Mediunidade com Kardec
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- 25. O médium pode se casar ou é preferível o celibato?
Em O Livro dos Espíritos , Allan Kardec trata desta temática ao indagar se o matrimônio vai de encontro à lei da Natureza (L.E 695). A resposta obtida por meio dos Espíritos superiores sugere que o casamento, isto é, a união permanente de dois seres, representa um avanço no progresso da Humanidade. Logo adiante Kardec passa a questionar sobre as consequências da abolição do casamento na sociedade humana, e de maneira enfática, os benfeitores afirmam que isso resultaria no regresso à vida dos animais (L.E 696). O médium pode ter vida sexual e matrimonial ou é preferível optar pelo celibato? Dessa forma, compreendemos que o matrimônio é um estado natural, estando presente entre todos os povos. O casamento é ainda um dos primeiros atos de evolução na sociedade humana. Abolindo a união matrimonial da sua cultura, o homem estaria retornando ao início da sua criação (regressaria à infância da humanidade), ficando ainda abaixo de alguns animais – que nos dão inúmeros exemplos de união e fidelidade – na escala evolutiva. O ATO SEXUAL NA VIDA DO MEDIANEIRO O sexo é realmente sagrado, uma criação divina onde duas criaturas trocam energias e sentimentos, e o canal por onde a vida é gerada. Assim como o dinheiro, o sexo e tantas outras coisas em nossa vida, o problema não está no seu uso, mas no abuso, no exagero, na demasia e no desequilíbrio. O Espírito André Luiz – através da psicografia de Chico Xavier no livro Missionários da Luz – em seu diálogo habitual com o benfeitor Alexandre, esclarece-nos: “Atender a santificada missão do sexo, no seu plano respeitável, usar um aperitivo comum, fazer a boa refeição, de modo algum significa desvios espirituais ; no entanto, os excessos representam desperdícios lamentáveis de força, os quais retêm a alma nos círculos inferiores. Ora, para os que se trancafiam nos cárceres de sombra, não é fácil desenvolver percepções avançadas. Não se pode cogitar de mediunidade construtiva, sem o equilíbrio construtivo dos aprendizes, na sublime ciência do bem-viver.” Já o apóstolo Paulo na Epístola a Tito (1:15) profere que todas as coisas são puras para os puros; todavia, para os impuros e descrentes, nada é puro, porque tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas. Não é raro encontrarmos pessoas que receiam falar, ou até mesmo pensar, em qualquer situação relacionada ao sexo, seja por temor, traumas, cobrança social, familiar ou religiosa; já para tantos outros, esse assunto é abordado, assim como a sua prática, exageradamente. São dois lados de uma mesma moeda, duas situações contrárias que caminham para o desequilíbrio. Como todo aspirante a médium deve saber, o equilíbrio é fundamental na vida de qualquer pessoa, e principalmente na vida daqueles que desejam o intercâmbio com o mundo espiritual. O espiritismo nos esclarece que todo e qualquer desequilíbrio, vício ou excesso constitui uma transgressão às leis divinas. Cada deslize, por mais insignificante que pareça, não escapa à vigilância da soberana justiça. Assim, cada indivíduo é levado a responder, com precisão, por seus desregramentos, pensamentos e ações. MATRIMÔNIO OU CELIBATO? No tocante ao casamento, o benfeitor Miramez – no livro Médiuns, psicografado por João Nunes Maia – nos esclarece: “Renunciar ao casamento por causa de mediunidade é dupla ignorância , pois a função mais sublime do médium está, por assim dizer, dentro do lar, começando na engrenagem física.” O benfeitor continua a nos apontar que algumas pessoas não possuem em seu planejamento reencarnatório a formação de um núcleo familiar, porém, estão bem consigo mesmas (em estado de solitude ), sem sofrimentos por conta disso; são os celibatários por vocação. Em contrapartida, há pessoas que desejam de qualquer maneira à constituição de uma união familiar, mas que pela lei de causa e efeito são privadas desse feito para sua própria educação e evolução. Há também pessoas que ainda não aprenderam a viver a dois, a desfrutar da companhia de um cônjuge – com os mesmos direitos – e apresentam repulsa pelo matrimônio. Referente ao celibato, Kardec aborda estas questões em O Livro dos Espíritos ao interpelar: 698 – O celibato voluntário é um estado de perfeição, meritório aos olhos de Deus? Os Espíritos respondem: “Não, e os que vivem assim, por egoísmo, desagradam a Deus e enganam a todos.” Kardec novamente questiona: 699 – O celibato não é um sacrifício para algumas pessoas que desejam devotar-se mais inteiramente ao serviço da Humanidade? Sabiamente os benfeitores arrematam: “Isso é bem diferente. Eu disse: por egoísmo. Todo sacrifício pessoal é meritório, quando feito para o bem; quanto maior o sacrifício, maior o mérito.” Se o celibato, por si mesmo, não é um estado meritório, já não se dá o mesmo quando constitui, pela renúncia, às alegrias da vida familiar, um sacrifício realizado a favor da Humanidade. Todo sacrifício pessoal visando o bem e sem intenção egoísta eleva o homem acima da sua condição material. MEDIUNIDADE NÃO EXCLUI O CASAMENTO Para finalizar, tendo como referência as sábias palavras de Miramez no livro supracitado, destacamos que: – A mediunidade disciplinada não exclui o sexo: educa-o . Não foge das tentações: vence-as. – Mediunidade não exclui o casamento , pois ele serve para o grande itinerário evolutivo, como escola diária, como síntese de coletividade. – O casamento, para o médium, é uma ajuda; o processo de relacionamento de duas pessoas em um lar desperta em cada um o interesse de servir os outros. – O celibato não representa condição especial do indivíduo para com a sociedade, ou de Deus para ele. [...] O médium que não formou um lar pelos laços do casamento não deve se iludir julgando ser um santo, por abster-se da intimidade do sexo... – Em muitos casos, companheiros que se colocaram em estado de graça, pensando que renunciaram ao casamento e salvaram a sua alma, iludem-se. – Compreendemos, pois, que tanto o casado como o solteiro podem ser instrumentos de Espíritos altamente evoluídos, dependendo do modo pelo qual usam ou deixam de usar o sexo. [...] São caminhos diferentes objetivando o mesmo fim. – É certo que na mediunidade aprimorada haja renúncias, disciplinas, mas que não venham a ferir leis, nem contrariar fundamentos pertencentes à própria vida. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 3: Prudência Mediúnica Pergunta 25: O médium pode se casar ou é preferível o celibato? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB; 93ª edição. Rio de Janeiro, 2014. BÍBLIA DE JERUSALÉM . Tito 1:15. 14ª impressão. Editora PAULUS, 2017. XAVIER , Francisco Cândido. Missionários da Luz. André Luiz (espírito). FEB Editora, 2018. MAIA , João Nunes (psicografia). Médiuns. Miramez (espírito). Fonte Viva, 19ª edição, 2017.
- 24. Médium pode ir pra balada? Há lugares que o médium deve evitar?
