Mediunidade com Kardec
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- 35. Na ausência de um centro espírita, como posso me orientar e desenvolver minha mediunidade?
É válido ressaltar – ou relembrar – que a mediunidade não é exclusiva da doutrina espírita (muito menos foi criada por ela), estando presente em diversas religiões, culturas, etnias, meios sociais, etc. Existindo assim, provenientes de diferentes doutrinas e religiões, outras fontes de conhecimentos com relação aos fenômenos medianímicos e o seu desenvolvimento. Não obstante, apesar da mediunidade estar presente na seio da humanidade desde os primeiros passos do homem sobre a Terra, foi através de Allan Kardec – com o lançamento de O Livro dos Médiuns (1861) – que veremos a mediunidade sendo pesquisada de forma aprofundada e sensata, o que torna lícito dizer que o centro espírita é, de fato, o local mais indicado para o estudo e o desenvolvimento dos dons mediúnicos. O centro espírita é o local mais indicado para o desenvolvimento da mediunidade. Reconhecendo o Livro dos Médiuns como o ponto de partida mais seguro para o estudo da mediunidade, encontraremos nas casas espíritas o ambiente mais prudente para o desenvolvimento do mediunismo, além dos grupos de educação mediúnica sob a supervisão de instrutores competentes, experientes e versados no intercâmbio entre os planos físico e espiritual. Atualmente existem centros espíritas atuantes em todos os estados e capitais brasileiras, todavia, pode ocorrer que o médium não encontre uma casa espírita em sua circunvizinhança, no qual o centro mais próximo pode estar localizado em uma cidade vizinha e de difícil acesso; ou ainda, em outros casos, o aspirante a médium pode residir em outro país, onde não haja sequer uma casa espírita. Diante deste quadro, as 23 obras de Allan Kardec são sempre opções valiosas para o médium iniciar os seus estudos, obtendo assim, esclarecimentos referentes à mediunidade, espiritismo, reforma moral, dentre outros. Um ponto importante sobre essas obras é a sua acessibilidade, podendo ser encontradas, em sua maioria, de modo gratuito – ou a baixo custo – em diversos sites da internet. PRÁTICA MEDIÚNICA ISOLADA OU NO AMBIENTE DOMÉSTICO Frisamos ainda que não estamos aconselhando a prática mediúnica no ambiente doméstico ou de forma isolada , seja ela a psicofonia, psicografia, a assistência aos irmãos sofredores, o atendimento aos encarnados ou qualquer outra experimentação medianímica. O autor e pesquisador espírita Hermínio C. Miranda, em Diversidade dos Carismas , nos adverte ao escrever: “O médium que resolva, portanto, praticar suas faculdades no isolamento estará correndo sérios riscos de envolvimento indesejável com os mistificadores da invisibilidade. Os riscos não cessam, é claro, apenas porque ele se juntou a um grupo bem-intencionado, mesmo porque são muitos os que se deixam fascinar com impressionante facilidade por manifestações ou textos habilmente arranjados e atribuídos a nomes famosos e respeitáveis. O que protege médiuns e demais participantes desse tipo de envolvimento é a vigilância e a atenção com o teor, o significado e as implicações das manifestações.” Ainda na supracitada obra, Hermínio de Miranda reafirma o seu pensamento ao dizer que o médium que a pratica isoladamente está exposto a hábeis e envolventes mistificadores . Muitas vezes, nem percebe que já se encontra fascinado por mentirosos que se fazem passar por figuras importantes, assumindo indevidamente nomes que merecem respeito e acatamento. O QUE FAZER? Estamos falando aqui, de uma situação específica, na qual o médium encontra-se sem poder comparecer a uma casa espírita e está passando pelo revés do aflorar mediúnico. Desse modo, ao perceber as manifestações do aflorar mediúnico repetindo-se com frequência, o médium incipiente, privado de comparecer presencialmente a uma casa espírita, pode recorrer a leitura edificante por meio das obras acima citadas, para que dessa maneira, adquira conhecimentos básicos acerca da mediunidade e do espiritismo em si. A prece diária, o evangelho no lar, a prática constante da caridade e o estudo consciente das obras de Kardec, são ferramentas que auxiliarão o indivíduo a passar por esse despertar medianímico da forma mais branda possível. Além dos livros aqui mencionados, que servem de base para o nosso estudo, encontramos ainda, na atualidade, algumas casas espíritas que oferecem de modo virtual, através da internet, cursos sobre espiritismo¹, além da prática das vibrações (preces) e o atendimento fraterno. Dessa maneira, mesmo sem ter uma casa espiritista nas proximidades da sua residência, o sujeito, apesar da distância, estará em contato com um centro espírita, e consequentemente, com o seu grupo de trabalhadores (encarnados e desencarnados), podendo receber o auxílio, o suporte, a terapêutica correta e as diretrizes necessárias diante dessa fase de eclosão mediúnica. ¹ Curso sobre Espiritismo (ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita ou EADE - Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita) é diferente de curso de educação mediúnica (GEM - Grupo de Estudo Mediúnico). Nesse caso, o curso de educação ou desenvolvimento mediúnico nas modalidades on-line, remota ou à distância, são desaconselháveis, para não dizer perigosos e estouvados, além de não condizer com as práticas prudentes abordadas pela doutrina dos Espíritos. Em suma, recomendamos ao médium em afloramento a leitura e o estudo sobre o espiritismo, em especial O Livro dos Médiuns , mas nunca o desenvolvimento medianímico isoladamente, no âmbito doméstico ou qualquer outro ambiente fora da casa espírita. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 4: O Médium e a Casa Espírita Pergunta 35: Na ausência de um centro espírita, como posso me orientar e desenvolver minha mediunidade? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MIRANDA , Hermínio C. Diversidade dos Carismas. LACHATRE, novembro de 2019, 9ª edição.
- 34. Como escolher um centro espírita seguro e confiável para estudar e desenvolver a minha mediunidade?
“Espíritas! amai-vos, eis o primeiro ensinamento. Instruí-vos, eis o segundo.” (Espírito da Verdade. Paris, 1860 | O Evangelho Segundo o Espiritismo ) Como escolher um centro espírita seguro e confiável para estudar e desenvolver a minha mediunidade? O local mais indicado e seguro para o estudo e o desenvolvimento da mediunidade é, sem dúvidas, uma casa espírita. Dizemos isso, pois a Doutrina Espírita foi – e ainda é – a responsável por nos trazer um grande acervo de livros confiáveis referentes à mediunidade e a espiritualidade em geral. Dentre essas obras de inegável valor destacamos – como referência principal e inigualável – o compilado de estudos, questionamentos e experimentações que culminaram na publicação de O Livro dos Médiuns ou Guia dos Médiuns e dos Evocadores , por Allan Kardec em 1861, além dos livros psicografados por Francisco Cândido Xavier e de outros médiuns/autores idôneos. Kardec nos deixou um legado, bem como um aconselhamento pétreo, incitando-nos ao estudo e instrução. À vista disso, vemos hoje em quase todos os templos espiritistas, cursos voltados para o estudo da mediunidade (e espiritismo em geral), tendo como auxiliadores desse processo, pessoas experientes na lide mediúnica, trabalhadores espíritas versados, além da própria espiritualidade superior que organiza e acompanha cada encontro com esmero. PRECISA SER FILIADO A FEB? O primeiro ponto que pode nos auxiliar a identificar um centro espírita – que segue a codificação de Allan Kardec – é a sua filiação a Federação Espírita Brasileira (FEB). Tal credenciamento tem como objetivo a unificação e o fortalecimento dos ideais espíritas no Brasil, e nunca uma obrigatoriedade. Dessa forma, entendemos que existem muitas casas sérias, genuinamente espíritas, que preferem seguir sem serem filiadas à FEB ou qualquer outra instituição, e nem por isso, deixam de ser bons locais para se recorrer, estudar, frequentar ou trabalhar. A CASA ESPÍRITA PODE COBRAR MENSALIDADES? Outro elemento que nos ajuda a reconhecer uma casa propriamente espírita, quiçá o mais importante, é o fato de não haver cobranças de nenhum gênero (dinheiro ou qualquer outra obrigatoriedade de pagamentos ou recompensas) para que o devido amparo seja ministrado. Para angariar fundos e pagar suas despesas, as casas espiritistas geralmente recorrem aos bazares, rifas, doações voluntárias, venda de livros, dentre outros. Ou seja, todas as atividades da casa espírita devem ser gratuitas, inclusos aqui o acesso as palestras, passes e estudos em geral. Infelizmente temos visto algumas casas espíritas, filiadas à FEB ou não, cobrarem mensalidades – ou semestres inteiros – para que os médiuns e frequentadores participem de atividades como palestras, passes, reuniões mediúnicas, seminários, festividades e estudos. Em muitos casos o indivíduo pode ser impedido de frequentar a casa ou ser excluído de certas atividades por não dispor da colaboração exigida, isto é, por não pagar – ou não poder pagar – o valor que a instituição impõe. A sensatez também nos diz que a gratuidade oferecida por certos locais, não os qualifica integralmente como recintos sérios e confiáveis, ficando o alerta do bom senso e da vigilância para os que ali buscam ingressar. CARACTERÍSTICAS DE UM BOM CENTRO ESPÍRITA É válido lembrar que cada centro espírita possui suas características próprias e que o neófito deve optar por um centro que esteja em sintonia com suas necessidades e anseios¹. Desse modo, sem a intenção de nos limitarmos ou esgotarmos os devidos pré-requisitos, compreendemos como um bom centro espírita , aqueles que possuem os seguintes caracteres básicos: 1 – Estudo aprofundado das obras de Allan Kardec e de outros autores espíritas idôneos e sérios; 2 – Pureza doutrinária: fidelidade aos princípios da doutrina espírita, sem distorções ou interpretações pessoais; 3 – Gratuidade em todas as formas de assistência social e espiritual, como passes, palestras, evangelização infantil, atendimento fraterno, visitas a enfermos, etc; 4 – Atendimento fraterno e caridoso a todos que o procurem, sem distinção de nenhuma espécie; 5 – Ensino e desenvolvimento da mediunidade de forma segura e responsável, com base nos princípios da Doutrina Espírita; 6 – Palestras, estudos e reflexões sobre os ensinamentos de Jesus e Kardec, objetivando o desenvolvimento do autoconhecimento e a transformação moral e intelectual do indivíduo; 7 – Receptividade a pessoas de diferentes crenças, origens, classes sociais, dentre outras; 8 – Participação ativa na comunidade local, através de ações de caridade e projetos sociais; 9 – Evita dogmatismo, proselitismo e fanatismo; 10 – Quando possível, que disponha de uma biblioteca com livros espíritas à disposição dos frequentadores. 