: “Percorreram todos. Mas, como já dissemos: uns aceitaram a sua missão sem lamentar e chegaram mais depressa; outros empregaram maior ou menor tempo para chegar à perfeição.” CLASSIFICAÇÃO EVOLUTIVA DOS ESPÍRITOS Para que o Espírito alcance esse grau de pureza e perfeição, é necessário que ele percorra uma escala evolutiva. Ainda com base na obra acima citada, Kardec dividiu o grau de adiantamento dos Espíritos em 3 ordens e 10 classes. Tal escala compreende como ponto de partida a terceira ordem , que corresponde a classe dos Espíritos Imperfeitos (10ª classe); seguidos pelos Espíritos Levianos (9ª classe); Pseudossábios (8ª classe); Neutros (7ª classe); Batedores e Perturbadores (6ª classe). Avançando para a segunda ordem , teremos a classe dos Espíritos Benévolos (5ª classe); de Ciência (4ª classe); de Sabedoria (3ª classe); Superiores (2ª classe). Finalmente, na primeira ordem , chegamos à classe dos Espíritos Puros (1ª classe). ANJO GUARDIÃO, MENTOR OU GUIA ESPIRITUAL Dando continuidade, ainda na obra em destaque, Kardec retoma o tema referente ao anjo guardião ao interpelar: Questão 490 – Que se deve entender por anjo da guarda? Resposta: “O Espírito protetor de uma ordem elevada.” 491 – Qual a missão do Espírito protetor? R: “A de um pai para com os filhos: conduzir o seu protegido pelo bom caminho, ajudá-lo com os seus conselhos, consolá-lo nas suas aflições, sustentar sua coragem nas provas da vida.” Em sequência, Kardec volta a indagar: 492 – O Espírito protetor é ligado ao indivíduo desde o seu nascimento? R: “Desde o nascimento até a morte, e frequentemente o segue depois da morte, na vida espírita, e mesmo através de numerosas experiências corpóreas, porque essas existências não são mais do que fases bem curtas da vida do Espírito.” 493 – A missão do Espírito protetor é voluntária ou obrigatória? R: “O Espírito é obrigado a velar por vós porque aceitou essa tarefa, mas pode escolher os seres que lhe são simpáticos. Para uns, isso é um prazer; para outros, uma missão ou um dever.” Embora já tenha sido amplamente esclarecido, é importante reiterar que os guias e mentores não são seres criados à parte, mas Espíritos que alcançaram um elevado grau de evolução, tendo percorrido os mesmos estágios que hoje buscamos vencer. Dessa forma, por meio de suas experiências, conhecem intimamente as dificuldades enfrentadas por aqueles a quem assistem, tanto no estado de encarnados quanto na erraticidade (no plano espiritual). GUIAS ESPIRITUAIS DO MÉDIUM Em Médiuns (psicografia de João Nunes Maia ) , mais precisamente no capítulo denominado Os Guias Espirituais, encontraremos o autor espiritual Miramez tecendo as seguintes observações: “Os guias espirituais de um médium se configuram como pais na frequência do amor e da justiça, sem alterar as necessidades do filho do coração, ajudando-o a andar com os seus próprios pés." Dando continuidade, esclarece Miramez: "Há quem diga que os guias abandonam os seus tutelados. Não existe abandono nestes casos. Eles, os benfeitores espirituais, ajudam mais, porém, em outra frequência, até o medianeiro compreender o tesouro que está ao seu dispor, dependendo da sua disposição ao bem da coletividade." Por fim, arremata o benfeitor: " Os guias espirituais são afáveis, quando essa afabilidade desperta algo de bom no aprendiz. São enérgicos, quando essa energia abre os olhos do candidato à luz, no sentido de disciplinar a razão e educar os sentimentos. ” Em virtude dos fatos acima mencionados, podemos concluir que nossos guias espirituais nunca nos abandonam de fato e seguem velando por nós como verdadeiros pais e/ou professores amorosos. Acompanhando passo a passo nossa trajetória evolutiva, nossas dores e dissabores, gozos e alegrias, permitem que certos males nos acometam para a ampliação do nosso aprendizado, sempre respeitando as leis de causa e efeito. Isto é, os valores morais que o médium possui não o isenta das provas que ele deve passar, mas faculta-lhe a companhia e a simpatia dos bons Espíritos (que o ajuda e ampara nos momentos difíceis). ANJOS DA GUARDA, POR SANTO AGOSTINHO E SÃO LUÍS Para concluir o nosso raciocínio, transcrevemos abaixo uma síntese da mensagem – assinada pelos Espíritos de São Luís e Santo Agostinho – encontrada em O Livro dos Espíritos , bem como, na Revista Espírita de 1859: Há uma doutrina que deveria converter os mais incrédulos, por seu encanto e por sua doçura: a dos anjos da guarda. Pensar que tendes sempre junto a vós seres que vos são superiores; que aí estão sempre para vos aconselhar, para vos sustentar, para vos ajudar a escalar a áspera montanha do bem; que são amigos mais certos e mais dedicados do que as mais íntimas ligações que possais estabelecer na Terra, não é uma ideia consoladora? Esses seres aí estão por ordem de Deus. Foi ele que os pôs ao vosso lado. Aí se acham por amor a ele e realizam bela e penosa missão. Sim, onde quer que estejais, estarão convosco. Os calabouços, os hospitais, os lugares de deboche, a solidão, nada vos separa desses amigos que não vedes, mas cujos suaves impulsos vossa alma sente, como lhes escuta os sábios conselhos. [...] Nada penseis ocultar-lhes, pois eles têm o olhar de Deus e não podeis enganá-los. [...] Aos que pensassem ser impossível a Espíritos realmente elevados ater-se a uma tarefa tão laboriosa e de todos os instantes, diremos que influenciamos vossas almas mesmo estando a milhões de léguas de vós. Para nós, nada é o espaço, e mesmo vivendo num outro mundo, nossos Espíritos conservam suas ligações com o vosso. [...] Cada anjo da guarda tem o seu protegido, sobre o qual vela como um pai sobre o filho. É feliz quando o vê seguir o bom caminho e sofre quando seus conselhos são desprezados. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 5: Mentores Espirituais Pergunta 49: Quem são os Anjos da Guarda, Mentores ou Guias Espirituais? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. Revista Espírita – Jornal de estudos psicológicos – março de 1866. Tradução de Julio Abreu Filho. Edicel, 2021. KARDEC , Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB; 93ª edição. Rio de Janeiro, 2014 MAIA , João Nunes (psicografia). Médiuns. Miramez (espírito). Fonte Viva, 19ª edição, 2017. KARDEC , Allan. Revista Espírita – Jornal de estudos psicológicos – fevereiro de 1859. Tradução de Julio Abreu Filho. Edicel Editora; 4ª edição, março de 2020.