Com bastante frequência costumamos ouvir relatos de diversos médiuns com relação às suas ausências em determinados ambientes. Muitos dizem possuir uma mediunidade forte e devido a isso não podem ir, por exemplo, ao Centro da sua cidade ou quaisquer outros locais que possuam um grande número de transeuntes, devido a sensação de mal-estar que os mesmos sentem ao adentrarem ou passarem por esses espaços. A mediunidade interfere na vida social do medianeiro? Mas será, de fato, que se trata de uma mediunidade forte ou de uma mediunidade em desequilíbrio? O ambiente realmente interfere no psiquismo do médium? A mediunidade interfere na vida social do medianeiro, privando-o da convivência de certas pessoas e lugares? Como nos adverte o Espírito Miramez por meio do livro Médiuns , psicografia de João Nunes Maia, o médium é sempre influenciado pelo ambiente . Cada ambiente possui uma energia – egrégora – que lhe é própria, plasmada pelos seus ocupantes e o meio ao qual se destina. Logo, encontraremos locais cujo magnetismo é salutar, benéfico e balsâmico, enquanto outros, possuirão uma energia enfermiça, nociva e prejudicial. (ver questão 96) Nos lares e espaços onde a prece, a conduta reta e o pensamento elevado se fazem presentes, encontraremos um ambiente repleto de fluidos regeneradores, benéficos e reconfortantes. Em contrapartida, nas casas e demais espaços onde a invigilância e todos os tipos de vícios, brigas, desequilíbrios e excessos se manifestam, encontraremos um ar pesado , impregnado de um magnetismo menos agradável. INFLUÊNCIA DOS ESPÍRITOS Segundo Kardec², os Espíritos estão em toda parte, ao nosso lado, acotovelando-nos e observando-nos sem cessar. Ao desencarnarem, os Espíritos não se transformam ou santificam-se automaticamente, mas dão continuidade as mesmas práticas que faziam em Terra. Se eram pessoas que exercitavam o bem, a caridade, o desapego e buscavam se melhorar a cada dia, sem dúvidas continuarão essa prática na erraticidade; se eram mesquinhos, ciumentos, presos aos vícios e as futilidades enquanto encarnados, estes também continuarão procurando por suas paixões no plano espiritual. Dessa maneira, encontraremos nos bares, boates e botecos, Espíritos ainda presos aos prazeres da matéria, vampirizando – e até mesmo subjugando – seres encarnados para suprirem e saciarem os seus desejos. Esse fenômeno também ocorre, de modo geral, em qualquer outro ambiente regado à bebedeira desenfreada e propósitos inferiorizados, onde entidades de baixo teor vibracional incitam os desvarios de toda ordem. De modo similar, os Espíritos sexualmente desequilibrados buscam os motéis e prostíbulos (até mesmo a nossa própria casa, a depender da nossa conduta) para participarem das relações sexuais ocorridas nesses ambientes e assim, satisfazerem suas vontades. Processo semelhante também ocorre com todos os tipos de vícios ou compulsões, sejam eles quais forem (alimentação, compras, acumulação, etc). SENSAÇÃO DE MAL-ESTAR Certamente, como nos disse Miramez, o ambiente influencia diretamente o médium, e este, por sua vez, é livre para escolher e identificar, sem romantização ou o sob o rótulo da mediunidade sofredora , quais espaços se sente à vontade para frequentar e permanecer. Até mesmo o médium experiente e equilibrado, que já consegue discernir o que provém dele próprio, do ambiente ou de uma entidade enfermiça, que já aprendeu a se proteger contra as energias e a influenciação maléfica, volta e meia sente o baque ao adentrar em certos locais. Muitas vezes isso decorre de uma brecha dada pelo medianeiro, seja por meio de um pensamento ou uma série de atitudes; ou mesmo por não estar tão bem equilibrado naquele dia; ou pela ação dos benfeitores que, aproveitando a presença do médium naquele espaço, socorrem os Espíritos que ali estejam em condição para tal. (ver questão 32) Dessa forma, cada pessoa é responsável por seus atos e pelas companhias espirituais que elege pra sua vida. O médium que ainda se compraz em bebedeiras, farras ou outros desregramentos, certamente está envolto em companhias de mesmo teor vibratório. O medianeiro que se deixa arrastar, cedendo a comportamentos inferiorizados, aceitando convites para frequentar ambientes cujos propósitos são contrários ao equilíbrio e harmonia, sem dúvidas é um ser debilitado, que ainda não compreendeu a marcha evolutiva da vida, assim como a responsabilidade do labor mediúnico, carecendo dessa forma de amparo e compaixão. Vejamos o que diz Hermínio de Miranda, em Diversidade dos Carismas , a este respeito: “Nem a prática espírita em geral, nem a mediunidade em particular, exige como condição preliminar um estado de santidade de todos e de cada um. Se assim fosse, não haveria ninguém entre nós, ou seriam raros aqueles em condições de exercer tais atividades. O importante em tudo isso é que não nos deixemos arrastar pelos chamamentos da inferioridade que remanesce em nós, em decorrência de antigas e recentes atitudes equívocas ou francamente desarmonizadas. ” Ser médium do bem exige um esforço próprio para seguir as recomendações expostas no Evangelho de Jesus, educando assim, os nossos sentimentos e domando as nossas más tendências. O médium deve ser como uma flor de lótus, que mesmo entre a lama, permanece limpa. Muitos são os que desejam o dom da mediunidade, mas poucos estão dispostos a percorrerem o caminho da disciplina e da reforma moral. Em uma palavra, o médium bem-educado nas lides espirituais já consegue discernir por si próprio quais tipos de ambientes lhes são caros e quais deve evitar. Sabe também que, por maior que seja sua educação mediúnica e seu autoconhecimento, isso não o isenta de sofrer o revés que ambientes mais pesados podem lhe infligir; entende ainda que certos locais como motéis, prostíbulos, bares, boates, dentre outros, não possuem proteção espiritual, estando os seus frequentadores mais acessíveis as influências e ataques espirituais, bem como da própria egrégora ali presente. VIVENDO EM ISOLAMENTO? A faculdade mediúnica está presente na vida do seu portador 24h por dia, não se restringindo aos dias e as reuniões no centro espírita. Sendo assim, onde estiver, o medianeiro sempre será influenciado pela energia daquele ambiente – seja ela benéfica ou malsã –, bem como, pelas entidades ao seu redor. (ver questão 66) O médium, por possuir uma predisposição que o habilita ao contato mais direto com o mundo espiritual, é sempre mais visado e perseguido para ceder às suas más inclinações e assim, satisfazer as entidades desequilibradas e viciosas que o cerca nesses ambientes, ou que lhe induz a frequentar certos locais cujo magnetismo é propício – devido a influência que exerce sobre o sujeito - para o grave arremate. Dito isto, convidamos os médiuns a utilizarem sempre do bom senso em todas as decisões que pretendam tomar, assim como os locais que desejam frequentar. Dessa forma, ele perceberá que a mediunidade não o torna cativo de nenhuma prisão, e que todo medianeiro é dotado de uma vida igual aos demais. A única diferença é que o médium vigilante sabe reconhecer quais locais lhe são benéficos e quais ambientes deve evitar. Como Kardec acentuou em O Evangelho Segundo o Espiritismo , no tópico O homem no mundo: "Não julgueis, todavia, que, exortando-vos incessantemente à prece e à evocação mental, pretendamos vivais uma vida mística, que vos conserve fora das leis da sociedade onde estais condenados a viver. Não; vivei com os homens da vossa época, como devem viver os homens. Sacrificai às necessidades, mesmo às frivolidades do dia, mas sacrificai com um sentimento de pureza que as possa santificar." Isto é, nenhum médium é chamado a viver em isolamento, em estado de santidade e em constante oração , privado da convivência das pessoas que lhe são caras ou do lazer sadio. E mesmo quando as circunstâncias o levarem a estar em um ambiente cujo magnetismo é inferior, que sua presença ali seja digna e equilibrada, com especial atenção para que sua consciência esteja sempre limpa e que nenhum dos seus atos ou pensamentos macule o seu caminhar. Para isto, basta elevar o pensamento a Deus em tudo o que for fazer, aonde quer que esteja. Em outras palavras, o médium é livre para escolher os ambientes que melhor lhe aprouver, não devendo privar-se em participar dos aniversários em família, assim como qualquer outro evento social, muito menos isolar-se, sem sair para lugar algum, por mero medo das influências e companhias espirituais que possa granjear nesses âmbitos. Entretanto, o medianeiro deve, além de educar à sua faculdade por meio do estudo, reconhecer quais convites lhe são tentadores (aparentemente inofensivos, mas que podem ser armadilhas sutis de desafetos do passado), distinguindo aquilo que verdadeiramente lhe convém, bem como, aprender a proteger-se espiritualmente ao entrar em certos locais. (ver questão 78) CONDUTA EQUILIBRADA O médium desejoso de servir na seara de Jesus deve buscar uma conduta equilibrada, sem leviandade ou outros comportamentos inferiores. Seguindo estes preceitos, firme e forte na sua autocorrigenda, buscando melhorar-se constantemente, o médium conquista a afeição dos bons Espíritos, dos seus guias e mentores. Por outro lado, quando o médium permanece em desequilíbrio, indiferente a sua reforma íntima ou aos compromissos sérios do labor mediúnico, apresentando comportamento contrário a moral e a dignidade, torna-se um companheiro necessitado de compaixão e assistência, ficando de fora dos trabalhos organizados pela espiritualidade superior, não como castigo ou punição, mas sim, porque não apresenta minimamente nenhum requisito para as atividades mediúnicas que servem em nome do amor e da caridade. Afinal, como um indivíduo que ainda não se presta ao mínimo esforço para se corrigir ou se melhorar, ou que não demonstra a ínfima inclinação para tal poderá contribuir nas atividades mediúnicas, tarefas essas que exigem devotamento, renúncia, luta e abnegação? Voltamos a repetir, mediunidade é coisa santa e séria, e como tal, deve ser praticada santamente, seriamente e disciplinadamente. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 3: Prudência Mediúnica Pergunta 24: Médium pode ir pra balada? Há lugares que o médium deve evitar? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MAIA , João Nunes (psicografia). Médiuns. Miramez (espírito). Fonte Viva, 19ª edição, 12017. ¹ XAVIER , Francisco Cândido. Missionários da Luz. André Luiz (espírito). FEB Editora, 2018. ² KARDEC , Allan. O que é o Espiritismo. FEB Editora, 2016. MIRANDA , Hermínio C. Diversidade dos Carismas. LACHATRE, novembro de 2019, 9ª edição. KARDEC , Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile. 21ª edição. Editora Boa Nova, 2017.