11 – Funcionamento organizado e transparente, com diretoria atuante e responsável; 12 – Recursos financeiros administrados com ética e responsabilidade; Prestação de contas clara e regular aos frequentadores; De modo contrário, todo centro ou casa espírita – independentemente da fama ou do nome que possui – que faz o uso da mediunidade com fins lucrativos, alimentando pautas sensacionalistas e místicas, que pregam a obrigatoriedade de algum pagamento, que buscam prejudicar alguém, que impõe o medo e a exclusão, o preconceito ou outras práticas bizarras contrárias ao Espiritismo, não podem ser considerados como centros espíritas legítimos. CENTRO ESPÍRITA "KARDECISTA" (sobre o uso do termo kardecista , vide questão 44 ) Uma casa verdadeiramente espírita, como aqui já citado, não faz cobrança de nenhuma espécie. Outro ponto que distingue a doutrina dos Espíritos das demais doutrinas espiritualistas, é que o espiritismo não utiliza recursos externos para a realização de suas atividades, como velas, plantas, bebidas, charutos, cartas, búzios, indumentárias específicas ou quaisquer outros objetos. O espiritismo não tem nenhuma relação com trabalhos de magia ou feitiçaria; adivinhações; promessas de cura ou enriquecimento; amarrações (trazer a pessoa amada em 3 dias); banhos de ervas; limpeza energética mediante pagamento (a cobrança também é, comumente, chamada de energia de troca); imolação de animais, dentre outros. Aqui não estamos fazendo julgamentos ou qualquer juízo de valor referentes aos templos, casas, centros , instituições e federativas que trabalham dessa maneira. Nossas palavras buscam apenas ratificar que esse modo de agir não corresponde com os ensinos de Allan Kardec e os princípios da doutrina espírita. Portanto, mesmo que uma casa traga em seu nome a nomenclatura espírita – centro espírita, templo espírita, casa espírita, kardecista, etc –, mas que pratica a cobrança, a obrigatoriedade de algo, que impõe o medo ou interfere direta ou indiretamente na vida e no livre arbítrio do próximo, ela, a instituição em si, não é verdadeiramente espírita. ¹ Cada centro espírita possui suas próprias especificações e inclinações. Alguns têm como foco o estudo das obras de Kardec e as palestras; outros abordam mais acentuadamente as terapêuticas voltadas para a saúde, como os passes e cirurgias espirituais; há casas cujo trabalho é direcionado para as cartas consoladoras (psicografia) e desobsessão; veremos também instituições que dão mais ênfase às questões sociais... São inúmeras as variedades referentes ao modo de atuação das casas espíritas, ficando a cargo de cada um, conhecer e optar pela instituição que melhor lhe aprouver. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 4: O Médium e a Casa Espírita Pergunta 34: Como identificar um centro espírita seguro e confiável para estudar e desenvolver a minha mediunidade? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile. 21ª edição. Editora Boa Nova, 2017.
- 33. Como desenvolver a mediunidade de forma segura?
Há pessoas que revelam, sem grandes cerimônias, o desejo de serem médiuns e buscam a todo custo o seu desenvolvimento medianímico. Por impaciência ou ansiedade, acabam negligenciando o roteiro natural da vida, que nos ensina, através das leis divinas, que tudo ocorre no seu devido tempo. Dessa maneira, muitos médiuns iniciam sua jornada mediúnica de modo imprudente, caminhando para o desequilíbrio e muitas vezes, abrindo precedentes para um processo obsessivo. Como desenvolver a mediunidade de forma segura? Como nos instrui o benfeitor Miramez no livro Médiuns , psicografia de João Nunes Maia: querer ser médium não basta. Precisamos colocar os nossos dons a serviço dos bons Espíritos. Sabemos, porém, que os Espíritos superiores encontram maior facilidade de aproximação para com os médiuns que buscam o seu automelhoramento diário, seja por meio da prática do bem, da caridade e tantas outras virtudes ensinadas através da moralidade exposta nos evangelhos de Jesus Cristo. Como de praxe, não pretendemos ditar normas de conduta ou impor condições ao medianeiro. Aqui, nos limitamos a expor que tudo na vida obedece a leis naturais, e uma dessas leis é a da sintonia, sendo esta uma das mais relevantes no contexto da mediunidade. MEDIUNIDADE COM JESUS Partindo do trocadilho espírita, dize-me o que pensas que eu te direi com quem estás sintonizado , ou melhor, dize-me o que pensas que eu te direi quem são as tuas companhias espirituais , encontraremos na figura do Cristo – o médium de Deus – o melhor caminho para seguirmos. Ratificando os conceitos acima apresentados, destacamos um trecho do livro Missionários da Luz (André Luiz/Chico Xavier) no qual o instrutor Alexandre – em palestra cordial – ressalta a importância da mediunidade com Jesus: “Mediunidade – prosseguiu ele, arrebatando-nos os corações – constitui meio de comunicação, e o próprio Jesus nos afirma: eu sou a porta... Se alguém entrar por mim será salvo e entrará, sairá e achará pastagens! Por que audácia incompreensível imaginais a realização sublime sem vos afeiçoardes ao Espírito de Verdade, que é o próprio Senhor? Ouvi-me, irmãos meus!... Se vos dispondes ao serviço divino, não há outro caminho senão Ele, que detém a infinita luz da verdade e a fonte inesgotável da vida!" Dando continuidade aos seus ensinos, ainda na referida obra, o benfeitor esclarece que "não existe outra porta para a mediunidade celeste [...] Sem o Cristo, a mediunidade é simples meio de comunicação e nada mais, mera possibilidade de informação, como tantas outras, da qual poderão assenhorear-se também os interessados em perturbações, multiplicando presas infelizes. ” COMPANHIAS ESPIRITUAIS Com relação à sintonia e consequentemente, afinidade, o instrutor Alexandre – na obra supracitada – arremata: “Sempre será possível abrir meios de comunicação entre vós outros e os planos que vos são invisíveis, mas não esqueçais de que as afinidades são leis fatais de reunião e integração nos reinos infinitos do Espírito! Sem os valores da preparação, encontrareis irremediavelmente a companhia dos que fogem aos processos educativos do Senhor; e sem as bênçãos da responsabilidade encontrareis logicamente os irresponsáveis.” A este respeito, em Diversidade dos Carismas , o autor Hermínio C. Miranda destaca: “Esse é o aspecto vital em todo o esquema do desenvolvimento da mediunidade. A rigor, médium, é desde que renasceu com as programações correspondentes, na trilogia corpo/perispírito/espírito. O que tem ele a fazer para que suas faculdades funcionem a contento é criar em si mesmo condições adequadas de comportamento, de seriedade, de harmonização interior.” CAMINHO SEGURO Sendo assim, encontraremos dois caminhos para a mediunidade, sendo eles, a Mediunidade com Jesus e a Mediunidade sem Jesus. Logicamente, encontraremos através da Mediunidade com Jesus o caminho mais seguro para seguir. Não dizemos o mais fácil, pois como o próprio Cristo nos advertiu por meio do apóstolo Lucas, a pessoa que deseja acompanhar os Seus ensinamentos, que pegue a própria cruz e o Siga. Essa cruz referida em Lucas 9:23 são os obstáculos e os infortúnios que cada de um de nós enfrenta diariamente, e no caso dos médiuns, essa cruz tem o peso dobrado. Mas o Mestre também nos ensina que o fardo pesado não é direcionado aos ombros fracos, portanto, não devemos esmorecer em nossa caminhada, pois a recompensa daquele que persevera até o fim, seguindo os ensinamentos do Cristo, é multiplicada ao cêntuplo. CUIDADOS COM A MEDIUNIDADE Assim como a eletricidade que traz inúmeros benefícios ao planeta, mas que carece de cuidados próprios, a mediunidade também exige atenção especial para que possa ser exercida com segurança, cautela e prudência . Dentre as ponderações iniciais que o médium precisa ter diante da sua faculdade, estão inclusos o estudo mediúnico, a educação emocional/sentimental e a prática da reforma íntima, isto é, o esforço diário para superar as más tendências e as inclinações inferiores. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 4: O Médium e a Casa Espírita Pergunta 33: Como desenvolver a mediunidade de forma segura? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MAIA , João Nunes (psicografia). Médiuns. Miramez (espírito). Fonte Viva, 19ª edição, 2017. XAVIER , Francisco Cândido. Missionários da Luz. André Luiz (espírito). FEB Editora, 2018. MIRANDA , Hermínio C. Diversidade dos Carismas. LACHATRE, novembro de 2019, 9ª edição. BÍBLIA DE JERUSALÉM . Lucas 9:23. 14ª impressão. Editora PAULUS, 2017.