- 22. A mediunidade pode levar à loucura?
Allan Kardec já nos alertava em O Livro dos Médiuns – capítulo XVIII – acerca dos inconvenientes e perigos da mediunidade ao dizer: – Os riscos da mediunidade dependem do estado físico e moral de cada indivíduo. Ou seja, o comportamento moral do médium determina a sua felicidade ou o seu padecimento angustioso. – Há médiuns que possuem uma saúde impecável, enquanto outros já são mais debilitados. A causa dessa debilidade não está na mediunidade, visto que a mediunidade não é algo patológico; aqueles são doentes o são por outras causas. – O exercício prolongado da mediunidade, assim como de toda e qualquer faculdade, pode levar a fadiga. É necessário um tempo de repouso para a reposição dos fluidos gastos durante as atividades mediúnicas. – O médium percebe quando está cansado e nesse caso, deve buscar repouso, ausentando-se do exercício mediúnico ou pelo menos, moderando a sua atividade. Isto varia de médium para médium, a depender do estado físico de cada medianeiro. A mediunidade pode levar à loucura? A mediunidade é uma doença? Com relação à loucura, Kardec foi enfático ao perguntar: – A mediunidade poderia causar a loucura? Resposta dos Espíritos: “Não mais que qualquer outra coisa, quando não há predisposição pela fraqueza do cérebro. A mediunidade não causará a loucura, se esta já não existir em germe, mas, se este existe, o que é fácil reconhecer pelo estado moral da pessoa, o bom senso diz que devemos tomar muito cuidado, porque toda causa de abalo pode ser prejudicial.” Segundo o codificador do Espiritismo, há pessoas que devem evitar toda causa de superexcitação, e a prática da mediunidade é uma delas. Portanto, a mediunidade está para todos – já que todos somos médiuns em um determinado grau – mas nem todos estão para a mediunidade. A MEDIUNIDADE É UMA DOENÇA? Em Diversidade dos Carismas , o autor Hermínio C. Miranda informa que “a mediunidade não é doença, nem indício de desajuste mental ou emocional - é uma afinação especial de sensibilidade. Como na música, somente funciona de maneira satisfatória o instrumento que não apresenta rachaduras, cordas arrebentadas, desafinadas ou qualidade duvidosa. [...] Isto quer dizer que não apenas o instrumento tem de estar afinado e em bom estado, mas harmonicamente integrado na orquestra em que atua.” Na supracitada obra, Hermínio de Miranda destaca que “a mediunidade não é um estado patológico e não deve ser exercida à custa da aniquilação da saúde física do médium.” MEDIUNIDADE E DISTÚRBIOS O Espírito Vianna de Carvalho, através da psicografia de Divaldo P. Franco, no livro Médiuns e Mediunidades , capítulo 7, nos esclarece a respeito da mediunidade: “Às vezes, quando do aparecimento da mediunidade, surgem distúrbios vários, sejam na área orgânica, através de desequilíbrios e doenças, ou mediante inquietações emocionais e psiquiátricas, por debilidade da sua constituição fisiopsicológica. Não é a mediunidade que gera o distúrbio no organismo, mas a ação fluídica dos Espíritos que favorece a distonia ou não, de acordo com a qualidade de que esta se reveste. Por outro lado, quando a ação espiritual é salutar, uma aura de paz e de bem-estar envolve o medianeiro, auxiliando-o na preservação das forças que o nutrem e sustentam durante a existência física. A mediunidade, em si mesma, não é boa nem é má, antes, apresenta-se em caráter de neutralidade, ensejando ao homem utilizá-la conforme lhe aprouver, desse uso derivando os resultados que acompanharão o medianeiro até o momento final da sua etapa evolutiva no corpo. ” Complementando seu raciocínio na obra acima exposta, arremata Vianna de Carvalho: “O exercício correto da mediunidade, a educação das forças nervosas, a canalização dos valores morais para o bem, brindam o indivíduo com equilíbrio, harmonia, dele fazendo mensageiro da esperança, operário da caridade e agente do amor, onde quer que se encontre, a serviço da própria elevação espiritual.” Em suma, o exercício saudável da mediunidade não traz consigo problemas. DOENÇAS E ENFERMIDADES Nos casos obsessivos, a simples presença do Espírito vingativo – em desequilíbrio – já é suficiente para dar início a uma série desencadeante de doenças e enfermidades. Quando a doença é originária de alguma debilidade orgânica, ou seja, sem ter inicialmente a influência de obsessores, estes por sua vez, aproveitam-se desse momento de fragilidade orgânica da sua vítima para infligir descargas energéticas mórbidas, intensificando a patologia existente. Em outros termos, o Espírito obsessor pode até não ter sido, nesse caso, o causador da enfermidade, porém, aproveita-se da situação, agravando o padecimento da sua vítima, para melhor lhe senhorear o psiquismo, e dependendo do gravame existente entre ambos, levando em conta a lei de causa e feito, mérito e demérito, a morte do seu objeto de vingança. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 3: Prudência Mediúnica Pergunta 22: A mediunidade pode levar à loucura? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 9ª edição. Editora Boa Nova, 2004. MIRANDA , Hermínio C. Diversidade dos Carismas. LACHATRE, novembro de 2019, 9ª edição. FRANCO , Divaldo Pereira (psicografia). Médiuns e Mediunidades. Vianna de Carvalho (espírito). 9. ed. Salvador: LEAL, 2015.
- 23. A mediunidade pode trazer desequilíbrios para a vida do médium?
A faculdade mediúnica está intimamente ligada à questão da sintonia. Através da afinidade, a interferência psíquica se faz de modo natural, permitindo ao ser desencarnado transmitir suas ideias e impulsos por meio da influência e/ou inspiração. A mediunidade traz desequilíbrios para a vida do médium? O autor Hermínio de Miranda ( Diversidade dos Carismas ) informa que o médium “não se deve esquecer de que sua sensibilidade atrai para o intercâmbio individualidades estranhas à sua. Esforçando-se por viver não um clima de santidade impossível, mas de honesto propósito de servir com o que tem de melhor em si, estará atraindo aqueles que têm afinidades com esses propósitos e não os que, ainda desarmonizados, só lhe poderão criar dificuldades adicionais.” Dessa maneira, o médium está sempre em comunhão com entidades espirituais que compactuam com o seu padrão vibratório, seus desejos, suas inclinações e o seu modo de pensar. Portanto, ninguém permanece isento da inspiração das mentes com as quais a sintonia e a ressonância – de modo consciente ou não – se fez. Sendo assim, onde estiver o pensamento do médium, ali estará a inspiração dos que sintonizam com as suas ondas e faixas mentais. Em suma, a mediunidade por si só é de caráter neutro, portanto, não seria a mediunidade a causa de desequilíbrios na vida do medianeiro, mas o próprio espírito do médium que carece de equilíbrio e harmonia¹. O médium desejoso de se equilibrar, fazendo a parte que lhe cabe, tal como a reforma íntima, o cultivo de bons pensamentos, a prática do bem e da caridade, bem como o tratamento espiritual e o Evangelho no Lar, passa a respirar em uma psicosfera de vibração mais elevada, além de cultivar a companhia dos bons Espíritos, tendo como consequência, o afastamento dos maus. LUTA INTERNA Inúmeras são as dificuldades que todo candidato a médium deve transpor. Um dos primeiros obstáculos que o medianeiro encontra está no seu próprio íntimo, nas suas más tendências. De forma silenciosa, a maior luta que o médium trava é com ele mesmo. Sendo assim, o sujeito que busca e deseja se autolibertar das influências perniciosas, deve seguir o caminho da retidão, da oração e vigilância, do estudo e da disciplina, a fim de adquirir comportamentos e hábitos saudáveis. ¹ Para que o medianeiro alcance a harmonia interior desejada, é necessário que apresente uma conduta compatível com os exemplos evangélicos, colaborando de maneira própria em favor do seu progresso espiritual. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 3: Prudência Mediúnica Pergunta 23: A mediunidade traz desequilíbrios para a vida do médium? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MIRANDA , Hermínio C. Diversidade dos Carismas. LACHATRE, novembro de 2019, 9ª edição.
- 21. Como médium, o que posso fazer para reduzir o meu medo em relação aos Espíritos?