- 32. Por que alguns médiuns são acometidos por uma sensação de mal-estar em dias de reuniões mediúnicas?
Todas as reuniões mediúnicas – que sejam sérias, com propósitos nobres, abnegados e edificantes – são preparadas e organizadas com antecedência pelo plano espiritual. Sendo assim, cada uma das entidades que serão atendidas no momento da reunião já se encontra antecipadamente sob a supervisão e os cuidados da equipe espiritual. Por que alguns médiuns são acometidos por uma sensação de mal-estar em dias de reuniões mediúnicas? A este respeito, Manoel Philomeno de Miranda, em Mediunidade: Desafios e Bênçãos , pela psicografia de Divaldo Franco, disserta com esmero sobre os trabalhos prévios da equipe espiritual: “Confiando na equipe humana que assumiu a responsabilidade para participação no serviço de graves consequências, movimentam-se, desde as vésperas, estabelecendo os primeiros contatos psíquicos com aqueles que se comunicarão com os médiuns que lhes servirão de instrumento, desenvolvendo afinidades vibratórias compatíveis com o grau de necessidade de que se encontram possuídos.” Em outras palavras: os benfeitores já traçam, antecipadamente, o roteiro do trabalho que irá ocorrer em cada reunião mediúnica, sabendo de antemão as entidades que serão socorridas e os médiuns responsáveis que irão atende r – especificamente – a quele Espírito, de acordo com a afinidade fluídica entre ambos (médium e Espírito comunicante). Vale destacar que a equipe espiritual nunca improvisa, isto é, sempre trabalha com esmero, prudência e organização prévia. Em casos excepcionais, quando algo não ocorre como o previsto, estão sempre preparados para evitar que o grupo se desestabilize. A equipe espiritual, além da defesa do recinto e a seleção dos Espíritos comunicantes, também mantém cuidados extras – antes e após as comunicações – perante a equipe de médiuns, objetivando poupá-los de maiores danos proveniente das comunicações perturbadoras. SINTONIA ENTRE O MÉDIUM E O ESPÍRITO COMUNICANTE À priori, um dos requisitos para que uma comunicação mediúnica ocorra, sem grandes dificuldades, é a sintonia entre o médium e a entidade comunicante. Visando o melhor desenvolvimento da afinidade entre o médium encarnado e a entidade desencarnada que será atendida, a espiritualidade superior, isto é, os instrutores espirituais responsáveis pelo agrupamento mediúnico, aproximam previamente o Espírito do médium que irá atendê-lo. Lembramos ainda que essa aproximação pode ocorrer horas e, em alguns casos excepcionais, até mesmo dias antes da reunião mediúnica¹. Dessa maneira, estabelecendo de modo antecipado o contato entre médium e Espírito, facultando assim, a sintonia e a afinidade entre ambos, a comunicação mediúnica passa a ocorrer sem grandes embaraços ou outros empecilhos no dia da reunião mediúnica. SENSAÇÃO DE MAL-ESTAR O medianeiro, com bastante frequência, ao perceber a aproximação prévia desses Espíritos, também passa a registrar os indicativos das suas dores, o seu desequilíbrio, suas angústias e qualquer outro sentimento emanado pela entidade, sendo este um dos motivos que levam os médiuns a relatarem desconfortos e súbito mal-estar em dias de reunião mediúnica. É importante assinalar que as sensações que o médium experimenta ao sentir a presença desses Espíritos são apenas uma pequena parcela (porcentagem ou fragmento) daquilo que a entidade realmente está vivenciando. Isto é, se o médium registra uma sensação negativa, o Espírito está sentindo a mesma impressão em uma escala bem mais acentuada. ALÍVIO DA SENSAÇÃO DE MAL-ESTAR A experiência e a literatura espírita vêm nos mostrando, em variados casos, que há médiuns que pressentem, em virtude dessa aproximação antecipada, quais os tipos de Espíritos que se comunicarão por seu intermédio naquele dia. Após o atendimento dessas entidades, o médium costuma relatar a melhora imediata do desconforto que estava sentindo, por vezes, o dia inteiro, seja uma dor de cabeça, uma náusea, uma angústia sufocante, dentre outras. APROXIMAÇÃO ESPONTÂNEA Além dessas aproximações preparadas com toda segurança e zelo pelos benfeitores espirituais, teremos ainda a aproximação espontânea de outras entidades com propósitos menos dignos. O médium sincero, trabalhador devotado do bem, está sempre sob a mira de entidades vingativas, obsessoras e ociosas, devendo manter, para a própria proteção, a vigilância e a oração frequentes, além de uma conduta digna e o pensamento elevado. Quer dizer, a partir do momento que o médium inicia os seus trabalhos na seara divina, em favor dos sofredores – encarnados e desencarnados –, ele passa a ser visto como perigo pelos Espíritos que se comprazem com práticas inferiores, que de modo calculado, começam a persegui-lo e atacá-lo, pois, temem que os seus trabalhos sejam extintos ou desmanchados pelos seareiros da caridade. OBSTÁCULOS PARA CHEGAR AO CENTRO ESPÍRITA Por conseguinte, em dias de reunião mediúnica, não é raro encontrarmos médiuns relatando inúmeros problemas e dificuldades para chegarem ao centro espírita, enquanto outros, desistem do trabalho mediúnico e vão para casa descansar. Chegando ao âmbito doméstico, o cansaço, o abatimento, a dor de cabeça terrível e todo empecilho apresentado, desaparecem como por encanto. Alcançado o objetivo pela espiritualidade das trevas, ou seja, o afastamento do médium – naquele dia – do labor espiritual, esses Espíritos menos esclarecidos se afastam, temporariamente, retornando em um curto período de tempo para uma nova investida nefasta. Esses ataques perduram até o médium ausentar-se definitivamente do seu posto de trabalho espiritual ou até o medianeiro conseguir se desvencilhar desses inimigos do Espiritismo. Por outro lado, encontramos médiuns que se mantém firmes e fortes em sua caminhada espiritual, e mesmo diante das intempéries, das dores e desconfortos que esses ataques e aproximações prévias possam lhe acarretar, apresentam-se no dia, hora e local programado para as reuniões mediúnicas. Ressaltamos ainda, para concluirmos, que esses ataques do astral inferior não são direcionados exclusivamente aos médiuns, mas a todos os trabalhadores do bem, como dirigentes, dialogadores, passistas, etc. Desse modo, recomendamos que, independentemente de como o seareiro do bem esteja se sentindo no dia da reunião mediúnica, o ideal é que ele não falte e compareça ao labor espiritual, pois, desta forma, a equipe espiritual que acompanha os trabalhos da mesa em questão, poderá atender as entidades necessitadas, bem como, o próprio médium e os demais membros da reunião que estejam sob esses ataques e influências negativas. ¹ Ratificamos ainda que essa aproximação prévia para o estabelecimento de sintonia e afinidade não sugere ao médium a prática da psicofonia em local que não seja a casa espírita. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 3: Prudência Mediúnica Pergunta 32: Por que alguns médiuns são acometidos por uma sensação de mal-estar em dias de reuniões mediúnicas? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FRANCO , Divaldo Pereira (psicografia). Mediunidade: Desafios e Bênçãos. Manoel Philomeno De Miranda (espírito). Editora LEAL, 2019.