Sem dúvidas, o medo é um sentimento que nos paralisa e nos turva a visão, impedindo que enxerguemos com clareza as questões do nosso dia a dia. Há diversos estudos que mostram que o medo pode ser inato ou adquirido. No primeiro caso o medo é inerente ao indivíduo, isto é, que já nasceu com ele de forma instintiva; no outro, esse medo é assimilado no decorrer da vida, seja pela observação dos fatos ou após experienciar situações traumatizantes. Como médium, o que posso fazer para reduzir o meu medo em relação aos Espíritos? Não raramente encontramos famílias que relatam e apresentam medo de fantasmas e de tudo aquilo que é desconhecido ou sobrenatural . Desse modo, é compreensível que uma pessoa oriunda desse núcleo familiar também apresente os mesmos medos no que se refere ao intercâmbio com os Espíritos. Esse é o medo adquirido e já internalizado. Entretanto, através da análise racional dos fatos proporcionada por meio dos estudos espíritas e da mediunidade, aliados a elevação do padrão vibratório do médium e o ingresso gradativo nas atividades mediúnicas, esses temores vão pouco a pouco desaparecendo, pois o medianeiro passa a compreender que tudo aquilo que ele julgava oculto, maravilhoso ou sobrenatural, na verdade se encontram pautados em leis naturais e de causas conhecidas. CONHECIMENTO INADEQUADO É certo que, no início da eclosão da mediunidade, quase sempre há manifestações mais desagradáveis, o que faculta, pela falta de conhecimento e instrução espiritual, o aumento do medo e a vontade de fazer cessar por imediato essas visões, sensações e vozes, por vezes, perturbadoras. Em Diversidade dos Carismas , o autor Hermínio C. Miranda destaca: “Alto preço em angústias, decepções e desequilíbrios emocionais e mentais, perfeitamente evitáveis, é pago a cada instante em consequência da desoladora ignorância em torno da problemática da mediunidade fora do contexto doutrinário do espiritismo. E não poucos desajustes sérios ocorrem no próprio meio espírita, no qual o conhecimento inadequado, insuficiente ou distorcido acaba resultando em problema mais grave do que a ignorância que busca informar-se de maneira correta.” Ainda na referida obra, Hermínio de Miranda diz que “são muitas e imprevistas as dificuldades a vencer na fase inicial da mediunidade. Não faltam turbulências, inquietações e perplexidades nem pessoas despreparadas, mas que se julgam 'entendidas', que não apenas podem complicar seriamente as coisas como até levar o médium iniciante a enveredar por atalhos nos quais acabará por perder-se.” VENCENDO OS OBSTÁCULOS INICIAIS A mediunidade é uma das ferramentas que melhor contribui no progresso evolutivo de quem dela se faz portador, visto que a mediunidade nos convida ao trabalho da caridade gratuita, despertando em nós o desejo de ajudar, de estender a mão a quem necessita, de aprender com os erros dos nossos irmãos que nos precederam a passagem paro o mundo espiritual, dentre outros. O que não significa que o sujeito, aos primeiros sinais da eclosão do mediunismo em sua vida, deva se tornar um trabalhador mediúnico, seja na casa espírita ou quaisquer outros espaços destinados a esse fim. Entregando-se cegamente – sem estudo, apoio ou orientação adequada – à experimentação dos fenômenos mediúnicos, o sujeito incorre em complicações sérias, que podem ir desde a obsessão simples a possessão, a fascinação e/ou subjugação. Com base nas explicações oriundas da obra acima mencionada, assinada por Hermínio C. Miranda, podemos compreender que de fato, é comum que esses primeiros chamamentos para a tarefa mediúnica sejam algo incômodos, insistentes e até perturbadores (achamos sempre inoportuno aquele que nos desperta para o trabalho do dia). É como um processo de iniciação. Torna-se necessário vencer os obstáculos iniciais a fim de que o caminho fique desobstruído para que espíritos de mais elevada condição se aproximem. AUTORIDADE MORAL Dando continuidade, o autor supracitado informa que essa primeira crise, portanto, precisa ser superada com equilíbrio, paciência e vigilância. O médium em potencial tem de conquistar o que Kardec define como ‘ascendente moral’ pelo seu procedimento correto, protegido, pelo recurso da prece. O problema seguinte está em procurar entender o que se passa com o indivíduo. [...] Não adianta tentar ignorar o problema. Ele existe e persistirá. Especialmente quando há compromissos programados para o exercício mediúnico como ser encarnado. ESTUDAR É O MELHOR CAMINHO Sendo a mediunidade um dom inato (que já nasce com o sujeito), dependendo de cada caso, ela pode ser desenvolvida e treinada; ou no mínimo, o médium em desabrochar deve buscar educar suas faculdades visando minimizar as perturbações que acompanham, geralmente, os primeiros raios da eclosão mediúnica. Nesse caso, o conhecimento e o aprendizado são sempre os caminhos mais indicados para a libertação dos medos ou outros temores envolvendo as manifestações medianímicas. Dessa forma, como ponto de partida, acreditamos que o estudo sério e disciplinado, acompanhado por instrutores bem orientados, seja o mais recomendado aos médiuns que desejam conhecer e/ou lidar melhor com a mediunidade em seu dia a dia... Eis o sentido desta máxima recortada da obra O Evangelho Segundo o Espiritismo: Ajuda-te a ti mesmo, que o céu te ajudará. Somos seres espirituais vivendo mais uma experiência carnal, portanto, não há o que temer sobre a nossa própria essência. Sigamos sem medo! SAÚDE EMOCIONAL, MENTAL E FÍSICA A pessoa insegura traz em si, no seu íntimo, reminiscências de experiências fracassadas em outras vidas. Sem dúvidas, a insegurança é um grande obstáculo para o exercício correto da mediunidade . Até mesmo nas comunicações inconscientes, o médium que é inseguro pode apresentar dúvidas ou outras demonstrações perturbadoras, tais como o medo e outros bloqueios. O médium inseguro, desejoso de se melhorar e de vencer os seus clichês mentais negativos, deve primeiramente atentar para o estudo da sua mediunidade . O estudo é a palavra-chave (o estudo permanente e diversificado de obras técnicas e evangélicas de autores confiáveis). Através do estudo, o médium é capaz de conhecer, discernir e se aprofundar diante das captações mentais e fluídicas oriunda das comunicações com os Espíritos. É justamente por meio dos estudos e das diversas experiências nas reuniões mediúnicas que o medianeiro vai libertando-se dos seus conflitos mentais, tais como a insegurança, o medo e os bloqueios em geral. Como nos adverte Manoel Philomeno de Miranda e m Mediunidade: Desafios e Bênçãos , através da psicografia de Divaldo Franco: “Quanto mais saúde emocional, mental e física possuir o medianeiro, melhor será para o resultado das suas atividades espirituais.” Portanto, é preciso que o médium busque trabalhar psicologicamente a sua insegurança, a fim de melhorar a sua autoestima e autoconfiança. CONVERSAÇÕES EDIFICANTES Manoel P. de Miranda, na supramencionada obra, complementa ao dizer que “a ação no bem, sob todas as formas, fará que o médium granjeie merecimento e a convivência saudável com as Entidades superiores interessadas no seu progresso.” Sendo assim, não apenas os medianeiros, mas todas as pessoas – de modo geral – devem atentar-se para os tipos de conversações que mantém em seu dia a dia. A conversa edificante e nobre, pautada em assuntos e temas que visam o amor, a caridade e o bem ao próximo, atraí os Espíritos mais elevados, que passam a inspirar todos aqueles que trazem o desejo sincero de se melhorar. Conversações fúteis, chulas, carregadas de palavrões, zombarias, humor picante, além do prazer por notícias catastróficas, por mortes, assassinatos, fofocas, dentre outros sentimentos animalescos, atraem a presença de Espíritos inferiorizados que orbitam esses mesmos sentimentos desequilibrantes. Dessa forma, o médium deve primar em manter diálogos edificantes, com conteúdos elevados e de significativo valor, facultando assim a sintonia com Espíritos nobres. CARACTERÍSTICAS DOS MÉDIUNS SEGUROS E por fim, os médiuns seguros trazem em si algumas características básicas, tais como, o equilíbrio emocional e mental, conduta idônea e uma relativa paz interior, resultado das suas ações diárias na prática do bem, da autoconfiança, da entrega e dedicação abnegada ao serviço da mediunidade iluminativa. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 2: Mediunidade Sem Medo Pergunta 21: Como médium, o que posso fazer para reduzir o meu medo em relação aos Espíritos? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MIRANDA , Hermínio C. Diversidade dos Carismas. LACHATRE, novembro de 2019, 9ª edição. KARDEC , Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile. 21ª edição. Editora Boa Nova, 2017. FRANCO , Divaldo Pereira (psicografia). Mediunidade: Desafios e Bênçãos. Manoel Philomeno De Miranda (espírito). Editora LEAL, 2019.
- 20. Como se manifesta a mediunidade em crianças?
A mediunidade obedece a um ciclo natural de afloramento, variando de pessoa pra pessoa em uma escala infinita, podendo eclodir em qualquer momento de nossa vida, desde que isso faça parte e esteja definido em nossa programação espiritual. Sendo assim, o surgimento da mediunidade pode ser dividido em quatro fases sucessivas. Nesse contexto, é essencial agirmos com prudência para que a prática, o desenvolvimento ou a educação mediúnica ocorram sem causar prejuízos significativos ao médium iniciante. Em qual idade é recomendado o desenvolvimento e/ou educação da mediunidade? As quatro fases da eclosão mediúnica – mencionadas acima – variam de acordo com a idade, sendo: 1ª FASE - De 0 a 7 anos Compreendemos por essa fase, o período que vai do nascimento da criança até a idade entre 7 e 8 anos. Ao nascer, a criança ainda mantém uma relação muito tênue com o mundo espiritual e em virtude disso, não raramente, relatam a presença de outras pessoas no recinto (geralmente chamado pelos pais e psicólogos de amigo imaginário ), podendo até mesmo, comunicar conselhos e advertências dos Espíritos aos familiares. Por volta dos 7 anos, como nos relata André Luiz no capítulo XVIII do livro Missionários da Luz (por intermédio de Chico Xavier), o processo de reencarnação é concluído; seu corpo espiritual (perispírito) já está mais acomodado ao corpo físico e aos poucos, a criança começa gradativamente a se desligar do intercâmbio natural com o mundo espiritual, passando a dar maior relevância às relações humanas. Encerra-se o primeiro ciclo. Considera-se então que nesse estágio inicial a criança não possui mediunidade, posto que, a condição orgânica no período da infância permite quase sempre essa ligação com o mundo espiritual e, em muitos casos, após a idade de 7 ou 8 anos, a criança não volta a manifestar nenhum sinal de mediunidade ostensiva. O QUE FAZER? Mesmo em crianças cuja mediunidade já se apresenta de maneira acentuada e natural, o estímulo e a superexcitação devem ser evitados ao máximo pelos pais e responsáveis ; aguardando serenamente o momento mais propício para seu estudo e possível desenvolvimento. Além de não estimular a evolução precoce dessa mediunidade, os pais podem conversar de modo edificante com a criança, buscando ouvir (e entender) atentamente o que o petiz (criança) tem a dizer, praticando assim, a paciência, a compreensão e a compaixão fraterna. Quando a mediunidade aflora na infância de modo espontâneo, as visões que a criança possui é tão natural que isso não lhe traz nenhum prejuízo, transtorno ou desequilíbrio. Nesse ínterim (intervalo de tempo entre dois fatos), é prudente que os pais encaminhem as crianças aos encontros de evangelização infantil (sem esquecerem que a educação moral começa dentro do próprio lar), muito comum nas casas espíritas. Nessas ocasiões, tanto a criança como os pais vão sendo esclarecidos e auxiliados com esses encontros, palestras e passes semanais. A família também pode se beneficiar grandiosamente com a prática do Evangelho no Lar, assim como o hábito da oração diária e da leitura edificante que são sempre benéficas. O QUE DIZ KARDEC SOBRE A MEDIUNIDADE EM CRIANÇAS? Em O Livro dos Médiuns , capítulo XVIII, Allan Kardec pergunta aos Espíritos: – Haverá inconveniente em desenvolver-se a mediunidade nas crianças? Assertivamente os Espíritos respondem: "Certamente. Afirmo que é muito perigoso, porque esses organismos frágeis e delicados seriam demasiado abalados, e sua jovem imaginação ficaria superexcitada. Também os pais prudentes os afastarão dessas ideias, ou pelo menos lhes falarão apenas das consequências morais.” Adiante Kardec faz outra indagação a esse respeito: – Em que idade se pode ocupar, sem inconvenientes, de mediunidade? Eis a resposta dos Espíritos: “Não há idade precisa, isso depende do desenvolvimento físico e mais ainda do desenvolvimento moral. Há crianças de 12 anos que serão menos afetados que certas pessoas adultas. Falo da mediunidade em geral, mas aquela que se aplica em efeitos físicos é mais fatigante para o organismo. A escrita tem outro inconveniente que tem a ver com a inexperiência da criança, se quisesse praticar sozinha e dela fazer um brinquedo.” 2ª FASE - Por volta de 12 anos Compreendemos por essa fase, o período correspondente ao surgimento da adolescência, por volta de 12 ou 13 anos. Nesse momento, as manifestações mediúnicas podem se tornar mais intensas devido ao amadurecimento do corpo físico. Assim como na primeira fase, não devemos tentar seu desenvolvimento ou superexcitar a imaginação do adolescente; porém, os pais e responsáveis podem expor informações mais precisas acerca da mediunidade, dando-lhe a direção necessária, sem forçá-lo, estimulando-o apenas no tocante aos ensinos evangélicos/morais. Pode ocorrer de o adolescente não querer, nesse momento, nenhuma relação com o grupo de jovens na casa espírita ou nada relacionado à religiosidade, renegando à sua mediunidade e dedicando-se aos sonhos juvenis. Frequentemente na fase da adolescência, os jogos, os esportes, as brincadeiras, a escola, a internet, as redes sociais, o lazer e os passeios podem ser bem mais atrativos para o médium teen . Nesse caso, é preciso mais uma vez respeitá-lo, ajudando-o com amor e compreensão, assim como as preces, o passe e o Evangelho no Lar. Já dizia o velho adágio popular que um exemplo vale mais que mil palavras , aqui traduzidos por o exemplo familiar vale mais que mil exortações . Forçar alguém a seguir um caminho que essa pessoa rejeita, não gosta ou não quer, é uma violência contra o seu livre arbítrio, podendo ocasionar em graves prejuízos no futuro. AS IRMÃS BAUDIN Por outro lado, vários adolescentes integram-se naturalmente e com facilidade a essa nova situação, preparando-se com esmero para o estudo mediúnico. Em diversos casos também será possível encontrarmos um número variado de jovens trabalhando em reuniões mediúnicas como médiuns ostensivos sem quaisquer prejuízos derivados desse intercâmbio. Com isso, não estamos incentivando o desenvolvimento mediúnico em tenra idade, sendo cada caso um caso a ser analisado, até porque, nem todos os que apresentam uma mediunidade nessa fase (a partir de 12 anos) estão, de fato, aptos a trabalharem mediunicamente. Esses episódios no qual adolescentes exercem o intercâmbio com o mundo espiritual não é nenhuma novidade no meio espírita, muito menos motivos de escândalos ou temor (como dissemos, cada caso é um caso e necessita prudência em analisar as diversas circunstâncias). Basta lembrarmos que o próprio codificador, Allan Kardec, usou da mediunidade das jovens irmãs Caroline e Julie Baudin, ambas com 16 e 14 anos respectivamente, sendo elas as responsáveis por psicografarem quase todas as questões da primeira edição de O Livro dos Espíritos . As respostas obtidas por meio das irmãs Baudin eram analisadas, revistas e comparadas com as mensagens recebidas por outros médiuns, através do método científico proposto por Kardec (universalidade das informações). 3ª FASE - Entre 18 e 25 anos E sse período corresponde, comumente, a passagem da adolescência para a juventude, entre os 18 e 25 anos. Nesse momento, o médium em desabrochar pode levar em consideração, caso queira, o estudo sério do espiritismo, da mediunidade e o engajamento nas reuniões mediúnicas. Visando sanar maiores dúvidas, recomendamos a leitura dos seguintes itens: - O desenvolvimento da mediunidade é obrigatório? ( vide questão 17 ) - Como surge a mediunidade? ( vide questão 09 ) - Como identificar com precisão o meu tipo de mediunidade? ( vide questão 14 ) - É possível impedir ou bloquear o surgimento da mediunidade? ( vide questão 16 ) 4ª FASE - Na aproximação da velhice Essa fase corresponde a mediunidade que aparece apenas na maturidade, na velhice ou na sua aproximação. Não nos referimos aqui das famosas visões que o enfermo apresenta no leito de morte, mas efetivamente de uma mediunidade manifestada tardiamente. Nessa situação, o médium tardio, à sua escolha, pode se dirigir a uma casa espírita em busca de maiores informações e amparo a respeito de sua mediunidade, seja para querer desenvolvê-la (caso goze de condições físicas e psicológicas), educá-la ou apenas receber a terapêutica correta, caso essa nova conjuntura lhe acarrete maiores transtornos. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 2: Mediunidade Sem Medo Pergunta 20: Como se manifesta a mediunidade em crianças? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS XAVIER , Francisco Cândido. Missionários da Luz. André Luiz (espírito). FEB Editora, 2018. KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 9ª edição. Editora Boa Nova, 2004.
- 19. A mediunidade é genética, podendo ser passada de pais para filhos?