- 31. Por que tantos médiuns deixam o Espiritismo e a prática mediúnica nos primeiros anos de trabalho?
O Espiritismo é uma doutrina que constantemente nos convida ao estudo evangélico e, como consequência, amplifica nosso entendimento moral, nos dando força e clareza para modificarmos, mesmo que pouco a pouco, nossos hábitos negativos. Bastante conhecida no meio espiritista, a famigerada reforma íntima exige de cada indivíduo apenas a parcela – intransferível – da responsabilidade que compete ao próprio ser, isto é, o esforço próprio para nos melhorarmos, a dedicação, abdicação, disciplina e muita firmeza de pensamento para não sucumbirmos ou desistirmos diante das intempéries. Por que tantos médiuns abandonam a prática mediúnica nos primeiros anos de trabalho e desenvolvimento? A doutrina dos Espíritos respeita o adiantamento e o progresso de todas as criaturas, sem condenação, críticas ou julgamento, pois entende que cada pessoa está em um processo evolutivo diferente. Ainda mais, compreende que todos os caminhos levam a Deus, aonde uns chegam mais rápidos, enquanto outros demoram um pouco mais. Allan Kardec asseverou de forma sábia que o verdadeiro Espírita é reconhecido pelo esforço que faz para domar as suas más inclinações. Sem dúvidas, é preciso muito esforço para nos melhorarmos, e mais ainda para sermos espíritas/cristãos. MEDIUNIDADE COMO CONQUISTA DO ESPÍRITO Já a mediunidade não fica para trás. Tendo como base as leis de afinidade e sintonia, encontraremos médiuns bem equilibrados, sintonizados com o bem e o propósito de ajudar, enquanto outros, sintonizados com as esferas mais baixas, apresentam certos desequilíbrios e propósito menos dignos. Em Missionários da Luz , pela psicografia de Chico Xavier, o autor espiritual André Luiz, dissertando sobre a mediunidade, nos diz: “[...] mediunidade elevada ou percepção edificante não constituem atividades mecânicas da personalidade e sim conquistas do Espírito, para cuja consecução não se pode prescindir das iniciações dolorosas, dos trabalhos necessários, com a autoeducação sistemática e perseverante.” Já em Obreiros da Vida Eterna , André Luiz – através da mediunidade de Chico Xavier – nos elucida ao dizer: “[...] a mediunidade é título de serviço como qualquer outro. E há pessoas que pugnam pela obtenção dos títulos, mas desestimam as obrigações que lhes correspondem. Gostariam, por certo, do intercâmbio com o nosso plano, mas, não cogitam de finalidades e responsabilidades. Em vista disso não se estabelecem conjuntos de cooperação para os médiuns em geral, mas apenas para aqueles que estejam dispostos ao trabalho ativo. Há muitos aprendizes que não ultrapassam a fronteira da tentativa, da observação. Desejariam o caminho bem aplainado, exigindo a convivência exclusiva dos Espíritos genuinamente bondosos. Experimentam a luta construtiva, através de sondagens superficiais e, à primeira dificuldade, abandonam compromissos assumidos. " Ainda na referida obra, destaca André Luiz: " A aquisição da fortaleza moral não prescinde das provas arriscadas e angustiosas. Entretanto, em face das exigências naturais do aprendizado, dizem-se feridos na dignidade pessoal. Não suportam a aproximação de infelizes encarnados ou desencarnados, estacionando à menor picada de dor. Para semelhantes experimentadores, seria extremamente difícil a formação de equipes eficientes, representativas de nosso plano. Não se sabe quando estão dispostos a servir.” Em outros termos, André Luiz nos ensina que a mediunidade é uma conquista do espírito e que essa conquista exige trabalho e bastante disciplina para a educação dos nossos sentimentos. Esse processo de aperfeiçoamento somente ocorre através das diversas provas arriscadas e angustiosas que o médium em desenvolvimento vai enfrentando e, quando bem aproveitadas, se aprimorando. RENÚNCIAS E DISCIPLINA Porém, muitos companheiros da seara mediúnica, deslumbrados com os fenômenos e manifestações espirituais, desejam apenas a comunicação com entidades elevadas (talvez em busca de reconhecimento e autopromoção), esquecendo que a mediunidade é doação, é trabalho abnegado e para uso coletivo, devendo ser usada em prol da caridade gratuita e amparo aos sofredores em geral, encarnados e desencarnados. Para isto, a disciplina é indispensável. Nesse caso, podemos entender a disciplina como a abdicação de prazeres momentâneos em prol de um bem maior, isto é, quando eu abro mão de certos hábitos inferiores em busca da harmonia e do equilíbrio, dando início ao processo de reforma íntima e moral. Em Diversidade dos Carismas , o autor Hermínio C. Miranda reitera nosso ponto de vista ao escrever: “Muitas mediunidades promissoras naufragam logo de início, aos primeiros embates, por excesso de confiança ou temor exagerado, por desânimo ante as dificuldades iniciais, por falta de perseverança no treinamento ou por desinteresse em promover certas mudanças íntimas, renunciar a algumas comodidades e pequenos vícios de comportamento ou de imaginação.” Complementando seu pensamento, o escritor espírita Hermínio de Miranda, na supracitada obra observa: “São muitos os que querem ser médiuns de qualquer maneira, mas não estão preparados para aceitar as renúncias e devotamentos que o desenvolvimento e a prática da mediunidade exigem de cada um.” Portanto, nos é lícito dizer que o medianeiro se ausenta do seu posto de trabalho quando não compreende os obstáculos para o seu próprio reerguimento, mostrando-se ainda preso às facilidades do caminho. MEDIUNIDADE TESTIFICADA O benfeitor Miramez, por meio da genuína obra Médiuns (psicografia de João Nunes Maia), chama este período da vida do medianeiro de Mediunidade Testificada , onde destacamos: “O carma, senão a própria vida, coloca no caminho do médium problemas de todas as ordens, visando ao aprumo de sua sensibilidade espiritual. [...] E quando a alma está preparada, passa por um teste de comprovação de várias ordens. São os testemunhos que lhe asseguram as próprias qualidades.” Todos esses obstáculos, as provações, as dificuldades que se fazem presente na vida do medianeiro, é um teste das suas virtudes. É como se Deus balançasse a árvore da mediunidade e ali testificasse quem está maduro, quem caiu, quem ficou firme e quem passou por esse abalo com resiliência, com paciência, com fé e confiança. Sendo assim, médiuns, mantenham-se firmes em seus postos de trabalho, confiem em Deus e lembrem-se sempre das palavras de Jesus, registradas pelo apóstolo Mateus (Mt. 24:13): “Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo.” OUTROS PONTOS IMPORTANTES – As dores e sofrimentos não são exclusivos dos médiuns, mas de todo e qualquer Espírito que transgrediu as leis divinas. O médium do bem, comprometido com a sua evolução, não esmorece diante dos ataques e da dor sofrida. Sabe que essas intempéries são recursos que contribuem para o seu progresso. – Os cuidados que o médium deve ter não se restringem somente aos dias de trabalho mediúnico. A vigilância deve ser constante, pois, sempre existem Espíritos ociosos e insensatos a postos para criar barreiras e infortúnios que visam prejudicar e atrapalhar o medianeiro de múltiplas formas. Por outro lado, o hábito da caridade e da prática do bem, o estudo da doutrina espírita e a reforma moral, atraem a simpatia dos bons Espíritos (que estão sempre dispostos a ajudar). A presença e o contato com os bons Espíritos propiciam a criação de uma atmosfera fluídica elevada e benéfica, anulando ou amenizando os efeitos perturbadores que envolvem a atual egrégora (densa) do planeta. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 3: Prudência Mediúnica Pergunta 31: Por que tantos médiuns deixam o Espiritismo e a prática mediúnica nos primeiros anos de trabalho? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile. 21ª edição. Editora Boa Nova, 2017. XAVIER , Francisco Cândido. Missionários da Luz. André Luiz (espírito). FEB Editora, 2018. XAVIER , Francisco Cândido (psicografia). Obreiros da Vida Eterna. André Luiz (espírito). FEB Editora, 2019. MIRANDA , Hermínio C. Diversidade dos Carismas. LACHATRE, novembro de 2019, 9ª edição. MAIA , João Nunes (psicografia). Médiuns. Miramez (espírito). Fonte Viva, 19ª edição, 2017. BÍBLIA DE JERUSALÉM . Mateus 24:13. 14ª impressão. Editora PAULUS, 2017.
- 29. Existem músicas, livros e filmes que os médiuns devem dar preferência?
Nossas palavras não têm como objetivo ditar normas, regras ou diretrizes para ninguém. Através destes escritos buscamos convidar e instigar cada leitor e estudante a refletir – usando do bom senso e da fé raciocinada – sobre os temas aqui apresentados, para que cada um – de forma individual – possa encontrar o caminho que melhor lhe convém. Qual a importância das escolhas apropriadas de filmes e músicas no dia a dia do médium? Aqui escrevemos para médiuns diversos, possuidores de gostos musicais distintos, com múltiplas preferências para a sétima arte e séries audiovisuais, assim como gosto diversificado para gêneros literários, peças teatrais, artes e entretenimento em geral. Dizer o que cada um deve – ou não – assistir, escutar ou fazer no seu dia a dia seria uma imposição descabida e violenta. Portanto, nos limitaremos apenas a breves reflexões, convidando cada leitor ao raciocínio próprio. ALIMENTO MENTAL É crescente o cuidado que o homem vem fazendo da sua alimentação, tendo maior consciência daquilo que ingere, dando preferência a alimentos orgânicos, evitando os alimentos industrializados e processados em geral. Porém, em sua maioria, esquecem que nem só de pão vive o homem . Em suma, tudo aquilo que pensamos, ouvimos, falamos, fazemos e assistimos são formas de alimentos mentais e sentimentais que ficam gravados em nosso perispírito e no ambiente a nossa volta (egrégora), repercutindo automaticamente – mesmo que não percebamos de início – em nosso psicossoma (corpo espiritual ou perispírito, segundo a nomenclatura do Espírito André Luiz, via Chico Xavier). Sabemos que a lei de sintonia ocorre por meio do pensamento e que cada pensamento é um imã que atraí os cômpares espirituais que melhor se afinizam com o nosso estado mental, sentimental, vibracional e energético. Dessa forma, não é difícil perceber quem são as companhias espirituais das pessoas encarnadas que, por exemplo, gostam de filmes ou contos de terror, de músicas sensuais e por vezes vulgares, de livros e filmes eróticos, novelas ou quaisquer outros conteúdos que instigam ao espectador comportamentos deprimentes. Da mesma maneira podemos imaginar os cômpares que acompanham os que gostam de realizar suas refeições assistindo programas sensacionalistas, cujas pautas são sempre voltadas para mortes violentas, estupros, assaltos, acidentes, etc. Tudo isso também vale para as redes sociais, onde boa parte dos internautas embriagam-se em meio ao conteúdo erótico, memes homofóbicos, imagens que incitam ao ódio, ao consumo desenfreado, ao prazer inferior, a repetir ou promover desafios violentos e perigosos, dentre outros. ESTUDO DE CASO 1 Certa vez, prestigiando a estreia de um filme nacional, nos deparamos com uma situação que representa bem a forma como atraímos os Espíritos por meio da nossa vibração. Em uma sala de cinema, reagindo a uma das cenas – cujo clímax é o massacre de diversas pessoas –, o público foi ao delírio entre palmas, assobios e gritarias, cujo contexto era de aprovação pelas mortes ocorridas na telona. Quase que imediatamente o clima da sala se fez pesar e os médiuns, ou qualquer pessoa mais sensível que estava presente, sentiu o baque energético. A mudança vibracional da sala se fez pela exteriorização energética manifestada através do pensamento dos que ali aplaudiam, assim como a presença de diversos Espíritos que foram atraídos pela situação e que compactuam com estes gostos sangrentos. Essas entidades alimentam-se desses sentimentos e passam a influenciar e assediar/obsidiar todos aqueles que estacionam em sua faixa de frequência. ESTUDO DE CASO 2 Em outro momento, encontramos um companheiro compromissado com os estudos da mediunidade e que, por não atentar ao conteúdo que consumia via streaming , estava imerso em energias sensuais, levando-o a relatar telas mentais e impulsos/influências perturbadoras. A origem deste desequilíbrio, ao que nos foi dado observar, remete a uma série audiovisual que o companheiro estava assistindo, na qual o conteúdo contempla inúmeras cenas de nudez, apelo sexual, uso de álcool, drogas, maledicência e traições. MÚSICAS Referente à música, todo cuidado ainda é pouco, pois não há um único dia em nossa existência onde não temos acesso a tal conteúdo, seja em casa, no celular, no carro, enquanto esperamos a consulta no dentista ou ao fazermos compras no supermercado... Músicas tristes, com conteúdo melancólico, paisagens deprimentes e estímulos suicidas, assim como outras que incentivam a bebedeira e traição, também são grandes imãs a atraírem para perto dos seus ouvintes (principalmente os que dela se agradam), criaturas que ainda se encontram presas aos prazeres inferiores, assim como, entidades desequilibradas, galhofeiras e perspicazes. Na literatura espírita temos vários registros que descrevem cenas lamentáveis, onde criaturas encarnadas dançam ao som de músicas sensuais e, do lado espiritual, entidades seminuas insinuam cenas e coreografias eróticas, onde muitas vezes são reproduzidas quase que passo a passo pelos encarnados em sintonia. ESPORTES VIOLENTOS Em outro caso, não raramente conhecemos ou nos deparamos com pessoas que gostam de acompanhar seu esporte ou time favorito, seja no ginásio, no estádio ou pela televisão. O problema em si – de atração inferior – não está, por exemplo, no futebol que ela gosta de assistir semanalmente, mas no comportamento fanático e animalesco que algumas pessoas apresentam. O esporte em si é uma competição linda e saudável, mas que, infelizmente, têm como boa parte dos seus torcedores, almas em evolução que ainda não dominam suas emoções primárias e passam a gritar, xingar e em muitos casos, a brigar física e verbalmente com os vizinhos e torcedores do time considerado rival. Esses comportamentos desequilibrados e animalescos são carregados de vibrações densas, abrindo não apenas uma brecha, mas uma verdadeira porta para os Espíritos inferiorizados, que gostam, estimulam e se nutrem desses comportamentos e sentimentos grotescos. De modo semelhante, atraindo as companhias espirituais de mesmo teor vibratório, encontramos os simpatizantes de lutas sangrentas (uma reprodução atual dos costumes bárbaros do antigo coliseu romano), que do lado de fora do ringue ou octógono vibram enfurecidamente para o seu lutador preferido derrotar o oponente, de preferência a golpes que lhe marquem o corpo com sangue ou ossos quebrados. Como gostamos de dizer, toda competição é saudável quando pautadas nos sentimentos do equilíbrio; na medida em que a humanidade for evoluindo moralmente, esses tipos de comportamentos e o gosto por certos entretenimentos serão banidos da face da Terra. CONHECE-TE A TI MESMO Com o tempo, cada medianeiro ao conhecer a si mesmo, será capaz de observar como cada estímulo age em seu campo energético, influenciando-o diretamente por meio das brechas ou portas que ele mesmo abre em meio a sua própria invigilância. Dessa forma, mais uma vez voltamos a repetir que não somos censores para aprovar o que é recomendável ou não. Cabe ao medianeiro refletir e perceber como cada filme, música, livro, série, peça teatral ou quaisquer outras manifestações artísticas e esportivas repercutem em seu íntimo. De toda forma, tudo aquilo que remete a uma vibração negativa deve ser evitado. Inicialmente o médium invigilante, ainda preso a certas preferências, não atenta ao que consome mentalmente, assim como os ambientes que frequenta. Somente após sentir os primeiros impasses de dor e perturbação provenientes dos seus hábitos e gostos particulares é que o medianeiro passa a ponderar, melhor dizendo, filtrar o que deve consumir mentalmente. Esses pormenores também fazem parte do processo de reforma íntima, reforma essa que inclui a reeducação dos nossos gostos, pensamentos, sentimento e atos. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 3: Prudência Mediúnica Pergunta 29: Existem músicas, livros e filmes que os médiuns devem dar preferência? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BÍBLIA DE JERUSALÉM . Mateus 4:4. 14ª impressão. Editora PAULUS, 2017. XAVIER , Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo (psicografia). Evolução em Dois Mundos. André Luiz (espírito). FEB Editora, 2018. MAIA , João Nunes (psicografia). Iniciação Viagem Astral. Lancelin (espírito). Fonte Viva, 22ª edição, 2017.