O Espírito Vianna de Carvalho, em Médiuns e Mediunidades – cap. XVII, intitulado: Médiuns em desconcerto – , pela psicografia de Divaldo Franco, conta-nos que todos os médiuns, sem exceção, durante o seu planejamento reencarnatório, pediram para regressar ao orbe terrestre portando essa faculdade. A mediunidade é genética, podendo ser passada de pais para filhos? Portanto, a mediunidade faz parte da programação reencarnatória de todos aqueles que – por extensão da misericórdia divina – encontram nestas faculdades, uma ferramenta que poderá ser útil à sua própria evolução espiritual (desde que usada em benefício dos mais necessitados, com propósitos dignos, elevados e abnegados, pautados no amor e na caridade). Dessa forma, antecipadamente, os geneticistas do mundo espiritual – responsáveis pela reencarnação do futuro médium – preparam todos os códigos genéticos que melhor correspondam às necessidades do reencarnante¹. Abordando essa temática, em O Livro dos Espíritos , questão 451, Kardec pergunta: – Por que é que a segunda vista parece hereditária em algumas famílias? Resposta dos Espíritos: Por semelhança do organismo, que se transmite como as outras qualidades físicas. Depois, a faculdade se desenvolve por uma espécie de educação, que também se transmite de um a outro. O CORPO HERDA DO CORPO Em Filosofia Espírita – Vol. IX , o benfeitor Miramez (pela mediunidade de João Nunes Maia) comenta a respeito dessa questão ao dizer: Em algumas famílias parece que a segunda vista é hereditária e, de certa forma o é, porque o corpo herda do corpo. Tendo a mediunidade bases físicas, algum traço do complexo fisiológico acresce um pouco na visão espiritual; no entanto, não fica somente na herança física, porque é o Espírito que vê. Ainda na referida obra, Miramez destaca que alguns Espíritos que reencarnam em família têm compromissos em conjunto, e já vêm do plano espiritual com tarefas definidas e já têm os dons aflorados para os mesmos objetivos. Mas, pode acontecer o contrário: existir em uma família numerosa um somente que tenha dons mediúnicos desenvolvidos e os outros nada, até ignorando essa faculdade. Ninguém recebe de graça os valores da alma. E de forma sábia, o benfeitor Miramez arremata: Notamos muitas famílias em que somente um dos membros possuí mediunidade em exercício, sendo que os outros, por vezes, trabalham para essa aquisição e nada conseguem. Já em outras, aparece espontaneamente essa faculdade. Nós já trazemos do mundo espiritual as nossas tarefas definidas, e em poucos casos elas são mudadas, conforme as necessidades e o merecimento de cada um. USANDO O MATERIAL GENÉTICO DOS PAIS Desse modo, é lógico e bastante claro o conceito onde a equipe espiritual utilize o material genético dos pais – principalmente se um deles for médium ostensivo – para a formação do corpo físico do futuro médium. Em outras palavras, dispondo na família do reencarnante o DNA que possibilite a manifestação da mediunidade, a exemplo da formação da glândula pineal, a espiritualidade estabelece um plano genético que facultará a formação de um corpo físico compatível com os tipos de medianimidades que o reencarnante irá desenvolver durante à sua experiência carnal. Isso não significa que em uma família onde não existam vestígios genéticos que auxiliem a formação do corpo que servirá de instrumento mediúnico, que a equipe espiritual não seja capaz de alterar os genes, durante o processo gestacional, favorecendo a formação de um corpo físico compatível ao objetivo proposto. Da mesma maneira, nada garante que sendo ambos os pais médiuns ostensivos, que a criança reencarnante venha também, posteriormente, a ser médium ostensivo; tudo dependerá se isso faz parte ou não do seu planejamento reencarnatório. O que queremos dizer é que todos os recursos baseados nas leis da natureza, e que possam vir a colaborar com o trabalho da espiritualidade benfeitora, não são descartados. Sabemos ainda que a nossa ciência médica está longe de descobrir ou investigar todos os mistérios que envolvem a formação e o desenvolvimento do nosso corpo físico. MARCHA INCESSANTE DA EVOLUÇÃO Em relação aos corpos físicos, o médium e orador espírita Divaldo Pereira Franco, por meio do livro Diretrizes de Segurança – Mediunidade , disserta que, segundo à sua observação, os médiuns são portadores de uma predisposição especial . Essa predisposição é a responsável pela mais ampla capacidade de que os medianeiros vêm apresentando em registrar e decodificar com mais facilidade e naturalidade as ondas mentais dos Espíritos desencarnados. Diz ainda que no futuro, acredita ele, os corpos serão cada vez mais sutis e melhorados para os trabalhos mediúnicos. Com base neste relato e nas leis divinas – que são fundamentadas na própria natureza –, compreendemos que toda mudança é gradativa, e nunca de forma abrupta. Sendo assim, podemos ressaltar que aos poucos, paulatinamente, estamos vivenciando uma mudança genética em nossos corpos. Essas mudanças sutis de DNA vêm permitindo aos medianeiros da atualidade possuir um corpo que melhor corresponda ao exercício da sua lide espiritual. Tal qual a humanidade progride, o próprio planeta está em constante evolução. Caso o homem pudesse acompanhar essas mudanças, ele veria como este movimento não cessa, e cedo ou tarde, caminhamos para o nosso melhoramento, sendo esta, a marcha incessante da evolução. Então, por quais motivos os médiuns, a mediunidade e os corpos físicos dos medianeiros também não estariam evoluindo? 1. Para melhor compreensão e aprofundamento desta temática, recomendamos a leitura do capítulo 12 da obra Missionários da Luz (André Luiz/Chico Xavier), na qual retrata sobre o planejamento e a reencarnação do Espírito Segismundo. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 2: Mediunidade Sem Medo Pergunta 18: A mediunidade é genética, podendo ser passada de pais para filhos? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FRANCO , Divaldo Pereira (psicografia). Médiuns e Mediunidades. Vianna de Carvalho (espírito). 9. ed. Salvador: LEAL, 2015. KARDEC , Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB; 93ª edição. Rio de Janeiro, 2014. MAIA , João Nunes (psicografia). Filosofia Espírita – Vol. IX. Miramez (espírito). Fonte Viva, 1ª edição, 1989. FRANCO , Divaldo Pereira; TEIXEIRA , Raul. Diretrizes de Segurança - Mediunidade. InterVidas, 2012. XAVIER , Francisco Cândido. Missionários da Luz. André Luiz (espírito). FEB Editora, 2018.
- 18. Posso perder a mediunidade?