- 30. Quais responsabilidades o médium assume diante da prática mediúnica?
Antes de qualquer coisa, a responsabilidade que o medianeiro possui é com ele mesmo e à sua própria consciência. Interrogando à sua voz interior – que pode se fazer ressoar tanto pelos bons conselhos do seu anjo guardião, assim como uma intuição marcada em seu foro íntimo ( O Livro dos Espíritos , questão 522) – o medianeiro encontrará sempre o melhor caminho para seguir, e caso siga o oposto, o faz por sua conta e risco. Quais responsabilidades o médium assume diante da prática mediúnica? OBJETIVOS DA MEDIUNIDADE A mediunidade com base no Espiritismo tem como efeito levar consolo ao próximo, fazendo-o perceber que a vida continua além do túmulo; que não estamos separados totalmente das pessoas que amamos; bem como, a compreensão que somos responsáveis por nossos próprios atos; que todo mal aparente que passamos é de nossa inteira responsabilidade... Além disso, encontramos diretamente na prática da mediunidade uma forma de ajudar ao próximo, proporcionando alento aos corações desesperados, seja através do medianimidade de cura, do atendimento fraterno, do passe, das reuniões de desobsessão, da caridade em geral, etc. MEDIUNIDADE DE ORDEM COLETIVA Sendo assim, a mediunidade deve ser de ordem coletiva, ou seja, direcionada ao auxílio de todas as pessoas. O medianeiro que priva os dons que possui, utilizando-os apenas em benefício próprio, corre o risco de perder as suas faculdades. Da mesma forma que a enxada parada passa a enferrujar, assim como a água estagnada cria lodo e todo membro físico que não utilizamos se atrofia, encontraremos nessa mediunidade egoísta a mesma lei natural. Como Jesus já nos advertia por meio do apóstolo Lucas (12:48), a quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido. À vista disso, cabe ao médium fazer bom uso das faculdades que lhe foram emprestadas e confiadas por Deus. RESPONSABILIDADES DO MÉDIUM Concluindo, vemos que a responsabilidade que o médium possui é de si para consigo, e passando a ouvir a voz da caridade a lhe chamar para dar mais um passo na senda da sua evolução, que oferte os dons mediúnicos que se faz portador em benefício do próximo e nunca para fins pessoais, fúteis ou financeiros . O médium do bem, trabalhador da seara do Cristo, é sempre visado, observado e analisado onde quer que se encontre, tanto por seres encarnados como desencarnados, pela sociedade em geral e até mesmo pelos seus próprios companheiros de ideal espiritista. Portanto, o médium deve fugir das exortações evangélicas, não cobrando do próximo certas mudanças de comportamento, mas passando ele mesmo, através do exemplo silencioso das suas próprias ações e mudanças morais/comportamentais, difundir a mensagem de Jesus. MORALIDADE E DISCIPLINA O médium, apesar de conviver com os Espíritos sofredores e obsessores que lhe cumpre socorrer, instruir e resgatar, deve sempre manter uma boa postura social, através de uma moralidade reta e justa, da disciplina, do estudo e da educação, facultando dessa forma a melhor sintonia com os Espíritos superiores. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 3: Prudência Mediúnica Pergunta 30: Quais responsabilidades o médium assume diante da prática mediúnica? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KARDEC , Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB; 93ª edição. Rio de Janeiro, 2014. BÍBLIA DE JERUSALÉM . Lucas 12:48. 14ª impressão. Editora PAULUS, 2017.
- 28. Qual tipo de alimentação é considerado ideal para o médium?
A respeito desta temática, trazemos a sabedoria do Espírito Miramez, por meio da obra Médiuns (psicografia de João Nunes Maia), que nos ilumina ao dizer que os dons espirituais não têm nada a ver com a alimentação . Ou seja, comer este ou aquele alimento não irá ampliar ou reduzir a capacidade medianímica de ninguém. A alimentação interfere no desenvolvimento da mediunidade? Na mesma obra, Miramez afirma que se o corpo físico tem papel determinante perante a mediunidade, é preciso, então, que ele esteja em plena ordem. Sendo assim, para que o aparelho físico atenda com maestria o processamento mediúnico, é preciso estar com todas as suas peças em pleno funcionamento e para isso, a alimentação é de suma importância. O autor espiritual, na obra acima citada, ensina-nos que a alimentação do médium deve ser escolhida por ele mesmo. Para tal, o medianeiro precisa ter consciência de comer para viver e não viver para comer, buscando o equilíbrio, o bom senso e fugindo da gula. No caso da gulodice esclarece-nos que o excesso de comida retarda o raciocínio, diminuindo o rendimento do médium em seu labor. DIETAS ESPECIAIS? Comumente encontramos alguns autores espíritas, encarnados e desencarnados, impondo receitas e diretrizes alimentares que devem, indiscutivelmente, ser seguidas por todos os médiuns e trabalhadores em dias de reunião. Recomendam-nos a abstenção de carnes, chocolates, café e alimentos gordurosos, além de horários específicos para cada alimentação. Com base nessas afirmações impositivas, Miramez adverte-nos ao dizer que seguir regras de escritores ou Espíritos fanáticos é desapropriar-se das próprias convicções. Em suma, a alimentação do médium deve ser de acordo com a sua disposição orgânica e psíquica, atendendo as suas necessidades físicas. Como cada pessoa possui necessidades alimentares diferentes, o que funciona para um pode não corresponder ao outro. ALIMENTO FÍSICO E MENTAL Além do alimento físico, é preciso também o cuidado com o alimento mental, isto é, o tipo de energia que ingerimos através do pensamento, principalmente o ódio, a inveja, o ciúme, a vaidade e tantos outros sentimentos inferiores. Portanto, a alimentação ideal para o médium é aquela que supre as necessidades do seu organismo físico, saciada no bom senso e equilíbrio. É aquela que foge da gula em todas as suas sutilezas e têm como tempero os bons pensamentos e os sentimentos nobres. Na dúvida, o caminho do meio é sempre o mais aconselhável em todos os setores da nossa vida. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 3: Prudência Mediúnica Pergunta 28: Qual tipo de alimentação é considerado ideal para o médium? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MAIA , João Nunes (psicografia). Médiuns. Miramez (espírito). Fonte Viva, 19ª edição, 2017.
- 27. Qual é o limiar entre a fé e o fanatismo? Como o médium pode evitar os extremos do fanatismo ou do desânimo?