A mediunidade, assim como toda e qualquer faculdade que Deus nos permite ser o seu usufrutuário, pode nos ser retiradas, se assim não fizermos um bom uso delas. Posso perder a mediunidade? Somos privados dessas faculdades (seja por um curto período de tempo ou por várias reencarnações) até aprendermos a valorizar essas ferramentas que nos são emprestadas em favor do nosso progresso e adiantamento. O que não valorizamos em uma vida, nos é retirado em uma próxima, ou até mesmo na atual existência. Não nos referimos aqui apenas à mediunidade, mas também a inteligência, o dom da oratória, da música, pintura e artes em geral, assim como todas as outras. INTERMITÊNCIAS E SUSPENSÕES DA MEDIUNIDADE Allan Kardec já nos alertava em O Livro dos Médiuns que a faculdade mediúnica está sujeita a intermitências e a suspensões momentâneas, a depender de uma série de fatores. Segundo os ensinos de Kardec extraídos da obra acima exposta, podemos concluir que: 1 – É frequente a perda ou suspensão da mediunidade, e isso independe do seu gênero ou categoria. 2 – Geralmente essa interrupção é momentânea, sendo restabelecida após cessar a causa que a iniciou. 3 – Para se obter uma comunicação mediúnica (ou quaisquer manifestações do gênero) é obrigatoriamente necessário o concurso e a intervenção direta dos Espíritos. Portanto, não é a mediunidade que desaparece, mas os Espíritos que – por diversos motivos – não querem ou não podem recorrer ao aparelho físico do médium. 4 – Os Espíritos elevados abandonam o concurso do médium a partir do momento em que este passa a usar indevidamente à sua mediunidade, utilizando-a para o seu próprio prazer, cobrando dinheiro ou favores para atender os que lhe procuram, fingindo comunicações que não são verdadeiras, fazendo adivinhações, brincadeiras, assim como tudo aquilo que é frívolo, ambicioso e ganancioso. Nesse caso, os Espíritos elevados advertem e esclarecem o médium por diversas vezes e ao verem que seus conselhos não são escutados, abandona-o. A partir deste momento, o medianeiro invigilante abre as portas do seu aparelhamento físico para que os Espíritos inferiores o utilizem continuadamente. 5 – Em muitos casos, ao se afastarem, os Espíritos elevados privam o medianeiro de toda e qualquer comunicação mediúnica, tendo como objetivo ensiná-lo que a mediunidade não depende dele (médium), a fim de que ele não se envaideça e perceba que a mediunidade sem o concurso dos Espíritos é nula ou sem proveito. 6 – A perda ou suspensão da mediunidade não é sempre uma punição, podendo até mesmo ser uma prova de benevolência. Em certos casos, nosso anjo guardião nos priva de toda e qualquer manifestação mediúnica para dar-nos o repouso material que nos julga necessário, seja por estarmos doentes, exaustos, nos recuperando de uma cirurgia, etc. 7 – Pode ocorrer que o médium não se encontre necessitado de repouso físico, muito menos fazendo uso indevido da sua mediunidade e mesmo assim, ocorre à sua intermitência. Nesse caso, é a paciência, a honestidade e a perseverança do médium que está sendo provada, para ver se o medianeiro irá desanimar ou fingir comunicações falsas/inexistentes. Outras vezes é para que ele medite sobre as instruções que recebera. Sendo assim, uma das formas de abreviar essa interrupção é através da resignação e da prece. 8 – O afastamento da espiritualidade que nos assiste não significa que estamos sozinhos ou abandonados. Através do pensamento, mesmo com a falta da mediunidade ostensiva, o médium pode e deve continuar a conversar mentalmente com os Espíritos que lhe são caros, tendo a certeza de que é escutado pelo seu guia e protetor espiritual. EM SÍNTESE Em síntese, a perda ou suspensão da mediunidade pode ocorrer devido ao seu mau uso, problemas de saúde ou uma prova de paciência e resignação para o médium. Interrogando à sua consciência, analisando o seu dia a dia, o seu estado de saúde, assim como o uso que vem fazendo da mediunidade, o médium pode encontrar os motivos que levaram ao interrompimento da sua faculdade medianímica, assim como o afastamento dos bons Espíritos e a aproximação dos maus. CUIDADOS MORAIS A faculdade mediúnica necessita de cuidados próprios. Quando a faculdade mediúnica não recebe os devidos cuidados (principalmente os de aspecto moral) por parte do seu portador, ela não desaparece por completo. Nesse caso, quando os Espíritos elevados percebem que suas advertências e esclarecimentos são ignorados repetidamente pelo médium invigilante, eles se afastam – respeitando as leis de causa e efeito, de sintonia e afinidade –, deixando o medianeiro a mercê dos Espíritos inferiores (que ele mesmo atraiu) e que passam a usar à sua faculdade para fins menos dignos. Ao médium displicente perante a sua condição, é quase certo o seu padecimento via obsessão/possessão, além do surgimento de graves enfermidades e transtornos emocionais/psicológicos a médio e longo prazo, isto é, na atual encarnação e muito provavelmente nas futuras. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 2: Mediunidade Sem Medo Pergunta 18: Posso perder a mediunidade? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 9ª edição. Editora Boa Nova, 2004.
- 17. O desenvolvimento da mediunidade é obrigatório?
Um dos pontos-base da doutrina espírita é o respeito ao livre arbítrio de cada pessoa. Dizer o que cada um deve ou não fazer seria impor algo; ora, a imposição fere o princípio de liberdade que cada sujeito possui. Deste modo, nos limitamos aqui a esclarecer cada pergunta com base nas luzes da codificação de Allan Kardec, o Evangelho de Jesus Cristo e livros consagrados da literatura espírita, ficando cada indivíduo responsável por suas ações, suas obras, o que faz ou deixa de fazer. O desenvolvimento da mediunidade é obrigatório? A princípio, o que precisamos levar em consideração é se o médium iniciante precisa desenvolver ou apenas educar à sua mediunidade. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo , Kardec diz que a mediunidade é uma coisa sagrada, que deve ser praticada santamente, religiosamente . Assim sendo, desenvolver a mediunidade é entender que ela é uma extensão da misericórdia divina que nos concede uma oportunidade de evoluirmos e melhorarmos moralmente, na medida em que trabalhamos – abnegadamente – em prol dos mais necessitados, sejam eles encarnados ou desencarnados. Portanto, o desenvolvimento da mediunidade deve objetivar o trabalho santificante e gratuito na seara de Jesus. Jamais por motivos de curiosidades, brincadeiras, adivinhações ou mais uma forma de ganhar dinheiro ou obter favores dos Espíritos e/ou encarnados. Além disso, conforme nos esclarece Hermínio C. Miranda, em Diversidade dos Carismas , a mediunidade é instrumento de trabalho, não para uso e gozo pessoal, mas para servir. Se a pessoa não se sente preparada para isso, é melhor cuidar de outra atividade. Não se esqueça, contudo, de que não se pode simplesmente apertar um botão, torcer uma chave ou aplicar uma rolha às faculdades nascentes que estará tudo resolvido. Se são apenas sinais esparsos e ocasionais, como já vimos, tudo bem, não vale a pena nem é recomendável forçar o desenvolvimento de faculdades nas quais a pessoa não está sequer interessada senão para 'brilhar' ou brincar com fatos insólitos. No entanto, como afirma o referido autor, se essas manifestações são claras, persistentes e abundantes, é preciso assumir com determinação as responsabilidades que elas trazem. É necessário entregar-se a algumas renúncias, aceitar certa disciplina mental e de comportamento, e dedicar-se às tarefas que, evidentemente, fazem parte de sua programação espiritual. Complementando o seu ponto de vista, Hermínio C. Miranda reitera que fenômenos mediúnicos esporádicos e isolados, embora indiquem um potencial mediúnico, não necessariamente implicam em um compromisso com a tarefa mediúnica, pois o livre-arbítrio sempre prevalece. Não devemos, por exemplo, levar uma jovem a um centro espírita apenas porque ela viu o espírito de sua avó. Entretanto, se esses fenômenos persistem e se manifestam de formas variadas - como vidência, efeitos físicos, desdobramentos acompanhados de episódios nitidamente mediúnicos - então é o momento de buscar orientação de alguém com conhecimento e experiência no assunto. O QUE ACONTECE PARA UMA PESSOA QUE SE RECUSA A DESENVOLVER SUA MEDIUNIDADE? No livro Plantão de Respostas – Pinga Fogo II , Chico Xavier e Emmanuel clarificam nossa mente em relação ao desenvolvimento da mediunidade, com base na pergunta abaixo: – O que acontece para uma pessoa que se recusa a desenvolver sua mediunidade, já que esta mediunidade pode ajudar muitas pessoas? Haverá algum castigo ou cobrança? Com seu jeito peculiar, Chico Xavier – sob a orientação de Emmanuel, seu guia espiritual – responde: “Energias que não doamos podem ser fatores de desequilíbrio em nossas vidas. Nossa consciência, em geral, nos cobra uma atitude perante as tarefas que nos cabem. Praticando o bem em qualquer parte, estaremos colocando nossa mediunidade a serviço de todos.” Hermínio C. Miranda, em sua obra acima citada, compactuando desse mesmo tipo de pensamento, afirma: Tanto é assim que faculdades embotadas, rejeitadas ou ignoradas por médiuns em potencial causam distúrbios às vezes incontornáveis, porque as energias de que os sensitivos dispõem para essa finalidade não estão encontrando seu escoadouro natural no desempenho normal da tarefa. Ainda na referida obra, o autor destaca que são inúmeros e frequentes os casos de médiuns em potencial que, apenas iniciados no exercício controlado de suas faculdades, livram-se, como por encanto, de pressões íntimas, impaciências, irritações e desassossegos indefiníveis, além de assédios indesejáveis de desencarnados que ele não sabe como controlar ou neutralizar. Se, porém, entregar-se desregradamente ao trabalho mediúnico, especialmente na fase