Muitos são aqueles que, ao aderirem pela primeira vez alguma doutrina espiritualista, dentre elas o Espiritismo, Umbanda, Candomblé, Santo Daime, dentre outras, ficam entusiasmados e maravilhados com os conhecimentos que estão desfrutando em seus estudos e, sem perceberem, correm o grave perigo de se renderem ao fanatismo. Como o médium pode evitar os extremos do fanatismo ou do desânimo? O fanatismo é, sem sombra de dúvidas, um grande véu que nos impossibilita de enxergar com clareza, nos prendendo em conceitos e preconceitos, teses e exortações sob a superioridade daquilo que acreditamos como a única, ou a mais pura verdade referente ao tema em destaque. EMPOLGAÇÃO x ESMORECIMENTO Nesse período inicial, é comum vermos o recém-adepto da doutrina espírita ler, reler e buscar diversas obras sobre espiritualidade, falar incansavelmente, onde quer que se encontre, sobre Espíritos, sintonia, vibração, mediunidade, etc. Passado esse primeiro momento, que pode ser razoavelmente longo, a depender de cada ser, o estudante espírita começa a migrar para o polo oposto, saindo da atual empolgação para o esmorecimento. Esse esmorecimento surge dos próprios obstáculos do dia a dia. Ao passar pelas provas que lhe pedem para pôr em prática aquilo que tanto estuda, o espiritista ao sentir dificuldades em perdoar, silenciar e exercitar a sua reforma íntima, sente que seus esforços, suas leituras, palestras e evangelho no lar não estão surtindo efeito, pelo contrário, muitos dizem que quanto mais rezam, pior fica. E sem mais delongas se abstém de suas atividades na casa espírita, deixam de realizar o culto no lar, chegando até o momento que se afastam por completo, desfazendo toda e qualquer ligação com o meio espiritista/espiritualista. Em compensação, há os que encontram o caminho do meio, saindo desse sentimento de admiração cega e exagerada para um estado de harmonia e estabilidade. Sabemos que nem todas as pessoas passam por esse binômio fanatismo/esmorecimento, ou que ele ocorra apenas nessa ordem. As possibilidades e variações são inúmeras. Entretanto, o que buscamos ressaltar é que, sem o cultivo da vigilância e prudência, da paciência e serenidade, da humildade e o estudo constante, o fanatismo encontra espaço para se manifestar e impedir o crescimento daqueles que se perdem em ilusões, independentemente da religião, doutrina, filosofia ou ciência que sigam. FÉ E FANATISMO Há uma linha muito tênue entre a fé e o fanatismo. Essa linha é ultrapassada justamente quando o sujeito, mesmo munido de boas intenções e desejoso de seguir um bom caminho, deixa de ser um partícipe da sua linha religiosa/espiritual e passa a se comportar como a representação encarnada da própria doutrina. Em outras palavras, o indivíduo para de se comportar como um membro/aprendiz da sua doutrina e passa a agir como se fosse a própria doutrina em si, ressaltando que a sua forma de pensar é a correta, absoluta e inquestionável, que as demais opiniões, se forem contrárias as suas, estão erradas. Mudando o seu perfil de comportamento, passa a defender suas ideias de forma obsessiva e apaixonada, mesmo entre amigos, parentes, colegas de trabalho, cônjuge e vizinhos; apresenta tendência em ver o diferente como "inimigo"; acredita que o que é bom para ele também é bom para os demais; tenta impor suas crenças de forma impositiva; acredita ter uma missão divina... EVITANDO OS EXTREMOS Nesse caso, o melhor antídoto contra o fanatismo é a humildade. A humildade, no dizer evangélico, equipara todos os homens e mulheres sob o mesmo patamar, nem maior e nem menor. Para o médium desejoso em seguir uma rota segura em meio ao seu desenvolvimento moral, intelectual e espiritual, a humildade e a modéstia jamais deverão ser esquecidas. Além das leituras iluminadas das obras de Allan Kardec, iniciando com O que é o Espiritismo, seguidos de O Livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns, o médium, seja iniciante ou experiente, após a base teórica/prática das obras acima, deve em seu dia a dia: Estar sempre disposto para aprender, mesmo com aqueles que considere menor ; Estar aberto para os diálogos fraternos em torno dos temas em voga; Respeitar o livre arbítrio do próximo (na forma de pensar e agir, principalmente quando tais ações forem contrárias as suas); Evitar os personalismos ( costume de se colocar como o centro em qualquer circunstância) ; Atentar para o melindre (tendência para se sentir ofendido ou magoado com facilidade); Fugir dos elogios e autoexaltações; Não permitir que os demais lhe coloquem em um pedestal exaltando sua figura de santo ou iluminado ; Evitar o desejo, mesmo que oculto, de fama e reconhecimento; Priorizar o anonimato e a simplicidade em sua caminhada espiritual; Cortar quaisquer arestas ou indícios de vaidade, egoísmo e orgulho; Esquivar-se, quanto possível, do trabalho mediúnico e dos estudos espiritistas de modo isolado; buscando ter ao seu lado, sempre de bom grado, o convívio e a companhia de companheiros mais experientes que possam lhe ajudar e orientar nos percalços. Em síntese, não apenas o médium, mas qualquer pessoa, independentemente da área em que atue, mesmo com bons propósitos, ao esquecer o caminho do meio e do equilíbrio, coloca-se em uma posição complicada, favorecendo o desequilíbrio, o vício e o fanatismo. Sem a devida vigilância, acabam por enterrar grandes oportunidades de trabalho e evolução que poderiam ter aproveitado Vale frisar, desde já, que a mediunidade não é, e nunca será, a responsável por fanatizar ou esmorecer o médium ou qualquer outra pessoa em questão. Por trás das cortinas da invigilância, veremos que são os próprios hábitos do indivíduo em desequilíbrio que o leva por caminhos tortuosos e extremos, colocando-lhe em desalinhos com os ideais mais enobrecidos. ESMORECIMENTO Quanto ao esmorecimento, recordemos sempre das palavras do Cristo que nos disse que aquele que perseverar até o fim será salvo . (Mateus 24:13) Em seu perseverar, todo trabalhador espírita deve buscar servir ao próximo pelo simples prazer de ser útil na seara do bem, sentindo a satisfação de cooperar de forma abnegada, sem esperar quaisquer privilégios por parte de ninguém, principalmente da espiritualidade superior. Como alicerce seguro do seu trabalho, o medianeiro deve trazer a consciência sincera de que todos os feitos realizados por seu intermédio devem ser direcionados a Deus, a Jesus e a espiritualidade amiga. Além do estudo constante de O Livro dos Médiuns como indicado acima, deve compreender também que a sua produção mediúnica carece, para o seu próprio adiantamento, de ser compartilhada com seus companheiros de ideal, dirigentes e instrutores, para o exame e análise dos feitos. Como parte prática dessa instrução, busca receber as devolutivas dos teus irmãos de jornada com humildade, bom ânimo e doçura. Se te parecer justo, corrige os conceitos e te melhora. Em contrapartida, se for injusto, utiliza esta oportunidade para trabalhar a tua paciência e resignação. Se porventura a dor e o sofrimento baterem em tua porta ao ponto de te sentires desanimado, lembra que Deus não te deixaria passar por essas situações sem que você tivesse condições reais de sair vitorioso das intempéries do caminho. Compreende também que algumas dificuldades são colocadas em teu meio para te ajudar a progredir mais depressa, como oportunidade de redenção espiritual. E por fim, lembra-te mais uma vez das palavras do Mestre de Nazaré que disse: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me." (Lucas 9:23) Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 3: Prudência Mediúnica Pergunta 27: Qual é o limiar entre a fé e o fanatismo? Como o médium pode evitar os extremos do fanatismo ou do desânimo? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MAIA , João Nunes (psicografia). Médiuns. Miramez (espírito). Fonte Viva, 19ª edição, 2017. TEIXEIRA , Raul (psicografia). Desafios da Mediunidade. Camilo (espírito). EDITORA FRÁTER, 1ª edição, 27 maio 2020. BÍBLIA DE JERUSALÉM . Mateus 24:13. 14ª impressão. Editora PAULUS, 2017. BÍBLIA DE JERUSALÉM . Lucas 9:23. 14ª impressão. Editora PAULUS, 2017.
- 26. Os vícios, de modo geral, prejudicam a prática mediúnica?