inicial de ajustamento de suas faculdades, por certo terá problemas de saúde física e mental, acarretados por excesso no esbanjamento de energias psíquicas. Através destas afirmações, Hermínio, Chico e Emmanuel, nos levam a meditar que, efetivamente, o acúmulo de energias canalizadas através de uma mediunidade não trabalhada pode ser a causa de algumas desarmonias em nossas vidas . Refletindo ainda sobre as assertivas acima, devemos ter em mente que muito mais do que desenvolver a prática mediúnica, devemos antes de tudo, desenvolver em cada um de nós a prática do bem (sendo esta uma das formas mais simples de doarmos essa energia acumulada e não trabalhada). A prática da bondade, independentemente do local em que exercitamos essa ação (seja na rua, na igreja católica ou evangélica, no terreiro de umbanda, templo budista, casa espírita ou outros), já faz de cada um de nós um médium do bem em favor do próximo, e a priori, isso basta. DIANTE DO AFLORAR MEDIÚNICO Diante do aflorar mediúnico (isto é, se o gérmen da mediunidade realmente existe e passa a se repetir de forma explícita), o autor Hermínio C. Miranda – em Diversidade dos Carismas – traz à sua valiosa contribuição, mostrando-nos quatro situações que podem ocorrer na vida medianeiro, sendo elas: 1) ausência de orientação , quando o médium iniciante acha que pode resolver sozinho suas faculdades. O risco é grande de acabar mesmo perturbado ou obsessivo, joguete de espíritos irresponsáveis ou vingativos; 2) orientação inadequada , quando a pessoa chamada a opinar não está suficientemente qualificada, agrava a situação com sugestões e 'palpites' de 'entendido' incompetente, o que acarreta complicações verdadeiramente desastrosas; 3) desorientação , quando o médium iniciante se apavora, entra em pânico e, em vez de procurar examinar serenamente a situação e avaliar tudo com bom senso, atira-se atabalhoadamente a uma atividade febril e desordenada, adotando tudo quanto seja sugestão, comparecendo a qualquer centro que lhe seja indicado, submetendo-se a qualquer treinamento ou ritual que lhe digam necessário para desenvolver suas faculdades. Pode ser até que seja um excelente médium em potencial, mas estará em sérias dificuldades dentro em pouco; 4) orientação correta , neste caso, o médium incipiente teve a sorte (ou o bom senso) de encontrar a pessoa certa que o ajuda a ordenar as coisas, orientando-o a observar os fenômenos com espírito crítico, a estudar os aspectos teóricos da questão em livros confiáveis e, eventualmente, a integrar-se num grupo que lhe proporcione as condições de que necessita para desenvolver a sua tarefa. EDUCANDO A MEDIUNIDADE Caso opte por não desenvolver a mediunidade (para trabalhar nas reuniões mediúnicas), desejo este que deve ser sempre respeitado pela casa que o acolhe , o médium portador de uma faculdade mais ostensiva deve primar, ao menos, por educar sua mediunidade . Conforme nos assegura – em seu livro supramencionado – o pesquisador espírita Hermínio C. Miranda, a “mediunidade é dom inato mas, como qualquer outra faculdade, pode (e precisa) ser desenvolvida e treinada.” A educação mediúnica nos termos aqui referidos compreende o entendimento básico que o médium precisa ter para conviver harmoniosamente com a sua mediunidade , isto é, aprender a distinguir e se proteger das energias nocivas ao seu redor, a ter o maior controle sobre o seu psiquismo – para não incorporar em locais inapropriados , por exemplo –, saber reconhecer quais são os níveis evolutivos dos Espíritos que se apresentam e dessa maneira, ter uma vida mais equilibrada, sem que para isso ele venha a ser um membro/trabalhador de reuniões mediúnicas. SOU OBRIGADO A DESENVOLVER MINHA MEDIUNIDADE? Se ao chegar a uma casa espírita/espiritualista e lhe disserem que sua mediunidade precisa ser desenvolvida obrigatoriamente , que essa é sua missão de vida , que você precisa trabalhar a todo custo, que a espiritualidade está lhe despertando para esse serviço e do contrário (recusando essa atividade), você poderá sofrer grandes consequências (sejam elas físicas, psicológicas e/ou espirituais), absolutamente, este não é um local que segue verdadeiramente os princípios cristãos do amor, do respeito e da caridade, e consequentemente, não é um âmbito propício ao estudo, aconselhamento, desenvolvimento ou educação mediúnica. Dizemos isso, pois temos visto em várias tendas espiritualistas (e também, infelizmente, em algumas casas espíritas), inúmeros médiuns serem obrigados, intimados ou pressionados ao desenvolvimento mediúnico, sem poderem se ausentar a posteriori dos seus trabalhos medianímicos sob o pretexto de sofrerem graves problemas em suas vidas. A consequência de tudo isso é o medo, o pavor, o pânico e a repulsa por tudo que é associado à espiritualidade, podendo estas pessoas mais tardes, serem vítimas de sérias obsessões (inclusa aqui a auto-obsessão). É importante ressaltar que os Espíritos superiores que nos assistem, sejam eles nosso anjo guardião, mentor, bom gênio ou espírito familiar, jamais nos castigam por algo que fazemos e, principalmente, por nos recusarmos a desenvolver ou trabalhar nossa mediunidade. Mediunidade é amor e o amor jamais deve ser praticado com base no medo, em ameaças, represálias ou perseguições. Como vimos, em muitos casos é o próprio Espírito que vai reencarnar que pede para vir com a mediunidade aflorada, e para melhor desempenho de suas faculdades, inicia seus estudos mediúnicos no mundo espiritual, firmando o compromisso de desenvolver essa atividade ao regressar ao plano físico. Porém, ao retornarem ao corpo carnal, o médium reencarnante sempre tem direito ao seu livre arbítrio, ficando a cargo de sua consciência, o estudo, a educação, o trabalho e o desenvolvimento medianímico. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 2: Mediunidade Sem Medo Pergunta 17: O desenvolvimento da mediunidade é obrigatório? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile. 21ª edição. Editora Boa Nova, 2017. MIRANDA , Hermínio C. Diversidade dos Carismas. LACHATRE, novembro de 2019, 9ª edição. XAVIER , Francisco Cândido. Plantão de Respostas - Pinga Fogo II. Ceu, 2015.
- 16. É possível impedir ou bloquear o surgimento da mediunidade?
A mediunidade é uma atividade cuidadosamente programada antes de cada reencarnação. Frequentemente, os próprios reencarnantes têm a oportunidade de participar desse planejamento, expressando o desejo de retornarem com a mediunidade aflorada, bem como, participando da escolha das provas que deverá enfrentar. É possível impedir ou bloquear o surgimento da mediunidade? No entanto, ao retornarem ao berço terrestre em posse de um novo corpo carnal, muitos desses reencarnantes se deparam com suas antigas paixões e acabam sucumbindo aos vícios, prazeres e desejos terrenos. Como resultado, abandonam os acordos estabelecidos no mundo espiritual, incluindo o exercício abnegado da mediunidade. Em contrapartida, muitos são os que aceitam à mediunidade com naturalidade, trazendo na memória espiritual os compromissos assumidos na erraticidade. Os que abraçam a mediunidade sem medo, passam a trabalhar em seu autobenefício, equilibrando a balança de seus débitos pretéritos. MÉDIUNS IMPERFEITOS Trazendo mais uma vez o ensino dos Espíritos – através de Allan Kardec – em O Livro dos Médiuns , temos por parte do codificador as seguintes indagações: – Com que fim a Providência outorgou de maneira especial, a certos indivíduos, o dom da mediunidade? Eis a resposta dos Espíritos superiores: "É uma missão de que se incumbiram e cujo desempenho os faz ditosos. São os intérpretes dos Espíritos com os homens." Dando continuidade, questiona o exímio codificador: – Entretanto, médiuns há que manifestam repugnância ao uso de suas faculdades. E sabiamente a espiritualidade amiga arremata: "São médiuns imperfeitos; desconhecem o valor da graça que lhes é concedida." É certo que muitas pessoas apresentam medo ou receio da mediunidade na qual são portadoras, e como já dissemos neste livro, ninguém é obrigado a desenvolver ou exercer à sua mediunidade. Sabemos também que nem todos que apresentam uma mediunidade em eclosão podem ou devem desenvolver essa atividade. BLOQUEANDO O DESENVOLVIMENTO DA MEDIUNIDADE Em certos casos, quando a mediunidade eclode em uma criança pequena – por exemplo – e isso lhe causa algum transtorno, temos visto o auxílio da espiritualidade que, em situações específicas, por meio de uma reunião mediúnica, bloqueia o mediunismo dessa criança a fim de cessar o desequilíbrio que ela esteja apresentando; porém, esse bloqueio é temporário, voltando a mediunidade a se manifestar em um momento posterior. Já em adultos, esse processo não é tão comum de ocorrer. Por mais que o sujeito não aceite ou não acredite, a mediunidade é parte da sua vida e lhe acompanhará por toda a existência. Obedecendo à lei do progresso na qual todos nós estamos imantados, a mediunidade submete-se a um ciclo natural, e por mais que possamos recusá-la, chegará o momento em que deveremos acompanhar a evolução à nossa volta, seja de um modo natural ou através do fluxo do progresso (arrastando aqueles que ficam estagnados). Desse modo, não existindo receita eficaz para bloquear o desenvolvimento ostensivo da mediunidade, é sempre interessante que o médium em afloramento opte, ao menos, por sua educação mediúnica. O estudo da mediunidade não faculta o seu desenvolvimento, muito menos retarda semelhante processo, porém, permite que o médium munido de conhecimento a respeito dos fenômenos medianímicos viva de forma mais equilibrada e saudável. (ver questões nº 10 e n° 17 ). Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 2: Mediunidade Sem Medo Pergunta 16: É possível impedir ou bloquear o surgimento da mediunidade? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile. 9ª edição. Editora Boa Nova, 2004.