A mediunidade é indiferente a moralidade, classe social, sexo, cultura ou religião, estando presente em todos os meios desde os primeiros passos do homem sobre a Terra. Sendo assim, a mediunidade se encontra vigente entre pessoas que não possuem nenhum tipo de vício, assim como, entre aqueles que são toxicômanos (dependentes químicos), dipsômanos (alcoólatras), pessoas com transtornos compulsivos alimentares, hipersexualidade (vício em sexo), etc. A dependência química, dentre outros vícios, são impedimentos para o exercício da mediunidade? É importante destacar que mediunidade e sintonia andam sempre de mãos dadas . Se estamos constantemente ligados àqueles que estão em nossa mesma faixa vibracional, quem são os companheiros daqueles que se regozijam em vícios e hábitos menos saudáveis? Como já dissemos, a desencarnação não transforma ninguém. Nenhuma alma vira anjo ou santo apenas por desencarnar. Todos os hábitos que cultivamos em Terra, fazem parte da bagagem que levaremos ao além-túmulo, incluindo os nossos vícios. Quanto maior o tempo em que o sujeito se detém preso a determinadas práticas, mais difícil será à sua libertação, principalmente no mundo espiritual. Dessa forma, algumas sensações orgânicas são tão acentuadas após o desencarne que o Espírito sente, como uma espécie de abstinência energética , a necessidade de se satisfazer e passa a buscar essa saciedade – via obsessão e vampirização – diante dos encarnados simpáticos a esses mesmos gostos, principalmente se estes forem possuidores de mediunismo. Por consequência, cada um escolhe e elege as companhias espirituais que bem deseja, sendo o próprio ser encarnado responsável pelos companheiros espirituais que convida diretamente para estar ao seu lado, sejam eles bons, elevados ou ainda em estados inferiores. IMPORTANTE DESTACAR Desde já, não estamos julgando ou condenando ninguém que possuí os hábitos aqui mencionados, pois os temos como irmãos credores da nossa mais singela devoção e amparo. Sabemos ainda das dificuldades existentes quanto a superação dos diversos vícios. Portanto, é importante destacar que a busca pela ajuda profissional especializada deve ser estimulada sempre que possível, e que todos os familiares envolvidos mais próximos são peças fundamentais no reerguimento e sustentação dos seus entes queridos (mesmo daqueles que não querem ajuda ou que não se reconhecem como dependentes). Também não estamos ditando regras, normas ou impedimentos em relação ao aperitivo alcoólico, ao prato preferido, a comunhão sexual, os divertimentos sadios entre amigos, dentre outros. Aqui nos limitamos a apresentar apenas os possíveis efeitos decorrentes dos excessos, vícios e desequilíbrios na vida do medianeiro. Todo excesso/vício/desequilíbrio foge e contraria as leis naturais, ferindo o nosso perispírito. Sendo assim, somos compelidos ao ajuste dos crimes que cometemos contra nós mesmos, seja através das doenças, da desencarnação precoce, da psicose mental ou da obsessão que abrimos precedente. DEPENDÊNCIA QUÍMICA ENTRE OS MEDIANEIROS Em relação às drogas, tabagismo, alcoolismo e a hipersexualidade, além das lesões que é registrada no perispírito do ser em desequilíbrio, há ainda o agravante se a pessoa em questão for um médium ostensivo. Em Segurança Mediúnica , o benfeitor Miramez – psicografia de João Nunes Maia – nos adverte sobre os perigos das viciações diante da vida do medianeiro ao destacar: “ A mediunidade a serviço do bem é incompatível com certos hábitos e com toda espécie de vícios. A mediunidade de cura carrega uma grande responsabilidade diante dos enfermos. O médium viciado, por meios que escapam até mesmo à sua sensibilidade, transfere para o doente o miasma oriundo dos vícios, aquele magnetismo inferior que representa uma doação imprestável.” Qualquer pessoa que, por exemplo, receba um passe, uma transfusão energética de um médium cujos hábitos não sejam salutares, e aqui não nos reportamos somente aos vícios físicos, mas também aos da alma, como a maledicência e tantos outros, assimila em seu próprio corpo os fluidos malsãos recebidos do médium em questão, que mesmo dotado de boas intenções, em ajudar e fazer a caridade, acaba por transmitir as impurezas do seu magnetismo ao paciente em atendimento. Portanto, se desejas trabalhar realmente em nome do bem, na seara de Jesus, é necessário que busque se libertar de todo e qualquer tipo de viciação, inclusive as de cunho moral, como a arrogância, a impaciência, o preconceito, a intolerância, etc. TABAGISMO, INTRIGAS, ÁLCOOL E MALADICÊNCIA Ainda na supracitada obra, Miramez continua suas elucidações ao nos ensinar que: – O fumo não faz mal somente ao físico. Atinge, por meios sutis, outros corpos que o Espírito usa. – A intriga, muito comum nos meios humanos e que pertence a variadas escalas, perturba a função mediúnica, distorcendo as forças do bem e impedindo que o fluido cósmico, na sua candidez, viaje por todos os centros de forças encravados no corpo espiritual, com o seu seguro desempenho. – O álcool em excesso, além de provocar ruptura em delicadas membranas protetoras que separam o mundo espiritual do mundo físico, desativa e retarda as vibrações do centro energético esplênico, interrompendo a distribuição de forças vitais a todo o organismo, impedindo as próprias glândulas endócrinas da fabricação adequada de hormônios, elementos indispensáveis à vida humana, além de outras responsabilidades que têm esses instrumentos louváveis do corpo humano. – A maledicência e o humor picante são vícios terríveis que igualmente modificam todo o sistema de irrigação vital, que acompanham o grande rio sanguíneo, na sua manifestação de vida em todo o complexo humano. Portanto, o tabagismo e as brigas do cotidiano, além do álcool em demasia, a fofoca e a malícia, prejudicam não apenas o corpo físico, mas aos outros corpos sutis que fazem parte da nossa constituição. O álcool ainda é o responsável por provocar a ruptura de delicadas membranas que separam o mundo físico do mundo espiritual, uma espécie de camada de ozônio que protege o médium de ficar exposto a todo e qualquer tipo de influenciação e assimilação energética. Ou seja, o médium que faz uso abundante ou frequente de bebidas alcoólicas ou quaisquer outros tipos de vícios, além de desequilibrar os seus centros de força, extingue pouco a pouco a proteção natural e fluídica que seu corpo possuí, ficando exposto as intempéries do intercâmbio entre os dois planos. Em Diversidade dos Carismas , o autor Hermínio de Miranda informa ainda que “se um participante comparece com elevada dosagem de álcool no sangue ou com uma refeição pesada, em processo de digestão, será impraticável sua integração harmoniosa no grupo.” E o referido autor complementa a sua explicação ao dizer: “Os espíritos nos dizem que em tais casos aplicam o recurso extremo de isolar a criatura para que, já que não pode ajudar, pelo menos não perturbe os trabalhos, uma vez que sua aura se apresenta literalmente suja e desarrumada.” Vale destacar que não é apenas o que ingerimos por meio físico, mas também o que pensamos, o que falamos, assistimos e emanamos que nos eleva ou nos degrada, nos colocando mais uma vez como responsáveis pelas nossas próprias obras e escolhas. ORIENTAÇÕES GERAIS Para finalizar, meditemos na advertência que o benfeitor Miramez, por meio da obra aqui já citada, nos orienta: – Se ainda não tens forças para te libertares dos hábitos incômodos e dos vícios perniciosos, não intentes, por enquanto, desenvolver teus dons espirituais, porque uma coisa não pode se misturar à outra , para que não advenham terremotos internos e conflitos incompreensíveis. Todavia, para tudo existe solução e esta se encontra no trabalho da caridade, desde que nada exijas em troca, pelo teu dever de ajudar aos teus irmãos carentes. – Faze-te companheiro do bom livro, que ele te orienta, e torna-te amigo de homens que se entregaram à reforma moral, que eles vão ajudar-te nos primeiros passos na senda da verdade. Tudo o que procuras existe dentro de ti, até o próprio céu. – Os vícios somente prendem e usam seu poder sobre os inferiores, que neles se deliciam das coisas transitórias, por desconhecerem as belezas eternas que as virtudes restabelecem nos corações. MEDIUNIDADE E LIVRE-ARBÍTRIO Cada pessoa é responsável pelos atos que pratica, assim como os vícios aos quais se entrega. Para os companheiros que optam por todos os tipos de vícios, excessos e desregramentos, a mediunidade passa a ser fator de grande perturbação, podendo não apenas desencadear uma obsessão sutil, mas até mesmo, uma dolorosa subjugação. Em compensação, o médium que segue o caminho da retidão, do amor e da caridade, praticando a reforma moral e lutando contra as suas inferioridades, passa a respirar ares renovados de fé, de vitalidade e bom ânimo. Essas energias benéficas são provenientes da presença dos bons Espíritos que passam a acompanhar o medianeiro comprometido com o trabalho, com o bem, com Jesus. Isto exposto, voltamos a dizer que a mediunidade é uma faculdade neutra, sendo o seu portador o único responsável pelo que dela vier a fazer, não sendo possível eximir-se das ações praticadas, da invigilância ou da ignorância. Texto extraído do livro Mediunidade com Kardec de Patrick Lima . Capítulo 3: Prudência Mediúnica Pergunta 26: Os vícios, de modo geral, prejudicam a prática mediúnica? Como citar: LIMA, Patrick. Mediunidade com Kardec. Poverello Edições, 2023. 1ª ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MAIA , João Nunes (psicografia). Segurança Mediúnica. Miramez (espírito). Fonte Viva, 2ª edição, março de 2015. MIRANDA , Hermínio C. Diversidade dos Carismas. LACHATRE, novembro de 2019, 9ª edição.










